ALEXANDRE GARCIA

IMUNIDADE PARLAMENTAR ATROPELADA

O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) virou réu no Supremo Tribunal Federal (STF). Não consigo entender, porque o artigo 53 da Constituição não foi revogado, não houve nenhuma PEC para alterá-lo, e mesmo assim o STF decide contra o que diz a Constituição. O artigo 53 diz que deputados e senadores são invioláveis por quaisquer palavras. Podem dizer o que quiser, porque são invioláveis; está escrito na Constituição. Mas dois senadores – Vanderlan Cardoso (PSD-GO) e Jorge Kajuru (PSB-GO) – entraram no Supremo com uma ação por calúnia, injúria e difamação contra Gayer porque ele os chamou de “vagabundos”, o que nem chega a ser calúnia, injúria e difamação, está mais para interjeição.

O Supremo aceitou a denúncia e Gayer virou réu na primeira turma. Nem todos votaram ainda, mas o resultado já está definido, com quatro votos de cinco. O relator é o ministro Alexandre de Moraes; além dele, já votaram por aceitar a denúncia Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. É uma briga goiana e agora está no Supremo. Moraes já tinha mandado a Polícia Federal na casa de Gayer por outras questões, e agora o converte em réu. É uma resposta que fica parecida com vingança.

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Lula quer vingança contra manifestantes do 8 de janeiro

Lula, em entrevista à Rádio Itatiaia, expressa um enorme ódio contra os manifestantes do 8 de janeiro, dizendo que não tem anistia, que eles têm de ficar na cadeia. Parece vingança. Isso que Lula passou pela cadeia, já sabe o que é ficar preso. Isso que a esquerda já foi anistiada por outros crimes bem mais diretos, como jogar bomba, sequestrar avião, sequestrar e matar pessoas, assaltar banco. Este é o Brasil em que estamos vivendo.

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Plano de Lula para segurança pública é centralizador

O presidente tentou convencer senadores sobre seu plano de segurança pública, mas acho que não vai dar certo. Ele quer ficar com o poder sobre as polícias e sobre as penitenciárias estaduais. O governador já passa o ano inteiro, o mandato inteiro, de pires na mão pedindo dinheiro para o governo federal, que centraliza tudo. Agora quer centralizar também as diretrizes de segurança pública.

Olhem só a transformação: segurança pública ficaria nas mãos do ministro da Justiça, sairia das mãos dos secretários de Segurança. A orientação seria do presidente da República, e não dos governadores. A Polícia Rodoviária Federal cuidaria das estradas, das ruas, dos rios e dos trilhos. Seria uma polícia ostensiva. Já a Polícia Federal seria polícia de “pronta resposta”. Isso me dá urticária, porque eu conheço história e sei como isso de “polícia de pronta resposta” acaba virando polícia política. Foi assim na Alemanha Oriental, na União Soviética, é na Venezuela, no Irã, no Iraque. Eu duvido que isso seja aceito pelos governadores, que têm influência sobre as bancadas.

DEU NO JORNAL

NON SE META !

Insultado por representantes da ditadura venezuelana, o presidente Lula (PT) agora virou alvo de ameaças do regime de Nicolás Maduro.

A página da Polícia Nacional Bolivariana (PNB) no Instagram passou a divulgar um cartaz, espalhado em todo o país, em tom ameaçador contra o mandatário brasileiro. “El que se meta con Venezuela – se seca”, diz a o cartaz em espanhol da polícia na ditadura Maduro equivalente à Polícia Federal brasileira. Algo como “quem mexe com a Venezuela se ferra”.

O cartaz da polícia política do ditador mostra foto de Lula com o rosto escurecido à frente de uma bandeira brasileira desfigurada.

“Nossa pátria é independente, livre e soberana. Não aceitamos chantagens de ninguém, não somos colônia de ninguém”, diz o cartaz.

A provocação venezuelana incluiu algo que parece um pedaço de carne ou presunto desidratado: “somos destinados a vencer”, avisa.

O cartaz foi feito no dia em que o embaixador foi convocado e ataques foram endereçados a Lula e Celso Amorim, notório bajulador de Maduro.

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Excelente notícia para começar a sexta-feira, véspera do final de semana.

O coice do ditador tirano da Venezuela foi uma tacada do cacete no descondenado banânico.

Tomara que ele responda!

Uma troca de tapas entre essa parelha repulsiva vai levantar o astral da banda decente da nossa sofrida América do Sul.

Vamos torcer pra que os dois expoentes da canhotice calhorda, a brasileira e a venezuelana, cheguem ao próximo ano trocando muitos tabefes e insultos.

DEU NO JORNAL

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

OS ÓCULOS

Toninho era um homem de quarenta anos, boêmio, poeta, namorador e escritor. Vivia apaixonado…Separado da mulher, tinha desistido de se amarrar novamente. Gostava de paixões violentas e aventuras amorosas complicadas.

Mulher casada safada, se fosse bonita e gostosa, era com ele mesmo. Bonitão e insinuante, era também devorador de livros. Um intelectual.

Nas suas andanças pelas portas dos comes e bebes dos bares da vida, conheceu Rosalinda, quando ela e o marido saboreavam um opíparo almoço, em um dos melhores restaurantes da cidade.

A mulher, loura, nova e bonita, dona de um corpo escultural, cravou-lhe os olhos verdes, e Toninho se sentiu fortemente atraído por ela. Flertaram descaradamente, e o marido, almoçando de cabeça baixa, nem ao menos percebeu a troca de olhares entre os dois. Em certo momento, aproveitando a ida do marido da beldade ao banheiro, o conquistador Toninho arranjou um jeito de passar pela mesa do casal. Discretamente, entregou à mulher o seu cartão de apresentação, com telefone e endereço. Ela o guardou imediatamente.

No dia seguinte, Rosalinda lhe telefonou e os dois combinaram um encontro. Tornaram-se amantes fervorosos, passando a frequentar motéis, sempre durante o dia, no horário em que o marido se encontrava no seu consultório.

O tempo passou, e o romance se estendeu por meses.

Muito coquete, Rosalinda traía o marido, desde o início de sua vida de casada. Ele, muito ingênuo, vivia para o trabalho. O homem levava mais chifres do que pano de toureiro. Suspeitava da traição da mulher, mas não queria acreditar, pois a amava loucamente. Era o chamado corno “cuscuz” (abafado).

Os amigos já haviam tentado alertá-lo para os boatos maldosos que circulavam na cidade, sobre a suposta infidelidade da sua mulher, mas ele cortava o assunto, dizendo que isso tudo era inveja, por causa da beleza dela. Não se cansava de dizer que ela era uma santa.

O casal não tinha filhos, pois a mulher dizia que, por enquanto, não queria deformar seu belo corpo.

Num certo dia, o marido viajou para um congresso da área odontológica, em Fortaleza (CE). Avisou à esposa que somente estaria de volta no domingo pela manhã.

Feliz da vida, Rosalinda deu o sinal verde para que, no sábado, o namorado viesse encontrá-la em seu próprio apartamento. A farra foi grande. Foi um início de tarde maravilhoso, e tinha tudo para ser inesquecível. Os dois amantes não se cansavam de trocar carinhos, e o encontro prometia superar os anteriores. O sabor do fruto proibido contribuiu para isso. Afinal, eles usavam a própria cama onde Rosalinda e o esposo dormiam.

Mas a vida apronta grandes surpresas…

O marido de Rosalinda, sem “aviso prévio”, e pensando em agradá-la, antecipou sua volta para o sábado.

Quando menos esperavam, os amantes, quase exaustos da maratona amorosa, foram surpreendidos pelo barulho do carro do dono da casa entrando na garagem.

Apavorados, pularam da cama. Toninho vestiu a cueca, agarrou a calça e a camisa nos braços, e pulou a janela do quarto, correndo para o apartamento do vizinho, seu velho e conhecido amigo. Como era sábado, a rua estava deserta. Por sorte, o amigo ouviu sua voz e mandou que entrasse. Dentro do apartamento do vizinho, Toninho terminou de se vestir e, bastante nervoso, já se preparava para ir embora, quando pôs no rosto os óculos que trazia nas mãos. Notou, então, que aqueles óculos não eram os seus. Estava sem enxergar absolutamente nada, pois usava um grau muito mais forte´, chamado “fundo de garrafa”.

A ficha, então, caiu!!! Ele trocara seus óculos pelos óculos do marido da amante!!!

Apelou, então, para o amigo, e insistiu para que ele fosse ao apartamento do dentista traído, efetuar a troca. Velho conhecedor das peripécias amorosas do poeta, mesmo vendo a sua aflição, o amigo recusou-se a atendê-lo. Naquela hora, isso seria coisa de louco! Seria humanamente impossível!!!

Rindo muito, disse para o poeta que ele criasse juízo. Não aprovava suas loucuras, nem iria arriscar sua vida, se envolvendo num caso sórdido e leviano.
De repente, o dentista traído bateu na janela do vizinho, trazendo nas mãos os óculos do poeta e pedindo pelo amor de Deus que ele devolvesse os seus. Tinha percebido que o traidor, seminu, entrara no apartamento do vizinho, carregado de pertences, e com certeza havia, por equívoco, deixado os seus óculos “fundo de garrafa” e levado os dele.”

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

ZÉ BENEDITO

Para Nonato

Zé Benedito era famoso em Codó. Bem apessoado, galanteador, cheio de mesuras e dado a fazer fosquinha para todo rabo de saia que visse pela frente. Enfim, era o abatedor-mor da cidade. Sempre dizia com sua voz galã das ribaltas que não importava o tipo de mulher, desde as novatas de ofício, passando pelas donzelas militantes, até mesmo aquelas com cara de jenipapo de gaveta que macaco brincou com ele.

– Seu compadre…. quem perdoa é Deus. Comigo, caiu na mira da lazarina, leva chumbo!

Emboramente fosse pândego nas artes do pega-embaixo-e-olha-praver-se-não-vem-gente, era bastante querido em Codó. Encantava pelo seu educativismo, pela fala macia igual dobradiça azeitada, prestativo, devocioneiro e respeitador de família. Contradição, mas são coisas dos ermos, de cidade em que até o bugre mais desecudado tem receio de entrar.

Pois, se mudou para a cidade a Izildinha. Galega charmosa, com seus avantajados, tanto na parte superior, quanto nas subalternas. O olho mofino de Zé Benedito foi encalhar justamente nessas partes subalternas, a ponto dele em comício de beiço de boteco, garantir aos amigos, em discurso que mais parecia despacho de desembargador, que aquela ali, já estava na alça de sua mira.

Para dar início aos seus ataques foi se apresentar à moça como manda as regras do galanteio. Nesse dia resolveu dar um arremate na sua pessoa. Correu na botica do Major Juju Bezerra, arrematou toda uma sociedade de sabonetes, um comício de pasta de dentes e quase toda a água de cheiro. Em casa, fez a barba, esfregou os dentes, tomou banho demorado e encharcou o sovaco com água de cheiro e foi cortejar a menina Izildinha.

Essa penitência de todas as sextas fazer o mesmo martírio levou seis meses, e a menina, apesar de ser suspeitosa, de receber visitas mofinas altas horas da noite, mais instigava Zé Benedito a solicitar em modos corteses, os fofinhos e escondidos da mocinha. A turma em que ele andava vivia mangando do coitado do Zé Benedito nessa labuta de ser obra de Santa Ingrácia, de nunca terminar.

Lá chega o dia e a moça cede aos seus encantos e galanteios. Zé Benedito saiu mais alegre que negro forro de cativeiro. Pra comemorar o acontecido que se assucederia na noite seguinte, chamou os amigos pra se gambá dos acontecimentos. E, nessa gambação mandou o bolicheiro descer cachaça, cerveja, licor, vermute, carne assada, frango de cabidela, torresmo, farofa, queijo coalho, azeitona, ovo de codorna em conserva, em comemorativo com os comparsas.

Dia aprazado, Zé Benedito mais elegante que um lorde, todo embonecrado da sola da botina até o chapéu, lenço avivado na água de cheiro, cabelo avaselinado, foi ao encontro da moça. Nem bem começou a armar o acampamento, sentiu uma fisgada na entrejunta do baço com o pâncreas, um bululu nas tripas e um arrepio que começou na carcunda e desceu até o dedo mindinho.

Todo sem graça, pediu licença e foi se despachar no reservado da moça. Bucho aliviado, foi ensaiar nova investida e novo movimento das entranhas. A mocinha, toda esperançosa, com cara de alma penitente pedindo uma ave maria, deitada estava, deitada ficou. Lá pela quarta chamada ao reservado, Zé Benedito pediu bandeira branca, desculpou-se, desarmou o acampamento e foi embora.

Três dias depois estava Izildinha na praça da cidade mais duas amigas suspeitosas também quando passa o Zé Benedito e dá um olá para as meninas e uma especial atenção à Izildinha.

– Nossa!, que pedaço de homem, obtemperou uma das amigas, reparando o olhar de Zé Benedito para a Izildinha.

– Ahã! Exclamou a moça. Me cantou durante seis meses só pra ir cagar lá em casa.

DEU NO JORNAL

O CORTE DE GASTOS VAI FICANDO PARA O DIA DE SÃO NUNCA

Editorial Gazeta do Povo

Fernando Haddad disse que não há data definida para anúncio de medidas de corte de gastos.

Fernando Haddad disse que não há data definida para anúncio de medidas de corte de gastos

A promessa: depois do segundo turno das eleições municipais, seria anunciado um pacote de corte de gastos que poderia economizar de R$ 30 bilhões a R$ 50 bilhões – o que ainda é pouco diante do crescente rombo fiscal brasileiro, mas já seria alguma coisa. A realidade: o pleito já acabou, os vencedores estão comemorando, os derrotados estão lamentando, e nem Deus sabe quando teremos algum corte de gastos neste país, de acordo com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Na terça-feira, Haddad disse a jornalistas que “não tem uma data [para o anúncio], ele [Lula] que vai definir”, limitando-se a acrescentar que “a gente está avançando a conversa, estamos falando muito com o [Ministério do] Planejamento também”. A fala do ministro, tido como um dos mais “fiscalmente responsáveis” do atual governo (o que dá uma ideia do tamanho do problema em que estamos metidos), fez disparar o dólar, que já havia rompido a marca dos R$ 5,70 no fim da semana passada, e agora se aproxima dos R$ 5,80, empurrado também por outros fatores, como a possibilidade de uma vitória de Donald Trump na eleição presidencial norte-americana, no início de novembro.

Qualquer bom observador da forma como o governo Lula lida com as contas públicas já tinha motivos mais que suficientes para duvidar da promessa de Haddad e da ministra do Planejamento, Simone Tebet. A hesitação e o lançamento de sucessivos balões de ensaio dava a entender que, mesmo estando prestes a completar dois anos de mandato, o governo não tem a menor ideia do que pretende fazer além do bastante óbvio combate aos supersalários no setor público. E, ainda assim, um estudo de um think tank liberal mostra que o projeto de lei contra os supersalários no qual o governo aposta suas fichas mantém nada menos que 32 penduricalhos, o que dificultará a alardeada economia de R$ 5 bilhões.

Com Haddad queimado pelas falas de terça-feira, coube ao ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, tentar fazer o papel de bombeiro. Em entrevista na quarta-feira, ele prometeu que “o presidente Lula vai fazer os ajustes necessários para manter o crescimento do país, assegurar investimentos e cumprir o arcabouço fiscal, enquadrando as despesas dentro das regras da meta fiscal”. Acredita quem quiser: o mercado financeiro não acreditou, e o dólar continuou a subir, por um motivo muito simples: quem tem de bater o martelo sobre o corte de gastos é o mesmo Lula que, sempre que pode, minimiza a necessidade de ajustes fiscais e classifica toda despesa como “investimento” que tem de ser preservado.

Se o passado ajuda de alguma forma a prever o futuro, o mais provável é que tenhamos cortes inócuos, ou que mais despesas sejam colocadas para fora das regras de cálculo do arcabouço fiscal, que será cumprido no papel, ainda que o déficit primário real seja muito maior que o anunciado pelo governo. A alternativa é ainda pior: que, escaldado pelos resultados medíocres nas eleições municipais, o petismo pise ainda mais fundo no acelerador dos gastos, “fazendo o diabo” – como diria Dilma Rousseff, também autora do “gasto é vida” que norteia o atual governo – para não perder em 2026, mesmo que isso destrua de vez qualquer tentativa de controle da inflação, um dos primeiros indicadores a sair do controle quando a responsabilidade fiscal é sacrificada.

Na semana passada, em Washington, Haddad fez pouco das estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI) para a trajetória da dívida pública brasileira, com salto dos atuais 87,6% do PIB para 97,6% em 2029. “Não acredito nessa trajetória. Se você está descrevendo o que está no documento, eu não acredito que ela vá acontecer”, disse o ministro. Evidentemente, Haddad demonstra fé na capacidade de conter a dívida; mas, da forma como o governo vem conduzindo a questão fiscal, realmente é bem possível que as previsões do FMI não se concretizem, embora da forma oposta à esperada pelo ministro: um Brasil em caos fiscal tem tudo para chegar aos 97,6% de relação dívida/PIB bem antes de 2029.

PENINHA - DICA MUSICAL