DEU NO JORNAL

A “DEMOCRACIA” PETISTA

Leonardo Coutinho

Lula e Flávio Dino

O presidente Lula e o ministro da Justiça, Flávio Dino

A semana foi marcada por uma onda de ataques ferozes à imprensa, por parte de membros do governo, lideranças petistas, seus porta-vozes nas redes sociais e sites-assessoria que prestam serviço ao antifascismo, vamos dizer assim.

No caso, a vítima da vez foi o jornal O Estado de S.Paulo e sua editora-executiva Andreza Matais, chefe direta dos jornalistas que revelaram que a primeira-dama do Comando Vermelho no Amazonas, condenada por prestar serviços à organização criminosa chefiada pelo marido, passeava lépida pelo Congresso e por dois ministérios.

A “dama do tráfico”, como o Estadão a batizou, chegou a ter passagens pagas pela pasta dos Direitos Humanos para ir a Brasília se queixar das agruras impostas pelo sistema prisional aos subordinados de seu maridão, que tiveram o azar de serem presos.

A reportagem do Estadão seria absolutamente ordinária se não fosse a reação do governo e de quem esperneia por ele.

O ministro da Justiça, Flávio Dino, entrou em parafuso. Acostumado com os afagos recebidos nos primeiros meses do governo – em que virou uma espécie de popstar, com suas lacradas treinadas em sessões de media training que fizeram sucesso diante de parlamentares bolsonaristas atordoados –, ele inexplicavelmente se sentiu ofendido. Embora o jornal e sua equipe jamais tenham relacionado o seu nome à “dama do tráfico”, deu-se início a uma operação que obrigou o PT a voltar a ser o PT, para tirar o foco do ministro.

O partido e seus aliados jamais souberam lidar com a imprensa livre. Muitos jornalistas acham que foi a ala manicomial do bolsonarismo que inventou a estupidez e covardia de ficar perseguindo as pessoas, vasculhando a vida delas e fazendo ameaças ou xingamentos por estarem em desacordo com reportagens algumas vezes corretas, outras vezes nem tanto.

Um engano fatal. Muito antes disso PT e PCdoB já faziam isso com muito mais eficiência e brutalidade. Essas legendas e seus membros resolveram posar de fofinhos nos anos do governo Bolsonaro, pois para eles era útil se comportar assim para reforçar a ideia de que o Brasil sem o PT no poder havia se transformado em uma terra de políticos selvagens que estavam prestes a devorar a democracia.

Lula foi eleito acreditando-se que ele era o salvador da democracia. Mas ele nunca disse qual “democracia” pretendia defender. Ainda como presidente eleito, sua equipe de transição negociou com Jair Bolsonaro o fim da proibição da entrada de Nicolás Maduro e dos membros de seu regime no Brasil. Lula não aceitava a ideia de ser empossado sem a presença de Maduro. O ditador venezuelano não apareceu, mas mandou uma comitiva com longa ficha de violações de direitos humanos para representá-lo.

Mas não demorou para Maduro aparecer e Lula se confraternizar com ele e soltar uma expressão que se tornaria famosa: “democracia relativa”. Lula também está movendo mundos e fundos para ajudar Cuba e se juntou aos autocratas. Fez o seu mise-en-scène de votar contra a Rússia em comitês sem nenhum efeito prático, ao mesmo tempo em que trabalhava contra a Ucrânia. Como votou contra Vladimir Putin na ONU, fica o argumento de que o Brasil é neutro. A “neutralidade relativa”.

Mesmo truque que vale para a maioria das ações da polícia externa do petismo. Finge ser neutro em público, mas por trás das cortinas…

Mesmo antes de ser eleito, Lula se mostrou completamente comprometido com as autocracias. Irã, China, Rússia, Nicarágua, Cuba e Venezuela formam a lista de regimes escolhidos como aliados pelo petista. Ele nunca escondeu.

Seu partido e seus ministros estão dando ao Brasil um aperitivo do que é viver sob o tacape de seus aliados. À medida que a reação autoritária ao caso “dama do tráfico” evolui, e Lula se mantém em silêncio, ficam mais claros os compromissos de Lula com a democracia. Ou melhor, com a “democracia” – assim mesmo, com aspas.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

DUAS ALMAS – Alceu Wamosy

Ó tu, que vens de longe, ó tu, que vens cansada,
entra, e sob este teto encontrarás carinho:
eu nunca fui amado, e vivo tão sozinho,
vives sozinha sempre, e nunca foste amada…

A neve anda a branquear, lividamente, a estrada,
e a minha alcova tem a tepidez de um ninho.
Entra, ao menos até que as curvas do caminho
se banhem no esplendor nascente da alvorada.

E amanhã, quando a luz do sol dourar, radiosa,
essa estrada sem fim, deserta, imensa e nua,
podes partir de novo, ó nômade formosa!

Já não serei tão só, nem irás tão sozinha:
há de ficar comigo uma saudade tua,
hás de levar contigo uma saudade minha…

Alceu de Freitas Wamosy, Uruguaiana-RS (1895-1923)

DEU NO X

COM A CARA LISA E A BEIÇOLA ARREGANHADA. É PHODA!!!!

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

DEU NO X

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J.R. GUZZO

O REI ESTÁ NU: LULA CULPA RICOS, MAS TORRA DINHEIRO DO POVO COM LENÇÓIS DE LUXO

Lula sancionou o reajuste salarial para policiais do DF com vetos a trechos que previam, por exemplo, o aumento do auxílio-moradia.

Lula sancionou o reajuste salarial para policiais do DF com vetos a trechos que previam, por exemplo, o aumento do auxílio-moradia

Quando o rei está nu, e só tem em volta de si gente que prefere cair morto a dizer que ele está nu, é inevitável que vá se transformando numa figura cada vez mais ridícula. É o caso do presidente da República nos dias de hoje. Uma basbaquice se soma à outra, e mais outra, e mais outra – até que um dia o casal presidencial publica, sem ter a menor noção do que está fazendo, um edital para a compra de 31 colchas destinadas ao seu quarto de dormir.

É dinheiro deles? Não: os 90 mil reais que Lula e Janja vão gastar com o novo enxoval saem direto dos impostos que você paga a cada vez que fala no seu celular, vai a um posto de gasolina ou acende a luz de casa. Além das colchas, vão comprar lençóis de algodão egípcio (“de 300 fios”), vinte roupões de banho (“canelados na parte externa e atoalhados na parte interna”), fronhas (também egípcias, ao que se supõe), e tapetes “felpudos, macios e confortáveis”. Chegam, até mesmo, a dar o nome de duas lojas onde podem ser comprados os artigos de sua preferência.

Em matéria de rei nu, não é fácil ficar muito mais nu do que isso – mas aí é que está, Lula deixou há muito tempo de perceber o papel de palhaço que faz com essas coisas. Vai, então, dobrando a aposta. Agora está nas colchas, nas fronhas e nos lençóis de algodão egípcio; já esteve nos sofás de 60 mil reais. Onde estará amanhã?

Ninguém fala nada. Ao contrário, qualquer observação quanto à maciça falta de propósito de um negócio desses atrai acusações iradas de “fascismo”, “golpismo” e “inveja com o protagonismo internacional” do presidente – cujo último feito foi se meter na eleição da Argentina e levar uma surra humilhante. Desaparece, então, qualquer contato entre o raciocínio lógico e aquilo que Lula vem fazendo.

Como é possível alguém precisar de 31 colchas diferentes, ou iguais umas às outras? Qual o nexo de comprar vinte roupões “canelados” numa hora dessas, quando o governo só sabe dizer que não tem um tostão no caixa? Quem pode ter redigido um edital público com essa linguagem – “ótimo acabamento”, “primeira linha”, “confortáveis”? Não é apenas conversa de novo rico embasbacado. É amador, impróprio e simplesmente tolo.

A esquerda em estado permanente de cólera vai dizer que é um crime de lesa-pátria mencionar essas coisas todas, diante dos imensos problemas do Brasil. Sem dúvida: o Brasil tem imensos problemas, mas não se vê como vai resolver qualquer um deles se o presidente da República está interessado em colchas, tapetes felpudos e algodão egípcio de 300 fios. Lula denunciou a classe média por querer “mais de uma televisão”. Diz que “33 milhões” de pessoas estão “passando fome”. Coloca nos “ricos” a culpa por tudo que há de errado neste país – e daí faz uma licitação dessas. Na vida real, está andando sem roupa no meio da rua. É esse o seu “protagonismo”.
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RLIPPI CARTOONS

DEU NO X

UM PUTEIRO CHAMADO BRASIL-2023