DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

HEBER CRUZ – MANAUS-AM

Prezado Editor,

já que a Internet nos deu voz, esse será o nosso grito de guerra nas próximas manifestações pacificas e ordeiras de sempre.

Abraços fraternos.

 

A PALAVRA DO EDITOR

ALEXANDRE GARCIA

O DIA DA VERDADE PARA DORIA

Segunda é um dia, talvez seja o dia da verdade para João Doria e para o PSDB. Vai haver um encontro em São Paulo. Doria evitou o encontro de Brasília, de terça-feira. Disse que não podia porque tinha compromisso em Goiás, e o PSDB vai ter que dizer para Doria, com jeito: “olha, nós oferecemos a melhor retirada possível, honrada, honrosa”.

Doria já avisou: “não tenho nenhum motivo para desistir, eu ganhei as prévias e pronto”. E o partido concordou em fazer as prévias, vai ter que explicar.

Agora, os tucanos… acho que vocês conhecem, os tucanos são assim mesmo. É da natureza deles. É como a história do escorpião atravessando o rio no lombo do sapo. Vai ser isso, afundam Doria e os tucanos.

Aí, na terça-feira, tem uma reunião em Brasília de Cidadania, MDB e PSDB. Para anunciar Simone Tebet como cabeça de chapa. Vão ter que arranjar desculpas para o Doria. Simone Tebet foi prefeita em Mato Grosso do Sul, se tornou um pouco conhecida na “CPI do Circo”. Mas que nome tem nacionalmente? Como têm Bolsonaro, Lula e Ciro?

Aliás, o MDB, e eu já falei aqui, está dividido. Tem o MDB do Nordeste, pró-Lula; e um MDB de Minas Gerais, de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, que é pró-Bolsonaro. É o drama – e vou repetir, desculpem – de partido grande que não tem nomes. Não fizeram nomes.

Até o PT: Lula indicou Dilma, que era o único nome que não ia dividir o partido. E deu no que deu. Porque são visões dentro do mesmo partido, visões diferentes.

* * *

Horizontes para o agro

Vamos em frente: não é surpresa, e o horizonte é amplo para o agro brasileiro. Que é detestado pelas esquerdas autofágicas, masoquistas, faquires, que não querem comer. São contra o agro que traz riqueza. Que traz divisas e que, principalmente, produz alimentos. Os alimentos não são fabricados na indústria que enlata, que empacota; são fabricados na terra. Vem tudo da terra, inclusive a carne. Vem do capim, da ração, da água.

Tudo isso para dizer o seguinte: um órgão da ONU, a Organização Mundial do Comércio (OMC), está apelando para o Brasil produzir alimentos. Porque com a guerra e a carência de terras no mundo os alimentos estão ficando cada vez mais caros. A inflação alimentar dos EUA está 10%. Isso é uma tragédia, isso não acontece há meio século.

Nós temos 67 milhões de hectares plantados, e 30 milhões de hectares prontinhos para serem plantados, sem derrubar uma árvore. Inclusive, de pastagens que estão disponíveis. Mas se estamos produzindo mais carne, porque está sobrando pastagens? É confinamento. Produção vertical. Produtividade. E nos tornamos os maiores produtores de carne. Proteína pura. Tem a proteína da soja também, o milho, o algodão, o arroz, o feijão, o trigo. Estamos começando a produzir trigo no Nordeste.

E isso porque não estou falando do MATOPIBA, Maranhão-Tocantins-Piauí-Bahia. A nova fronteira do agro brasileiro. Esse é o futuro. E eu não sei porque há alguns urbanóides que inclusive escrevem em livros didáticos para as crianças contra o agro. Devem ser apátridas. Não têm pátria, ou têm sérios problemas psicológicos em suas convicções.

ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

A POESIA NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

Pra cantador de viola
Ser bom tem que ter talento,
Um carisma acentuado,
Um vasto conhecimento
E aprender a criar imagens
No altar do pensamento.

Raimundo Caetano

Tenho enorme inteligência
Poeta não me dá vaia
Sou vento rumorejando
Nos coqueiros de uma praia
Sou mesmo, que Rui Barbosa
Na conferência de Haia.

Joaquim Vitorino

Nessa vida atribulada
O camponês se flagela
Chega a casa meia noite
Tira a tampa da panela
Vê o poema da fome
Escrito no fundo dela.

Manoel Xudu (1932-1985)

O meu verso vai cortando
O sertão abrasador;
E chega à mesma hora
Que o caboclo agricultor,
Abre a camisa e se abana
Para esfriar o calor.

Moacir Laurentino

A vida e a poesia
São como pomar e flor
Como riso e como pranto
Como frio e o calor
E dessa química perfeita
Nasce o fruto do amor.

Rubens do Valle

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

J.R. GUZZO

FICÇÃO À VENDA

Certas coisas, como se sabe há muito tempo, não devem ser ditas em certos lugares; a recomendação clássica, aí, é não se falar de corda em casa de enforcado. Em outros casos o problema não é o lugar onde se diz isso ou aquilo – é quem diz o quê. Certas pessoas, assim, não deveriam nunca falar de certos assuntos. O ex-presidente Lula, por exemplo, nunca deveria falar em “corrupção”. Ele não – talvez um outro, qualquer outro, mas ele não. É duro, porque candidato a presidente do Brasil tem sempre de chamar o adversário de “ladrão”. Na verdade, isso é praticamente a única coisa compreensível que sabem dizer numa campanha eleitoral. Fazer o quê? Corrupção, no caso da campanha de Lula, é assunto proibido.

Como poderia ser diferente, se o seu próprio candidato a vice, o ex-governador Geraldo Alckmin, disse que ele quer ser presidente de novo para “voltar à cena do crime”? Alckmin acha que entre hoje e o momento em que falou isso Lula se transformou num santo homem. Mas falta combinar com os eleitores – quantos brasileiros estariam dispostos a acreditar nesse milagre da transformação da água em vinho? Isso será visto em outubro, mas até lá o candidato da esquerda nacional terá de resolver o seu problema com a ladroagem – e como não pode deletar os fatos que fizeram os seus oito anos de governo os mais corruptos de toda a história da República, o melhor que tem a fazer é se fingir de morto e não tocar no assunto.

Realidades são realidades. Quem decidiu que Lula é ladrão não foram os seus adversários. Foi a Justiça brasileira, que o condenou pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, em três instâncias e por nove magistrados diferentes. Mais que tudo, há o fato, também impossível de se negar, de que os corruptores confessaram publicamente a sua culpa, assinaram acordos de delação e, principalmente, devolveram uma parte do dinheiro roubado. O que mais seria preciso, em qualquer lugar do mundo, como prova material de roubalheira? Por acaso as empreiteiras condenadas e outros piratas devolveram o dinheiro sem ter feito nada de errado – só para agradar o promotor Deltan Dallagnol e o juiz Sérgio Moro?

Lula, porém, insiste em falar em corrupção. Quer vender a ficção de que foi “inocentado” pela Justiça – quando a canetada que anulou seus processos não diz uma sílaba sobre culpa ou sobre provas. Quer, até, receber uma “indenização” do seu acusador – e está mortalmente ressentido com o fato de que ele recebeu em poucos dias mais de R$ 750 mil em doações espontâneas para pagar as despesas que o processo trouxer. Quer, enfim, o papel de “homem injustiçado”. A conferir.

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

O PAÍS DA BAGAGEM GRÁTIS

Pensando bem, até que demorou. Nossos excelentíssimos congressistas voltaram a colocar na lei que empresas aéreas devem transportar bagagem de graça, seguindo o exemplo de Rússia e Venezuela. Explicar que “de graça” significa, na verdade, “embutido no preço”, seria inútil: o congresso está refletindo com precisão o pensamento do brasileiro médio. Quem quiser outro exemplo pode ver o caso dos telefones da Apple e Samsung que eram vendidos sem o carregador incluído, quer dizer, “grátis”.

Destes dois casos podem-se observar três coisas:

– Décadas ou séculos de doutrinação eliminaram a capacidade de raciocínio econômico de boa parte da população. Basta ver a repercussão do caso da “bagagem grátis” para constatar que a maioria que está comemorando não está dizendo que prefere ter o custo da bagagem incluído no preço: eles realmente são incapazes de compreender este conceito. Eles realmente acreditam que o governo pode fazer que algo seja grátis simplesmente escrevendo isso em um papel e chamando de “lei”. Eles realmente acreditam que o governo pode fazer coisas surgirem do nada. Muitas dessas pessoas estão nas escolas ensinando (ou doutrinando) as crianças a pensar da mesma forma.

– A desorganização do funcionamento do estado brasileiro acaba sempre cobrando seu preço, nem que seja através de detalhes burocráticos. Embora todos falem muito nos poderes “independentes e harmônicos”, na prática os três (quatro se contarmos o ministério público, que também age como um poder) tentam ser tudo: todos querem legislar, querem governar e querem julgar. No caso específico: o executivo quis implantar uma série de alterações na legislação do setor aéreo. Poderia (e deveria, na minha opinião) ter enviado um projeto de lei ao congresso, mas preferiu editar uma medida provisória, que deveria ser um instrumento para situações excepcionais, mas é usado rotineiramente pelo executivo para legislar. O congresso “enxertou” o assunto da bagagem na MP. Ocorre que quando o congresso altera uma MP, o presidente não pode vetar artigos específicos como nas leis comuns: só pode vetar tudo ou sancionar tudo. Se sancionar, volta a bagagem de graça para mais uma vez irmos na contramão do mundo. Se vetar, todas as boas intenções do projeto original vão para o lixo.

– O caso dos carregadores de celular conseguiu mais uma vez ultrapassar as barreiras do absurdo. Sobre o mérito da questão, é só lembrar que em toda a Europa nenhum celular é vendido com carregador. Se a pessoa quer um celular, ela compra um celular. Se ela quer um carregador, ela compra um carregador. Ninguém acredita em coisas grátis, e todos acham interessante reduzir o desperdício. Já por aqui, os órgãos de defesa do consumidor acharam que as fábricas estão “lucrando” ao não vender os dois juntos, e fizeram um verdadeiro carnaval sobre o assunto. Mas quando eu achava que não dava para ficar mais ridículo, surge a notícia de que o ministério da justiça “orientou” todos os PROCONs do país a abrirem processos administrativos contra a Apple e a Samsung. Sim, o ministério não quer uma ação nacional, nem uma ação em conjunto: ele quer mais de 900 processos separados sobre a mesma coisa. Explicação? Talvez a única plausível seja a que se intui da notícia de onde tirei a informação: “se metade dos PROCONs do país multasse em dez milhões as duas empresas, o fundo de recursos do PROCON receberia nada menos que nove bilhões”. Eu entendi que o governo quer simplesmente arrecadar o máximo possível, já que os funcionários que vão fazer 900 vezes a mesma coisa são pagos pelo contribuinte. O que o consumidor ganha? Nada. Nem um centavo das multas vai para o consumidor, fica tudo para o PROCON. O que o consumidor pode “ganhar” é um aumento no preço dos telefones para cobrir o prejuízo, já que a Apple e a Samsung ainda são livres para definir o preço dos seus produtos. Resta esperar que nenhum gênio resolva criar a Applebrás e a Samsungbrás para fornecer celulares “públicos, gratuitos e de qualidade” para nós.