Arquivo diários:3 de novembro de 2024
DEU NO JORNAL
JESUS DE RITINHA DE MIÚDO
DE DISTÂNCIAS E SAUDADE
O tic-tac do relógio de parede quebrava o silêncio da tarde se despedindo. A noite já espreitava escurecendo o dia. Ricardo apurou os ouvidos tentando encontrar respostas para uma inquietação. Onde estaria Esmoler? O amigo se ausentara no meio do cochilo da tarde. Não era seu costume sair sem avisar. Esperava ouvir seus passos subindo os batentes, rangendo a madeira sob o peso de cada passada.
O cego segurou a bengala pelo meio. Bateu duas vezes com o objeto no canto da mesa. De repente uma música veio à sua lembrança. A voz do cantor ecoando em sua lembrança. Sentiu o cheiro da dama que lhe abraçara duas vezes antes de dizer “até amanhã”. Um amanhã que nunca ocorreu para os dois. No outro dia ele viajara cedo, sem o nome dela, sem seu endereço… apenas a sensação do calor de sua mão sobre sua mão.
Poucos anos depois, quando a vista já dava sinais de cansaço, assistia na TV um programa de calouros quando a viu: julgava o concurso. Descobrira ali o nome dela.
Coincidência ela haver dado a maior nota justamente para o rapazinho que cantara Unchained Melody num Inglês perfeito. A mesma que dançaram duas vezes – ele pagara para a orquestra repetir – antes de saírem andando pela madrugada, como se não tivessem para onde voltar.
Descobrira pela TV o quanto estavam distantes um do outro. A saudade que sentiu naquele momento foi maior que a distância.
Estava nessas lembranças quando ouviu os passos de Esmoler e os reclames da madeira. Em seguida os passos pararam, a chave foi introduzida na fechadura, girou, a maçaneta desceu com um rangido baixinho. Mais baixo que o ruído das dobradiças se curvando na abertura da porta.
– Ricardo, desculpe-me sair sem avisá-lo – Esmoler falou depositando um pacote sobre a mesa. – Seu sono estava de ronco.
– Não se desculpe por isso. Se desculpe por me haver partido agora uma lembrança boa – falou baixando a cabeça.
– Qual? Posso saber?
– Ah, meu amigo Esmoler! Você não compreenderia. Precisaria sentir a distância e a saudade como eu as sinto, para entender.
– Entender? O quê? Fale-me – pediu o amigo.
O cego levantou a cabeça como se pudesse ver pela janela do apartamento. Houve um silêncio. Por fim falou:
– Que a distância é o parâmetro físico ou temporal pelo qual se mede uma saudade. Quanto maior a distância, maior a saudade.
Ficaram outra vez em silêncio.
Esmoler deixou a sala. Entrou no quarto, acendeu a luz e se perdeu em outras preocupações.
Ricardo tamborilou na mesa e cantou baixinho “God speed your love to me”, repetindo as duas últimas palavras com uma saudade eterna.
Na parede o relógio sabia exatamente do tempo presente.
DEU NO X
HERÓI
O cara pra arriscar a vida assim pra salvar outras pessoas tem que ser muito corajoso.pic.twitter.com/aZvzXS9gek
— Vinicios Betiol (@vinicios_betiol) November 2, 2024
SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO
BOM DIA!
LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA
JANJO CONTRA ATACA
DEU NO JORNAL
UM PAÍS EM CHAMAS
O Brasil registrou mais de 33 mil focos de incêndios florestais apenas no mês de outubro, segundo dados do Deter, sistema de monitoramento por satélite do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), mostrando que a situação pouco mudou no Pais em chamas.
Quase a metade de todos os focos de incêndios (16,1 mil) foi observada na região da Amazônia, e outros 8 mil no Cerrado.
Desde janeiro, foram 243.545 focos de incêndios em todo o País, sem que o governo federal reaja à altura.
Setembro de 2024 representou os piores 30 dias da série histórica do monitoramento, realizado desde 2018: 83.154 incêndios.
O Pantanal, considerado outro santuário ambiental, teve mais de 2,4 mil incêndios em outubro. No ano de 2024 já são mais de 14,5 mil.
Nos últimos 12 meses, o Deter/INPE registrou espantosos 321,5 mil incêndios florestais em todo o País.
É o maior número da série histórica.
* * *
Isso sem falar nos outros incêndios.
Aqueles incêndios também horríveis que estão queimando a economia, a decência e a vergonha na cara das otoridades federosas.
Enquanto isso, a militância canhota ambientalista continua caladinha, de cu trancado e fazendo de conta que não tá vendo nada.
É pra arrombar a tabaca de Xolinha!
A cachorra Xolinha de tabaca arrombada, com o descaso do desgoverno petralha frente aos incêndios florestais.
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
MARCOS ANDRÉ – RECIFE-PE
O EFEITO VAZA JATO – O Valioso Mundo das Informações
NO EXTERIOR
No campo internacional, o jornalista Glenn Greenward, permitiu a privatização dos arquivos de Edward Snowden, aquele analista de sistemas, ex-administrador de sistemas da CIA e ex-contratado da NSA, que tornou públicos detalhes de vários programas que constituem o sistema de vigilância global da NSA americana. A revelação deu-se através dos jornais The Guardian e The Washington Post, fornecendo detalhes de várias gravações.
O OVO DA SERPENTE
Quando Glenn estava trabalhando com The guardian, foi convidado pelo Snowden pra ver o material da NSA (cujo conteúdo era raquiagem ou monitoramento de conversas de diplomatas, presidentes (Dilma) e lideres de vários países; de empresas estatais (Petrobras).
O Snowden, tinha todo esse material e Glenn tomou posse de todo conteúdo, quando então foi contratado pelo The Guardian, e começou a publicar – em doses homeopáticas – os conteúdos daquelas gravações. Por conta do perigo e da grande responsabilidade, ele passou a ser uma espécie de curador, e tinha objeções contra O JULIAN ASSANGE – que ficou famoso após fundar em 2006 o grupo de ativistas WikiLeaks e que, anos depois, deixou vazar cerca de 700 mil documentos classificados dos Estados Unidos, causando um grande desconforto que abalaram as autoridades norte-americanas, a ponto do governo decretar sua prisão por espionagem e divulgação de documentos secretos.
Nas gravações, havia muito material sobre o oriente médio, onde certamente continha nomes de informantes (risco de vida para o informante e sua família), daí a idéia de uma curadoria para cuidar de todo esse material.
Nos Estados Unidos, ele divulgou que, todo o material do arquivo estaria disponível a jornalistas que se dispusesse a ir a uma sala alugada em NY e, tal como fez na Vaza Jato daqui, só com papel e caneta na mão. Nada de usar mídias para copiar.
O MUNDO BILIONÁRIO DAS CHANTAGENS
Peter Thiel, bilionário e co-fundador do PayPal, contratou Glenn, que trouxe todo o pacote de mensagens do NSA, que o Snowden havia repassado para ele.
Assim que Glenn é convidado para fundar o THE INTERCEPT, financiado pelo bilionário Pierre Omidyar (que estava envolvido com a PayPaL(instituição financeira), a mesma que bloqueou as contas que trabalhavam ou ajudavam o Julian Assange.
Por conta desse fato, Assange fugiu e, após um autoexílio forçado (na embaixada do Equador, em Londres) e ficar preso desde 2019 no Reino Unido, um acordo costurado o tirou da prisão. O fundador do WikiLeaks, teve que se declarar culpado, durante uma audiência no tribunal dos Estados Unidos nas Ilhas Marianas do Norte/EUA, para logo em seguida ser condenado por espionagem. Devido ao acordo, ele foi posto em liberdade.
Os arquivos de Snowden (NSA) estão nas mãos de Omidyar, que vive de acumular dados e monitorar pessoas, os quais usam pra fins de interesses econômicos.
VAZA JATO
A Vaza-Jato tornou-se um exemplo de novela de chantagens, culminando com o silencio cúmplice de políticos, juízes(…) e jornalistas (vide Reinaldo Azevedo).
Foi baseado nas gravações da Vaza Jato (apenas e tão somente, no conteúdo que interessava ao PT e o STF, sobre as conversas de Deltan Dallagnol e Sergio Moro) – que surgiu o embrião para o folclórico e aberrativo “argumento jurídico”, usado por ministros do STF (nomeados pelo PT) para (SIC) “descondenar” Lula e promover sua ascensão a presidência da republica.
O que se tem conhecimento é que o jornalista Glenn Greenward, é possuidor de 7 terabytes de arquivo gravado, cujo material é nitroglicerina pura. O que se viu e soube é que o seu conteúdo, de uma forma ou de outra, destrói mais jornalistas do que propriamente as autoridades (???).
Glenn só permitiu o acesso a jornalistas que estavam envolvidos com “opiniões e suas fontes” e que, comprovadamente, tinham rabo preso. Tanto é que, TODOS eles, guardaram silencio sobre o que viram a partir de então. E esses mesmos jornazistas, passaram a apoiar a Vaza Jato em seus veículos de comunicação.
O DETALHE – Glenn, só permitiu o acesso deles com caneta e papel. Sem gravador ou qualquer outro tipo de arquivo de mídia. Os escolhidos que assistiam, saíam bem caladinhos, e passaram então a apoiar a vaza Jato, incondicionalmente.
DESDOBRAMENTOS DA VAZA JATO
Após o silencio ensurdecedor de alguns jornalistas, autoridades empresariais, políticos e juízes, o acesso publico a tais mensagens são solenemente ignoradas. Não existe mais o acesso. Foi tudo cancelado.
O MAIS EXTRANHO DE TUDO
Estranhamente e pouquíssimo esclarecido, é que os dados da Vaza Jato foram “repassados” a policia federal, com a intermediação da maconheira Manoela d’Ávila …!!!
DEU NO X
TÁ NO LUGAR CERTO
🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣🤣
O brasileiro não perdoa… pic.twitter.com/9hMzjWPh1K
— Bruce Barbosa (@BruceBarbosa88) November 2, 2024
WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO
LEI DO RETORNO
Ilustração de Lucas Belarmino
Eu pedí, você não deu,
Hoje oferece, eu não quero.
Mote de Pedro Fernandes
Pedi o seu coração
Pra que fosse meu abrigo,
Mas você, como castigo,
Deu o mais sonoro não.
Ao me ver no violão
Tocando aquele bolero,
Veio com seu lero-lero
Como quem se arrependeu.
Eu pedí, você não deu,
Hoje oferece eu não quero.
Já me negou seu sorriso,
Fez pouco do meu abraço,
Negou até o pedaço
Da “maçã” do Paraíso.
Então pensei: – Não preciso
Deste coração de Nero!
Portanto, não mais venero
Quem nunca me mereceu.
Eu pedí, você não deu,
Hoje oferece eu não quero.
JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO
A DOR QUE SENTES E DILACERA
Somos uma ilha inexistente
Há horas que a saudade me faz sangrar. É um sangue incolor, salgado, esfumaçado, doído, como se extraído a fórceps.
Dói demais!
É uma saudade danada!
Saudade de ti, de mim, de nós!
Saudade do que fui, sem querer ser. Saudade do que poderia ter sido, e não fui!
Saudade até de quando eu for!
Dói!
Saudade do vento, do amanhecer e do sol quente que me fazia suar e do suor que me fazia chorar, sentindo saudade de ti.
Dói muito!
Saudade daquela noite em que nos entregamos e das lágrimas que chorei por te perder no dia seguinte e por mais alguns dias!
Saudade do teu sorriso na manhã seguinte.
Saudade do ontem. Do hoje e do amanhã, que um dia será hoje e depois será ontem.
Saudade da menina que fui e da idosa que um dia serei.
Saudade de mim, de ti, de nós!
Dói e corta fundo!
Saudade das nuvens que eram minhas. E daquelas que eu não tinha!
Saudade dos caminhos, das trilhas, das veredas e das estradas por onde andamos de mãos entrelaçadas.
Saudade da minha infância. Da amarelinha, do bambolê, da minha saia rodada que facilitava nossas carícias, e das estórias construídas e contadas em castelos de ventos e de areia.
Saudade de tudo.
Do pôr do sol que víamos juntos, das rosas que me destes, dos beijos trocados e até de sentir ciúmes de ti. Parabéns saudade, pois estou com saudade de ti.
Saudade – (Pablo Neruda)
Saudade é amar
Um passado
Que ainda
Não passou.
É recusar
Um presente
Que nos machuca,
É não ver
O futuro
Que nos convida.
Saudade do futuro. Saudade de tudo e até do que eu nunca vi.
Saudade da paz que eu quero ter e daquela que eu nunca tive.
Saudade grande!
Dói!
Mas, a maior saudade é de ti.
De mim.
De nós!




