DEU NO JORNAL

RODRIGO CONSTANTINO

CINISMO INTELECTUAL: O CASO DE PONDÉ

Lula citou veto à desoneração e disse que empresas beneficiadas pela medida não se comprometem a “gerar um emprego”.

Ter votado no Lula foi um ato de estupidez, especialmente por parte de judeus, alega Pondé

Li vários livros de Luiz Felipe Pondé e estive com ele pessoalmente algumas vezes, uma delas para ser entrevistado pelo intelectual. Não perdia uma só coluna sua às segundas-feiras na Folha de SP. Pondé falava bastante de cultura, flertava com um niilismo quase charmoso, mas parecia regressar ao chão firme dos valores judaico-cristãos que sustentam nossa civilização. Era, em suma, sempre uma leitura instigante, com ácidas críticas aos “inteligentinhos”.

Ocorre que Pondé se transformou naquilo que tanto criticava. E ver essa mudança foi difícil, triste. Não se trata de um caso isolado. Vários pensadores e jornalistas que eu admirava deram guinadas radicais e passaram a negar tudo aquilo que disseram antes. Citei várias vezes Pondé, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Marco Antonio Villa e outros nos meus livros e colunas, e hoje basicamente não os reconheço. Não fui eu quem mudou 180 graus…

Não quero, aqui, entrar em possíveis causas para tal mudança extremista, levantar hipóteses materialistas, suspeitar até de chantagem em alguns casos. Deixo tais especulações para os leitores. Mas quero falar daquilo que ficou conhecido como Trump Derangement Sryndrome aqui nos Estados Unidos.

A origem do termo remonta ao colunista e comentarista político conservador Charles Krauthammer, um psiquiatra, que cunhou a expressão em 2003, durante a presidência de George W. Bush. Essa “síndrome” foi definida por Krauthammer como “o início agudo de paranóia em pessoas normais em reação às políticas, à presidência – não – à própria existência de George W. Bush”.

Uma coisa é criticar, apontar falhas, outra, bem diferente, é não conseguir mais ouvir falar da pessoa, pois isso já produz um bloqueio mental, uma paralisação dos neurônios, uma reação visceral no sujeito. É um ódio irracional, não formado após julgamentos refletidos e ponderados. A síndrome se aproxima bastante do que os psiquiatras chamam de dissonância cognitiva.

Talvez seja isso que tenha acometido Pondé e tantos outros. Não sei dizer, mas ao observar a incoerência gritante de suas posturas, a tese parece fazer sentido. Vejamos o que escreveu Pondé nesta quarta: “Lula deixa embaixada em Tel Aviv vazia. Isso sinaliza uma crise diplomática grave. Parabéns aos judeus petistas pela sua estupidez. Mais atos antissemitas por parte do governo petista virão”.

Ter votado no Lula foi um ato de estupidez, especialmente por parte de judeus, alega Pondé. E ele está certo em minha visão. Mas, e aqui mora o problema, não na sua própria. Afinal, Pondé… votou em Lula! Ele chegou a escrever uma coluna na Folha com o seguinte título: “Entre Bolsonaro e Lula na disputa eleitoral de 2022, petista é o menos ruim”.

Se Pondé tivesse vindo a público explicar que errou, apresentar os argumentos racionais de sua mudança, haveria, além de mais dignidade, uma chance de debate racional sobre o assunto. Mas não é o caso. Pondé escolheu Lula como “o menos pior”, chegou a acreditar na possibilidade de pacificação do país com o petista, e agora solta, sem maiores explicações, a acusação de que só a estupidez explica alguém ter votado em Lula, especialmente um judeu.

Isso soa como cinismo. Pondé quer voltar a bancar o antipetista contra os “inteligentinhos”, fingindo que não debandou para o lado deles, que não se tornou um deles. Ou então é a única outra alternativa vigente: Pondé sofre de uma terrível síndrome psiquiátrica que, ao escutar o nome Jair Bolsonaro, anula completamente sua capacidade cognitiva a ponto de ele preferir se transformar num estúpido, segundo seus próprios critérios.

Em tempo: as redes sociais não perdoaram e a incoerência não passou despercebida. Talvez por isso os “inteligentinhos” queiram tanto a censura das redes sociais, pois se restar somente a velha imprensa, esse tipo de mudança abrupta passa batido para preservar os companheiros.

DEU NO X

J.R. GUZZO

GOVERNO LULA NÃO LEVA EM CONTA A REALIDADE – POR ISSO TOMOU UMA SURRA DO CONGRESSO

Lula

O governo do presidente Lula ganhou nesta última terça-feira a maior oportunidade que já teve, desde sua reencarnação mais recente, para ser apresentado à vida real. A demora não foi por culpa dela, a realidade. Os fatos sempre estiveram na frente de Lula, prontos para serem recebidos em audiência, mas a sua existência nunca foi reconhecida – e o resultado é que o presidente passou o último ano e meio vivendo dentro de um mundo imaginário.

O principal desses fatos, para resumir a opera, é que Lula faz um governo horrível. Pelas regras da lógica comum, governo ruim é a mulher de César ao avesso: não apenas é ruim, mas parece ruim. Aí, a menos que haja uma ditadura em que o povo cala a boca e obedece ao ditador, cada vez mais gente vai percebendo a combinação de incompetência, vigarice e desonestidade em massa a que está submetida. É óbvio que uma hora vai dar problema.

E acaba de dar: num único dia, Lula foi transformado em paçoca ao levar a maior surra que o seu governo já teve até agora no Congresso. O veto que queria manter, como questão de honra, foi exterminado por 314 votos contra 116. (Do Senado, então, é melhor nem falar nada: perdeu de 52 a 11.) O veto que queria derrubar, vindo do governo anterior, foi mantido por 317 votos a 139.

Lula queria anular a lei que restringe a “saidinha”, e que os parlamentares queriam manter. Perdeu. Queria ressuscitar a lei das fake news, que os parlamentares não queriam mais. Perdeu. Se o governo tivesse prestado mais atenção ao mundo dos fatos, não pagaria esse mico geral. A “saidinha” é uma das aberrações legais mais detestadas pela população brasileira, e foi unicamente por isso que o Congresso aprovou a lei que limita a sua aplicação. Bastaria que Lula ficasse quieto, mas não – ele teimou em ficar contra o povo e a favor dos criminosos.

A censura é uma obsessão do governo (a lei vetada tinha prisão de cinco anos para os infratores), mas o brasileiro comum não quer isso, comprovadamente; se quisesse já teria dito, e não diz. Nos dois casos, Lula não quis receber os fatos em audiência, da mesma forma como não admite as realidades de que não gosta. O resultado foi o desastre dos vetos.

O governo poderia pensar um pouco no que acaba de acontecer e perguntar a si próprio: “Será que não estamos fazendo alguma coisa errada?”. Mas apesar da grande chance que acaba de receber para corrigir seus erros, ou pelo menos alguns deles, o instinto do regime é continuar usando o erro para errar mais. Insistem em repetir que o problema não é a ruindade fundamental do governo, mas a falta de “comunicação”; quer dizer, nós somos ótimos, mas não estamos sabendo explicar isso ao público. Põe a culpa no “bolsonarismo” e na “articulação da direita”, e não no fato de que não têm força nenhuma no Congresso.

Acham que ficar traficando o orçamento com deputado e senador é ter influência; só serve para aumentar o apetite da “base de apoio”, que sabe perfeitamente bem que o governo não pode fazer nada de prático a respeito. Jogam a culpa dos fracassos na nulidade do “líder do governo” e do ministro encarregado de tratar com o Congresso – como se eles tivessem alguma possibilidade de mudar as decisões de uma Câmara onde a oposição tem mais de 350 votos num total de 513.

O governo Lula não entende, pelo que mostram os seus atos, que está em minoria incurável no Congresso – e se está em minoria, não pode impor a todos a agenda que quer para o país. Os parlamentares aceitam muita coisa que o governo quer: Cristiano Zanin e Flávio Dino no Supremo, “arcabouço fiscal”, liberação de verbas e tudo o que se sabe. Mas só aceitam aquilo que querem aceitar; é inútil insistir que façam alguma coisa que realmente não querem.

Lula e o seu sistema dão dinheiro para o Congresso e se sentem no direito, por causa disso, de exigir que o Brasil das suas preferências pessoais seja aprovado pelos congressistas. Não funciona. Querem mais terras para os índios. Querem “educação sexual” nas escolas. Querem o aborto, a linguagem neutra e a censura na internet. Querem a volta do imposto sindical. Querem reduzir a população das penitenciárias. Querem se aliar aos terroristas do Hamas e romper relações com Israel. Querem ficar contra os Estados Unidos e a favor do Irã. Os brasileiros não querem nenhuma dessas coisas, e outras mais. O Congresso também não quer. Raramente, a não ser em defesa de interesses estritamente materiais, se anima a ficar contra os desejos evidentes da população.

Lula, a esquerda e as classes intelectuais acham que o defeito básico do Brasil é o povo brasileiro. É, na maioria, uma gente de direita, conservadora, feia, que vai no templo evangélico, acredita em família e se veste de verde-amarelo quando sai às ruas. É gente que não se interessa por sindicato. É gente que não aparece nos comícios de Lula. É gente que não tem capacidade para entender as virtudes do socialismo. É isso, queira-se ou não, que a maioria do Congresso reflete – por pior que seja, continua sendo a instituição em que as pessoas têm mais chance de serem ouvidas. Não dá para trocar de povo. Não dá para fechar o Congresso, ou não deu até agora. O governo Lula parece não pensar nisso.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO X

COM A PALAVRA O OTÁRIO LULO-ESQUERDÓIDE

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

DEU NO X

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

A PALAVRA DO EDITOR

DESAFIO

Pra começar o expediente de hoje, um desafio da dupla de emboladores nordestinos Lindava e Lavandeira do Norte.

Cantoria educada, elegante e cheia de finuras.

Confiram no vídeo abaixo.

Uma excelente quinta-feira para toda a comunidade fubânica!