Na Argentina, Lula diz que o impeachment de Dilma foi um golpe de Estado. É um ataque brutal do chefe do executivo ao Congresso Nacional e ao STF, que executaram o Impeachment. Lula tem licença pra atacar as instituições democráticas? pic.twitter.com/9QEkz6qkPQ
O indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips
Hoje é aniversário de São Paulo e eu começo dando um susto no meu amigo paulistano, cujo prédio já foi invadido várias vezes pelo MTST. Um coordenador ativista do MTST em São Paulo vai comandar a Secretaria Nacional de Políticas para Territórios Periféricos. Pelo tamanho do nome, já resolve a situação. Está vinculado ao Ministério das Cidade. É Guilherme Simões o nome do novo secretário, que mora em São Paulo. O ministro das Cidades, para quem não sabe, é o filho de Jader Barbalho, o Jader Filho.
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“Colômbia” matou Bruno Pereira
Outra novidade é que fizeram um barulho imenso para culpar o governo Bolsonaro pela morte do inglês Dom Philips e do Bruno Pereira, e agora a Polícia Federal concluiu o inquérito. O mandante é um traficante chamado “Colômbia”, que dominava também a pesca naquela área.
E agora como é que ficam as acusações vazias da mídia brasileira? Será que as pessoas atingidas vão lembrar de contratar um belo advogado e entrar na Justiça para conseguir bela indenização?
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Maduro condenado
Agora mesmo um juiz federal dos Estados Unidos condenou Maduro, um cartel de droga, o presidente do Supremo da Venezuela, o ministro da Defesa da Venezuela, o procurador-geral da Venezuela. Isso porque prenderam esse advogado e ele ficou 878 dias na prisão. Depois, ele pegou a lei antiterror dos Estados Unidos, fez a queixa e deu certo.
O juiz condenou toda essa gente, inclusive Maduro, a indenizar o advogado, a mulher dele e os dois filhos pelo que passaram, por danos morais pelos 878 em que ele esteve preso. O total das indenizações equivale aqui no Brasil a R$ 800 milhões. Aí vocês podem perguntar como é que vão cobrar. Eles vão procurar no território americano depósitos dessa gente nos bancos, buscar os bens patrimoniais, e tudo será confiscado para pagar a indenização.
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Exonerações em áreas indígenas
Foram exonerados 11 coordenadores distritais sanitários de áreas indígenas. Pode ser que eles ficaram lá sem atender ninguém, mas e se eles tentaram chegar nas aldeias e não conseguiram? Porque eles estão alegando que a Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde nem sempre consegue descobrir uma aldeia Yanomami. E quando chega, a notícia vai rápido, atravessa a fronteira para a Venezuela, e então todo mundo fica sabendo que está havendo auxílio médico, distribuição de alimentos do lado brasileiro.
É quase como uma Operação Acolhida e o pessoal da Venezuela vem para o Sul entrar no território brasileiro – afinal, há dois territórios Yanomami. A soma dos territórios é igual à soma do estado de Pernambuco com o estado Santa Catarina, onde vivem quinze milhões de brasileiros. Lá vivem trinta e cinco mil índios, que estão numa situação de desnutrição que eu não consigo entender.
Só pra lembrar, a mesma coisa que aconteceu com esse Dom Phillips, está acontecendo agora. Parece que tudo aconteceu nos últimos quatro anos. Aconteceu, sim, nos últimos quatro anos, mas também nos penúltimos e nos antipenúltimos, e nos outros e outros.
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Falta neurônio
Vocês lembram, tem memória da CPI dos Yanomami? Em 2007, com o governo Lula iniciando o seu segundo mandato. Era a mesma situação: morrendo criança, subnutrição. Passaram-se aqueles quatro anos, os quatro anos de Dilma, os outros quatro anos de Dilma e Temer, os quatro anos de Bolsonaro e a situação está aí.
Nós não soubemos como resolver uma situação, num território imenso, que iguala Santa Catarina e Pernambuco, mas que tem uma população ínfima, de trinta e cinco mil pessoas. Como é que não consegue resolver? Trinta e cinco mil pessoas dos dois lados da fronteira. São essas coisas que acontecem no nosso país que são difíceis de entender. Será que é falta de neurônio para a gente resolver essas coisas tão óbvias e evidentes?
Em sua primeira viagem internacional após assumir pela terceira vez a Presidência da República, Lula começa a oficializar qual será a política externa brasileira em relação aos países da América Latina. Por enquanto, o que se viu foi a velha disposição petista em deixar-se levar mais pelas afinidades ideológicas com aliados do que pelo interesse dos brasileiros. Ele participou na terça-feira (24) da reunião de cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), na Argentina, selando a volta do Brasil ao grupo e costurando os primeiros acordos bilaterais do governo. Na quarta (25), Lula visita o presidente do Uruguai, o conservador Luis Lacalle Pou.
Importante lembrar que o Brasil deixou a Celac em 2020 após o grupo insistir em apoiar os regimes ditatoriais de Cuba, Venezuela e Nicarágua. De lá para cá, pouco mudou, o que deixa claro que, para o presidente brasileiro, a presença de ditadores na cúpula não é problema. Aliás, desde sua eleição, Lula já vinha dando mostras de que pretende retomar, e se possível estreitar, as relações comerciais e políticas com esses países, numa possível tentativa de restabelecer o alinhamento incondicional do governo petista com o pior da política latino-americana como ocorreu nos dois primeiros mandatos de Lula e nos mandatos de Dilma.
Antes mesmo da realização da Celac, Lula firmou os primeiros compromissos com antigos parceiros. Com a quebrada Argentina, Lula assinou acordos bilaterais com o presidente Alberto Fernández, incluindo o que ressuscita a antiga ideia de uma moeda comum entre os dois países – que mais tarde poderia ser estendida também aos demais integrantes do Mercosul. Um grupo de trabalho entre as equipes econômicas dos dois países foi criada para formular uma proposta para criação de uma moeda comum digital específica para transações comerciais. A ideia é defendida calorosamente pelos argentinos, – cuja moeda tem desvalorizado vertiginosamente e que por isso têm dificuldade em negociar em dólar. Levando-se em conta o grau da instabilidade econômica dos hermanos, a ideia não passa, para usar um ditado popular, de “conversa para boi dormir”, a menos que o próprio Lula – usando os cofres brasileiros – esteja disposto a bancar a proposta.
A facilitação do comércio entre os dois países também está sendo acordada. A ideia é usar o Fundo de Garantia à Exportação (FGE) do Brasil para garantir linhas de créditos de bancos privados e públicos para que importadores argentinos possam comprar mais produtos brasileiros. Embora ainda não haja detalhes sobre como isso aconteceria, o Brasil deve exigir garantias do governo argentino, como o depósito de commodities, que serão executadas em caso de não pagamento.
A Argentina também deve ser o primeiro país a ser beneficiado com a retomada da política de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a países estrangeiros. “Não só se pode como é necessário o Brasil ajudar todos os seus parceiros. E é isso que vamos fazer dentro das possibilidades econômicas do nosso país. O BNDES é muito grande”, disse Lula aos jornalistas da Casa Rosada. “Se há interesse dos empresários, do governo e temos um banco de desenvolvimento para isso, eu quero dizer que vamos criar as condições para fazer o financiamento que a gente tiver que fazer para ajudar ao gasoduto argentino”, prometeu Lula.
Nas gestões petistas anteriores, o BNDES foi usado como uma ferramenta para financiar obras em países estrangeiros ideologicamente alinhados ao PT. Uma das obras financiadas com o dinheiro do BNDES, por exemplo, foi o do Porto de Mariel, em Cuba. O banco concedeu uma linha de financiamento da ordem de US$ 641 milhões à empresa brasileira Companhia de Obras e Infraestrutura (COI), do grupo Odebrecht – aquele mesmo investigado por espalhar gordas propinas entre políticos –, por meio do programa de apoio à exportação de serviços de engenharia, com prazo de 25 anos para pagamento, mais que o dobro do prazo padrão para esse tipo de operação, que é de 12 anos.
Do total financiado, menos de um terço foi pago pelo governo cubano. E há muitos outros empréstimos não quitados. Segundo reportagem da Gazeta do Povo, ao menos US$ 1,1 bilhão de financiamentos feitos pelo BNDES a países estrangeiros ainda não foram pagos.
Apenas esse triste histórico já deveria ser suficiente para colocar os brasileiros em estado de atenção quando Lula menciona o BNDES, ainda mais quando associado aos países governados por seus companheiros da esquerda. Empréstimos e financiamentos disponibilizados pelo banco precisam ser feitos com total transparência, com a implantação de novos meios de controle e gestão que não abram espaço para novos escândalos de corrupção.
Com o velho amigo Nicolás Maduro, a conversa prevista para tratar da reabertura da embaixada do Brasil na capital venezuelana, Caracas, acabou não ocorrendo, mas deverá ser remarcada em breve. Desde domingo (22), Buenos Aires registrou manifestações contra a participação de Maduro na cúpula do Celac organizados por opositores do presidente Alberto Fernández e de exilados venezuelanos, protestos esses que foram chamados pelo governo de Maduro de “plano da direita neofascista” para realizar “uma série de agressões contra a delegação” da Venezuela durante o encontro da Celac.
Mas mesmo sem se encontrar com Maduro, Lula defendeu o ditador, dizendo que a política externa com a Venezuela será uma “relação civilizada entre dois Estados autônomos, livres e independentes”, como se fosse possível associar liberdade à realidade venezuelana. Outro disparate – entre outros tantos – ditos pelo presidente brasileiro foi tentar comparar a invasão da Ucrânia pela Rússia às críticas em relação ao regime venezuelano. Lula disse que “da mesma forma que é contra a ocupação territorial, como a Rússia fez na Ucrânia” também é “contra muita ingerência no processo da Venezuela”.
Como presidente eleito, Lula pode e até dever buscar fortalecer laços comerciais e relações institucionais com países vizinhos. Entretanto, a política externa brasileira deve ser conduzida com equilíbrio, de modo a colocar em primeiro lugar os interesses do Brasil. Negociações com nações estrangeiras precisam trazer benefícios claros ao nosso país e não serem feitas com base em protecionismos e velhas amizades e nem admitir concessões a ditaduras.
Lula e o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco, durante cerimônia de posse
Essas pouco mais de três semanas do novo governo estão cheias de emoções. Para nós, jornalistas, para os de governo e para os da oposição, para investidores, empregados e patrões. Tempos extremamente difíceis para cartomantes, jogadores de búzios, detentores de bolas de cristal e afins.
Se “no Brasil, até o passado é imprevisível”, parece que estamos nas mãos do acaso, que vai armando a cada dia um quebra-cabeça em que seguimos animados pelo consolo de que “a esperança é a última que morre”. Tudo isso ainda sem o ingrediente mais barulhento da política, que se exerce principalmente dentro do Legislativo, que reabre quando janeiro terminar.
Na Argentina, repetiu-se o susto da moeda conjunta, tentando ligar o peso de quase 100% de inflação com o real de menos de 6%; e o BNDES vai ser de novo internacional – BIDES, talvez; em Davos, foi o medo de termos 120 milhões de pedintes famintos e a sugestão de não se comprar nem um palito de fósforo dos empresários direitistas.
Em Brasília, a surpresa de ter ao lado do presidente um comandante do Exército de inteira confiança numa sexta-feira e no sábado já tê-lo destituído por falta de confiança. E ainda temos a vergonha de Yanomamis vítimas principalmente de desnutrição – 20 mil pessoas que ocupam num território igual ao de Pernambuco, habitado por 9 milhões. E quem aplica suas economias no mercado, ganha um susto adicional ao saber que a Americanas deu uma pedalada de 20 bilhões. É chavão, mas não é um país para amadores; o problema é que faltam profissionais.
Isso sem falar nas consequências da catarse do dia 8, em que brasileiros destruíram seu próprio patrimônio, incluindo preciosidades históricas, artísticas e culturais. Agora a Justiça não quer saber se a pessoa vivia um sonho impossível com fuga da realidade, pois muitos ainda não entenderam o que está acontecendo. Nada de mal em haver idéias opostas; o problema é a radicalização, como se o oposto fosse sempre o mal. É o Deus e o diabo de religião transposto para a política. Não há debate racional possível.
O país está dividido e não é de agora. Quem estava contra o governo nos últimos quatro anos agora é governo; é vidraça. Quem era vidraça, agora é pedra. Só precisa manter a metáfora como uma imagem, e não sair apedrejando vidros do Supremo ou do Palácio do Planalto literalmente. Embora seja acaciano, oposição e situação são essenciais para o embate democrático. Nos últimos quatro anos os dois lados se queixaram. A tentação agora é dar o troco. Não nos deixeis cair em tentação, porque a carga de energia potencial está a ponto de transbordar.