ALEXANDRE GARCIA

LULA APROFUNDA CRISE ENTRE BRASIL E ISRAEL

Frederico Meyer

Frederico Meyer foi oficialmente removido de embaixada em Israel, que passa a ser comandada por encarregado de negócios

O presidente da República decidiu não mandar de volta para Tel Aviv o representante do Brasil em Israel. Transferiu o embaixador para outro posto – ou seja, está interrompendo a relação diplomática com Israel. É uma relação mais que histórica, porque foi um brasileiro, Oswaldo Aranha, quem, presidindo a assembleia da ONU em 1948, encontrou o momento certo para votar e aprovar a criação do Estado de Israel.

Nossa ligação com Israel vai além da Bíblia. É uma ligação secular, além da existência da comunidade judaica que temos no Brasil. Mas claramente a ligação de Lula é maior com o Hamas que com a única democracia do Oriente Médio. Lula prefere Maduro, Chávez, Ortega, o Irã. É lamentável. Não representa a vontade dos brasileiros, sem a menor dúvida, embora esteja na presidência da República pela vontade de metade e mais um pouco dos eleitores brasileiros.

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Se Lula quer eletrodoméstico barato no Rio Grande do Sul, podia tirar os impostos

Vi, também, uma declaração de Lula pedindo para o vice Geraldo Alckmin baratear eletrodomésticos como fogão, refrigerador, máquina de lavar roupa e micro-ondas, no Rio Grande do Sul. Foi manchete das agências ufanistas, não da agência oficial. Não sabia que Alckmin tinha rede de lojas de eletrodomésticos. Acho que ele tem é de conversar com o comércio de eletrodomésticos do Rio Grande do Sul. Mas, enfim, produziram a notícia porque Lula fez o pedido, e agora podem dizer que, se não baratearem, não é culpa do Lula, porque ele pediu.

O Congresso aprovou – e os lojistas não gostaram – a tal da “lei da blusinha”. Estavam entrando muitas compras abaixo de US$ 50 feitas por comércio eletrônico, muitos produtos chineses, e estava tudo isento. É uma concorrência absolutamente desleal com o comércio brasileiro. Estabeleceram 20% de imposto de importação, mas o comércio continua chiando porque não é o suficiente, pois aqui no Brasil os impostos são altíssimos. Então, se o governo decidir, aí, sim, tirar os impostos de eletrodomésticos no Rio Grande do Sul, vão poder comprar e o comércio gaúcho ganhará um novo alento, porque aconteceu não apenas invasão e saque de lojas, mas também de depósitos. Tudo isso vai para a conta das despesas com a enchente no Rio Grande do Sul, que o jornalismo domesticado chama de “catástrofe climática”.

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Rejeição pode definir uma eleição, mais que a intenção de voto

Sempre se sabe que, quanto mais rejeição tem a pessoa, menos chances ela tem de ganhar uma eleição. A rejeição parece influenciar mais que a aprovação mostradas nas pesquisas de opinião. Peguei duas pesquisas para a principal eleição municipal, que é a de São Paulo: a do Datafolha e a do Paraná Pesquisas. Guilherme Boulos e Ricardo Nunes estão tecnicamente empatados em intenção de voto pelo Datafolha, 24% a 23%. A rejeição de Boulos, segundo o Paraná Pesquisas – e o Datafolha também mostra isso –, está um pouquinho acima: 31,5% para Boulos e 21,3% para Nunes.

Metodologias: Paraná Pesquisas: 1.500 entrevistados pessoalmente pelo Paraná Pesquisas entre os dias 24 e 28 de maio de 2024. A pesquisa foi realizada por iniciativa do próprio Instituto Paraná de Pesquisas e Análise de Consumidor Ltda. Confiança: 95%. Margem de erro: 2,6 pontos percentuais para mais ou para menos. Registro no TSE n.º SP-05645/2024. Datafolha: 1.092 entrevistados presencialmente entre os dias 27 e 28 de maio de 2024. A pesquisa foi contratada pelo jornal Folha de S.Paulo. Margem de erro: 3 pontos porcentuais para mais ou menos. Registro no TSE n.º SP-08145/2024.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

NÃO ESTÁ BOM E VAI PIORAR

As sucessivas pesquisas mostrando desaprovação bem maior que a aprovação, uma governança baseada em ódio e vingança e derrotas vexatórias como nesta terça (28), no Congresso, instauraram uma crise inédita no governo empossado há apenas 16 meses.

A derrubada de vetos de Lula, que queria manter as “saidinhas” de presidiários, e outras derrotas em votações importantes levaram José Guimarães (PT-CE), líder do governo na Câmara, a pedir mudanças.

“Não está bom”, admitiu.

“Ainda dá tempo”, diz Guimarães, de olho em pesquisas como a Quaest, indicando que, para 55% dos brasileiros, ele não merece ser reeleito.

O deputado petista defende mudanças urgentes, engajando não petistas para a articulação política, como nos primeiros governos Lula.

“Doeu” a decisão do Congresso contra o governo e o STF de jogar no lixo a censura nas redes sociais, a pretexto de “combate à fake news”.

Petistas veteranos atribuem erros de Lula à falta de assessores que ele respeite, levando-o a dar ouvidos a figuras primárias, como Janja.

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O petralha José Guimarães, pra quem não se lembra, é aquele que ficou famoso com a história do dinheiro na cueca de um assessor.

Capitão Cueca - Questionaram o Petista do Dólar na Cueca! | Capitão Cueca - Questionaram o Petista do Dólar na Cueca! | By Arthur do ValFacebook

Quando chega a admitir que o gunverno do Ladrão Descondenado “não está bom”, gunverno  do qual é líder na Câmara, ele confirma os fatos que estão escancarados, à vista de todos.

Quer dizer, à vista daqueles que enxergam as coisas.

Se a decisão do Congresso “doeu” para os descerebrados esquerdóides, como diz a nota ai de cima, pro cidadão decente e honesto foi uma alegria enorme, um momento de júbilo.

Deixar petralhas com raiva e babando pelos cantos dos beiços levanta o astral da banda decente do país.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

DECISÕES DO CONGRESSO SOBRE VETOS SÃO VITÓRIAS DA SOCIEDADE

Editorial Gazeta do Povo

Congresso mantém veto que evitou criação do crime de fake news eleitoral

Plenário da Câmara dos Deputados durante sessão conjunta do Congresso Nacional destinada à deliberação de vetos presidenciais

O governo Lula teve um dies horribilis nesta terça-feira, durante a sessão conjunta do Congresso Nacional que analisou vários vetos presidenciais, do atual presidente e de seu antecessor. As lideranças do governo no Legislativo até tentaram minimizar o estrago, afirmando que muitos vetos de Lula acabaram mantidos, mas o fato é que nos temas mais importantes o governo e a esquerda saíram derrotados, tanto com a derrubada de vetos de Lula quanto com a manutenção de um veto de Jair Bolsonaro. Até mesmo a aprovação, pela Câmara, da taxação de 20% sobre compras do exterior inferiores a US$ 50 acabou saindo cara ao Planalto, já que deixou insatisfeitos os consumidores (que terão de pagar mais), as plataformas de comércio eletrônico (cujas vendas podem cair) e os varejistas nacionais (que não conseguiram emplacar a alíquota desejada).

Um dos vetos de Lula derrubados na terça-feira foi o que retirou trechos da lei que acabava com as “saidinhas” de presos em datas comemorativas, da forma como ocorriam até a aprovação da lei, em março deste ano. O projeto fora aprovado com maioria avassaladora em ambas as casas, inclusive com o voto de alguns petistas e membros de outros partidos de esquerda, algo que se repetiu nesta terça-feira: no PT, a deputada gaúcha Maria do Rosário e o senador capixaba Fabiano Contarato apoiaram a derrubada do veto; parlamentares de PDT, PSB e PCdoB também votaram dessa forma. A “saidinha” nos moldes antigos, por mais bem-intencionados que fossem seus formuladores, havia se mostrado uma prática falida, uma porta de saída para criminosos voltarem ao mundo do crime sem terem pago sua dívida com a sociedade – uma minoria deles, é verdade, mas o suficiente para atestar o equívoco dessa política de ressocialização.

Mas a decisão mais importante desta terça-feira, por todo o contexto de apagão da liberdade de expressão em curso no Brasil, foi a manutenção de um veto de Jair Bolsonaro a um trecho da Lei de Crimes Contra o Estado Democrático de Direito, em 2021. O dispositivo vetado criaria um crime de “comunicação enganosa em massa”, punindo com até cinco anos de prisão quem “promover ou financiar, pessoalmente ou por interposta pessoa, mediante uso de expediente não fornecido diretamente pelo provedor de aplicação de mensagem privada, campanha ou iniciativa para disseminar fatos que sabe inverídicos, e que sejam capazes de comprometer a higidez do processo eleitoral”. Às vésperas da sessão de análise dos vetos, especialistas em liberdade de expressão voltaram a chamar a atenção para a redação bastante aberta – e, por isso, imprecisa – do trecho: bastaria compartilhar uma informação falsa para ser condenado, ou só o criador do boato seria responsabilizado? O que significaria “saber” que algo é inverídico? Se Bolsonaro houvesse sancionado este trecho, ou se o veto fosse derrubado na terça-feira, estaria estabelecida previsão legal para uma perseguição que, a bem da verdade, já existe graças a uma aliança entre Executivo e Judiciário, mas que hoje ocorre à revelia da lei.

Felizmente, no entanto, o chamado “veto da liberdade” foi mantido por ampla margem: 317 deputados foram favoráveis, 60 a mais que o mínimo necessário, o que dispensou a apreciação pelos senadores. Ao contrário do que ocorrera com o caso da “saidinha”, a esquerda não contribuiu para a manutenção do veto, com a exceção de um deputado do PDT, mas os partidos do Centrão, mesmo aqueles com cargos no primeiro escalão de Lula, deram maciço apoio à oposição, percebendo as potenciais consequências – especialmente em ano eleitoral – de adotar certas posturas nos temas de costumes ou relativos à liberdade de expressão.

Isso explica, também, o fato de 309 deputados e 47 senadores terem derrubado outro veto de Lula, desta vez à lei orçamentária. Com a derrubada, fica proibido o uso de dinheiro público para incentivar ou promover a invasão ou ocupação de propriedades rurais privadas; a realização de abortos não permitidos em lei; cirurgias para troca de sexo de crianças e adolescentes; ações que possam influenciar “crianças e adolescentes a terem opções sexuais diferentes do sexo biológico”; e ações tendentes a desconstruir, diminuir ou extinguir o conceito de família tradicional, formado por pai, mãe e filhos.

Tornou-se lugar comum, para desmerecer certa proposição, afirmar que ela não traz a solução definitiva dos problemas que pretende enfrentar. Mas ninguém sensato há de afirmar que o fim da “saidinha” acabará com a criminalidade, que a manutenção do “veto da liberdade” acabará com as restrições à liberdade de expressão no Brasil, ou que a proibição do uso de dinheiro público para financiar certas pautas acabará com o apoio que o governo lhes dá. O que se pode dizer com certeza é que, se as decisões de terça-feira fossem diferentes, hoje estaríamos ainda pior. Mais que derrotas do governo e da esquerda, o resultado desta sessão é uma vitória da sociedade.

PENINHA - DICA MUSICAL