JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Pixinguinha

Alfredo da Rocha Vianna Filho nasceu em 23/4/1897, no Rio de Janeiro. Músico, maestro, flautista, saxofonista, arranjador, compositor e um dos prestigiados nomes da música brasileira. Contribuiu para que o “choro”, um novo gênero musical, viesse a encontrar uma forma definitiva, tal como o samba e o frevo. Seu legado consolidou o País musical.

14º filho de Maria Raimunda da Conceição e Alfredo da Rocha Vianna, músico amador e flautista nas rodas de choro. Em 1911, aos 13/14 anos, estreia em disco como flautista do conjunto “Choro Carioca”, onde participam dois de seus irmãos: Léo e China. A 1ª música gravada foi a polca Nhonhô em sarrilho, de Guilherme Cantalice. Em seguida arranjou emprego para tocar nos cabarés da Lapa; orquestra do Cine Rio Branco, além de tocar em ranchos carnavalescos, boates, teatro de revista e grupos de choro. Em 1914 registrou sua primeira composição: o tango Dominante, assinado por Alfredo da Rocha Viana (Pizidin). Pela primeira vez que aparece o apelido, que passou por diversas grafias até chegar em “Pixinguinha”.

Sobre a origem do apelido, declarou em 1968: “Pixinguinha é porque eu tive bexiga, então eles me tratavam de Bixiguinha, Pixiguinha… Houve essa complicação de apelidos e eu não sei por que eu fiquei como Pixinguinha. Não sei se foi pelos discos. Não sei por que foi”. Ainda em 1914 entrou para o “Grupo do Caxangá”, nome extraído da música Cabocla de Caxangá, de João Pernambuco e Catulo da Paixão Cearense, sucesso de carnaval naquele ano. Na época o grupo se apresentava de chapéu de palha e os componentes do grupo adotaram apelidos matutos, como “Guajarema”, “Catingueira” etc. Pixinguinha atendia por “Chico Dunga”. Por essa época compôs o choro Carinhoso, uma de suas mais importantes obras gravadas em 1929, e logo passou a integrar o conjunto “Oito Batutas”, que ficou famoso a partir de 1919.

O grupo realizou diversas excursões pelo País e no exterior. Em 1921 apresentaram-se na residência do presidente da República, Epitácio Pessoa, para uma seleta plateia. No ano seguinte embarcaram para Paris, onde passaram 6 meses em apresentações, incluindo uma apresentação para a família imperial brasileira, lá exilada desde 1889. Na volta se apresentaram na Exposição do Centenário da Independência, em setembro de 1922, e participam da primeira transmissão de rádio no País. O sucesso do grupo garantiu a estreia da revista Tudo preto, no Teatro Rialto, em 1926, encenada pela Companhia Negra de Revistas. Na ocasião Pixinguinha conheceu a vedete Albertina Nunes, com quem veio a se casar no ano seguinte. Na apresentação em São Paulo, Mario de Andrade procurou o músico na busca de informações para um livro que estava escrevendo (Macunaíma). Pixinguinha forneceu informações sobre o ambiente na casa de Tia Ciata, um terreiro onde se reuniam festeiros e religiosos para festas de candomblé e música. Mário incluiu no capítulo 7 -“Macumba”- um personagem “negrão filho de Ogum, bexiguento e fadista de profissão”, inspirado em Pixinguinha.

Na década de 1930 foi contratado pela gravadora RCA Victor e criou arranjos para grandes cantores, como Francisco Alves e Mario Reis. Aí trabalhou até 1939, quando foi substituído por Radamés Gnattali. Em 1931, junto com João da Bahiana e Donga, criou o “Grupo da Velha Guarda”. Afim de conhecer melhor a teoria musical, ingressa no Instituto Nacional de Música (atual Escola de Música da UFRJ) e concluiu o curso em 1933. Neste ano passou tocar no dancing Eldorado, onde conheceu o arranjador Radamés Gnattali, que declarou: “Conheci Pixinguinha tocando no dancing Eldorado na Praça Tiradentes, na década de 30. Era uma pequena orquestra de jazz, como muitas da época. Eles faziam uma sessão de choro, e eu ali, aprendendo”. Mesmo com o sucesso, não tinha como se manter e precisava de um trabalho fixo. O prefeito Pedro Ernesto nomeou-o fiscal do Serviço de Limpeza Urbana, em 1934. A nomeação explica-se pelo fato de o prefeito querer montar uma banda da guarda municipal, mas não existindo a função de “maestro de banda” nos quadros da prefeitura, ele foi contratado e logo transferido para outro setor, onde passou a ministrar aulas de música.

Até aqui o choro Carinhoso era apenas música. Os versos de João de Barro só foram incorporados à música em 1937 e tornou-se um dos maiores clássicos com mais de 400 gravações, tornando-se a música mais regravada no País em todos os tempos. Com o sucesso foi contratado pela Rádio Mayrink Veiga como arranjador e regente. A situação econômica vai melhorando, ele sai do aluguel e adquire sua casa própria no bairro de Ramos, em 1939. No ano seguinte, o maestro inglês Leopold Stokowski chega ao País para 2 concertos no Teatro Municipal e aproveita para colher material para o Congresso Pan-Americano de Folclore, resultando no lançamento do álbum “Brazilian native music” nos EUA. Pixinguinha, além da flauta, entrou com a voz num dueto com Jararaca. Na década seguinte o sucesso continua com a marchinha Alá-la-ô, de Haroldo Lobo e Nássara, gravada por Carlos Galhardo, premiada no Carnaval de 1941. Nássara declarou: “Sem o (arranjo) do grande Pixinguinha, minha música não seria o que é. Alá-la-ô teve um parceiro oculto, de gênio”. Dessa época em diante, passou por uns perrengues, caiu na bebida, sumiu de circulação, “virou um alcoólatra”, era o que se dizia. Chegou a atrasar o pagamento das prestações e foi ameaçado de perder a casa. Nesse período largou a flauta e passou a tocar apenas saxofone.

Quem lhe ajudou a sair do perrengue foi o amigo Benedito Lacerda, propondo uma dupla com flauta e saxofone. Lacerda conseguiu o valor para quitar a dívida da casa e um adiantamento com a RCA Victor. O acordo incluía a gravação de 25 discos em que Lacerda seria seu parceiro em todas as músicas. O amigo Canhoto disse que “As músicas eram só do Pixinguinha. E o Benedito combinou com ele: fazia os discos, mas entrava nas parcerias. Muitas pessoas meteram o pau no Benedito, mas não tinham razão. Ele foi franco”. Em meados de 1945 a situação melhorou com sua contratação pela rádio mais popular do País: a Rádio Nacional. No ano seguinte o compositor e cantor Almirante levou-o para a Rádio Tupi. O dueto permaneceu até 1951 e foi um sucesso. Segundo Brasílio Itiberê. a dupla produziu um contraponto musical “dos mais complexos e de maiores consequências estéticas que existe na música popular brasileira”. Em princípios da década de 1950, junto com Almirante e Benedito Lacerda realiza uma excursão pelo Norte e Nordeste e participa das comemorações do IV Centenário de São Paulo, em 1954, com o “I Festival da Velha Guarda”. O encerramento do show, no Parque do Ibirapuera, foi uma apoteose contando com veteranos e um jovem violonista de 16 anos: Baden Powell. O sucesso do evento propiciou o II Festival em 1955, agora ampliado para 4 dias e participação do pianista Radamés Gnattali, do violonista Dilermando Reis, das irmãs Linda e Dircinha Batista, entre outros grandes cartazes.

Em 1956 consolida a fama com seu nome dado à rua onde vivia desde 1939. Em fins do ano seguinte teve um encontro com Louis Armstrong no Palácio Laranjeiras, num jantar oferecido pelo presidente Juscelino Kubitschek. A nata da música brasileira estava presente: Dorival Caymmi, Ary Barroso, João de Barro, Herivelto Martins, Lamartine Babo, Ataulfo Alves… Seguem-se mais shows e discos, intercalados por uma crise cardíaca logo superada, até 1958, na festa de recepção da Seleção Brasileira, campeã mundial de futebol. Cobrindo o evento, estava lá seu futuro biógrafo, o jornalista Sergio Cabral: “Eu, que estava lá e já era fã, aproveitei o intervalo da música para ir conversar com ele. Queria puxar o saco do Pixinguinha”. Pouco depois o presidente Jânio Quadros nomeou-o para integrar o Conselho Nacional de Música, a pedido do professor Mozart de Araújo, em 1961. Em seguida enveredou noutras áreas e produziu a trilha sonora do filme Sol sobre a lama (1963), de Alex Viany, em parceria com Vinicius de Moraes. O “poetinha” disse mais tarde que essa parceria “foi uma coisa dos deuses, nenhum casamento valeu tanto dentro da alma quanto essa parceria com Pixinguinha”. Para ele Pixinguinha era “o maior de todos os músicos populares brasileiros”. Logo saiu a primeira gravação da suíte Retratos, em 4 movimentos pela CBS, orquestrado por Radamés Gnattali, que dá ao primeiro movimento o nome de Pixinguinha.

Em meados de 1964 foi internado por 50 dias no Hospital Getúlio Vargas com um edema pulmonar e passou a fazer eletrocardiogramas quinzenalmente. Após gravar um disco em parceria com Vinicius, em 1966, participou da série de depoimentos ao MIS-Museu da Imagem e do Som, seguido de outras homenagens ao completar 70 anos. Na ocasião foi homenageado com um almoço no Palácio do Itamaraty, ao lado de Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Elis Regina e Gilberto Gil, oferecido pelo Ministro das Relações Exteriores, Magalhães Pinto. Pouco depois, foi condecorado com a Ordem do Mérito do Trabalho, pelo Ministro do Trabalho, Jarbas Passarinho. As homenagens culminam num concerto no Teatro Municipal, onde ele, no camarote presidencial, vê suas músicas interpretadas por Radamés Gnattali, Jacob do Bandolim, conjunto Época de Ouro, entre outros.

O espetáculo resultou no LP Pixinguinha 70, lançado em pelo MIS.

Em 1969, vendeu sua casa em Ramos e mudou-se para outra alugada em Jacarepaguá. Novas dificuldades econômicas levam-no a se mudar novamente, agora para Inhaúma, num apartamento do Conjunto Residencial dos Músicos. Em junho de 1972 sua esposa Betty veio a falecer e a tristeza tomou conta da casa até a manhã do dia 17/2/1973, quando recebe a visita dos amigos Hermínio Bello de Carvalho, Walter Firmo e Eduardo Marques. Conversam amenidades, ouvem música e, na despedida, ele chora. À tarde, foi até Ipanema batizar o filho de um amigo. No instante em que foi assinar o livro da igreja, caiu no altar fulminado por um infarto. Dentre as homenagens ao músico, além das regravações de discos, merece destaque o “Dia Nacional do Choro”, em 23 de abril, data presumida de seu nascimento, criado em 2000; tema-enredo da Escola de Samba Portela, em 1974: “O Mundo Melhor de Pixinguinha”; estátua no Bar da Portuguesa, em Ramos; filme Pixinguinha, um homem carinhoso (2021), dirigido por Denise Saraceni etc. Entre as biografias, cabe destacar: Pixinguinha, vida e obra (1978) de Sergio Cabral, e Pixinguinha, filho de Ogum bexiguento (1998), de Marília Trindade Barbosa e Arthur de Oliveira Filho. Toda sua obra, biografia, cronologia e legado são mantidos pelo IMS-Instituto Moreira Salles, aberto à visitação e no site Pixiguinha.

DEU NO X

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

INOCÊNCIA TRANSVIADA

Na minha visão, a maior dificuldade da esquerda vem da resistência em se atualizar. Observo as propostas que são colocadas e a impressão que tenho é que estamos vivendo nos anos 1980. Não consigo imaginar como ainda defendem a babaquice de “restabelecer a democracia a este país” quando esta é ameaçada pelo STF, dado o aparelhamento da justiça com nomeação de pessoas que vão julgar casos de políticos que os nomearam. O processo contra Alckmin por suspeitas de desvios das obras do Rodoanel saiu da justiça comum e foi para a justiça eleitoral para ser julgado por um procurador nomeado por Alckmin. Alguém sabe o desdobramento disso?

No contexto das inovações, a ONU, através do Conselho de Direitos Humanos, entendeu que o Lula não teve um julgamento justo, ou seja, que o julgamento de Lula foi imparcial, pois, segundo o CDH, os artigos 9,14, 17 e 25 do Pacto Internacional de Direitos Humanos (que fala de julgamento justo para todos os indivíduos) foram “desrespeitados” e, inclusive, estipulou um prazo de 180 dias para que o governo brasileiro adote as devidas reparações. Com base nisso, Lula declarou: “deviam tirar Bolsonaro e me botar”. Simples assim. Tenho certeza que se pedir a ONU ou ao STF ele é declarado presidente. Eu quase morri de rir quando li esse baboseira. Por diversos motivos, sendo o primeiro a grande ironia de que “direitos humanos” só enxerga “direitos” de bandidos mesmo. Então, em relação a Lula, agiram absolutamente de forma correta. Não custa lembrar que o CDH é composto por 47 membros regionais sendo 13 da África, onde o BNDES despejou dinheiro no governo Lula, por Cuba, Bolívia e México, pela América Latina, que são países governados por pensadores iguais a Lula.

A segunda questão que me ocorreu é que a ONU foi omissa no genocídio de Ruanda em 1994. O Conselho de Segurança, através de resolução que ficou conhecida como UNAMIR II, de 12/04/1994, diminuindo efetivo da tropa em Ruanda, que vivia num momento de instabilidade política, permitindo que hutus massacrassem 800 mil tutsis. Isso mesmo: 800 mil ruandenses morreram por pura inconsequência e covardia de ONU. Corpos eram jogados em valas ou nas estradas. No meu entender, depois do holocausto essa é outra vergonha da humanidade. É sempre assim: quando os interesses políticos se sobrepõem aos interesses humanos.

É preciso ter consciência que nenhuma prova da corrupção do PT foi criada por Sérgio Moro ou pela força tarefa da Lava Jato. Marcelo Odebrecht, no seu depoimento, deixou claro que o Departamento de Operações Estruturadas pagava propina e nas planilhas da Odebrecht Lula era conhecido como o “amigo do meu pai”. Quem criou isso não foi Sérgio Moro nem Deltan Dallagnol, mas, sim, a Odebrecht! E aí Lula diz que a Lava Jato quebrou o país. A Petrobras foi assaltada. Auditores Independentes se recursaram a assinar o balanço sem que a Petrobras reconhecesse o prejuízo causado pela corrupção e aqui eu faço uma critica veemente a estes profissionais porque balanços anteriores a 2013 foram auditados e com pareceres de auditoria independente. O complexo da Comperj deu um prejuízo de US$ 13 bilhões (coincidência da porra: 13). A Refinaria Abreu e Lima custou US$ 21 bilhões quando deveria ter custado US$ 2,1 bilhões e só está 75% concluída, trabalhando com 50% da sua capacidade (faça um estudo do impacto disso sobre o preço dos combustíveis).

Nesse vídeo, nós vemos um depoimento de Joesley Batista falando sobre o quanto transferiu para Lula. Eu só não consigo enxergar a presença de Moro ou Dallagnol com uma arma apontada para cabeça dele. Há outro vídeo de Moro explicando que apenas um diretor da Petrobras levou R$ 100 milhões em propina. Semanalmente, a Mega Sena arrecada R$ 6 milhões (desconsidere os prêmios acumulados) e isso significa que esse diretor ganhou o equivalente a 17 prêmios da mega sena. Dá pra entender isso? Estes fatos são incontestáveis.

E com isso, seguem-se alguns casos que devem ditar o ritmo da campanha: Primeiro, parece que Lula não vai mais para o segundo turno contra ele mesmo. Já tem pesquisas dizendo que ele é superado por Bolsonaro nas preferências eleitorais de São Paulo, no entanto, fiquei surpreso em saber que ele lidera no Sul e no Centro-Oeste. De qualquer forma, a coisa mais estranha é um líder nas pesquisas não ter coragem de ir para as ruas sem um público cativo. Ciro Gomes fez isso na feira de Agro em Ribeirão Preto e continua mostrando que não tem equilíbrio emocional para ouvir críticas. Partiu para agredir um eleitor de Bolsonaro, a quem chamou de corrupto. É bom lembrar que Bolsonaro teve 57 milhões de votos, ou seja, 57 milhões de eleitores. Mesmo tendo perdido 10%, o total de votos continua sendo maior do que a votação de todos os demais adversários. Além disso, eu acredito que ele ganhou eleitores que mesmo discordando de alguns dos seus posicionamentos, preferem não votar na esquerda.

Finalmente, ainda sobre Ciro Gomes, o ex-governador Flávio Dino criticou seu discurso contra Lula, dizendo que ele não ia atrair eleitores da direita. Está coberto de razão. O sonho de Ciro era chegar no segundo turno contra Bolsonaro, mas como eu disse acima: em 2018, 57 milhões de pessoas disseram não aos partidos de esquerda e viram nenhum centavo enviado pra Cuba, Venezuela ou outra ditadura amiga; nenhum centavo das obras, desenvolvidas no país, desviadas para empreiteiras e, estatais dando lucro anualmente. Não votar em Lula é um argumento fácil para quem tem bom senso.

Deixo aqui um desafio: nos governos do PT tinha Odebrecht, OAS, UTC, etc. como grandes empreiteiras fazendo obras para o governo e ganhando dinheiro via corrupção. Citem as empreiteiras que estão ganhando dinheiro no governo atual.

DEU NO X

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

RACIONALIDADE CIENTÍFICA E NEGATIVISMO PERVERSO

Carta recebida do João Silvino.

Amigo querido: Encarecendo desculpas de monte por não lhe ter enviado umas linhas nos últimos tempos, acredito que a razão a seguir exposta me absolverá de bate-pronto. Estou garimpando muito, para compreender os porquês de muitas coisas acontecidas neste Brasil de meu Deus, que necessita tornar-se ainda mais respeitado lá fora, pelas inequívocas posturas cidadanizadoras da sua gente, apesar de todos os pesares e conchamblanças de quem andou bandidamente xeretando os telefones dos outros, cuspindo até no prato da dona da linha que comeu.

Confesso-lhe que não entendi muito bem as preocupações de grandões com o ritmo de queda do dólar americano, parecendo até que um salário-mínimo equivalente a cem dólares faz um mal danado para os lascados daqui. Como não sou economista, fico de botica nas explicações dadas pelos sabidos da vez, torcendo para que eles não desdigam o que disseram tempos atrás, quando eram apenas bodoques, ainda não vidraças.

Visitando alguns amigos, em São Paulo, num sebo deparei-me com uma publicação primorosa intitulada Patriotas e Traidores. Imaginei maldosamente que se tratava de algum manifesto da inteligente candidato a alguma coisa, sem tornozoleiras eletrônicas, nas próximas eleições do corrente 2022. O livro, no entanto, era de Mark Twain e tem como subtítulo Antiimperialismo, Política e Crítica Social.

Inicialmente, Twain era um defensor ardoroso das anexações territoriais empreendidas pelos Estados Unidos, posteriormente tornando-se um crítico fervoroso das rapinagens norte-americanas. Um texto bem editado pela Editora Fundação Perseu Abramo e que contém uma introdução – Mark Twain: uma redescoberta oportuna – de Maria Sílvia Betti, professora de literatura norte-americana da USP. Um texto para ser lido por todos os progressistas, inclusive aqueles que estão se postando de mentirinha para engabelar os trouxas nos pleitos que virão por aí.

Não permanecendo totalmente sério, narro-lhe um fato acontecido recentemente lá pelas bandas do sertão nordestino que quase me fez fazer xixi nas calças, contado o “causo” por gente muito verdadeira. Em uma audiência judiciária, cuja razão era sedução de uma menor, o juiz depara-se com a vítima acompanhada do vice-prefeito, seu padrinho de mesmo. Indagando se o vice também tinha sido arrolado, o meretíssimo ouviu dos lábios da face rubicunda da autoridade municipal: “De jeito maneira, excelência!! Só quem foi arrolada foi a mocinha aqui, minha afilhada!!”

Envio-lhe também um livrinho muito elucidativo, que já ia na terceira edição em 2001. Seu nome é Desafio Ético e foi escrito a cinco mãos de muito respeito: Luís Fernando Veríssimo, Frei Betto, Luiz Eduardo Soares, Jurandir Freire e Cristovam Buarque. Vale a pena ler e reler os textos, principalmente o de Betto e o de Buarque. O primeiro denunciando o descaso com o SUS, posto que, anualmente, oito bilhões de dólares correm para os planos privados de saúde. E que muitos políticos, que deveriam ser homens públicos, estão ostensivamente ligados às empresas privadas. O segundo afirmando que estamos entrando em um tempo de artistas e pensadores, depois de décadas de predomínio dos economistas. Buarque diz que se torna necessário romper alguns círculos: o ideológico, o acadêmico, o da linguagem, o social e o nacional, reduzindo-se o provincianismo e o economicismo. E é categórico: “Dois setores mostravam especialmente esta contradição: os economistas e a universidade. … Por isso, pode-se dizer que os economistas e os acadêmicos brasileiros são filhos da ditadura, mesmo fazendo-lhe oposição”. Tal e qual o pensamento de alguns milhões de pátrios.

Qualquer dia desses encarecer-lhe-ei uns tempos de conversa, pra gente compreender direito porque estão querendo botar no fiofó dos aposentados, quando os bancos lucram astronomicamente. E como restaurar a dignidade do Congresso Nacional nas próximaseleições, botando na lata do lixo o que não presta e os sectários de todos os naipes.

PENINHA - DICA MUSICAL