DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

A PALAVRA DO EDITOR

UM SEXTA-FEIRA DE VERÃO

Sexta-feira quente e ensolarada aqui no Recife.

Vai ser um final de semana de praia cheia e botecos lotados.

Chupicleide, nossa fogosa secretária de redação, já está se rindo-se e planejando dar seus pinotes nas areias da praia do Pina, lá nas imediações do Buraco da Véia.

Ela tá num xamêgo danado!

Isso graças às doações feitas esta semana pelos leitores Áurea Regina, José Claudino, Eraldo Moura, Walter Gouveia e Marília César.

De modo que, graças à generosidade dos amigos fubânicos, está garantida não apenas a cerveja de Chupicleide, mas também o capim do jumento Polodoro e a ração da cachorra Xolinha, nossos queridos mascotes.

Gratíssimo a todos vocês que nos dão força e ajudam a manter esta gazeta escrota avuando pelos ares!

E, já que falamos no xamêgo de Chupicleide, vamos fechar a postagem com um forró gonzagueano, que tem exatamente este título.

Um excelente final de semana para todos os nossos leitores!

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

GRANDES MESTRES DO IMPROVISO

João Furiba

Se você quiser ter sorte
na sua mercearia,
coloque uma etiqueta
em cada mercadoria
e ponha meu nome nela
que conquista a freguesia.

Pinto do Monteiro

Triste da mercadoria
que nela tiver seu nome!
Pode vir um guabiru
Com oito dias de fome,
Caga o pão, mija no queijo,
Passa por cima e não come.

* * *

João Paraibano

Os vegetais estremecem
Na hora que o vento espoca,
Um bezerra se alimenta
Na vaca da ponta oca,
Com o leite morno descendo
Pelos dois cantos da boca.

Sebastião Dias

A serra usa uma touca,
De noite, de um modo estranho,
O capim pangola roça
Na barriga do rebanho
E a noite espreme uma nuvem
Pra o morro tomar um banho.

João Paraibano

É aqui que o cabeçalho
machuca um boi preguiçoso;
neste arvoredo canta
um pássaro melodioso
e o arroto de uma vaca
deixa o curral mais cheiroso.

Sebastião Dias

É quando o boi preguiçoso
Vem marchando pros currais,
Lambe o queixo pela frente,
Balança a cauda por trás,
Pra ver se alcança no canto
Dos calos que a canga faz.

* * *

Diniz Vitorino

Eu vou defender a morte
Mas tô conformado ainda
A ida pro túmulo é certa
E é quase impossível a vinda
O que começa termina
Tudo que nasce se finda.

Ivanildo Vilanova

A vida é praia de Olinda
É vagalhão que se agita
A morte é caixão quebrado
É trava e cova esquisita
Bocado que o mundo enjeita
Osso que o mundo vomita.

Diniz Vitorino

Eu sei que a vida é bonita
Mas à morte eu dou cartaz
Que a vida quer ir pra frente
A morte puxa pra trás
A vida quer mais não foge
Dos cercos que a morte faz.

Ivanildo Vilanova

Mesmo a vida ruim demais
De sobressalto e sobrosso
Todos querem morrer velho
Que ninguém quer morrer moço
Com uma bala no crânio
E uma corda no pescoço.

Diniz Vitorino

Pertinho de um calabouço
A vida faz seu império
A morte chega e transforma
Ouro fino em pó funéreo
Roupa rasgada em mortalha
E palacete em cemitério.

Ivanildo Vilanova

Mas a vida tem mistério
Todo mundo quer viver
Um velho de oitenta anos
Tendo riqueza e poder
Contrata os médicos do mundo
Faz força pra não morrer.

Diniz Vitorino

A morte me dá prazer
Que eu a morte já conheço
Tira a fatura dos débitos
Mostra a nota, cobra o preço
No fim o cliente paga
O tributo do começo.

Ivanildo Vilanova

A vida tem tanto apreço
Que quem adoece pende
Vai pra médico e hospital
Gasta, mas não se arrepende
Que só não se compra a morte
Porque ela não se vende.

Diniz Vitorino

Dela ninguém se defende
Que a morte não faz tolice
Se ela não viesse logo
Talvez que o povo sentisse
A morte é muito melhor
Do que a dor da velhice.

Ivanildo Vilanova

A morte tem mais sentidos
Que é perversa demais
Se não existisse morte
Barco não perdia o cais
Não tinha viúva só
Nem filho longe dos pais.

Diniz Vitorino

Neste mundo sem cartaz
Se as raças são pervertidas
Se as gerações futuras
Serão mais desenvolvidas
É justo que haja mortes
Pra que surjam novas vidas.

Ivanildo Vilanova

Vida tem riso e bebida
Embora tenha pecado
Porque se não fosse a morte
Caixão não era comprado
Coveiro não tinha emprego
E cemitério era fechado.

Diniz Vitorino

Pra quem vive sem pecado
A morte não é cruel
Se não morresse Izaias
Balaão, nem Daniel
Não nasceria Jesus
Pra salvação de Israel.

Ivanildo Vilanova

A vida é taça de mel
Que todo mundo aprecia
Porque se não fosse a morte
Não tinha casa vazia
Caneta não tinha preço
Mortalha, a traça comia.

Diniz Vitorino

A morte é mulher liberta
Pra mim tem boas condutas
Se Cleópatra não morresse
Nas presas das cobras brutas
Hoje o Egito seria
Um reino de prostitutas.

Ivanildo Vilanova

A vida tem boas frutas
Baladas, canto e procela
Mesmo se não fosse a morte
Não tinha tristeza nela
Padre não ganhava nota
Cêra não queimava vela.

Diniz Vitorino

A morte não tem preguiça
Nem trava lutas perdidas
Se Helena rainha falsa
Tivesse um milhão de vidas
Quantas cidades troianas
Não seriam destruídas.

Ivanildo Vilanova

Porém faz coisas erradas
Aviso com alegria
Se Lampião fosse vivo
Com a sua pontaria
Muito cabra sem-vergonha
Pagava o que me devia.

Diniz Vitorino

Muito prazer eu teria
Se a morte desse fim
Ao velho Anuar Sadat
Fidel Castro, Idi Amin
Ivanildo Vilanova
Mas esquecesse de mim.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MAURÍCIO ASSUERO – RECIFE-PE

Grande Papa,

por favor, coloque nas asas da Besta que hoje as 19h30 abriremos as portas do Cabaré pra jogar conversa fora.

Para participar basta clicar aqui.

Vamos aproveitar pra falar mal da vida de quem não aparecer.

Abraços e até lá

R. O recado está dado, nobre gerente cabarelista.

Vamos fuxicar com muito gosto e vigor.

Um excelente indício de que teremos todos um final de semana maravilhoso.

Às sete e meia de noite nos encontramos lá na sala do Cabaré.

Até mais tarde!!!

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

O MINISTRO

Sully, Maximiliano de Béthune, Barão de Rosny, (1559 – 1641) foi um dos mais ilustres ministros da França, durante o reinado de Henrique IV (1553-1610) .

Era protestante. Seu pai apresentou-o a Henrique de Navarra, que o levou consigo para Paris, onde ele cursou o Colégio de Borgonha. Escapou à matança de São Bartolomeu e prestou o serviço militar no exército do rei de Navarra.

Henrique IV (Pau, 13 de dezembro de 1553 – Paris, 14 de maio de 1610), também conhecido como “o Bom Rei Henrique”, foi o Rei de Navarra como Henrique III de 1572 até sua morte, e também Rei da França a partir de 1589.

Depois que Henrique IV subiu ao trono da França, Sully foi o seu confidente preferido. Nomeado, sucessivamente, Secretário de Estado em 1591, Conselheiro do Conselho das Finanças em 1596, Inspetor-mor em 1597, Superintendente das Finanças e Grão-mestre da Artilharia em 1599.

Foi, sobretudo, pelas suas reformas financeiras, que Sully se tornou célebre. Soube, à força de atividade, ordem e economia, realizar os planos concebidos por Henrique IV. Para remediar a penúria da França e do tesouro real, começou por estabelecer uma contabilidade severa e puniu os concussionários (funcionários que recebiam propina); fiscalizou a repartição da capitação (certo imposto pago por cabeça; o que cabia a cada um pagar); diminuiu as isenções; reduziu os juros da dívida por meio de uma conversão; estabeleceu, numa palavra, um verdadeiro orçamento de 40 milhões; protegeu a Agricultura, reparou as estradas, as pontes, procurou dotar a França com uma rede de canais, mas só pôde levar a efeito o canal de Briare. Restabeleceu as fortificações das Praças fronteiras e deu ao país uma excelente artilharia.

Muito apreciado por Henrique IV, Sully opôs-se, frequentemente, às suas prodigalidades e às das suas amantes.

Impediu que o rei casasse com Gabriella d’Estrées e trabalhou para o seu casamento com Maria de Medici.

Henrique IV soube, todavia, resistir ao seu ministro, criando e desenvolvendo as indústrias de luxo, das quais Sully não era partidário.

Henrique IV da França (III de Navarra) morreu em Paris, França, no dia 14 de maio de 1610, quando partia para uma campanha militar. Foi assassinado por um fanático chamado François Ravaillac.

Após o assassinato do rei, Sully conservou as suas funções, e em 1611 as intrigas da Corte obrigaram-no a demitir-se do cargo de Superintendente das Finanças, e de Governador da Bastilha. Exigiu, então uma soma avultada e uma grande pensão, porque estava longe de ser desinteressado.

O seu ciúme de todos os outros ministros e favoritos era perceptível a olho nu. No entanto, ele foi um excelente homem de negócios, e se opôs às despesas exageradas com as cortes, que foram a perdição de quase todas as monarquias europeias nesses tempos.

Era dotado de capacidade executiva, acima de tudo, com profunda devoção ao seu rei. Havia ganho, implicitamente, a confiança de Henrique IV, e provou ser o assistente mais capaz em dissipar o caos em que as guerras religiosas e civis tinham mergulhado a França.

A Sully, ao lado de Henrique IV, pertence o crédito para a transformação feliz que houve na França, entre 1598 e 1610, pelo qual a agricultura e o comércio foram beneficiados, e a paz externa e a ordem interna foram restabelecidas. Foi um mercantilista prático.

Sully não era popular. Era odiado pela maioria dos católicos romanos, porque era um protestante, e também pela maioria dos protestantes, porque era fiel ao rei, que havia se tornado católico romano. Portanto, por ser um dos favoritos do rei, Sully era odiado por todos e considerado egoísta, obstinado e rude.

Em 1634, foi-lhe dado o bastão de Marechal, por intervenção de Richelieu. Escreveu umas memórias, que foram publicadas com o título de “Sábias e Reais Economias de Estado”.

Sendo Sully ministro da Fazenda durante o reinado de Henrique IV, da França, certo dia este o notou preocupado, e perguntou-lhe a razão.

Senhor – respondeu o ministro Sully: – as necessidades do Estado são urgentes e vamos ser obrigados a criar novos impostos. É isto o que me preocupa.

Oh! Novos impostos!- exclamou o rei, ficando sisudo e perdendo, de repente, todo o ar de sua graça.-Irritado, desabafou:

– Não me fale nisto! Meu povo já está muito sobrecarregado de impostos para que lhe imponhamos outros! Mais impostos, é impossível!!!…

– Senhor – continuou Sully, -acho-me diante de sérios compromissos. As despesas aumentam dia a dia e as rendas diminuem, não dando para cobri-las. Preciso fazer grandes pagamentos e me encontro sem recursos. Já sabeis, Majestade, que aquele que segura o cabo da caçarola é o que em pior situação se acha.

Irritado, o rei perguntou:

– Quem disse isto?

– A sabedoria popular, Majestade. É voz corrente. – Respondeu o ministro.

– Pois está enganado! – contestou o monarca de cara fechada:

 – O que se acha em pior situação é o que está se cozinhando dentro da caçarola e não o que lhe segura o cabo!

DEU NO X

DEU NO JORNAL

DEPUTADO NIKOLAS E A DISCUSSÃO PROIBIDA SOBRE IDEOLOGIA DE GÊNERO

Leandro Ruschel

Ontem, o deputado Nikolas Ferreira, o mais votado do Brasil, foi o pivô de uma polêmica.

Em meio a várias falas de mulheres denunciando a sociedade “machista”, Nikolas foi até a tribuna, sob protestos, pois no Dia das Mulheres, apenas mulheres deveriam falar, segundo a esquerda.

Ele então colocou uma peruca e disse que naquele momento estava se sentindo mulher, portanto, teria “lugar de fala” para discursar. Sob vaias e xingamentos de parlamentares esquerdistas, ele fez um breve discurso, afirmando que as mulheres estariam perdendo direitos e correndo riscos por conta da ideologia de gênero, a ideia que não existe sexo biológico, mas sim uma escolha pessoal entre ser homem, mulher ou “gênero fluído”.

Disse ainda que poderia até ser preso, porque no passado deu feliz Dia da Mulher apenas às “XX”, se referindo ao par de cromossomos que apenas as mulheres têm, algo que não pode ser modificado por qualquer procedimento cirúrgico. Foi o suficiente para despertar a ira da esquerda.

Liderando o grupo, a jovem globalista autoritária Tabata Amaral disse que iria até o Conselho de Ética pedir a cassação do mandato do deputado. Outras deputadas afirmaram que entrariam com denúncia no Supremo por “transfobia”, o crime criado pelo próprio tribunal.

A discussão nas redes se ateve mais à postura do deputado, do que às questões mais importantes:

1) A liberdade de expressão ABSOLUTA aos parlamentares, claramente expressa na Constituição, ainda é válida?

2) É ilegal questionar a ideologia de gênero?

Ao exigir a cassação e criminalização do deputado, a esquerda deixa claro a sua postura totalitária. Aparelhadas as cortes e boa parte da máquina pública, além da imprensa, não há mais interesse em discutir qualquer questão, mas sim emplementá-las à força, contra as crenças e tradições da esmagadora maioria da população.

Homens que acreditam ser mulheres devem ser permitidos em banheiros públicos? Crianças devem ser ensinadas que podem escolher ser homem ou mulher? Crianças devem ser submetidas à sexualização precoce em nome do ensino da “tolerância”?

O ensino da biologia deve ser criminalizado?

Crianças e adolescentes devem ser submetidas a tratamentos agressivos de mudança de sexo, o que na maioria das vezes significa esterilização, além de outros resultados irreversíveis? Homens devem ser permitidos nos esportes femininos? Homens devem ser permitidos em prisões femininas?

O objetivo da esquerda é criminalizar a própria discussão, e impor tudo isso à força.

A resposta à fala do deputado prova o seu ponto. Como ele mesmo disse, posteriormente, o que a esquerda quer é criminalizar toda a agenda conservadora, tratada como “extremista”, enquanto os verdadeiros extremistas perigosos são chamados de “progressistas” pela militância de redação.

É criada então a famosa espiral do silêncio, que é a base de todo regime totalitário: conforme os opositores do regime vão sendo duramente punidos, e os apoiadores são recompensados, há um forte incentivo para se calar diante das injustiças, ou mesmo dar apoio ao movimento para por alguma vantagem pessoal, mesmo que exista discordância com tais ideias radicais.

Hoje, o processo está em pleno curso no Brasil. Quanto mais gente se amedronta e cala, mais intenso fica o movimento de destruição dos valores mais caros.

Assim, chegamos à situação de ter um ex-presidiário na presidência do país, com apoio de amplos setores da sociedade. Ainda precisará piorar muito para melhorar.

Assista aos meus comentários a respeito:

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

CONVERSAS DE ½ MINUTO (24)

LISBOA. Lembro conversas de livro que estou escrevendo (título da coluna). Hoje, apenas com jornalistas.

* * *

ÁLVARO MAIA, chefe da secção Estrangeiro no Diário de Notícia, de Lisboa. Em 18/11/1922 morreu, na distante Paris, Marcel Proust, consagrado autor de À la recherche du temps perdu (Em busca do tempo perdido). De pneumonia, com só 51 anos, e logo enterrado no Père Lachaise. Dia seguinte, à noitinha, chega no jornal informação suscinta da agência Havas

– Morreu o romancista Marcel Proust, que obteve o prêmio Goncourt em 1919 (não constava da notícia, mas foi por seu romance À sombra das raparigas em flor).

Ocorre que Proust era, na época, um desconhecido em Portugal. E o jornalista Acúrcio Pereira, famoso por seu “temperamento irascível” (palavras do mestre António Valdemar, no artigo Proust em Portugal), acreditou tratar-se de Marcel Prévost (autor de Demi-vierges et les anges gardiens). Decidindo os dois, ele e Maia, noticiar a morte de Prévost. Para isso, transcreveram o texto da agência com um complemento

– Onde se lê Proust, deve-se ler Prévost. Se assim é, a França perde um dos seus romancistas mais estimados.

Na manhã seguinte, os telégrafos confirmaram a morte de Proust. Notícia boa, para Prévost, que morreria só em 1941. E Álvaro Maia consertou a rata da véspera dando, em primeira página, essa manchete

– Marcel Prévost não morreu.

Mais, no meio do jornal, modesta referência ao pobre do Proust.

– O falecido romancista tem um estilo que se embrulha e ninguém entende.

• Por essas e outras dizia Fernando Pessoa (Álvaro de Campos, Manifesto), da imprensa de sua época,

– Ora porra!
Então a imprensa portuguesa é
que é a imprensa portuguesa?
Então é esta merda que temos
que beber com os olhos?
Filhos da puta! Não, que nem
há puta que os parisse.

* * *

BARBOSA LIMA SOBRINHO, presidente da ABI. Sempre que nos encontrávamos

– Como vai?, dr. Barbosa.

E ele, invariavelmente,

– Como um velho (morreu com 103 anos), meu filho, desejando que todos os órgãos envelheçam ao mesmo tempo.

* * *

CARLOS ALBERTO SARDENBERG, jornalista. No Clube dos Ingleses, depois do tênis, os jogadores conversavam. Ele

– O homem precisa de mulher para tudo.

E Betina, do grupo, completou

– Até pra ser corno.

* * *

DUDA GUENNES, filósofo. Inauguração do supermercado Pingo Doce, no Rato, pertinho de seu apartamento na Rua da Alegria. Foi cobrir o evento, como jornalista de A Bola, e o diretor do estabelecimento

– O que está a achar?

– Muito bom. Porque tem tudo que não preciso.

* * *

JOÃO ALBERTO SOBRAL, cronista. O fotógrafo Pedro Luiz, por sugestão de João Alberto, bateu retrato de certa dama. Quando foi entregar, dia seguinte, soube que havia morrido na noite anterior. A história passou a ser conhecida, nos jornais. Certo dia, chega cidadão e pede

– Quero lhe contratar para tirar uma foto de minha sogra.

• Por falar em sogras o jornal PODER, edição de 27/04/2022, deu manchete sobre Francisco

– O Papa elogia as sogras.

Mais, por baixo, esse comentário

– É porque ele nunca teve uma.

• O que faz lembrar Cantoria de Pé de Parede em que o grande Louro Branco recebeu mote, Na casa que sogra mora/ Não tem um genro feliz, e cantou assim

– Minha sogra sem respaldo
Diz nos pensamentos seus
Que meus filhos não são meus
Que tem um do Lourinaldo.
Que o primeiro é de Geraldo
E o segundo é de Diniz.
Será meu Deus que eu não fiz
Um menino até agora?
Na casa que sogra mora
Não tem um genro feliz!

* * *

JOSÉ NÊUMANNE PINTO, jornalista. Chegou para conversar com o paraibano (como ele) José Amer… Aqui um problema, que todos se referem a esse grande escritor apenas como Zé 3 Pancadas. Dado que pronunciar seu nome completo é prenúncio de catástrofe. Toda gente conhece a praga. Se o amigo leitor ainda não sabe de quem se trata basta procurar, na internet, quem seria o autor de A bagaceira. Nêumanne

‒ Como nasceu essa relação entre você e o azar?

‒ Acho até graça. O avião caiu no mar e eu já quase cego, e aleijado, fiquei sentadinho na asa. Enquanto Antenor Navarro, campeão de natação, afundou. E dizem, ainda, que sou azarado…

‒ Não, Zé, dizem que você dá é azar nos outros.

‒ Aí pode ser.

* * *

MARIA LUIZA BORGES, jornalista. No Vaticano, sala Paulo VI, ela e a mãe, a grande Mariêta Borges (em cadeira de rodas). Tudo para ver Francisco. Um camerlengo informou que os cadeirantes iriam para a primeira fila; e seus acompanhantes, que receberiam laços vermelhos, ficariam ao lado. Dando-se que notório Deputado Estadual de Pernambuco, então presidente da Assembleia Legislativa, apossou-se da cadeira de Mariêta e disparou, até lá, na esperança de bater foto com o papa. Foi quando Maria Luiza saiu correndo atrás dele, aos berros,

– Devolva minha mãe!, devolva minha mãe!.

* * *

NELSON CUNHA, jornalista. No teatro Aliança Francesa, Raul Cortez interpretava um vip de São Paulo. Sentado em poltrona, o ator pegou o Estadão e disse

– Vou ver quem morreu.

Foi quando alguém junto de Nelson, na plateia, gritou

– Hoje não morreu ninguém.

* * *

OLBIANO SILVEIRA, jornalista e editor. Seu avô, Vicente Januário, tinha uma bodega na periferia de Mossoró (RGN), especializada em fumo de rolo. Certo dia chegou por lá dona Etelvina, cliente antiga,

– Seu Vicente, o sinhô tem fumo dos forte?

O velho entregou uma nasca, para ela provar.

– Descurpe, tem mais forte?

Só que, depois de mastigar, soltou um pum daqueles históricos, monumentais. Como se não fosse a responsável, continuou

– Será que tem ainda mais forte?

– Não, senhora, o de cagar já acabou.

DEU NO X