CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

AS “MALINAGENS” DOS TEMPOS DE CRIANÇA

Irmãos “se isolam” em silêncio e “aprontam” alguma coisa

A geração que conseguiu a bênção divina e ultrapassou os 60/70 anos de idade, conhece o que iremos tratar. Viveu peraltices, e foi parte atuante nelas. Foi feliz, claro, por que nada tinha qualquer viés de maldade. Eram peraltices, mesmo!

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1 – Chutando pedra

Entre tantas e preferidas “peraltices”, uma era a de cobrir uma pedra de paralelepípedo – via de regra, quando alguém via uma “maravilha” daquelas `disposição para um chute, nunca deixava de ficar tentado a fazê-lo.

Naquele tempo, não existiam, como hoje, as sacolas de plásticos usadas pelos supermercados. Usava-se mais as sacolas feitas de papel.

Para essa “maluquice”, a meninada utilizava uma pedra de paralelepípedo, deixando-a à disposição numa calçada. Essa pedra era coberta com uma caixa de sapatos vazia, ou com um pedaço de papel de embrulho. Um convite tentador para um “bom chute”!

O autor da “maluquice” ficava escondido em algum lugar, à espera do chutador!

Eita! Era uma dor dos diabos!

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2 – Pegando pau cagado

Peralta, o menino resolveu tomar um banho de margarina

Essa outra peraltice era feita sempre por uma turma de, no mínimo, dez “artistas”. E o local escolhido era a “Quermesse” ou no “Sítio para malhação do Judas”.

Essa brincadeira nunca terminava bem. Acontecia briga. Daí a necessidade de que fosse feita sempre com um bom número de meninos – uns “atiçavam”, e outros se intrometiam para nunca acontecer o pior.

Nesses locais, era comum encontrar “merda de vaca”, ou, na pior das hipóteses, merda de gato (pense na catinga diferenciada!). O mais corajoso da turma conduzia uma vara com aproximadamente 1,5m de comprimento. Escolhia o “otário”, se aproximava e, como quem não queria nada além daquilo, armava uma provocação.

Nisso, os demais se aproximavam e faziam um círculo em volta dos dois. Alguém aceitava a provocação (fingimento) e encenava um início de briga. O portador da vara, desdenhava do provocado, dizendo que, para bater nele, sequer precisava daquela vara, e pedia para o “otário” segurá-la.

Quando o “otário” aceitava segurar a vara, alguém a puxava e o “otário” ficava com a merda de vaca nas mãos.

Pense na confusão que dava!

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3 – Tocando a campainha residencial e sair correndo

Esse se “achou” digno da descarga

Essa peraltice era mais “amena”, mas sempre foi muito praticada.

Num tempo que existiam poucos “apartamentos” e sequer imaginávamos que existiria algum dia um “condomínio fechado”, todos os moradores da rua eram conhecidos uns dos outros, bem como seus familiares. Muitos sabiam, também, das virtudes e defeitos dos outros.

Existia, claro, aquela vizinha ranzinza que se postava na janela durante a tarde e ficava observando o movimento das pessoas da rua. Sabia quem entrava, e saía das casas. Quem foi visitado, e até quem traía os maridos.

Ralhava com a criançada e se intrometia em tudo.

Como menino “malino” é a imagem do demo, esse tipo de mulher na vizinhança era sempre a escolhida para as presepadas, peraltices e provocações.

Na parte da tarde, quando a meninada desconfiava que ela estava dormindo após o almoço, os presepeiros, depois de terem certeza que ela dormia, “tocavam a campainha” da frente da casa e corriam a se esconder.

O xingamento, após o atendimento e verificação que não havia ninguém, era de filho de uma puta para pior.

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4 – O barulho dos caronas da televisão

Lá pelos idos dos anos 50 e 60, pelo menos em Fortaleza, tão logo ocorreu o advento da televisão – ainda em preto e branco – os governantes entenderam que aquele seria um ótimo meio de comunicação e um serviço útil para todos.

Foi a partir daí, que surgiram os seriados e outros temas. Apareceram até os heróis, como Ted Boy Marino, ídolo do famoso “Telequete Montila”.

Pensando diferente dos governantes atuais, prefeitos mandaram instalar aparelhos para o público nos chafarizes, também públicos. Mas isso não atendia a todos.

Tão logo surgiram febres como “Repórter Esso”, novelas como “A cabana do Pai Tomás” e Beto Rockfeller e outros programas, a preferência pelo novo “aplicativo” da Comunicação ganhou preferência em prejuízo dos programas radiofônicos dos auditórios nas tardes de sábados.

Os “caronas” na televisão dos vizinhos

Poucos tinham condições financeiras para comprar um aparelho de televisão. Foi a época dourada de lojas de eletrodomésticos como Ponto Frio Bonzão, Romcy Magazine e tantas outras, que até implantaram condições acessíveis no crediário.

Esses tempos, incluindo as peraltices saudáveis, estão fazendo muita falta no nosso dia a dia.

Hoje, ninguém conhece mais ninguém. Inclusive no seio familiar, onde só se reúnem em volta de uma mesa – se tiver cerveja! – ou, nos velórios dos conhecidos e amigos.

DEU NO JORNAL

DICA PARA UMA BOQUINHA

Grande parte da transição é formada de políticos derrotados nas últimas eleições.

Rejeitados nas urnas, foram premiados com boquinhas provisórias, enquanto cavam “um lugar ao sol” no futuro governo.

Se na transição são pouco mais de 300 vagas, no governo serão 25 mil cargos.

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Grande parte do grupo que compõe a chamada transição é “formada de políticos derrotados”, conforme se lê nesta notícia aí em cima.

E essa frase resume tudo.

Os derrotados nas urnas serão vitoriosos na gatunagem.

Bom, o fato é o seguinte:

Quem quiser uma boquinha no futuro gunverno petrálhico, é só fazer contato com a equipe do ex-presidiário e dar uma babada de ovo.

Para acessar a página do tal gabinete da transação – desculpem, de transição -, é só clicar aqui.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Carmen Portinho

Carmen Velasco Portinho nasceu em 26/1/1903, em Corumbá, MS. Engenheira e primeira mulher a receber o título de Urbanista no Brasil, tornando-se sua patrona em 2022. Foi também uma das pioneiras do Feminismo na condição de vice-presidente da FBPF-Federação Brasileira pelo Progresso Feminista em 1922, junto com sua cunhada, a presidente Bertha Lutz.

Filha de Maria Velasco, boliviana, e do gaúcho Francisco Sertório Portinho, mudou-se para Rio de Janeiro aos 8 anos; completou os primeiros estudos e graduou-se engenheira pela Escola Politécnica da Universidade do Brasil, atual UFRJ, em 1925. Foi a 3ª mulher formada engenheira no Brasil. Manteve estreita ligação com o incipiente movimento feminista na época em prol da educação das mulheres e pela valorização do trabalho feminino fora da esfera doméstica. Em 1930 fundou a União Universitária Feminina, da qual foi a primeira presidente, com o objetivo de defender os interesses femininos nas profissões liberais. No mesmo ano casou-se com o médico Gualther Adolpho Lutz, irmão de sua amiga Bertha Lutz. Separou-se pouco depois e se casou com o arquiteto Afonso Eduardo Reidy, projetista do MAM-Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Logo após formada, foi trabalhar na Diretoria de Obras e Viação da Prefeitura do Distrito Federal e em seguida foi lecionar no Colégio Pedro II, causando um escândalo na sociedade carioca, pois tratava-se de um internato masculino. Foi vítima do machismo também no seu trabalho na Prefeitura. Foi reclamar com o presidente Washington Luiz, que mantinha audiências públicas para ouvir queixas e pedidos de funcionários e cidadãos. Posteriormente foi promovida e conseguiu concluir o primeiro curso de urbanismo no País. Em 1937 fundou e foi a 1ª presidente da Associação Brasileira de Engenheiras e Arquitetas, visando o ingresso das formandas no mercado de trabalho.

Em 1939 defendeu seu doutorado em urbanismo com a tese “Anteprojeto para a futura capital do Brasil no Planalto Central”. Seu plano tem o formato de um transatlântico, contendo várias características que se encontram no Plano de Brasília, elaborado por Lucio Costa. Pouco depois ganhou uma bolsa do Conselho Britânico para estagiar na comissão de reconstrução das cidades inglesas destruídas na II Guerra Mundial. De volta ao Rio Janeiro, propôs ao prefeito a criação de um Departamento de Habitação Popular (DHP), do qual foi designada diretora na década de 1950. Sua obra maior foi o Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes, mais conhecido como “Pedregulho”, para abrigar funcionários públicos do município, no bairro de São Cristóvão. O projeto ficou a cargo de seu marido, já reconhecido como um dos grandes nomes da moderna arquitetura brasileira.

Trata-se de um ousado projeto arquitetônico, que conquistou o 1º prêmio da Bienal Internacional de São Paulo (1953) e foi elogiado pelos arquitetos Max Bill e Le Corbusier em visita ao Brasil em 1962. Pela primeira vez centenas de famílias modestas puderam morar numa edificação contando com murais de Cândido Portinari, projeto paisagístico de Burle Marx e piscina. Em sua gestão no DHP foram construídos mais 3 conjuntos de habitação popular menos famosos (Gávea, Vila Isabel e Paquetá) que lhe deram projeção nacional e internacional. Publicou um artigo expondo seu pensamento: “É hora de oferecer ao homem [do século 20], na idade da máquina […] habitação digna de sua era. Uma máquina para viver, bem montada e organizada, que lhe permita recuperar aquela coisa inestimável, que hoje está quase perdida, que é a liberdade individual”.

Sua concepção da arquitetura moderna aliada ao urbanismo consistia em organizar a área residencial em unidades de habitação, separando as funções em um centro administrativo e de negócios, com ênfase em um sistema viário eficiente e equacionado. Em paralelo a construção de conjuntos habitacionais, chefiou as obras de engenharia civil da construção da nova sede do MAM-Museu de Arte Moderna do Rio Janeiro, projetado por seu marido e inaugurado em 1958. Era a única mulher num canteiro de obras com mais de 450 operários. Com a ascensão de Carlos Lacerda ao governo em 1962, Carmen pediu sua aposentadoria, devido a divergências políticas irreconciliáveis com o governador.

Continuou trabalhando através da iniciativa privada e tornou-se diretora da ESDI-Escola Superior de Desenho Industrial a convite do governador Negrão de Lima, em 1963, onde permaneceu por 20 anos. Foi a 1ª escola de desenho industrial da América Latina. Em 1965 organizou a exposição de arquitetura moderna brasileira para o Instituto Hispânico-Americano de Madri e apoiou alguns artistas espanhóis na mostra de vanguarda “Opinião 65”, no MAM. No ano seguinte recebeu convite do Departamento de Estado dos EUA para visitar o país e manteve contatos com diretores de museus, escolas, galerias de arte e colecionadores. Em 1970 recebeu convite idêntico do governo alemão para conhecer o desenvolvimento do desenho industrial nesse país.

Recebeu diversas homenagens, entre as quais destacam-se as prestadas pela UERJ-Universidade do Estado do Rio de Janeiro com a instituição do “Prêmio Carmen Portinho”, criado em 1991, destinado anualmente a valorizar a produção científica dos alunos e a mostra “Carmen Portinho: uma homenagem”, em 1993, abordando sua trajetória profissional. Em 1999, ao completar 96 anos foi homenageada pelo Conselho Nacional de Mulheres do Brasil e pela Secretaria Municipal de Obras Públicas. No mesmo ano a UERJ prestou-lhe mais uma significativa homenagem: a edição de um livro de arte em grande formato: Carmen Portinho – Por toda a minha vida, com depoimentos a Geraldo Edson de Andrade e Alfredo Brito. Faleceu em 25/7/2001. Seu sobrinho-neto, senador Carlos Portinho apresentou o Projeto de Lei nº 1.679, em 2022, outorgando-lhe o bem-merecido título de “Patrona do Urbanismo no Brasil”, sancionado pelo Senado Federal em 18/8/2022.

DEU NO X

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

INVERNADA

Da janela do nascente
Avisto um céu nebuloso
Um vento cheirando a chuva
Me deixando esperançoso
Levando o bafo das trevas
Desse verão tenebroso.

Hélio Crisanto

Meu São José, santo esposo
Da sagrada Mãe Maria,
Peça com fervor a Deus
Pra que abra a franquia
E nos dê bônus de chuva
Findando a nossa agonia.

Wellington Vicente

DEU NO JORNAL

SE PREPAREM-SE!

O fracasso de Gleisi Hoffmann, Aloizio Mercadante e outros menos votados, na articulação política para viabilizar a PEC da Transição, forçará Lula a entrar em campo tão logo receba alta médica.

Até porque ele está também atrasado na montagem do governo e da base de apoio no Congresso. Seu desafio será adotar o “presidencialismo de coalizão” sem reincidir no “presidencialismo de cooptação”, que gerou o Mensalão.

Em Brasília, até os céticos acreditam que Lula não ousará retomar o Mensalão, comprando o apoio de parlamentares. Há precedente.

O mensalão do governo Lula era o maior escândalo de corrupção de todos os tempos, até a Lava Jato revelar outro, mais grave: o Petrolão.

FHC criou a expressão “presidencialismo de coalizão” para justificar alianças políticas constrangedoras, no Congresso.

No primeiro governo, o PT confundiu coalizão com cooptação e “azeitou” as relações entre governo e Congresso com malas de dinheiro público.

* * *

“Presidencialismo de cooptação”…

Esta expressão é cagado e cuspido a cara de um governo lulo-petralha.

E isso à base de “malas de dinheiro público”, conforme consta nesta nota aí em cima.

Notícias de putaria, ladroagem, corrupção, descaramento e de ratos comendo dinheiro do contribuinte, é o que não vai faltar daqui pra frente.

Preparem o calmante: 1º de janeiro tá chegando!!!

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

PROPOSTAS PARA UM MUNDO MELHOR

O notável escritor luso José Saramago (1922-2010), merecidamente Prêmio Nobel de Literatura, declarou, certa feita, à jornalista Ivana Jinkings que “no plano da mentalidade todos nós somos cristãos, vivemos dentro de uma civilização judaico-cristã que foi formada com um tipo de ética, uma rede ideológica que tem origem no cristianismo. Portanto, é perfeitamente natural que qualquer cidadão – seja ele comunista, socialista, liberal ou seja lá o que for -, em determinado momento da sua vida, venha a interessar-se por este aspecto da realidade.”

Entretanto, uma grande maioria ainda não percebeu o recado de Saramago: “Para mim, a fator Deus já não tem nada a ver com Deus. É usar a ideia do Supremo para coisas que não têm nada a ver com a religião”. E, por extensão, também a maioria não entende o cada vez mais atual recado do monsenhor de Cuernavaca, Ivan Illich: “Nunca confundir salvação com igreja”. E termina por não enxergar as igrejas tipo picadeiro, onde sabidórios se abarrotam de doações financeiras, pouco se lixando para o sofrimento espiritual das pessoas ou apenas fingindo que se solidarizam com os mais necessitados, para engabelar incautos e desavisados. E sem qualquer noção do que seja espiritualidade, que era o ponto forte de Santo Inácio de Loiola (1491-1556), o fundador da Companhia de Jesus, que, tendo a perna estraçalhada por uma bala de canhão, quando soldado, em 1521, passou muitos meses inválido, tornando-se ávido leitor e entusiasta da Vita Christi, de Rodolfo da Saxônia, a partir do qual principiou a esboçar seus primeiros Exercícios Espirituais.

Para quem deseja se familiarizar introdutoriamente na espiritualidade inaciana, um bom começo é o livro A sabedoria dos jesuítas para (quase) tudo, Sextante, 2012, de James Martin, padre jesuíta editor de cultura da revista América, também graduado em administração pela Wharton School of Business. Que explica a filosofia inaciana de forma muito sedutora, a partir do próprio Inácio de Loyola, com seus exemplos surpreendentes de histórias bem umoradas e casos para lá de curiosos, demonstrando que a espiritualidade se encontra profundamente inserida em nossas atividades cotidianas, sendo perfeitamente possível chegar a Deus através dos nossos relacionamentos pessoais, nossas atividades profissionais, nossos desafios diários, além das solidariedades praticadas.

Sou ex-aluno jesuíta, graduação (UNICAP) e pós-graduação (PUC-RJ). E percebi aos poucos, nos diversos anos de estudo, que o “modo de conduta” de Inácio de Loyola nos possibilita ser capazes de tomar decisões consistentes, favorecendo uma sadia convivialidade com gregos e troianos, gentis e grosseiros de todos os gêneros, naipes étnicos, ideológicos e partidários, sabendo endurecer sem perder a ternura jamais.

A leitura atenta dos seis caminhos para Deus idealizados por Inácio de Loyola – da crença, da independência, da descrença, do retorno, da exploração e o da confusão -, enseja um prosseguimento cidadão enxergante, sem fricotagens histéricas, nem baboseiras litúrgicas, percebendo a presença de Deus em nossos atos cotidianos, sempre se pautando no balizamento de Pierre Favre, um dos primeiros jesuítas da Companhia de Jesus: “Busque graça nas coisas mínimas, e você achará graça também para conquistar, acreditar e ter esperanças nas coisas máximas”.

Vivemos numa sociedade onde o consumo prevalece sobre todas as demais coisas, numa perspectiva radicalmente individualista, nada solidária. E foi um teólogo comportamental jesuíta, John Kavanaugh, quem denunciou a cultura consumista contemporânea: “Em conversa com pais e seus filhos, sobre o problema do estresse e da fragmentação da família, não identifico nenhuma força tão persuasiva, tão poderosa e tão sedutora quanto a ideologia consumista do capitalismo e sua fascinação pelo acúmulo desmedido e a competição exaustiva em todos os níveis da vida”.

Tem gente que se incomoda profundamente quando não está atrelado às tetas do poder, dando uma espiadinha diária no chefe superior, mesclando, por não saber diferenciar, incompetência, obediência cega e bajulismo irrestrito. E que não percebe o quanto está contribuindo para a ampliação da intolerância, da indiferença e do cinismo.

Uma advertência final: Inácio de Loyola gostava de dizer em muitas oportunidades: “É perigoso fazer todo mundo seguir a mesma estrada e é pior ainda avaliar os outros com base em si mesmo”. Uma serena tapa com luva de pelica naqueles que se imaginam os privilegiados da Corte Celestial, sempre desejando segurar as mãos do Criador, tal e qual aquele que desprezou o pobre coitado que se encontrava à porta do Templo, suplicando: “Senhor, dizei uma só palavra e serei salvo!”

PS. Para o amigo querido Paulo Henrique Maciel, ateu dos bons, caráter ímpar, cultura invejável, bem mais filho de Deus que eu, que sempre seguiu o sonho de Saramago, o de fundar a Internacional da Bondade. E que nunca ignorou, como o lusitano, que “as verdades únicas não existem: as verdades são múltiplas, só a mentira é global”.

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