DEU NO X

FALA, BÁRBARA! (2)

DEU NO X

RODRIGO CONSTANTINO

“SÓ ESTOU PEDINDO O MESMO DIREITO QUE FOI DADO A UM TRAFICANTE!”

Na abertura da sessão de hoje no Senado, o senador Eduardo Girão leu a lista dos censurados e perseguidos pela ditadura judicial em curso no Brasil: Allan dos Santos, Daniel Silveira, Luciano Hang, Pastor Valadão, Nikolas Ferreira, Canal Hipócritas, Carla Zambelli, Gustavo Geyer, Latino, Zezé Di Camargo, Marcos Cintra, Vitor Hugo, Coronel Tadeu, Brasil Paralelo, Monark, Oswaldo Eustáquio, Marisa Lobo, Ludmilla Grillo, Zé Trovão, Adrilles Jorge, José Medeiros e muitos outros.

O general Heleno comentou sobre o evento: “Audiência pública acontecendo em frente ao Senado Federal. Vai durar o dia inteiro. Está bombando. Vamos lá discutir os temas que nos afligem. Coragem, força e fé. Brasil acima de tudo”.

Mas o momento mais emocionante e impactante ficou por conta do pedido de socorro da Barbara, do canal TeAtualizei. Com a voz embargada e lágrima nos olhos, a dona de casa, que fez sucesso ao simplesmente comentar as notícias da imprensa com honestidade e sem filtro, apontou para o absurdo em que vive o Brasil hoje, e disse:

“O que eu estou pedindo aqui é acesso ao Estado Democrático de Direito e ao devido processo legal que me é garantido pela Constituição, a qual todos nós somos regidos. Eu estou pedindo aqui, baseado na notícia que saiu nos jornais, onde um juiz determinou que um processo sobre um traficante fosse anulado porque não cumpriu o devido processo legal. Eu estou falando aqui de um bandido corrupto que lesou uma nação inteira, e que teve o seu processo anulado porque teoricamente não se cumpriu o devido processo legal. Eu estou aqui falando para vossas excelências que eu não estou tendo o devido processo legal. Há anos. E não só eu; muitos de nós. Então o que eu estou pedindo aqui, de forma absurda, é o mesmo direito que a Justiça deu para um traficante e para um corrupto condenado. Eu estou pedindo aqui o mínimo”.

Sua fala foi interrompida por fortes aplausos dos presentes, e Barbara continuou: “Eu sei que soa ridículo falar em voz alta, mas eu só estou pedindo o mínimo. Então, por favor, Senado, por favor Congresso, parlamentares, socorro, socorro! Por todas as pessoas que estão nas ruas, elas não sabem mais a quem pedir ou o que pedir. Elas estão desesperadas porque não confiam mais nos representantes que elegeram. Por favor, não decepcionem o povo de vocês, seus pares reais, porque vocês não são políticos, vocês estão políticos, vocês são o povo”.

Que país é esse em que traficantes e corruptos são protegidos e donas de casa patriotas são perseguidas?! Ou quem tem poder para reverter esse quadro faz alguma coisa, ou então o Brasil realmente vai para o buraco da tirania de vez!

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PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

ÚLTIMO PORTO – Raimundo Correia

Este o país ideal que em sonhos douro;
Aqui o estro das aves me arrebata,
E em flores, cachos e festões, desata
A Natureza o virginal tesouro;

Aqui, perpétuo dia ardente e louro
Fulgura; e, na torrente e na cascata,
A água alardeia toda a sua prata,
E os laranjais e o sol todo o seu ouro…

Aqui, de rosas e de luz tecida,
Leve mortalha envolva estes destroços
Do extinto amor, que inda me pesam tanto;

E a terra, a mãe comum, no fim da vida,
Para a nudeza me cobrir dos ossos,
Rasgue alguns palmos do seu verde manto.

Raimundo da Mota de Azevedo Correia, São Luís-MA (1859-1911)

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ARAEL COSTA – JOÃO PESSOA-PB

Caro Berto

Olhando o panorama, não visto da ponte, destes nossos tempos atuais, tomo a liberdade de passar a suas mãos uma das crônicas extemporâneas que periodicamente largo em um blog local – Ambiente de Leitura, de Germano Romero, cujo editor – Germano, tem a falta de juízo de acolhê-las, onde relembrei tempos de lá atrás e os traços dos episódios então vividos que parecem se repetir ou aflorar, nos tempos atuais.

Esse nosso colega citado no texto – José da Banana, guarda parecências com nossos atuais generais e espero que seja só impressão, com muitos dos nossos generais a deitar falação contra as graves ameaças institucionais que nos espreitam, sem passar disto.

Fico, então, a esperar que o resultado seja como o alcançado pelo meu colega de Faculdade, de então, ou que seja dileto amigo do General Waldomiro Moreira, valoroso combatente – de linha de frente, cuja belicidade foi modestamente retratada por um escriba maledicente como Jorge Amado, que levava a vida a falar mal das pessoas de bem, como esse valoroso militar ou daquele Velho Lobo do Mar, que o moleque Jorge tanto achincalhou.

Espero, por outro lado, que o final não siga uma trilha traçada por outro maledicente de igual teor – o Stanislaw Ponte Preta, que termina fazendo do Mestre dos Mares Vasco Moscoso de Aragão o Comandante do Exército e do General Waldomiro,, Comandante de nossa Marinha de Guerra.

* * *

UNIVERSITÁRIOS EM GUERRA – Arael Costa

Olhando o espelho retrovisor de tempos vividos, muitas vezes nos surpreendemos com lembranças que nos contam acontecimentos até de muita alegria, vividas naquela época, notadamente quando exibíamos a primeira grande conquista da vida, que era o ingresso na Universidade da Paraíba.

Nos investíamos das muitas indulgências que a cidade nos concedia, como universitários.

Logo no início do ano, divulgados os resultados dos exames vestibulares, a cidade recebia novos moradores a desfilar com seus galardões, alguns muito característicos, a anunciar futuros “doutores”, como os alunos “de Direito”, desfilando em suas fatiotas recém adquiridas no templo da moda masculina de então – Lojas Setta para Homens, com sinais da luta ingente que muitos enfrentavam para dar o nó da gravata, completando suas novas aparências com alentados compêndios, submetidos a rigorosa proteção axilar.

Enquanto isto, a turma do branco – área de medicina, quase sempre – envergava brilhantes batas, cuja fulgurante brancura podia até ofuscar as telas dos cinemas Plaza e Rex, atrapalhando suas animadas matinées de final de semana, não deixava por menos o alegre footing desfrutado no quadrilátero marcado pelo Tribunal de Justiça, de um lado e pela sede social do Esporte Clube Cabo Branco, no outro.

Naquela área cabia de tudo, até mesmo a sede da UEEP (União Estadual dos Estudantes da Paraíba), que funcionava mais como um clube social da estudantada e a todos recebia sem ranço de proselitismo político, acolhendo a todos, para alguns momentos de lazer, ou para cortar o cabelo com Agenor, misto de barbeiro-cantor, ou, ainda, para baixar alguns sopapos na heroica máquina de escrever – Royal, como faziam futuros bacharéis não muito familiarizados com esse monstro, que nela treinavam o preenchimento de alentadas petições que seriam defendidas com arrojo nos juizados onde fossem atuar.

Não havia distinção de tribos.

E foi nesse território livre onde se instalou o comando dos bravos universitários que, atendendo às convocações do governador Leonel Brizola, lançadas ao ar pelas ondas da Arquivo Nacional Rádio Farroupilha, lá no Rio Grande, chamava todos os brasileiros a cerrar fileiras no combate para empossar o caudilho João Goulart, na Presidência da República, então vaga, dada a ação de assustadores fantasmas que fugiram de algumas garrafas, lá pelo Planalto, espantando o então titular do cargo, Jânio Quadros, que deixou essas funções ao léu.

Constituído o comando, logo se traçaram os planos de batalha, que teria como campo de luta o Ponto de Cem Réis, local ideal pois ali se concentrava considerável parcela da população pessoense a esperar por transporte coletivo, nos terminais das linhas de ônibus da Viação Progresso, que atendiam aos dois bairros mais populosos da cidade – Cruz das Armas e Oitizeiro e ficavam de frente para a Sorveteria Canadá, cuja varanda seria o local ideal para servir de espaldão das armas – microfones e autofalantes, e seu vasto salão oferecia boas facilidades de suprimento de boca, representados pelos deliciosos sorvetes de frutas e o chope mais gelado da cidade.

E, os bravos guerreiros, embora não se apresentassem devidamente uniformizados, pois o Comandante Brizola ainda não os suprira do uniforme regulamentar – bombachas, botas e esporas, bombas e cuias para o chimarrão, lá se foram para o combate, como disse o poeta pernambucano, Ascenso Ferreira, em seu poema O Gaúcho,

Riscando os cavalos!
Tinindo as esporas!
Través das coxilhas!…

Como bem assinalam líderes militares, toda tropa em combate deve ter um líder capaz e um guerreiro audaz, que sirva de exemplo e incentivo aos demais combatentes, exigência essa logo atendida, com o aparecimento do guerreiro destemido, personificada no acadêmico de Direito, José Gonçalo, mais conhecido nas trincheiras descompromissadas da boemia, pelo codinome de Zé da Banana, onde, dentre suas muitas habilidades, destacava-se sua oratória candente, que o fez peça fundamental nessa peleja, onde ocupou lugar de realce nas pelejas diuturnas ali travadas.

Mas…

Há dias e dias!

E houve aquele em que o nosso bravo guerreiro, ao final de sua peroração, sacou do sempre presente compêndio, mantido sob rigorosa proteção axilar e brandindo-o como se fosse um sabre de guerra marchetado, deu o seu grito de combate, bradando “cá estamos nós, estudantes paraibanos, nas trincheiras da guerra, se necessário for, para defender a Pátria, com uma espada em uma mão e a prostituição, na outra”.

Traído talvez por uma mente já cansada da guerra, assustado por um daqueles fantasmas fugidios lá do Planalto ou abatido por uma noite mal aconchambrada, lá se foi nosso herói, cabisbaixo como o Comandante Vasco Moscoso de Aragão, ao atracar seu navio no distante Porto de Belém do Pará, ao final de uma viagem majestosa (in Os velhos marinheiros, Jorge Amado – Editora Record, SP – 1961).

Queria dizer, por certo, Constituição!!!

Entabularam-se, então, as negociações de paz.

Ensarilharam-se as armas.

Acabou a guerra.

Entre mortos e feridos, salvaram-se todos!

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

A CORDA E A CAÇAMBA

Ao desembarcar em Brasília na companhia de Fernando Haddad, Lula demonstrou que o campeão em derrotas eleitorais deve virar mesmo ministro da Fazenda.

Ou ocupará cargo muito importante no governo.

* * *

O desqualificado Haddad substituindo o gênio Paulo Guedes no Ministério da Fazenda.

Uma troca que é cagado e cuspido o jeito de ser da filosofia petrálhica.

Mas o que eu gostei mesmo foi do título que consta nessa nota aí de cima:

Campeão em Derrotas Eleitorais.

Ou seja: Haddad tem mesmo todas as desqualificações necessárias pra ocupar um importante cofre no próximo governo.

Ladrão e Poste formam uma parelha inseparável.