A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, disse neste sábado (16) não ter medo de Elon Musk, dono do X (antigo Twitter), e utilizou uma expressão em inglês para atacá-lo. “Fuck you, Elon Musk”, disse Janja, com termos equivalentes a “vá se foder”, para se referir ao empresário… pic.twitter.com/8vbvU08yUK
A Proposta de Emenda Constitucional pretende alterar o art. 7º, inciso XIII, da Constituição Federal que o turno de trabalho em 8 horas diárias e. no máximo, 44 horas semanais. A ideia da autora é ter-se não mais que 8 horas diárias e no máximo 36 horas semanais, ou seja, redução de um dia de trabalho. Isso não significa que vamos trabalhar de segunda à quinta, pois as 36 horas podem ser diluídas em 5 dias, portanto, 7,20 horas por dia. O trabalhador ganharia 40 minutos para melhorar sua qualidade de vida.
Eu acho que esse pessoal tem inveja de quem é capaz de gerar emprego e renda. Eles não conseguem ver alguém tendo sucesso financeiro que logo falam em taxar ou impor leis para limitar a ação da iniciativa privada, no entanto, quando chega eleição recorrem às empresas e empresários em busca de doações para suas campanhas. Outro equívoco é que eles fazem a coisas parecer como necessária. O presidente, por exemplo, inventou de regulamentar o transporte por aplicativo e os próprios trabalhadores mandaram-no se calar, a ponto de que não se ouve falar mais nesse assunto.
Trabalhei na iniciativa privada, fiz consultoria, hoje sou servidor público. Por mais que não aceite essa pecha, não posso deixar de admitir que somos uma classe diferenciada, inclusive no nosso âmbito também, porque há uns que trabalham e outros que ganham dinheiro. Durante a pandemia, nenhum servidor público recebeu um centavo a menos do seu salário. Até mesmo adicional noturno, insalubridade e periculosidade foram pagos, embora as atividades estivessem suspensas. Isso é privilégio? Eu acho que sim, principalmente, quando comparado ao que houve no setor privado, onde contratos foram suspensos e o governo teve que amparar com o auxílio emergencial.
Entendo que se houvesse um estudo que avaliasse os impactos nos diversos setores da economia, que se apresentasse um planejamento de adequação e que tudo isso apontasse para a viabilidade econômica e financeira da ação, tudo bem, vamos fazer porque estamos apoiados na ciência. Essa mesma ciência que no governo passado foi tão exigida, agora está sendo delegada às paixões ou idiotices. A nobre deputada nunca foi proprietária de empresa, provavelmente, nunca empreendeu absolutamente nada, não sabe como se forma o custo de produção e nem desconfia como se faz a formação de preços.
É sabido que o salário-mínimo é fixado por lei e este ano vale R$ 1.412,00. Numa matemática elementar, 44 horas em dias equivalem a 220 horas e com isso o salário-mínimo é R$ 6,49 por hora. Reduzindo para 36 horas semanais, numa semana de 5 dias, teremos 180 horas, logo, o para que não houvesse prejuízo, as empresas deveriam pagar R$ 900,00, mas a proposta não aceita redução do salário, portanto, já se tem um custo de R$ 512,00 mês, por trabalhador, ou se ficar mais simples, o salário horário passaria para R$ 7,84, o que implica em R$ 1,35 por hora, por trabalhador. Multiplica pelo número de trabalhadores que recebem salário-mínimo e verás o tamanho do buraco.
Em Economia, a gente considera curto prazo um período os fatores permanecem constantes. Digamos, um período de um ano. O custo médio é determinado pela divisão entre a taxa de salário e a produtividade média. A taxa de salário é constante num período de um ano, de modo que redução na produtividade média, aumenta o custo médio. Simples assim. Agora, a produtividade média no Brasil tem caído (a FGV publicou que a produtividade média do brasileiro caiu 4,5% ano passado), então juntando a queda de produtividade com o aumento da taxa se salário, imagine o que vai acontecer com o custo médio de produção. O risco disso é aumento de preços e com o achatamento de renda, já viu.
Com a reforma trabalhista de 2017, permitiu-se o trabalho intermitente, ou seja, aquela situação em que o trabalhador é chamado quando houver necessidade. Foi uma gritaria geral. Agora, uma medida dessa natureza, sem qualquer embasamento técnico, ou científico, fará sempre, a credibilidade desse país se resumir a nada.
É bom dizer que há países onde a jornada de trabalho é menor do que 44 horas. O que eles têm de diferente em relação ao Brasil é uma economia estruturada, produtiva, com o governo se metendo o mínimo possível. Lá corruptos são presos 44 horas, como a China, por exemplo. Poderíamos dizer que é trabalho escravo?
O tapa de Fagundes foi tão forte que Regina caiu no chão. A discussão começou quando o marido chegou bêbado, cheirando a perfume barato de mulher. Ela não aguentava mais suas cachaçadas, chamou-o de cafajeste, raparigueiro e homem fraco. Sem argumento Fagundes bateu no rosto da esposa. Regina correu para o quarto, trancou-se. Ouviu os passos em direção à rua. Ele gritou pra ela ouvir.
– Vou beber, raparigar! Mulher merda!
Regina levantou-se, recompôs-se, olhou-se no espelho, a roncha no olho não estava tão visível. Para quê chorar? Tinha certeza, o casamento havia se acabado naquele momento. Mulher bonita, nova e desejada, os homens a olhavam com malícia, entretanto, nunca pensou em trair Fagundes, que há mais de um ano entregou-se ao álcool desenfreado. Eram onze horas da noite, telefonou para Lourdinha, sexta-feira dia de barzinho com amigos. Meia hora depois, Regina, linda, alegre e solta, chegou. Beberam, conversaram, Regina estava surpresa com ela mesma, em ter coragem de sair. Certo momento as duas cochicharam.
– Não acredito, disse Lourdinha. O que aconteceu?
– O fim de um casamento, apanhei na cara, não tem volta. Estou me sentindo bem, cresceu-me um sentimento de liberdade, vou tomar um porre. Não é de tristeza, é de liberdade, acabou-se Fagundes. Vou ficar bêbada, hoje vou dar, não sei a quem, mas vou. Minha avó dizia: “Água de morro abaixo, fogo de morro acima, e mulher quando quer dar, ninguém segura”.
Ficaram às gargalhadas.
Em certo momento entrou no bar um amigo de juventude. João Paulo havia se separado, ficou célebre sua festa de descasamento. Lourdinha o convidou a sentar. Ele notou a falta de aliança no dedo de Regina, perguntou por Fagundes. Ela discretamente sintetizou a saída de casa, estava solteira. Conversaram, beberam, dançaram, cantaram até mais tarde, pagaram a conta. Regina pediu carona a João Paulo.
O carro partiu rumo à casa de Regina, Quando ela percebeu a direção tomada, abriu-se para o amigo.
– Hoje não vou para casa, essa noite eu quero outra coisa, quero que você me leve a um motel, quero amar, quero lhe dar.
João Paulo parou o carro no acostamento, olhou para ela.
– Regina você é minha amiga. Jamais me aproveitarei de um momento emocional, você bêbada. Não estou lhe rejeitando, o que mais quero nesse momento é transar com você, fique certa. Mas, jamais farei alguma coisa que você possa se arrepender. Desculpe. Quando estiver com Fagundes, resolva suas questões. Seja forte.
Regina surpresa com a atitude do amigo calou-se, casmurra ficou até João Paulo deixá-la na porta. Ao entrar em casa Fagundes dormia de roupa na cama de casal. Ela dormiu outro quarto.
Era meio-dia quando o casal se encontrou na cozinha. Regina teve a última e curta conversa com o marido.
– Vou para o apartamento de minha mãe.
Pegou a mala, entrou no táxi. Era o fim de sete anos de casamento, sem choro, nem vela. Fagundes não disse uma palavra.
Regina sofreu a dor da separação, ninguém acaba um casamento sem dor. Durante a semana trabalhou normalmente. A noite da separação ficou marcante. Regina nunca esqueceu, jamais pensou haver um homem tão gentil, cavalheiro, bom caráter. Ela dizia para si mesma, eu quero esse homem, é esse o homem de minha vida.
Três anos se passaram, Regina e João Paulo moram juntos na praia de Riacho Doce, Ela sempre lembra a história de sua avó: fogo de morro acima, água de morro abaixo… Naquele dia, só não deu porque João Paulo não quis.
Como se fora uma fotografia, ainda que envelhecida. De forma repetida, acontecia toda vez que o dia clareava. Fosse qual dia da semana fosse – sem excluir domingos e feriados.
Na roça, para quem “planta vida”, feriado ou descanso é coisa de tolo.
Sentado na ponta da calçada, como se aquele lugar lhe fosse cativo, a imagem do corpo pequeno e magro do Vovô João. Ali começava mais um dia para ele. Calçando as velhas botas, que ele (e apenas ele) chamava de “minhas botinas”.
Acostumou-se àquela atitude. Ainda que não fosse trabalhar na roça – mas tinha o hábito de fazer aquilo, ainda que fosse apenas ao quintal, jogar milho para as galinhas, ou jogar água no canteiro de coentro e cebolinhas. Não fazia muita coisa sem as velhas botas.
Passou a fazer aquilo desde quando, certo dia, viu-se picado por uma traiçoeira cascavel, cujo veneno quase o leva prematuramente ao buraco coberto com sete palmos de terra. Usava as botas, também, para se prevenir de possíveis cortes da lâmina da enxada.
Doía, e ao mesmo tempo servia de alento, ver Vovô calçar as velhas botas sem a proteção das meias – tinha apenas um par, tão velho e usado que já não tinha mais a parte do calcanhar nem a do dedão dos pés. Talvez por isso, preferia dizer de si para si mesmo, que “era mais mió, calçar minhas bichinhas sem essas meias véias furadas, que não seuvem de nada”!
Lembro como se fosse hoje. Vovô ganhou aquele par de botas de um antigo Sargento da Polícia Especial do Exército. Ganhou também uma boina e um cinto. Nunca usou a boina, pois essa lhe ficava folgada na cabeça, e o cinto preferiu usar como cilha no burro. Mas, as botas ganharam preferência e importância na vida de João.
Era calçando aquelas botas velhas, para ele macias como seda, que Vovô trabalhava a terra, semeando milho, feijão e arroz que compunham a mesa da família; era calçando aquelas velhas botas, que ordenhava as vacas e as cabras e aparava o leite para os queijos, as manteigas e os mingaus e papas das crianças.
Ah, como eram especiais para Vovô, aquelas velhas (mas macias) botas!
Eis que, assim sem mais nem menos (nós é que pensamos assim – mas sempre haverá um motivo para o fato), chegou a hora e o dia de Vovô voltar para o lugar de onde viera em missão. Vovô morreu, e com ele aquela imagem matinal de todos os dias, sentado na ponta da calçada, um corpo esguio calçando as velhas botas.
Não havia caixão para enterrar o corpo cansado de Vovô – homem simples e bom, que viveu todas as dificuldades pela e para a família, sua única riqueza além das velhas botas – ele foi conduzido para a última morada, numa rede e o corpo colocado no novo endereço com todo cuidado e respeito.
Em casa, Vovó abria mais uma das poucas vezes, o velho baú, onde guardara por anos e anos, o velho vestido do casamento, e, nele, com toda a terra e sem nenhuma limpeza, acondicionou como se fosse um valioso presente e troféu, o velho par de botas do Vovô.
Não tive amores, sonhei-os, Mas possuí-los não pude.
Mote de Raymundo Asfora
Minhas musas foram tantas Que meu peito sonhador Viveu como um beijar-flor Pousando em diversas plantas. Umas foram como as santas, Cheias de imensa virtude, Outras, por ilicitude Só trouxeram devaneios. Não tive amores, sonhei-os, Mas possuí-los não pude.
Fui um ébrio seresteiro Cantando os meus sentimentos, Perguntando aos quatro ventos: – Qual o amor verdadeiro? Mas nunca tive o roteiro, Azimute ou altitude. Espero que Deus me ajude A vencer os aperreios. Não tive amores, sonhei-os, Mas possuí-los não pude.
Só ficaram do passado As minhas divagações, Desventuras, frustrações De amar sem ser amado. Tudo que eu tinha sonhado Perdeu a magnitude Só restou meu alaúde A me alegrar com ponteios. Não tive amores, sonhei-os, Mas possuí-los não pude.