AMÉM!
Luís Ernesto Lacombe

O mundo, o Brasil, está tudo do mesmo jeito, tudo invertido. São raros os lugares, são raras as situações em que o mal é o mal, em que o bem é o bem. E o pior é que em nosso país já nem se pode mais apontar a farsa sem correr enormes riscos. Negociatas não são mais negociatas, roubalheira não é mais roubalheira… Não, pilhagem nunca houve. Os criminosos, no país pelo avesso, não são mais criminosos, e os inocentes de verdade passaram a ser bandidos. Tudo foi invertido, pervertido, subvertido. Fomos empurrados, sem dó nem piedade, ao colapso geral, moral, político, judicial.
Não adianta que assumam seus crimes, os bandidos reais, em confissões, delações, acordos de leniência. Pode ter carta, nota oficial para a imprensa: “Erramos… Estamos aprendendo com nossos erros, evoluindo”. Não adianta que se juntem provas e mais provas das práticas ilegais, planilhas, que se recupere uma dinheirama. Há sempre um amigo do amigo do amigo pronto para mudar o passado. Nada do que aconteceu aconteceu. Estão todos liberados; suas penas anuladas devem transformá-los em heróis, em “guerreiros do povo brasileiro”, em empreendedores santificados… Mais uma vez, os “campeões nacionais”, de banho tomado e novo nome, para que ninguém queira puxar pela memória. A ordem é não ter memória.
E o juiz que já foi, um dia, a esperança desse país entrega os pontos de vez. Já não tem bandeiras, é morno, é manso. Aceita o que pareceu combater em outros tempos… Permite que o país não tenha pretérito, não lute no presente e, portanto, abra mão do futuro. Elogia, tentando uma especificidade que não cabe, a “independência do Judiciário”. Em relação a quem? Em relação a quê? Tristes tempos estes em que resolveram agir e permitir que se aja independentemente das leis, do mundo real. Somos a mentira, o embuste, a trapaça, a tramoia, o golpe, a cilada. Somos todos os substantivos e adjetivos detestáveis que foram transformados em coisa boa.
Há rodas de samba para o condenado a mais de 400 anos de prisão, ou uma cadeira de rodas quando ele achar conveniente. E não venham falar em escárnio. Esqueçam o passado. Lembrem-se de que o que é ruim passa a ser bom, o que é profano passa a ser sagrado. Dependendo da pessoa em questão, é permitido comemorar desastre aéreo com mais de 300 mortos, agradecer à “natureza por ter criado esse monstro chamado coronavírus”. Dá até para ir ao Vaticano e dizer: “Malditas sejam todas as cercas, malditas todas as propriedades privadas”.
Escolheram a calamidade, apoiando o que nunca deu certo, em lugar nenhum, em época nenhuma. Temos um rombo fiscal de pandemia, corruptos liberados, perseguição política, censura… Aqui e pelo mundo, santificaram também um “carniceiro”, alguém que prendia, torturava e assassinava opositores. Como está tudo ao contrário, aquele que era temido e odiado virou um “excelente ser humano”, uma “pessoa exemplar”. Seus amigos ficaram tristes… Os amigos da tirania, da barbárie, do caos. Os amigos dos amigos dos amigos dos amigos do fim de tudo.
Como era o Viagra antigamente… pic.twitter.com/gHl83fS2Rx
— MSP-Brasil (@mspbra) May 25, 2024
Quando voltava da escola
Em casa sequer entrava
Debaixo da Castanhola
Todo dia eu me sentava.
Reunião de amigos
Naqueles dias antigos
Que a lembrança me traz…
Saudade, diga ao presente
Quando voltar novamente
Talvez não me encontre mais.
Uma roda de cadeiras
Formando lá na calçada,
Um reino de brincadeiras
Tudo virando piada.
De vez enquanto uma briga
Que não gerava intriga
Pois logo voltava a paz…
Saudade, diga ao presente
Quando voltar novamente
Talvez não me encontre mais.
Naquele reino de encantos
De carinhos, de afetos,
De zelos, cuidados tantos,
Entre vizinhos diletos,
Havia uma irmandade
Recheada de bondade
Que nem o tempo desfaz…
Saudade, diga ao presente
Quando voltar novamente
Talvez não me encontre mais.
A legítima rainha
Daquela sombra e reinado
Era Dona Raimundinha
Seu rei Aprígio ao lado.
O casal nos recebia
Sob a sombra e a magia
Daquele tempo fugaz…
Saudade, diga ao presente
Quando voltar novamente
Talvez não me encontre mais.
Hoje há só o vestígio
A lembrança me consola
De Raimundinha, de Aprígio
Da sombra da Castanhola.
Mas não ficou no passado
Meu olhar vê o reinado
Nas águas que o tempo traz…
Saudade, diga ao presente
Quando voltar novamente
Talvez não me encontre mais.
JÁ BEBI 8 LATÃO TO ASSIM DA CABEÇA pic.twitter.com/dQlhJOkxbN
— Joaquin Teixeira (@JoaquinTeixeira) May 25, 2024
Nota descarada de Lula sobre Michel Nisembaum, assassinado por terroristas do Hamas, é divulgada apenas quatro dias após Lula também lamentar morte do presidente do Irã, país que financia o grupo terrorista.
Em sua nota vergonhosa, Lula nem sequer condena o Hamas.
* * *
Vergonhosa não é só a nota que o Ladrão Descondenado divulgou, com a desfaçatez e a cara-de-pau costumeiras.
Vergonhosa é toda a conduta desse sujeito, o maior demagogo da história desta republiqueta banânica,
Ao sopro do terral abrindo a vela,
Na esteira azul das águas arrastada,
Segue veloz a intrépida jangada
Entre os uivos do mar que se encapela.
Prudente, o jangadeiro se acautela
Contra os mil acidentes da jornada;
Fazem-lhe, entanto, guerra encarniçada
O vento, a chuva, os raios, a procela.
Súbito, um raio o prostra e, furioso,
Da jangada o despeja n´água escura;
E, em brancos véus de espuma, o desditoso.
Envolve e traga a onda intumescida,
Dando-lhe, assim, mortalha e sepultura
O mesmo mar que o pão lhe dera em vida.

Padre Antônio Tomás de Sales, Acaraú-CE (1868-1941)
Comentário sobre a postagem JESUS DE RITINHA DE MIÚDO TEM RAZÃO
Jesus de Ritinha de Miúdo:
Nosso vício mais saudável:
Ler o JBF.
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No Brasil, do arroio ao Chuí, junho é mês diferente
“Eu plantei meu milho todo no dia de São José
Me ajuda a providência, Vamos ter milho à grané
Vou coiê pelos meus caico (cálculo)
20 espiga em cada pé
Pelos caico (cálculo) eu vou coiê (colher) 20
Espiga em cada pé
Ai São João, São João do Carneirinho
Você é tão bonzinho
Fale com São José, fale lá com São José
Peça Pra ele me ajudar
Peça pra meu milho dá
20 espiga em cada pé”
Festa profana, que, em junho pretende louvar Santo Antônio, São João e São Pedro – e aí veio o Maranhão e exagerou, incluindo São Marçal, no dia 30. São Luís muda. O bumba-boi, quase profissão, aos poucos se transforma numa festa religiosa. Profana, sim.
Hoje, domingo, 26 de maio, faz onze dias que os “ensaios” começaram. Sábado dia 8, os “batizados” têm início. Tudo determinado pelo “amo” do boi, que, como se fosse um pai, convida a cada ano, padrinho e madrinha. O “batizado”, tradicionalmente é um ato público – celebrado pelo Padre, fora da Igreja.
Dois dias antes, acontece o “ensaio redondo” (o que encerra a fase de preparação e autoriza as apresentações públicas, a partir do “batizado”), e, com ritmos, sotaques e indumentárias e magias diferentes, as contagiantes apresentações ao público doméstico ou turístico.
É o boi. São os bois. É o bumba-boi. A maior festa profana-popular-cultural do Maranhão.
O turismo institucional se aproveita, e as prefeituras montam e autorizam os arraiais, proporcionando aos que comparecem, uma diversificada culinária e atrações mil.
No Maranhão todo arraial divulga uma programação prévia, com esse ou aquele boi, quadrilha portuguesa, tambor de crioula, casinha da roça e uma ampla movimentação que se inicia (neste ano de 2024) no dia 2 de junho, e termina no dia 30, com a apresentação de inúmeros bois de diferentes sotaques num mesmo local, louvando São Marçal.
“No lombo do meu boi
Tem um céu todo estrelado
Ferro em brasa não encosta
Ah meu boi é mimoso
Meu boi é mimado
Veio do pau deitado
Fazer apresentação
Trouxe rimador do bom
Pra boiar no Maranhão”
Índia saudando o boi
Junho é o mês mais interessante para o turista conhecer o Maranhão – em qualquer município maranhense, por mais pobre que seja, tem apresentação de bumba-boi. Tem festa junina. Tem fogueira e a tradicional culinária é ponto forte e se faz presente. Desde pular fogueira, dançar quadrilha, assar milho verde, batata doce e o famoso mingau de milho (mugunzá).
Tradição ainda mantida: tomar esse ou aquela, como compadre ou comadre. Tudo sob as bênçãos de Santo Antônio, São João e São Pedro.
A tradicional quadrilha portuguesa
Importação portuguesa, a Quadrilha folclórica veio e ficou. Forte, conseguiu aceitação, mantendo a indumentária e a evolução dos movimentos. Tem sido um forte atrativo no mês de junho no Maranhão.
Essa semana foi recheada de coisas interessantes, coisas que fortalecem as instituições e protegem o estado de direito e a democracia no Brasil. A coisa é simples: ação do STF em defesa da corrupção e dos corruptos. Eu acredito que isso deve fazer parte de uma negociação que por enquanto, confesso, não tenho capacidade de entender o que está “fervendo na panela”.
A joia da coroa começou com a anulação das provas contra Marcelo Odebrecht pelo ministro Dias Toffoli, o conhecido “amigo do amigo do meu pai”. Depondo, em juízo, Marcelo explicou como funcionava a Diretoria de Operações Estruturadas da Odebrecht. Sua finalidade básica era favorecer políticos (deputados, senadores, ministros, presidente) em troca de contratos milionários, dentro e fora do Brasil. A Odebrecht publicou um texto nos jornais impressos do Brasil, admitindo que corrompeu, pedindo desculpas e devolveu, num acordo de leniência, R$ 6,9 bilhões, dinheiro este que foi entregue por Moro na petrobras e, lembre-se, que ele vaiado por essa ação.
São públicas declarações de ministros do STF sobre a corrupção. Gilmar Mendes chegou a dizer que foi instalado no país um regime leptocrático; Barroso, se referindo a mala de dinheiro de Loures levava para Temer, disse “eu vi a mala”; acharam R$ 51 milhões, em dinheiro, num apartamento em Salvador de propriedade de Geddel Vieira e uma das preocupações da defesa era identificar quem fez a ligação denunciando, pois eles acreditam que se não houve tal denuncia, a ação da PF é ilegal.
Quem não lembra de Carmem Lúcia dizer, como presidente do STF, que eles eram odiados pela população? Entretanto, tudo isso era pechincha com o que estava por vir. Temer presidente indicar Alexandre de Morais para o STF. Não vamos chamar isso de “cereja do bolo” porque o que se tem, de fato, é uma massa de esterco que favorece o crescimento da impunidade, da corrupção, da proteção há grupos individuais e pune, rigorosamente, que pensa ou se declara contrário a isso tudo.
Quem não lembra das palavras de Homero Jucá falando sobre a necessidade de “estancar a sangria?”. Pois bem: o STF ouviu seus apelos e começou a estancar a sangria quando tirou da cadeia o ex-presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine que envolvimento em corrupção foi delatado por corruptores. O STF fez algo inusitado na doutrina jurídica brasileira: soltou Bendine com a alegação de que seu depoimento foi anterior ao depoimento dos delatores. Mas, isso era apenas alternativa porque não se reproduziu em todos os casos.
Ampliando seus tentáculos, desconsiderando que Lula foi condenado em três instâncias, desconsiderando que o STJ não afastou uma prova sequer, mas tão somente refez a dosimetria da pena que tinha sido acrescida no TRF-4, deixando-a num prazo semelhante a condenação de Moro. Eu fico imaginando a insônia que esse pessoal experimentou para encontrar meios de livrar Lula da cadeia. Imagino a pressão que eles – na sua maioria indicados pelo PT – sofreram para tirar Lula da cadeia. E, num passe de mágica, Fachin anulou tudo, de forma monocrática, sob o argumento de que a 13ª Vara Federal de Curitiba não tinha competência e transferiu para Brasília os processos contra Lula. De modo simples, isso quer dizer que o processo deve ser julgado onde houve benefício do crime e não onde o crime ocorreu. Algo como “roube aqui, aplique o produto do roubo nas Bahamas e você deve ser julgado lá”.
Isso não foi suficiente. O instituto lula (escrever essa porra no singular mesmo), na constituição legal, é uma empresa sem fins lucrativos. Isso significa que a empresa pode ter lucro, mas não pode haver distribuição de lucros e no capital social consta lula com 99% das cotas e Okamoto (aquele que foi presidente do Sebrae e que pagava as contas de lula) tinha 1% e houve transferência de lucros da empresas para estes senhores. Resultado: a receita federal viu essa movimentação, apurou o período de ocorrência e cobrou os impostos devidos sobre os lucros. Isso totalizou R$ 18 milhões e Gilmar Mendes anulou esse processo alegando vinculo com a Lava Jato. Não tinha vínculo algum! Era puramente um problema contábil.
A coisa parece não ter fim. Circula nas redes uma matéria que trata da anulação de um processo contra um desembargador do Rio de Janeiro que recebeu R$ 6 milhões em propinas para tomar decisões favoráveis as empresas de ônibus. Nunes Marques suspendeu o processo que estava aguardando uma decisão do STF. Premia-se, mais uma vez, os corruptos a partir da nítida opção pela impunidade.
O Brasil é uma piada de mau gosto. Daquelas que somente alguns poucos acham engraçado. Chame o presidente de ladrão que você pode ser processado, preso e declarado uma ameaça ao estado de direito e ao fortalecimento da democracia. Por falar em democracia, não custa lembrar que em recente visita ao senado, o ministro Alexandre de Morais disse estar preocupado com o avanço da direita. Frei Betto disse que se tiver poder sobre a constituição, não haveria “direita’ no Brasil e quando o repórter perguntou se isto não seria antidemocrático ele disse “Não me importa”. Em outras palavras: fodam-se!