DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

HISTÓRIA E FARSA

Getúlio Vargas deu golpe de Estado em 1937

Foto colorizada artificialmente mostra o ditador Getúlio Vargas (ao centro, na fileira da frente) durante comemorações dos 50 anos da proclamação da República, em 1939

A história do Brasil se encaixa bem no pensamento de Marx, segundo o qual, quando uma tragédia histórica se repete, vem como farsa. Novembro nos faz lembrar tempos do caudilho Vargas. Em 1935, o levante comunista que começou em 23 de novembro, em Natal, continuou no Recife no dia seguinte e eclodiu no Rio de Janeiro no dia 27, ensejou que já em 26 de novembro Getúlio decretasse estado de sítio, dando mais poderes ao Estado brasileiro para que Vargas pegasse não apenas os comunistas, mas também os demais adversários. Em 1937, também em novembro, Getúlio ganhou outro pretexto para dar outro golpe. Usou um documento, um estudo, de autoria do capitão Olympio Moura Filho, sobre uma hipótese de insurreição popular, que passou a ser chamado de “Plano Cohen” – um judeu-comunista fictício. Getúlio cercou e fechou o Congresso; decretou o Estado Novo, pondo interventores nos estados (menos Minas Gerais); e passou a governar sozinho, por decretos-leis.

Até na pátria-mãe novembro teve tentativa de golpe comunista. No dia 25, em 1975, um grupo de oficiais da Polícia do Exército e Cavalaria, com paraquedistas, ocupou quartéis; capitães barbudos como Fidel transmitiram manifestos por emissoras de rádio, mas o Regimento de Comandos agiu a tempo e, no mesmo dia, mesmo com a morte de três dos seus, afagou o movimento e pôs fim ao período revolucionário que começou no 25 de Abril e ensejou o enquadramento de Portugal num Estado Democrático de Direito.

Neste novembro vivemos de sobressaltos numa repetição de histórias que viram narrativas terminadas em farsas. Governantes usam isso para se impor e eliminar adversários ou lideranças consideradas perigosas. A história mostra como Getúlio procurou unir o país em torno de si, com o pretexto de ameaças à democracia; o general Galtieri invadiu as Malvinas para tentar unificar o povo argentino em torno de sua ditadura; Maduro “anexou” parte da Guiana ainda apenas no mapa. E agora dizem que Lula se prepara para anunciar que, diante da trama golpista, ele é a solução democrática.

A conversa entre militares não chega a ser um planejamento, e muito menos execução de planos. E confessam que esperavam uma ação que o presidente não adotou. Mas forneceram munição para quem quer anular Bolsonaro, um líder que a história contemporânea demonstra que cresce quando é atacado. A facada, que foi cogitada, planejada e executada, foi um golpe que não se consumou, porque não o matou. Mas foi tão extremo que o elegeu. Ele não se reelegeu, foi feito inelegível, e está em curso mais uma ação contra ele. São repetições sucessivas da mesma história. Como Marx qualificaria essa insistência?

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A PALAVRA DO EDITOR

NOVO ACADÊMICO

Anteontem, domingo, 24 de novembro, meu querido amigo Jessier Quirino, grande nome de cultura nordestina e colunista desta gazeta, tomou posse como o novo integrante da Academia de Letras de Campina Grande, a cidade paraibana onde ele nasceu.

Parabéns, meu Poeta!

Você é um cabra arretado e merece brilhar muito.

Que você faça mais sucesso ainda!!!

jessier quirino

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LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

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ALEXANDRE GARCIA

PRODUTORES DE FRANGO ADEREM AO BOICOTE AO CARREFOUR

Boicote ao Carrefour

Frigoríficos decidiram suspender entrega de carnes às redes Carrefour, Atacadão e Sam’s Club

O ministro da Agricultura do Brasil informou que o tal boicote dos produtores brasileiros ao Carrefour inclui também a carne de frango. Não é muita coisa, mas é simbólico, porque os franceses disseram que não comprariam mais carne brasileira por falta de qualidade sanitária, o que é uma grande mentira. É protecionismo: eles não sabem o que fazer, pressionados que estão pelos agricultores franceses, que não têm a mesma produtividade da agricultura, da pecuária e da avicultura brasileira, e estão até jogando estrume em repartições públicas.

O Carrefour está pagando caro por esse anúncio de boicote à carne brasileira – não só brasileira, mas de todo o Mercosul. O Brasil está respondendo, como eu já mostrei, com federações de hotéis e restaurantes deixando de comprar nas lojas do Carrefour e nas outras duas marcas que pertencem à rede, com mais de 500 lojas pelo país.

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Escândalo da venda de sentenças está cada vez maior

A história da venda de sentenças está crescendo. Um juiz não tem de ser apenas isento no tratamento de um processo; deve estar acima de qualquer suspeita. E a suspeita recai sobre um grande número de juízes e desembargadores de São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins e Maranhão. São exatamente 23 magistrados, sendo 16 desembargadores e sete juízes. Seis já estão usando tornozeleira, um está preso. Há quatro servidores do Superior Tribunal de Justiça envolvidos, e deve haver mais gente, porque essas coisas não se resolvem diretamente no tribunal ou no fórum, e sim em algum escritório de advocacia ligado a determinado magistrado, para ele não ter linha direta com o recebimento da vantagem por uma sentença favorável.

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Excessos do Supremo estão nos maiores jornais do Brasil e dos EUA 

Um dos principais jornais do país, O Estado de S.Paulo, no seu principal editorial de segunda-feira, afirmou que Alexandre de Moraes não pode seguir atuando como vítima, delegado, promotor e juiz ao mesmo tempo, e deveria declarar-se impedido. O pior de tudo é que isso já saiu no New York Times deste domingo. Uma reportagem mostrou que o Supremo desmontou a Lava Jato, a maior operação anticorrupção do mundo. Saiu foto de Dias Toffoli dizendo que ele trabalhava para o PT e para Lula, e agora ajudou a soltar a Lula, deixando-o ficha limpa e permitindo que ele fosse candidato. Mesmo condenado em três instâncias, Lula foi descondenado. Nove juízes em três instâncias confirmaram a sentença. Mas inverteu-se tudo isso: em vez de punirem os corruptores, foram punidos o juiz Sergio Moro e o promotor Deltan Dallagnol. Isso apesar das pessoas que devolveram o dinheiro roubado, que confirmaram tudo em depoimento. Mas está anulado, e está lá no New York Times a anulação das provas e das condenações.

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STF tem maioria para manter símbolos religiosos em prédios públicos 

Já há maioria no Supremo para manter imagens religiosas em repartições públicas de todos os poderes, de todos os níveis. O Ministério Público queria proibir as imagens sob a alegação de que a Constituição diz que o Estado é laico. Estado laico significa que o Estado não tem religião. Mas o relator, Cristiano Zanin, disse que se trata de símbolos da tradição cristã brasileira, que tais símbolos estão ornando e lembrando essas tradições nas repartições. Ou seja, a tentativa do MP será arquivada.