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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JONATHAS BORGES – GOIÂNIA-GO

Senhor editor bestânico:

Segundo a nossa mídia, as caras que aparecem nesta foto são todas de robôs.

Diga-me: tem muito robô neste país brasileiro, não é?

Fiquei espantado.

GUILHERME FIUZA

A DEMOCRACIA DO BILHÃO

Conta de twitter do Bill Gates

O ricaço que quer comandar uma missão espacial resolveu iniciar os trabalhos na Terra mesmo. Nem precisou de foguete para fazer o Planeta tremer – de nervosismo, excitação, despeito, emoção e outras coisas mais. Há quem diga que o mundo começou a mudar de rota.

Elon Musk comprou o Twitter. O CEO da montadora Tesla e homem mais rico do mundo não fez um movimento discreto – tipo virar majoritário e agir gradualmente nos bastidores sem solavancos para a gestão da empresa. Musk saiu dizendo com todas as letras – no próprio Twitter  que estava ali para decretar a liberdade de expressão.

Bill Gates acompanha os movimentos de Elon Musk com uma postura dúbia. O fundador da Microsoft e atual investidor onipresente na área de saúde faz as ressalvas politicamente corretas de respeito ao megaempreendedor dos carros elétricos. Mas sempre que pode dá um jeito de depreciá-lo. Cada vez mais vai ficando claro que o mundo é muito pequeno para os dois.

Gates transformou o capitalismo em outra coisa. Com os confrades do Fórum Econômico de Davos, leva adiante a ideia de juntar seus intermináveis bilhões de dólares para dar as cartas sobre tudo – com uma bela embalagem de altruísmo, benemerência e todo um cardápio de virtudes comportamentais modernas. Para se ter uma ideia, a Organização Mundial da Saúde – onde Bill colocou muito dinheiro – irá propor um tratado com vigência especial para períodos de pandemia. Nessas situações, segundo o tratado em preparação, as diretrizes da OMS seriam sobrepostas às leis nacionais.

Entendeu a ideia? Todo esse enredo de lockdown e imunizantes emergenciais passaria de recomendação a determinação mundial, do jeito que a OMS ditar, acima da Constituição de cada país.

Como você também sabe, Bill Gates investe alto na indústria farmacêutica. E como vimos nos e-mails vazados do Dr. Anthony Fauci, assessor de saúde da Casa Branca e coordenador do enfrentamento à pandemia, houve uma articulação para controlar os conteúdos relativos à covid em circulação nas redes sociais. Bill Gates estava muito presente na correspondência eletrônica do Dr. Fauci.

Vá vendo qual é a rota de colisão entre Gates e Musk. O primeiro é agente decisivo nessa conjunção de forças “contra a desinformação” que tornou praticamente impossível, por exemplo, a discussão pública sobre tratamentos imediatos contra covid – sendo que no Brasil, para se ter uma ideia, o Conselho Federal de Medicina afastou a alegação de que seriam tratamentos conclusivamente inócuos ou perigosos e garantiu a autonomia dos médicos na matéria.

Ainda assim as autoconsagradas “agências de checagem” saíram carimbando como fake news qualquer referência a esse tipo de tratamento – e a Revista Oeste inclusive derrotou na Justiça uma dessas entidades franco-atiradoras, que tentou desclassificar uma reportagem sobre esse assunto (entre outras).

Aí aparece Elon Musk comprando uma das grandes redes sociais e declarando que, dali em diante, aquele gigantesco universo de comunicação passa a ser livre dos controles de conteúdo. É uma boa notícia? Parece ser. E ao mesmo tempo assustadora.

O que há de assustador nisso? Simples: a batalha por alguns dos direitos elementares nas sociedades civilizadas está saindo do império das leis para o império da grana.

Falamos acima sobre a conduta, digamos, exótica da OMS e sobre as possíveis origens da sua inspiração. A mesmíssima constatação pode ser feita quanto a entidades reguladoras, judiciárias e governos inteiros. Onde está a fundamentação técnica sobre toques de recolher noturnos como medida eficaz para contenção epidemiológica? Em lugar nenhum. No entanto, esse tipo de medida brutal foi visto no mundo inteiro, sem qualquer revisão das instituições que guarnecem a democracia.

Infelizmente a legalidade virou uma abstração em diversas condutas institucionais da atualidade, não só no Brasil. E quem são os novos fiéis da balança? Onde está o lastro nas sociedades para aquilo que se chamava de Direito e hoje virou Vontade? Não sabemos ao certo. O que está evidente é que a nova institucionalidade tem estado sempre em consonância com a propaganda avassaladora da turma do Bill.

Quem sabe o companheiro Elon não empresta uns parafusos do foguete dele para dar uma recauchutada na democracia mundial?

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WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

FLOR DE MANDACARU

Foto: Enéas Bispo

Quando a chuva cai e o rio
Enche a primeira represa
O mandacaru se veste
Com a farda da natureza
E dança ouvindo a cantiga
Da flauta da correnteza.

Admiro a fortaleza
Desta planta caatingueira,
Mesmo quando a chuva cessa
De por água na biqueira
Ela continua firme
Da cor da nossa Bandeira.

Como ração forrageira
O mandacaru é usado
O vaqueiro vem do campo,
O carro de boi carregado
E despeja na cocheira
O alimento do gado.

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JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

ZÉ OU ZÉ ALFREDO

Eu “praça” em 1961

Amigos, hoje vou honrar o nome da coluna: Enxugandogelo. Tenho certeza que em nada vou acrescentar de proveitoso neste primeiro domingo de maio do ano de 2022.

Pois, ontem, sábado e 30 de abril, recebi a graça divina, e cheguei aos 79 anos. Como se essa graça divina por si só não fosse suficiente, Deus, na sua imensa bondade, me deu um valioso bônus: a lucidez.

Nasci no dia 30 de abril de 1943, em Queimadas, então e ainda povoado de Pacajus. Vim ao mundo através de parto normal, feito e ajudado pela parteira Raimunda Buretama, por acaso, minha Avó materna.

Comecei a andar cedo e logo após o primeiro aniversário, já subia no parapeito onde ficava o pote com água. Eu mesmo me servia, quando o cururu que meu Avô criava permitia. Foi naquele parapeito onde também tomei meu primeiro catiripapo: subi no parapeito, enfiei a caneca no pote, peguei água e bebi. Despejei o resto que ficou na caneca, dentro do pote.

– Não faça mais isso! Gritou minha Avó, ao perceber o que fiz.

Cresci em liberdade total e sempre corrigido nos momentos oportunos, sem direito a choro, mimimi, ou as atuais frescuras que os pais permitem. Esses são coniventes com os descaminhos dos filhos.

Cedo ganhei uma enxada e um par de botinas para calçar quando fosse “ajudar o Avô a limpar a roça”, evitando algum acidente de percurso ou ferimento nos pés. Meu primeiro “trabalho” oficial em meio a família, foi “colocar os grãos de milho ou feijão” nas covas preparadas para o plantio.

A bifurcação no caminho

Os períodos de seca daqueles anos, que criavam na linha do horizonte apenas miragens, acabaram ensejando nossa mudança em êxodo, para a capital, Fortaleza. Os avós, meeiros das terras de propriedade da família Albano, preferiram permanecer morando em Queimadas. Fora mantido o ponto de referência e de “socorro” numa necessidade extrema.

Era a hora de trocar o poético cântico do vem-vem nos fins de tarde, quando eu sentava na porteira para apreciar o também poético sono do sol que se deitava num céu límpido que nos dava a certeza da impossibilidade de chuvas, pelo barulho dos motores dos carros no tráfego da capital. Era a hora de esquecer a inesquecível sinfonia das cigarras e dos grilos e perder os voos rasantes dos morcegos e andorinhas pegando mariposas.

E, lá fomos nós. Na capital, a vida desestruturada e a certeza da desesperança. Só pai e mãe trabalhavam. Moradia de desabrigado foi erigida na orla marítima, mais precisamente no Pirambu.

A mudança necessária trouxe junto a adolescência e o convívio dos poucos amigos (ainda não haviam sido feitos). A escola, o Curso Primário, o Exame de Admissão e o acesso ao Liceu do Ceará.

A primeira namorada, com frequência na casa dela e a aceitação da família veio aos 16 anos. Havia uma diferença de idade de 6 anos, de mim para ela, então com 22. As irmãs dela diziam que, “ela estava me criando” – daí ela mesma me chamar de “bebê”.

Aos 18 anos, a bifurcação. Tudo poderia ter sido diferente. Fiz concurso e logrei aprovação para a ESA (Escola de Sargentos das Armas), então funcionando em Três Corações/MG.

Em janeiro de 1961, Jânio Quadros assumiu a Presidência da República. Na estruturação da sua equipe de trabalho, incluiu também alguns conceitos e fez algumas mudanças estruturais. No concurso para a ESA, fui aprovado e classificado num grupo de 40 candidatos em Fortaleza. Me submeti e logrei aprovação nos exames médico, físico e psicotécnico. Ficamos aguardando a convocação e o chamado para o embarque para Três Corações. Nunca consegui descobrir minha classificação entre os 40 aprovados. Apenas 30 foram chamados e fiquei entre os 10 para uma convocação futura possível. Nunca aconteceu.

Em 15 de maio de 1962, ingressei no Exército Brasileiro como praça. Fui servir no CPOR (Centro de Preparação de Oficiais da Reserva) de Fortaleza. Servi por um período acima do normal, em virtude da quantidade pequena dos novos praças. Ao final do período, fui convidado pelo então Comandante do CPOR, Tenente-Coronel Celestino Nunes de Oliveira, para ingressar no CPOR como aluno e me tornar Oficial R-2. Agradeci e fui cuidar da vida, continuando no caminho escolhido na bifurcação.

Trabalho na Western como Teletipista, depois de ser aprovado e rejeitar ingressar no Banco do Brasil. Fui eleito para compor a Diretoria do Sindicato dos trabalhadores na categoria, que ainda tinha a adesão dos funcionários dos Correios e, posteriormente, da recém-criada Embratel.

E o “namoro” continuava e a cada dia se tornava mais firme. Tinha mais liberdade e era quase que “o homem da casa” da namorada.

Eis que, no trabalho na Western, conheci alguém de preponderante influência no meu destino. Resolvi “terminar” o namoro antigo.

Eu hoje veím veím

Resolvi me envolver com o futebol. Fiz o Curso de Arbitragem e, ingressando na FCD (Federação Cearense de Desportos), hoje FCF (Federação Cearense de Futebol), me tornei um dos principais árbitros ascendentes, passando a fazer parte de uma elite que tinha ainda Gilberto Ferreira, Adelson Julião, José Felício Lopes, José Leandro de Castro Serpa, Lourálber Monteiro. Me tornei amigo pessoal de Manoel Amaro de Lima, de Clinamulte França, de Sebastião Rufino.

Por motivos que prefiro não mencionar, pedi demissão da Diretoria do Sindicato da categoria, fiz acordo com a Western, recebendo todos os meus direitos trabalhistas. Mudei para o Rio de Janeiro com a cara e a coragem. Sem profissão definida, além de ter conseguido transferência formal para o quadro de Árbitros da Federação Carioca, graças a uma indicação e o aval do General Aldenor Maia, então presidente da FCD.

No Rio, trabalhei dois anos na COSIGUA (Companhia Siderúrgica da Guanabara – naquela época em processo de privatização após a compra feita pela família Landau) e acabei me tornando “metalúrgico” tendo, inclusive, viajado para São Paulo em mais de uma oportunidade para ouvir falas em comício do líder sindical. Logo fui tocado pela mosca azul e me arrependi. Até saí da COSIGUA e fui trabalhar numa Editora Gráfica.

Casei em 1973. Separei em 1983. Me graduei em Comunicação Social – Jornalismo. Estagiei no Jornal do Brasil (curricular) e na Rádio Imprensa (curricular). Mudei para o Maranhão em 1987, onde me dediquei integralmente ao Jornalismo. Sou aposentado pelo INSS.

Sou hipertenso, o que me levou à uma “Revascularização” (Ponte de Safena). Desde então faço uso de medicação contínua.

Constituí uma nova família em São Luís, da qual nasceram três filhos – dois moças e um rapaz, todos adultos e escolarizados com ingressos em universidades.

Oficialmente sou divorciado do primeiro casamento, que me deu duas filhas nascidas no Rio de Janeiro. Hoje residem em Fortaleza – e há cerca de dois meses ficaram órfãs de mãe.

Pois, ontem, 30 de abril de 2022, Deus me conduziu pelo caminho da humildade e me permite, quando posso, servir à outrem, cheguei aos 79 anos.

Olho pelo retrovisor, vejo um caminho longamente percorrido, mas, tão digno que, se fosse necessário faria tudo mais uma vez.

Levemente escuto a sinfonia da cigarra e dos grilos; e, a cada fim de tarde me imagino sentado na porteira para olhar o pôr do sol e escutar o cântico do vem-vem.

ANALISANDO:

1 – Com certeza, se em 1961 em tivesse sido chamado para a ESA (Escola de Sargento das Armas) em Três Corações, após o curso e promovido a Terceiro Sargento, na volta para Fortaleza teria casado com a então namorada. O caminho seguido teria sido outro – e nem posso afirmar que hoje estaria aqui, vivo e lúcido;

2 – O surgimento de outra jovem na minha vida (na verdade, apenas namoricamos, viemos ter algo mais sério anos depois, mas nunca nos assumimos), mudou a rota e me colocou aqui hoje;

3 – Com certeza, Deus Onipotente foi a luz e a mão com o dedo apontado indicando o caminho a seguir. Minha vida sempre pertenceu a Ele.

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O MELHOR CABO ELEITORAL DE BOLSONARO

* * *

Quando vi essa postagem de Ana Paula no Twitter, me lembrei de mais um tolôte oral que Lapa de Ladrão cagou ontem.

Foi durante um evento (em ambiente fechado, claro…) em Brasilândia, na periferia de São Paulo.

Vejam a notícia:

Neste sábado (30), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o presidente Jair Bolsonaro deveria indultar jovens presos que não têm advogado, e não o deputado Daniel Silveira.

“Está cheio de meninos de 17, 18, 19, 20 anos que foram presos, nem se sabe o crime que cometeram, não têm advogado porque não podem pagar, e esse presidente ao invés de visitar uma cadeia e dar indulto para quem merece indulto resolveu dar indulto para um amigo seu que tinha cometido a barbaridade de ofender a Suprema Corte”, disse o petista.

Segundo Lula, Bolsonaro “só conhece ódio, ódio, ódio e ódio”. “Ódio contra sindicalista, ódio contra LGBT, ódio contra quilombola, e agora é ódio com a Suprema Corte”, declarou Lula.

Concordo plenamente com Ana Paula:

Deixem Lula falar!!!

Fala mais, sujeito!!!