Arquivo diários:1 de novembro de 2024
DEU NO X
DEU NO JORNAL
FALTOU DIZER: “ENTENDA COMO ISSO É BOM”
DEU NO X
LINDA SEXTA-FEIRA!
Eu só queria estar assim com ELA 💞 pic.twitter.com/505GGbfW4T
— Joaquin Teixeira (@JoaquinTeixeira) November 1, 2024
HÉLIO CRISANTO - UMA LUA, UM CAFÉ E UM BATENTE
HERDEIRO DO SOL
LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA
VIVA ARARAQUARA !
PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS
DOIS MESTRES DA CANTORIA
DEU NO X
É A GUARDA BOLIVARIANA
🚨GRAVE – Alexandre Garcia critica a terrível PEC da Segurança de Lula, que a maioria dos governadores não está aceitando
“Me dá arrepios. Eu conheço a história das polícias, das polícias da cortina de ferro, da Rússia, da Alemanha de H1tler, polícia bolivariana. Perigoso isso!” pic.twitter.com/uYqUfBFKbo
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) November 1, 2024
CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA
REBECA, A MULHER INESQUECÍVEL
– Não case com Rebeca, você vai ser o maior corno do Estado.
Plínio ouviu esse conselho várias vezes depois que anunciou e convidou os amigos para casamento no ano novo.
Verdade seja dita, em seus 25 aninhos, Rebeca, morena dos lábios grossos, expirava sensualidade por todos os poros, tinha um requebro provocativo, os homens davam em cima da jovem, ela não rejeitou. Em resumo, Rebeca gosta de homem, nunca escondeu. Certa festa de batizado, ela foi apresentada ao pacato Plínio, 43 anos, celibatário por convicção. Ele achava o casamento muito complicado. Gostava de garota de programa. Dizia ele que pagava o sossego, o descompromisso.
Rebeca entusiasmou-se com aquele coroa calmo de uma beleza máscula, queixo quadrado, olhos sonhadores. Encantada, conversou alegre, divertida puxando risadas com Plínio, um convicto religioso. Marcaram encontro, ele interessado no traseiro maravilhoso, tiveram conversas agradáveis, inconsequentes. Quem podia com o feitiço e encantamento de Rebeca? Na primeira oportunidade estavam aos beijos nas esquinas, até que chegou a hora da onça beber água, uma noitada no motel. Plínio transformou-se. Não conhecia as variações e possiblidades em torno do tema, Rebeca ensinou tudo, sábia de nascença.
Plínio ficou acostumado, já não podia viver sem os carinhos da jovem, pediu Rebeca em casamento. Sem ligar as advertências, o casamento foi celebrado na Igreja de Santa Rita, no Farol. O casal viveu tranquilo, Plínio dedicou-se ao trabalho, professor universitário, cultura fecunda adquirida nos livros. O tempo passou normalmente, Plínio satisfeito com a esposa, um o vulcão na cama. Rebeca, ao contrário, não se acostumou com a vida de casada, tinha saudades de sua vida solta na boemia, fez força para ficar em casa sossegada, mas foi difícil se conter. Não havia completado dois anos de casados ela já dava umas fugidas, cada vez mais constantes, foi relaxando, quando Plínio descobriu, já era o maior corno do Estado. Decepcionado, expulsou Rebeca de casa. Chorona, ela pedia perdão. Em um mês vendeu a casa, teve que dividir a grana com Rebeca. Prometeu nunca mais casar. Porém, vez em quando vinham lembranças de Rebeca.
Passeando no Shopping encontrou sua prima, Eunice, quarentona, desquitada, enfermeira, independente, com uma filha jovem. Os dois se deram bem, começaram a sair. Um ano de encontros, marcaram compromisso. Plínio quebrou a jura, pela segunda vez casou-se na Igreja de Bebedouro.
Ao conhecer Joana, filha de Eunice, 20 anos, ele teve um sentimento estranho, os lábios da moça, sua pele morena, seu sorriso debochado lembrava Rebeca. Veio-lhe um sentimento de atração e lembranças dos feitos de Rebeca na cama. Evitava encarar, conversar com a enteada. Certa noite ela perguntou-lhe com malícia.
– Porquê você me evita? Não gosta de mim? Sou uma mulher adulta, não sou criança.
Plínio continuou equidistante de Joana, ao retornar à sua casa numa noite de calor em que Eunice estava de plantão, encontrou a enteada sentada à mesa, estudando, vestia apenas calcinha e uma blusa transparente. O sangue de Plínio ferveu nas veias, entrou rapidamente no seu quarto, logo a porta se abriu, era Joana com todo esplendor, sem blusa, olhou-o nos olhos, estendeu-lhe os braços.
O ex celibatário tornou-se bígamo de mãe e filha. Eunice, calada, melhorou sua vida, faz que não sabe. Plínio enche a enteada de presentes, já deu até um carro. Nas horas íntimas, muitas vezes chama a enteada de Rebeca.
A PALAVRA DO EDITOR
TROMBETA DE ANJO (BELADONA)
JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO
CONVERSAS DE ½ MINUTO (36) ‒ PORTUGAL ‒ 2ª PARTE
Mais conversas, novamente de Portugal, em livro que estou escrevendo (título da coluna).
LIVRARIA BERTRAND, Rua Garrett, Lisboa, fundada em 1732, mais antiga livraria do mundo (segundo o Guiness Book). Na montra (vitrine), livro sobre Fernando Pessoa. Pedi, à vendedora, apontando
‒ Por favor, queria esse livro.
E ela, depois de consultar o computador,
‒ Escusas, não temos.
‒ O exemplar está na montra.
‒ Pois sim, mas na casa não há mais.
– Então, qual o sentido de exibir?
– Não sei.
‒ Basta abrir a montra e me vender.
‒ Isso não posso fazer.
MANUEL BANDEIRA, poeta, da ABL. Nunca lançou um livro em Portugal. Nem mesmo seu Poesia, editado por lá, mereceu isso. Talvez por ter prefácio de Henrique Galvão, um feroz opositor de Salazar. O fato que nos interessa foi contado por confrade na ABL. Segundo ele tudo se deu, numa livraria carioca, em fila para autógrafos. Chega jovem português e põe o livro, que acabara de comprar, na sua frente. Sem saber de quem se tratava, para a dedicatória, nosso poeta perguntou
– Por favor, que nome ponho?
– Manuel Bandeira, ora essa.
Homessa, poderia dizer, lembrando expressão muito frequente nos diálogos de Eça de Queiroz.
MANUEL FONSECA, editor. Em seu O pequeno livro dos grandes insultos lembra uma boa coleção dos que se dizem na terrinha. Seguem dois exemplos
‒ O Camões era zarolho,
Mas ilustre português:
Via mais só com um olho
Do que nós com todos três.
‒ A cagar fiz um cigarro,
A cagar o acendi,
A cagar o fumei todo,
A fumar caguei para ti.
MAURÍCIO MENA BARRETO, cirurgião plástico. No Hospital da Luz (Lisboa) encontra com a biomédica Margarida Ruela e, querendo ter seu número de celular, pergunta
‒ Pode me dar seu telemóvel?
A senhora, depois de grande hesitação, afinal lhe entregou o aparelho.
ONÉSIMO TEOTÓNIO ALMEIDA, da Universidade de Brown (Estados Unidos). Na ilha Terceira (Açores), esporte preferido são as touradas de corda. Uma grande festa, 250 por ano, em ilha com apenas 70 mil habitantes. Visitando familiares, Onésimo encontrou amigo com perna e braço quebrados, e a explicação que recebeu dele foi cômica
– Vi o touro correr para mim; mas, como eu ‘tava c’os copos, vi dois touros. Fui esconder-me atrás de uma árvore. Mas, bêbado como eu ‘tava, vi duas árvores. A minha pouca sorte foi eu esconder-me atrás da árvore falsa e vir contra mim o touro verdadeiro.
* * *
Adriano Moreira lhe disse que era nome de rua em São Tomé, capital de São Tomé e Príncipe (Golfo da Guiné, costa ocidental da África Central). O menor país de língua portuguesa. Muito apropriada, essa homenagem, por ter sido ministro do Ultramar e presidente da Academia Internacional de Cultura (nos tempos de Salazar). Depois da independência do país foi conferir se ainda estava lá seu nome, e viu
– Rua Ex-Doutor Adriano Moreira.
O que lembra história que se conta de placa que a Prefeitura de São Paulo teria posto, no local, quando trocou nome da “marginal” do Rio Tietê para “avenida”
‒ Avenida Otaviano Alves de Lima (ex-marginal).
PROPAGANDA. Em velho jornal português
‒ Seu marido bate-lhe? E não pode com a força dele? Pois então tome Farinha de Fava ou de Favacau d’A Mariazinha… e verá como cria forças para até o atirar pela janela fora!…
Fava, cada quilo ……………………… 4$00
Favacau, cada quilo …………………. 6$00
Peça o catálogo geral, com todas as indicações A Mariazinha, Rua Barros Queiroz, 26 e 28.
SERGINHO, filho. Numa farmácia, à Rua da Escola Politécnica,
‒ Que horas vocês fecham?
‒ Nunca. Veja, na placa, “Farmácia 24 horas”.
‒ E qual a razão do cadeado?
‒ Que cadeado?
‒ Esse (apontou), pendurado na porta de entrada.
‒ Alguém deve ter posto aí, vamos investigar,
Só que até hoje estão no mesmo lugar, depois de anos, a placa das “24 horas” e o tal cadeado.
SÉRGIO GODINHO, compositor e cantor (uma espécie de Chico Buarque de Portugal). Lá, os como ele são conhecidos como Cantores de Intervenção. Só para lembrar, uma das coisas boas na culinária de Pernambuco são as tanajuras ‒ formigas pretas, de bunda grande, que depois de volumosas chuvas fazem seus últimos voos e caem mortas no chão. As estradas ficam cheias de gente, catando para jantar. O grande Zé Cláudio, num aniversário que fiz em 2013, até ofertou quadro que pintou com o desenho delas no ar, mais essa quadrinha
‒ Muitas felicidades
Muitos anos de ventura
Sapotis e coca-colas
Farinha com tanajura.
Encontro com Sérgio nas Correntes d’Escrias (à Póvoa do Varzim), mais antigo festival literário de Portugal e o cumprimento dizendo
‒ Lembra que nos encontramos pela última vez no Recife, em jantar na nossa casa?
‒ Inesquecível porque, pela primeira vez na vida, comi formiga.
Faltou só dizer se gostou. Mas deve, por ser uma iguaria.
ZÉ LIVREIRO, alfarrabista. Escreveu livro, Confissões de um Livreiro (inspirado em Crónicas de um livreiro, de Martin Lathan), em que conta histórias curiosas da profissão. Como quando, certo dia, apareceu cliente pedindo
‒ Quero o livro daquela senhora que ganhou o Prêmio Nobel.
‒ Quem?
‒ Sara Mago.

