DEU NO JORNAL

DIRIGENTE PETISTA APAGA POSTAGEM

Leandro Ruschel

Alberto Cantalice é integrante do PT desde 1990 e hoje comanda a Fundação Perseu Abramo, ligada ao partido. O cargo usualmente é destinado aos companheiros que por um motivo ou outro não foram agraciados com alguma posição no governo.

No final de semana, Cantalice foi até o Twitter para fazer uma crítica inesperada: “Daniel Ortega, Nicolás Maduro, Vladimir Putin e Dias Carnel (o cubano Miguel Díaz-Canel) não são de esquerda. São ditadores. Quem combate Donald Trump e Jair Bolsonaro não pode conciliar com déspotas que se dizem aliados do nosso campo”, escreveu o petista.

Foi mais longe e chamou Josef Stalin de “cancro da humanidade e destruidor de uma sociedade justa e solidária“.

O sopro de honestidade durou pouco. Pouco depois ele apagou a mensagem, afirmando que resolveu retirar Cuba da lista, depois de “refletir com companheiros”.

Ora, como pode o PT fazer alguma crítica a tais ditaduras, se mantém um relacionamento estreito com todas elas? Não podemos esquecer que Lula fundou com Fidel o Foro de São Paulo, justamente com objetivo de expandir o projeto comunista cubano para o resto do continente.

Venezuela e Nicarágua foram os principais frutos desse projeto, refletindo exatamente o mesmo nível de miséria e opressão que são observados na ditadura comunista de Cuba, que conta hoje com 1.057 presos políticos, segundo a organização Prisoners Defenders.

Mas no Brasil, o PT nunca impôs uma ditadura, seus apoiadores argumentam. Ora, não impôs por que não quis, ou por que não haviam as condições para fazê-lo? Nos países em que o projeto cubano foi implementado, um passo primordial foi o controle das forças armadas, coisa que o PT não conseguiu alcançar, pelo menos até agora…

Se Cantalice realmente se opõe às ditaduras socialistas que o seu partido ajudou a construir, deveria renunciar ao seu cargo e pedir a desfiliação. De outra forma, suas críticas representam apenas um estratagema vil para se esquivar da responsabilidade direta por regimes que censuram, perseguem, prendem e matam opositores, permitindo ao PT manter a defesa da democracia como discurso, ao contrário da sua prática.

Esperar o que do grupo político que passou décadas discursando pela “ética na política”, e defendendo o “combate a corrupção”, mas quando no poder capitaneou o maior escândalo de corrupção da história?
“Falar é barato”, como dizem os americanos.

ALEXANDRE GARCIA

LÍDER SEM-TERRA É ACUSADO DE EXTORQUIR FAZENDEIROS

Frente Nacional de Luta é liderada por José Rainha Júnior, que foi expulso do MST

Frente Nacional de Luta é liderada por José Rainha Júnior, que foi expulso do MST

Certamente vocês conhecem José Rainha Júnior. O nome dele já está, há décadas, ligado a invasões de terras no Pontal do Paranapanema, em São Paulo. José Rainha Júnior está preso em um centro de detenção provisória em São Paulo. Foi detido pela Polícia Civil, junto com outro diretor da Frente Nacional de Lutas Campo e Cidade, chamado Luciano Lima. A acusação é de extorsão. Na segunda-feira, o juiz fez a audiência de custódia, verificou que nenhum direito de Rainha foi desrespeitado e ele permanece preso.

O juiz não tem iniciativa – a iniciativa é do Ministério Público –, mas há casos em que ele pode agir. Ele, por exemplo, funciona como juiz de garantia até receber a denúncia do MP; ele está zelando pela garantia daquele que é acusado, que é preso. Mas não toma a iniciativa de mandar prender por conta própria ou de instaurar inquérito por conta própria; isso quem faz é o Ministério Público, como diz o artigo 129 da Constituição.

José Rainha, então, fica preso e será investigada a acusação de que ele teria extorquido no mínimo seis proprietários rurais, mais ou menos na base do “ou paga ou a gente invade”. Tanto que muitos proprietários rurais se armaram diante do anúncio do Carnaval Vermelho, e a polícia até apreendeu armas de alguns proprietários rurais que atiraram para espantar os supostos invasores.

O interessante é que essa acusação de extorsão é algo que eu já ouvi há muitos anos. Estava conversando com o então ministro José Dirceu, em 2003 ou 2004, e perguntei sobre o relacionamento com José Rainha Júnior no Pontal do Paranapanema. A informação que Dirceu me deu é compatível com a acusação que pesa agora sobre Rainha e pela qual ele foi detido.

Por falar em invasões, temos aqui a estatística: no governo Lula, que durou oito anos, houve 1.968 invasões. No governo Bolsonaro, que durou quatro anos, foram 14. Ou seja, três invasões e meia por ano de Bolsonaro, contra 246 invasões por ano de Lula.

Na invasão dessa grande empresa de papel e celulose na Bahia, os invasores dizem que não se come eucalipto. Mas o pior é que o eucalipto se usa para fazer o papel do livro, do jornal, do caderno… aprendemos e nos educamos com a celulose, não é?

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Brasil passa vergonha internacional ao não condenar ditadura da Nicarágua

O ministro do Desenvolvimento Agrário não quer saber de tirar os invasores da Suzano pela via judicial, diz que tem de haver “diálogo”. É a mesma conversa que Lula invocou para não endossar uma declaração da ONU sobre o ditador Daniel Ortega. Quer “diálogo”, mas 55 países não concordaram e a ONU, nesse fim de semana, publicou documento atestando o desrespeito aos direitos humanos por parte do ditador da Nicarágua. O Brasil não assinou, que vergonha! Imaginem um país que prendeu 222 presos políticos, tirou a nacionalidade deles e os expulsou do país. Isso caracteriza bem uma ditadura, não?

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Escândalo do colar é muito barulho para pouca denúncia

Essa questão do colar de brilhantes pra Michelle Bolsonaro, colar que ela nunca viu, nunca tocou e nunca recebeu, está mais ou menos igual àquela história das vacinas indianas dos irmãos Miranda, que o Brasil nunca comprou. Ficou na Receita Federal, não foi possível botar no patrimônio do Palácio do Planalto porque a Receita Federal não liberou. Agora, o que passou pela Polícia Federal – relógio, caneta, abotoadura etc. – foi para aquele gabinete de documentação histórica. Então, o que se está fazendo aí é um grande barulho, que é mais ou menos como funciona aquele consórcio que a gente conhece.

DEU NO JORNAL

O PIB, A VERDADE DOS NÚMEROS E A MENTIRA DE LULA

Editorial Gazeta do Povo

crescimento

Indústria foi um dos setores que mais sentiram a desaceleração do último trimestre de 2022

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi assunto recorrente nos últimos dias, inclusive em declarações do presidente da República, graças à divulgação dos números fechados de 2022 e do último trimestre do ano passado. Lula veio a público para, como de costume, assacar críticas e desqualificações sobre seu antecessor, Jair Bolsonaro, chegando a usar uma expressão ambígua. “A economia brasileira não cresceu nada, nada, no ano passado”, declarou Lula, adicionando que “o desafio que temos agora é fazer a economia voltar a crescer, e temos de fazer investimentos”. A primeira parte da fala presidencial é falsa; já a segunda parte é um objetivo que deve ser assumido por todos os governos em todos os momentos.

O PIB brasileiro caiu 0,2% no quarto trimestre de 2022 em relação ao trimestre anterior, mas a economia brasileira fechou o ano passado com crescimento de 2,9% em relação a 2021, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na quinta-feira, 2 de março. A queda do PIB no quarto trimestre sobre o trimestre anterior é verdadeira, mas a declaração de Lula está muito longe da verdade, pois ele disse que a economia “não cresceu nada, nada” no ano passado. Ao fazer tal declaração ele pretendeu, por óbvio, que parte da população ficasse com a impressão de que o ano de 2022 havia sido um fracasso de Bolsonaro em termos de crescimento econômico.

Uma mentira é útil quando a verdade não serve para o objetivo que se quer com a crítica. Se não é possível desmerecer alguém falando verdades, passa a ser comum que políticos e governantes não se envergonhem em mentir, torcer, distorcer e dar declarações falsas, mesmo que elas possam ser desmentidas facilmente. No momento em que a própria Justiça anda tentando parecer zelosa no combate às tais fake news (notícias falsas), a expressão de Lula “a economia brasileira não cresceu nada, nada” é exemplo perfeito de fake news, com a agravante de vir do chefe da nação, de quem se espera seriedade e honestidade.

Sempre que há troca de governo e o novo presidente da República tenha vencido o presidente anterior ou o candidato por ele indicado, a baixeza do discurso político corrente dita que o novo governante fale mal e desqualifique seu antecessor o tempo todo, nem que para isso seja preciso mentir abertamente. Após a redemocratização, foi assim com Collor desqualificando seu antecessor, José Sarney; o próprio Lula criticara Fernando Henrique Cardoso de todas as formas possíveis (ficou marcada a expressão “herança maldita” que Lula, mentirosamente, dizia ter herdado de FHC); o hábito se repetiu com Bolsonaro, quando assumiu desqualificando Dilma Rousseff e o PT – por mais que se reconheçam todos os esquemas de corrupção montados pelo partido e os erros grotescos na condução da economia, que levaram o Brasil à recessão de 2015-16; agora, o triste ritual se repete com Lula criticando Bolsonaro, seja com verdades ou com mentiras.

Todos os governantes, sem exceção, executam medidas boas e medidas ruins, políticas acertadas e políticas erradas, em todas as áreas da administração pública; logo, um balanço honesto sobre os governos requer listar seus acertos e seus erros para, a partir daí, extrair um balanço que comparativamente diga se aquele mandato teve um saldo positivo ou um saldo negativo. De qualquer forma, fato é que o PIB cresceu em 2022, mas teve queda no último trimestre, lembrando que o principal elemento político a interferir no cenário geral da nação naquele trimestre foi a vitória de Lula no pleito de outubro. É legítimo perguntar se o resultado da eleição teve influência, negativa ou positiva, no desempenho da economia dali em diante.

A economia e todos os seus movimentos de produção, circulação, acumulação e consumo, emprego, renda e poupança são resultado de bilhões de decisões individuais diárias de todos os agentes econômicos internos e externos – pessoas, empresas, governos e investidores. Os agentes econômicos tomam decisões que, em seu conjunto, agem sobre a economia e a sociedade em todos seus aspectos e determinam os rumos de todas as variáveis econômicas, políticas e sociais. Nos últimos dias, os jornais noticiaram que o resultado do PIB no quarto trimestre do ano passado confirmou um processo de desaceleração pelo qual a economia brasileira vinha passando desde o início da segunda metade de 2022, justamente o período em que a campanha eleitoral estava em andamento e o país se viu dividido, a ponto de a eleição de Lula se dar em uma vitória frágil, conferida por apenas metade do eleitorado que optou por um dos dois candidatos no segundo turno.

Mas Lula não parece interessado em acalmar os ânimos e reduzir o divisionismo imperante na sociedade brasileira. Bolsonaro pode ser criticado, pois todos os governantes cometem erros, mas a afirmação lulista de que “o PIB não cresceu nada, nada” é mentira e até mesmo desnecessária, a não ser a mera vontade de disparar críticas inverídicas. Por fim, a queda do PIB no quarto trimestre de 2022 precisa ser examinada com olhar técnico e competente, para ser entendida e tratada, pois a prioridade maior deve ser o crescimento do PIB, emprego e renda. Segundo declarações do IBGE, a desaceleração no segundo semestre do ano passado atingiu mais duramente a indústria de transformação e o comércio, e aí está o começo do problema, que precisa de governantes sérios e capazes de ajudar na compreensão das causas e encaminhar as soluções de que tanto o país necessita.

PENINHA - DICA MUSICAL