
Berto,
Veja esse interessante artigo que está circulando na internet, intitulado O Príncipe e a “Geni”.
É da autoria de Eduardo Martins, Bacharel Licenciado em História, especialista em História Militar Brasileira e Coronel R1 Inf, Doutor, Mestre e Bacharel em Ciências Militares.
Trata-se de resposta a um outro artigo sobre o mesmo assunto, publicado recentemente no JBF.
Basta clicar aqui para ler.
Fraterno abraço.
Comentário sobre a postagem O NASCIMENTO DO ‘IMPÉRIO DO MAL’ (SEGUNDA PARTE)
Adonis:
Eu estive na Ucrânia em 2014, exatamente no período em que a Rússia invadiu a Crimeia.
Conversando com algumas das inúmeras amizades que lá fiz na ocasião, algumas me disseram que as avós, mesmo sendo de etnia russa e falando o russo no dia a dia, entravam em verdadeiro pavor quando se falava que os russos estavam invadindo.
A memória do holodomor permanece uma chaga viva.
Isto explica porque as velhinhas prepararam deliciosos docinhos para receber e presentear os soldados russos.
Só que TEMPERADOS COM VENENO DE RATO.
Morreram milhares de soldados assim. Ninguém sabe nem dizer quantos.
Depois dessa invenção, o mundo jamais será o mesmo!… kkkkkk pic.twitter.com/nLosKtzqks
— Tenente Edgard (@SubtenenteEdgar) March 12, 2023

Sem nada a fazer e com a mão sob o queixo em um dia de sol pouco – mas nem por isso menos belo, resolvi ligar para Adão. Sem uma das costelas, ele continuava no Paraíso, à sombra de uma frondosa tamarineira (pés de maçã, por aquelas bandas, o síndico de barbas brancas e longas mandou arrancar, disse-me ele).
Eva não estava: tinha ido buscar Caim, Abel e Seth no Grupo Escolar. Fora convocada pela diretora por conta de constantes brigas entre os dois irmãos mais velhos.
Na conversa com Adão, falei-lhe de nossas praias, dos belos e altos coqueiros, dos montes e vales e principalmente de nossos rios, Capibaribe e Beberibe, que se unem para formar o Atlântico. Comentei sobre a alva estrela que fulge e não finda quando não está o sol iluminando o infinito, fazendo a glória da Terra brilhar!
Ele a tudo ouvia, calado. Acho que avaliava o quanto aqui era melhor que aquele paraíso dele, sem graça, monótono, povoado por serpentes. Devia estar imaginando o quanto fora enganado quando lhe disseram ser ali o Paraíso.
Fez-se então o calar. Nada além do mais profundo e sepulcral silêncio, só quebrado depois de persistentes e intermináveis dez segundos, quando Adão indagou:
– Só belezas naturais? E os heróis do seu lugar?
Calei, enxuguei a lágrima que teimava em adubar o chão, e falei-lhe de nossos bravos guerreiros. Contei-lhe da valentia de muitos, dentre eles Frei Caneca, Vigário Tenório, Domingos José Martins, Cruz Cabugá e Barros Lima, o Leão Coroado. Tantos heróis para louvar e ele, deu-me dó, a registrar um herói apenas e, ainda assim, que deixou de sê-lo quando um dia o expulsou de casa apenas por não ter resistido ao sabor de uma maçã vermelha.
Ao fundo, escutava-se Evocação, de Nélson Ferreira. Desliguei o som: lembrei que no Paraíso de Adão não existia Frevo e não era do meu feitio humilhar os semelhantes.
A certa altura da conversa, Adão pediu licença para desligar o telefone pois precisava atender ao enfermeiro que chegara para aplicar-lhe o soro antiofídico que lhe fora receitado pelo médico do SUS celestial.
A conversa durou pouco mais de meia hora, mas custou quase nada: afinal, ligações locais, de paraíso para paraíso, hoje são quase de graça.
* * *
(O presente texto compõe o livro OLÁ, COMO VAI?, deste colunista, no aguardo de uma Editora interessada na publicação. Alguém sugere?).