DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

A MOÇA CAETANA – A MORTE SERTANEJA – Ariano Suassuna

Eu vi a Morte, a moça Caetana,
com o Manto negro, rubro e amarelo.
Vi o inocente olhar, puro e perverso,
e os dentes de Coral da desumana.

Eu vi o Estrago, o bote, o ardor cruel,
os peitos fascinantes e esquisitos.
Na mão direita, a Cobra cascavel,
e na esquerda a Coral, rubi maldito.

Na fronte, uma coroa e o Gavião.
Nas espáduas, as Asas deslumbrantes
que, rufiando nas pedras do Sertão,

pairavam sobre Urtigas causticantes,
caules de prata, espinhos estrelados
e os cachos do meu Sangue iluminado.

Ariano Vilar Suassuna, João Pessoa-PB (1927-2014)

 

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

PEDRO MALTA – RIO DE JANEIRO-RJ

Berto,

Veja esse interessante artigo que está circulando na internet, intitulado O Príncipe e a “Geni”.

É da autoria de Eduardo Martins, Bacharel Licenciado em História, especialista em História Militar Brasileira e Coronel R1 Inf, Doutor, Mestre e Bacharel em Ciências Militares.

Trata-se de resposta a um outro artigo sobre o mesmo assunto, publicado recentemente no JBF.

Basta clicar aqui para ler.

Fraterno abraço.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

COMENTÁRIO DO LEITOR

TEMPERADO COM VENENO

Comentário sobre a postagem O NASCIMENTO DO ‘IMPÉRIO DO MAL’ (SEGUNDA PARTE)

Adonis:

Eu estive na Ucrânia em 2014, exatamente no período em que a Rússia invadiu a Crimeia.

Conversando com algumas das inúmeras amizades que lá fiz na ocasião, algumas me disseram que as avós, mesmo sendo de etnia russa e falando o russo no dia a dia, entravam em verdadeiro pavor quando se falava que os russos estavam invadindo.

A memória do holodomor permanece uma chaga viva.

Isto explica porque as velhinhas prepararam deliciosos docinhos para receber e presentear os soldados russos.

Só que TEMPERADOS COM VENENO DE RATO.

Morreram milhares de soldados assim. Ninguém sabe nem dizer quantos.

J.R. GUZZO

O GOVERNO QUE NÃO ACABA

Bolsonaro disse que não cometeu nenhuma ilegalidade | Foto: Divulgação/Agência Brasil

Bolsonaro disse que não cometeu nenhuma ilegalidade

Criou-se no Brasil de hoje algo que nunca existiu antes na história deste país, desde 1.500, e que talvez não tenha existido em país nenhum do mundo: o governo que não acaba. Já tivemos todo o tipo de governo por aqui, inclusive alguns que não foram ruins. Mas não havia acontecido, até hoje, o fenômeno do governo que não acaba nunca. É o caso de Jair Bolsonaro. Daqui a pouco vai fazer três meses que o homem saiu da Presidência e foi morar nos Estados Unidos. Não manda em absolutamente mais nada. Boa parte do que fez em seu governo está sendo demolido. Diante da monumental artilharia de acusações destinada a impedir que ele se candidate algum dia à uma nova eleição, seu futuro político parece variar entre o nulo e o não-existente. Só lhe parece sobrar, agora, uma missa de réquiem – mas na prática não está sendo assim. Ao contrário: parece que Bolsonaro continua despachando todos os dias do Palácio do Planalto. Fala-se mais dele do que de qualquer outra coisa.

O assunto, agora, é uma prodigiosa história sobre um estojo de joias que ele deveria ter recebido do governo da Arábia Saudita, não recebeu porque a coisa ficou presa na Alfândega, mas teve a intenção de receber, conforme se acusa – o que, segundo os peritos que a mídia ouviu a respeito do caso, deixa aberta uma avenida nova em folha para acusações criminais contra o ex-presidente. Para um homem já acusado pelos inimigos de genocídio, rachadinha, prevaricação, ligação com milícias, rolos não concluídos na compra de vacinas, tentativa de dar um golpe de Estado nas desordens do dia 8 de janeiro em Brasília, e sabe lá Deus o que mais, parece não haver necessidade nenhuma de mais pancada – se Lula, e o PT e a esquerda conseguissem mesmo o que estão querendo, isso tudo seria suficiente para deixar Bolsonaro na cadeia pelos próximos 1.500 anos. O motivo por que ele permanece no coração da vida política e do noticiário é outro. A intenção, aí, é esconder as bananas de dinamite que o governo Lula, com as decisões que vem tomando desde a posse, armou para explodir em cima da população. Estão semeando vento como nenhum governo semeou antes neste país; se continuarem assim, vão colher uma tempestade perfeita.

É infantil achar que Bolsonaro vai resolver esse problema, e os demais problemas de Lula, aparecendo todo dia no Jornal Nacional. Quando o cidadão encher o tanque do carro, daqui a X tempo, e ver o preço que pagou, não vai se lembrar de joias, e nem achar que está diante de uma “suspensão da desoneração” dos combustíveis – vai culpar o governo, direto, pela conta que recebeu. Não adiantará nada, aí, querer que prendam o morto.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

XICO COM X, BIZERRA COM I

O MEU PARAÍSO E O PARAISO DE ADÃO

Sem nada a fazer e com a mão sob o queixo em um dia de sol pouco – mas nem por isso menos belo, resolvi ligar para Adão. Sem uma das costelas, ele continuava no Paraíso, à sombra de uma frondosa tamarineira (pés de maçã, por aquelas bandas, o síndico de barbas brancas e longas mandou arrancar, disse-me ele).

Eva não estava: tinha ido buscar Caim, Abel e Seth no Grupo Escolar. Fora convocada pela diretora por conta de constantes brigas entre os dois irmãos mais velhos.

Na conversa com Adão, falei-lhe de nossas praias, dos belos e altos coqueiros, dos montes e vales e principalmente de nossos rios, Capibaribe e Beberibe, que se unem para formar o Atlântico. Comentei sobre a alva estrela que fulge e não finda quando não está o sol iluminando o infinito, fazendo a glória da Terra brilhar!

Ele a tudo ouvia, calado. Acho que avaliava o quanto aqui era melhor que aquele paraíso dele, sem graça, monótono, povoado por serpentes. Devia estar imaginando o quanto fora enganado quando lhe disseram ser ali o Paraíso.

Fez-se então o calar. Nada além do mais profundo e sepulcral silêncio, só quebrado depois de persistentes e intermináveis dez segundos, quando Adão indagou:

– Só belezas naturais? E os heróis do seu lugar?

Calei, enxuguei a lágrima que teimava em adubar o chão, e falei-lhe de nossos bravos guerreiros. Contei-lhe da valentia de muitos, dentre eles Frei Caneca, Vigário Tenório, Domingos José Martins, Cruz Cabugá e Barros Lima, o Leão Coroado. Tantos heróis para louvar e ele, deu-me dó, a registrar um herói apenas e, ainda assim, que deixou de sê-lo quando um dia o expulsou de casa apenas por não ter resistido ao sabor de uma maçã vermelha.

Ao fundo, escutava-se Evocação, de Nélson Ferreira. Desliguei o som: lembrei que no Paraíso de Adão não existia Frevo e não era do meu feitio humilhar os semelhantes.

A certa altura da conversa, Adão pediu licença para desligar o telefone pois precisava atender ao enfermeiro que chegara para aplicar-lhe o soro antiofídico que lhe fora receitado pelo médico do SUS celestial.

A conversa durou pouco mais de meia hora, mas custou quase nada: afinal, ligações locais, de paraíso para paraíso, hoje são quase de graça.

* * *

(O presente texto compõe o livro OLÁ, COMO VAI?, deste colunista, no aguardo de uma Editora interessada na publicação. Alguém sugere?).

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