Arquivo diários:19 de novembro de 2023
DEU NO X
DEU NO X
A BALEIA BALOFA
DEU NO JORNAL
ESBANJANJANDO COM NOSSO DINHEIRO
JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO
ENTRE O CÉU E O INFERNO – A INFÂNCIA ERA DIFERENTE
Forma lúdica da convivência social de antigamente
Poucos conseguiam sair do inferno e chegar ao céu, sem erros ou pecados, de uma única vez. Só os bons conseguiam. Sempre conseguiam.
Sem playground do shopping, sem a observação vigilante dos pais e/ou das mães, tudo se resolvia com um pedaço de calçada livre, um pedaço de gesso e a disponibilidade de alguém em riscar o chão, e ali desenhar 12 espaços que também podiam ser chamados de casas.
Doze casas que, nem se sabia por que, e quase ninguém tinha consciência disso, seriam transformadas em onze – ninguém contava com o inferno, casa inicial. Mas desenhar era importante, para que todos entendessem que ele existe. Só mesmo os “sem-sorte” que, ao ficarem de costas para a “amarelinha” e jogarem a “pedra” para sortear a ordem de participação, tivessem a infelicidade de fazer a pedra cair no inferno.
Pular. Inconscientemente, pular.
Pular carregando no peso de si mesmo, toda a ingenuidade.
Hoje, tudo é diferente. Sou defensor de que o mundo não mudou. As pessoas, isso sim, mudaram!
As calçadas mudaram.
Não existem mais, muito menos os espaços para desenhar em riscos de gesso as amarelinhas da vida, e da infância que conduz aos bons hábitos.
Nos playgrounds dos shoppings foram feitos desenhos de amarelinhas, sem inferno e sem céu.
Como se esses não existissem!
As mudanças das pessoas fizeram com que elas desenvolvessem teorias que não levam à lugar algum (tal e qual a “posse de bola” num jogo de futebol), criando situações insignificantes, querendo recriar a amarelinha como um equipamento de educação e esforço físico – mas, sempre dirigido por quem teoriza. Nada mais que um cabresto, com a intenção de ter a posse das pessoas.
Teoria – nada mais que isso
Se por um lado as calçadas desapareceram e com elas levaram os espaços onde eram desenhadas as amarelinhas onde meninos e meninas se associavam nas brincadeiras livres de cabrestos, e/ou teorias paulofreirianas, os “defensores da educação” plantaram as sementes que, nasceram, ao tempo que vieram transformadas em tapetes que podem ser colocados (ou retirados), ou adesivos plásticos que podem ser afixados em definitivo – com a “vantagem” de gerar empregos e movimentar a indústria.
Teoria – igual a posse de bola no futebol
Zé Ramos, o que te motivou a enxugar gelo, dissertando sobre um assunto que não interessa a mais ninguém?
Foi isso que me questionou a minha consciência de menino livre que brincava de forma sadia, respeitando os pais, os sarampos, as rubéolas, as gripes e, no caso da amarelinha, os bichos-de-pé, que me impediam de pular para me livrar do inferno, superar as outras dez casas até chegar ao céu, vitorioso.
A calçada sumiu e levou o rabisco da amarelinha. De bônus, levou também os fins de tardes sadios, onde mães sentavam nas suas cadeiras de balanço colocadas nas calçadas e conversavam com vizinhas na tentativa de encontrar ajuda mútua.
A amarelinha, distante das teorias atuais, proporcionava tudo isso – evitando passar pelo inferno em que o modernismo transformou os fins de tardes e a vida.
DEU NO X
AGORA TUDO FAZ SENTIDO!
– Agora tudo faz sentido! pic.twitter.com/eSHdzZ5ytN
— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) November 18, 2023
JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL
OS BRASILEIROS: José Lins do Rego
José Lins do Rego Cavalcanti nasceu no Engenho Corredor, em Pilar, PB, em 3/6/1901. Advogado, romancista e jornalista, foi um autor destacado na geração de 1930 do modernismo brasileiro e um dos maiores romancistas regionalistas. Com um estilo despojado e direto, descreveu a decadência de uma época. Criado numa família de senhores de engenho, fez um relato nostálgico e crítico da transição da época em que viveu.
Filho de Amélia Lins Cavalcanti e João do Rego Cavalcanti e neto do famoso Coronel “Bubu do Corredor” (José Lins Cavalcanti de Albuquerque), senhor de 8 engenhos. concluiu os primeiros estudos em João Pessoa e Recife, onde ingressou na Faculdade de Direito e diplomou-se em 1923. Durante o curso, fundou o semanário Dom Casmurro e manteve contatos com o meio literário recifense, particularmente Gilberto Freyre, de quem recebeu forte influência.
Em 1924 casou-se com a prima Philomena Massa, filha do senador Antônio Massa e no ano seguinte ingressou no Ministério Público de Minas Gerais, como promotor em Manhuaçu, mas ficou pouco tempo no cargo. Mudou-se para Maceió, onde exerceu as funções de fiscal de bancos até 1930 e fiscal de consumo de 1931 a 1935. Neste período conviveu com Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz, Aurélio Buarque de Holanda e Jorge de Lima. Seus primeiros livros, integrantes do chamado “Ciclo da cana-de-açúcar” refletem a decadência do mundo rural nordestino: Menino de engenho (1932), Doidinho (1933), Bangüê (1934), O Moleque Ricardo (1935) e Usina (1936).
Sua obra regionalista, contudo, não se encaixa somente na denúncia sociopolítica, mas, segundo Manuel Cavalcanti Proença, igualmente em sua “sensibilidade à flor da pele, na sinceridade diante da vida, na autenticidade que o caracterizavam”. Conforme alguns críticos, ele imprimiu uma nova forma de oralidade na literatura brasileira, praticada pelos modernistas de 1922. Após consolidar seu nome na literatura regional, transferiu-se para o Rio de Janeiro, em 1935, ampliando o leque de amigos, e passou a escrever para os Diários Associados e O Globo. Por essa época, revelou-se uma faceta pouco conhecida de sua personalidade: a paixão pelo futebol. Foi um grande torcedor do Flamengo e chegou a exercer o cargo de secretário-geral da CBD-Confederação Brasileira de Futebol no período 1942-1954.
Em 1956 entrou para a Academia Brasileira de Letras e logo depois estreou na literatura infanto-juvenil com Histórias da velha Totônia, seu único livro nesta área. Alguns de seus livros foram adaptados para o cinema e muitos deles foram traduzidos em diversos idiomas. Foi um escritor inteiramente despojado de atitudes ou artifícios literários. Ele mesmo se via como um escritor instintivo e espontâneo: “Quando imagino nos meus romances tomo sempre como modo de orientação o dizer as coisas como elas surgem na memória, com os jeitos e as maneiras simples dos cegos poetas”.
Faleceu em 12/9/1957 e deixou 23 livros publicados, além da imagem de um escritor comprometido com sua terra e seu tempo. Na avaliação dos críticos, deixou uma obra que “Bem examinadas as coisas… Nada há nele que não seja o espelho do que se passa na sociedade rural e nas cidades do Norte e do Sul do Brasil. É de todo o Brasil e um pouco de todo o mundo”, conforme José Ribeiro. Já Wilson Martins não gostou de Fogo Morto e afirmou que o “o livro não passa de simples reelaboração do Ciclo da Cana-de-Açúcar, sem nada lhe acrescentar e até tirando-lhe alguma coisa”. No entanto, Alfredo Bosi considerou Fogo Morto a verdadeira “superação” do ciclo da cana-de-açúcar.
Numa análise dos personagens, Antônio Candido declarou que “o que torna esse romance ímpar entre os publicados em 1943 é a qualidade humana dos personagens criados: aqui, os problemas se fundem nas pessoas e só têm sentido enquanto elementos do drama que elas vivem.” Outro respeitado crítico, Massaud Moisés, fez questão de colocar Fogo morto entre os livros dos anos 30, muito embora tenha sido lançado em 1943, pela razão da obra ser uma expressão “acabada do espírito do projeto estético e ideológico regionalista característico daquela década…é uma das mais representativas obras não só da ficção dos anos 30 como de todo o Modernismo”.
Entre os críticos, há um consenso, no qual sua obra caracteriza-se, particularmente, pelo extraordinário poder de descrição. “Reproduz no texto a linguagem do eito, da bagaceira, do nordestino, tornando-o o mais legítimo representante da literatura regional nordestina”. Segundo Luciana Stegagno Picchio, graças a José Lins “o regionalismo tornou-se um ato pessoal, um instrumento de realização literária”. Sérgio Milliet disse que ele fez “uma imagem muito nítida do Nordeste dos últimos engenhos, evoluindo lentamente entre crises políticas e lutas domésticas, modorrento sob o sol das secas”. Para Otto Maria Carpeaux todo o universo da casa-grande, da senzala, dos senhores de engenho e etc. “nunca mais existirá a não ser nos romances de José Lins do Rego”.
WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO
LANÇAMENTO DO LIVRO DO POETA-REPENTISTA ZÉ VICENTE DA PARAÍBA
Lançamento do livro do poeta-repentista Zé Vicente da Paraíba “Fiz do choro das cordas da viola o maior ganha-pão da minha vida”.
José Vicente do Nascimento (Zé Vicente da Paraíba), nasceu em Pocinhos, então Distrito de Campina Grande, Paraíba, em 07 de agosto de 1922. Ainda criança, seus pais mudaram para Taperoá, no Cariri paraibano e de lá para Itapetim-PE.
Foi na região do Pajeú que teve contato com grandes cantadores repentistas, sendo contemporâneo dos irmãos Batista: Lourival (Louro do Pajeú), Dimas e Otacílio. Foi com Otacílio Batista que fez a primeira cantoria em 1940.
Zé Vicente da Paraíba foi o primeiro repentista a gravar um LP do estilo de cantoria nordestina no Brasil, em parceria com o poeta Aristo José dos Santos, em Recife, no ano de 1955.
Faleceu em 9 de maio de 2008.
Suas letras foram gravadas por grandes nomes da MPB, como Zé Ramalho, Marília Pêra, Ruy Maurity e tantos outros.
Centenário do Poeta Zé Vicente da Paraíba
Um sábio sem ter escola,
Um mestre sem ser letrado,
Um piloto habilitado
Na condução da viola.
Na Paraíba nasceu,
Em Pernambuco viveu
Seus dias de fama e glória,
Sua arte preferida
O transportou pela vida
Pra repousar na História.
Por mais de sessenta anos
Pôs a viola no peito
E cantou, bem ao seu jeito,
Amores e desenganos.
“O Autor da Natureza”
A obra que, com certeza,
O fez imortalizado
E o mundo da poesia
Inda celebra hoje em dia
Os seus feitos do passado.
A viola de Zé Vicente
Foi a muitos Festivais
Doando a base melódica
Aos seus versos magistrais
E este sagrado enlace
Fez com que ele chegasse
Ao Reino dos Imortais!
Versos deste colunista, filho de Zé Vicente
Evento Cultural: Poemas e Cantos da Cidade Local: Centro Cultural Ariano Suassuna do TCE-PB
Endereço: R. Prof. Geraldo Von Sohsten, 147 – Jaguaribe, João Pessoa – PB
Data: 22/11/2023
Horário: 18h30min
FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS
LEITURAS SEMENTEIRAS
Aprecio muito ler livros que me complementam o caminhar terrestre, binoculizando amanhãs além terrestres. Sejam eles dos credos mais diferenciados possíveis, desde que possuam análises e informações consistentes, racionais por derradeiro, capazes de ampliar minha criticidade caminheiro. Detesto textostas (textos bostas), desses que provocam hidrocele, tampouco os eruditosos, herméticos demais, feitos para serem compreendidos apenas pelos autores e mais uns três ou quatro vagaluminados.
Atendendo a pedido feito por quem me merece toda estima e consideração, nordestinada que nem eu e brasileira acima de tudo, recomendaria algumas das minhas últimas leituras, a ordem delas não tendo a mínima importância, a prioridade dependendo do NA – Nível Austral de cada um. Ei-las:
1. SOBRE A ARTE DE VIVER: LIÇÕES DE HISTÓRIA PARA UMA VIDA MELHOR, Romain Krznaric, Rio de Janeiro, Zahar, 2013, 176 p. O livro está dividido em quatro grandes áreas: Relacionamentos enriquecedores, O sustento, A descoberta do mundo e A quebra de convenções. Excelente leitura para quem busca sair dos habituais nós existenciais de uma caminhada terrestre, para um viver sem alhos, bugalhos e previsões de baralhos.
2. IGNORÂNCIA: UMA HISTÓRIA GLOBAL, Peter Burke, São Paulo, Vestígio, 2023, 365 p. Diante do crescimento assustador das ignorâncias bostálicas pelos quatro cantos deste mundão de meu Deus, um notável professor emérito da Universidade de Cambridge oferece uma narrativa abrangente, desnudando as épocas tidas e havidas como sabichonas, já definindo no primeiro capítulo o que seja ignorância.
3. A ASSUSTADORA HISTÓRIA DO HOLOCAUSTO, Michael R. Marrus, Rio de Janeiro, Ediouro, 2003, 432 p. Diante de uma inóspita onda de antissemitismo em algumas regiões do mundo, uma leitura oportuna sobre o maior assassinato de irmãos judeus da face da Terra, acontecido na Segunda Guerra Mundial.
4. ESCRAVIDÃO: DO PRIMEIRO LEILÃO DE AFRICANOS EM PORTUGAL ATÉ A LEI ÁUREA, Laurindo Gomes, Rio de Janeiro, Globo Livro, 2023, 320 p. Uma versão condensada da trilogia, voltada para o público jovem e demais interessados em conhecer melhor um dos nossos maiores atentados humanitários, que nos humilha até os dias atuais, sob a reflexão sábia do padre Antônio Vieira: “O Brasil tem seu corpo na América e sua alma na África.”
5. COMO PENSAR POLITICAMENTE: SÁBIOS, PENSADORES E ESTADISTAS CUJAS IDEIAS MOLDAREM O MUNDO, Graeme Garrard & James Bernard Murphy, Porto Alegre RS, L&PM, 2021, 296 p. Páginas essenciais para quem deseja bem compreender a campanha eleitoral de 2024, em todas as terras cabrálicas. Excelente guia desabestalhador para gregos e troianos, pensantes não ruminantes.
6. CIDADES E SOLUÇÕES: COMO CONSTRUIR UMA SOCIEDADE SUSTENTÁVEL, André Trigueiro, Rio de Janeiro, LeYa, 2017, 329 p. Para se perceber criticamente a mudança de era preconizada pelo Papa Francisco, sabendo entender os efeitos climáticos dos últimos anos.
7. PSICOLOGIA DO MEDO: COMO LIDAR COM TEMORES, FOBIAS, ANGÚSTIAS E PÂNICOS, Christophe André, Petrópolis RJ, Vozes, 2023, 302 p. Para saber dar ouvidos aos seus temores, sem se borrar todo nas calças, entendendo serem eles um excepcional sinal de alarme de um possível tropeço. O autor é médio psiquiatra do Hospital Sainte-Anne, Paris, especializado no tratamento de angústias, fobias e pânicos não marqueteiros, através das TCCs – Terapias Cognitivas e Comportamentais.
Com a permissão do Luiz Berto, poderei voltar com outras recomendações textuais, sempre buscando colaborar com mentes e corações fubânicos e extra-fubânicos, sempre pautado numa reflexão sábia de Alexander Graham Bell (1862-1939), o inventor do telefone: “Quando uma porta se fecha, outra se abre. Mas muitas vezes nós ficamos olhando tanto tempo, tristes, para a porta fechada, que nem notamos que se abriu outra porta.”
PENINHA - DICA MUSICAL





