LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

O MUNDO DO SERTÃO – Ariano Suassuna

Diante de mim, as malhas amarelas
do mundo, Onça castanha e destemida.
No campo rubro, a Asma azul da vida
à cruz do Azul, o Mal se desmantela.

Mas a Prata sem sol destas moedas
perturba a Cruz e as Rosas mal perdidas;
e a Marca negra esquerda inesquecida
corta a Prata das folhas e fivelas.

E enquanto o Fogo clama a Pedra rija,
que até o fim, serei desnorteado,
que até no Pardo o cego desespera,

o Cavalo castanho, na cornija,
tenha alçar-se, nas asas, ao Sagrado,
ladrando entre as Esfinges e a Pantera.

Ariano Vilar Suassuna, João Pessoa-PB (1927-2014)

DEU NO JORNAL

DEU NO JORNAL

REFLEXÃO DO MENTIROSO

“Fico pensando: aonde Flávio Dino será melhor ao Brasil? Na Suprema Corte ou no Ministério da Justiça?”, refletiu Lula diante de jornalistas.

Se pensar muito, periga deixar o fiel escudeiro desempregado.

* * *

Eu acho que é o contrário do que está dito na nota aí de cima.

Se o Ladrão Descondenado pensar muito, não vai deixar o fiel escudeiro desempregado de modo algum.

Ele irá se lembrar da frase “Missão dada, missão cumprida” e vai nomear o buchudo pra supremosa corte sem qualquer hesitação.

DEU NO X

XICO COM X, BIZERRA COM I

REZAS E ORAÇÕES

Há várias formas de dizer as rezas, embora a forma não importe tanto. Quando pequeno, minha mãe rezava comigo uma oração para o Santo Anjo do Senhor. Toda noite. Depois, aprendi e sabia de cor o Credo e o Salve-Rainha. Hoje, mal lembro da Ave-Maria, a tradicional, a do ‘cheia de graça’. Rezo diferente. Rezo para meu santo amado, aquele que atende por Francisco de Assis, meu anjo protetor, meu zelozo guardador. Que me perdoem todos os Deuses, os Abraâmicos, os Orientais e os dos terreiros de Candomblé: rezo do jeito que acho correto, na linguagem da natureza, como fazem os passarinhos: com certeza eles conversam entre si sobre a natureza, de como preservá-la, de como torná-la o habitat ideal para si e para o bicho homem … eles, os passarinhos, se entendem, rezam por nós, diferentemente dos que promovem matanças e guerras. Francisco, meio mouco, talvez por isso não atenda ao meu clamor e deixe que os fuzis proliferem, inibindo os jardins. Ou, quem sabe?, ande muito atarefado com a quantidade de pedidos a ele dirigidos. Mas certamente o mundo seria melhor fôssemos todos passarinhos, se só existissem jardins, cantos e rezas ao modo deles, pela paz e preservação do lugar em que vivemos, nós e eles. Como são inteligentes os pássaros.

* * *

Todos os Livros e a maioria dos Discos de autoria de XICO BIZERRA estão à disposição para compra através do email xicobizerra@gmail.com. Quem preferir, grande parte dos CDs está disponível nas plataformas digitais. 

Nossos CDs estão nas plataformas virtuais e, em formato físico, na Loja Passadisco do Recife.

PENINHA - DICA MUSICAL

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

PAREM O MUNDO…. EU QUERO DESCER!

Pindorama, 25 de setembro de 466 d.S (depois de Sardinha). Essa semana que passou este caeté velho quase que encantou-se, ou quase foi conversar direto com Tupã, mas consegui afastar a urucubaca com uma boa pajelança e muito remédio de carniceiro (o popular médico na língua umbandista). Mas, mesmo estando igual a cachaço, sendo preparado para o natal – minha vida se resumia a comer e dormir, dormir e comer, além de fazer exames e fisioterapia -, não deixei de acompanhar as notícias da taba, e, confesso, eu acho que peguei o planeta errado, no ponto em que subi. Li e ouvi cada coisa que quero compartilhar a minha visão de caeté velho, aqui ao lado do fogo, enquanto lambo os beiços, esperando o acém do Sardinha ser assado.

A primeira notícia que se me chocou veio no zapzap da minha confraria, o Cabaré do Berto, postado pelo nosso sacrossanto papa e proprietário do dito cabaré, Luiz Berto Filho. A notícia, lá da querida Paraíba dizia que foi sancionada a lei da “Dignidade Menstrual”… What??? Como diria o gringo! Mas que porra é essa? Vamos por parte, caros curumins caetés. A notícia vai além. Segundo o governo daquele estado, agora meninas, mulheres e HOMENS trans poderão ter acesso “de grátis” a absorventes, coletores menstruais e calcinhas absorventes. Confesso que achei ser pabulagem de Berto. Fui conferir, e, não! Não era muganga, não! É verdade. Mas, o que mais me chocou na notícia foi essa história de homens trans menstruarem.

Novamente, meu caro curumim. Calma que o acém ainda não está pronto. Perguntei de mim, para comigo mesmo. Como assim, homens menstruarem? Ainda que um Tupinambá, um Nhambiquara, um Potiguara, ou até mesmo um Goyá possa vir chamar este caeté de retrógrado, obtuso, canhestro, e qualquer outro adjetivo que valha, que eu saiba, dos meus estudos, desde que o primeiro ser humano surgiu neste planeta, ainda balangando em galho de árvore, a menstruação é um fenômeno exclusivo, restrito e único das mulheres. E aí, chegamos à seguinte conclusão: por mais que o politicamente correto tente enfiar goela abaixo da indiaiada nacional de que existem “trocentos” gêneros, um simples fenômeno biológico coloca tudo nos seus devidos lugares. Até que haja alguém capaz de produzir uma panaceia em que homem, aquele que possui o XY no vigésimo terceiro par cromossômico, possa menstruar, até o momento esse será um fenômeno exclusivo das MULHERES. O resto, é só gambiarra politicamente burra.

A segunda notícia absurda veio pelos canais comuns que todo bugre nacional tem: o celular. Nele li a notícia sobre a demissão do GRANDE jornalista Alexandre Garcia da rede CNN – Cable News Network em língua imperialista, para agradar nossos luminares pogreçistas de Pindorama -. Adiante, li, também a justificativa da CNN para a demissão do jornalista. Nela, se dizia que o jornalista foi demitido por estar defendendo um tratamento que não tem “comprovação científica de sua eficácia” no combate à covid-19. Isto porque o jornalista testemunha que ele se utilizou dessa medicação e se curou quando contraiu o vírus. Aliás, acompanho o Alexandre Garcia na sua coluna, e ele sempre disse isso, que, contraiu o vírus, tomou o coquetel com hidroxocloroquina, azitromicina e dois dias depois, nem ranho nas bochechas tinha.

Mas, como em Pindorama tudo aquilo que está ruim pode ficar pior, a CNN, no parágrafo abaixo reitera seu compromisso jornalístico dizendo que é uma rede aberta para todas as “opiniões”, visões e crenças, as mais variadas, e que se pauta pela diversidade pelo respeito à livre manifestação de ideias e pensamentos. Como assim, meu senhor? Esse parágrafo não faz o menor sentido, não tem nenhuma lógica. É o famoso “samba do afrodescendente doido”, para ser politicamente correto. Os analfabetos que escreveram essa insanidade, ou foram alunos da Faculdade Dilma Rousseff de Língua Portuguesa, ou foram alfabetizados pelo método Paulo Freire. Isto porque em um parágrafo dizem respeitar, estar aberto e acatar as mais diversas opiniões, ao mesmo tempo em que demite um profissional que ousou expressar suas opiniões, que, em suma, são divergentes da redação dessa rede de TV.

Aí, meu caro, não dá. Ou é uma coisa, ou outra. Não dá para assobiar e chupar cana, colhendo a dita cuja num limoeiro. Ou é uma rede que aceita o contraditório, ou não é. Ficar jogando essa lorota para cima do público não cola. Não dá! Ou os analfabetos da redação da CNN acreditam que o cidadão brasileiro não sabe juntar B+A? Antes a rede tivesse demitido e ficasse calada. Sairia barato. Quando ela tentou se explicar, esmerdalhou tudo. Foi o famoso fazer o tolete, sentar e esfregar, para ficar bem sujo. Minha mãe dizia… a emenda saiu pior que o soneto.

O terceiro ponto, e esse, eu confesso, me arrepiou os “cuelhos”, foi assistir a uma palestra do ministro do stf – assim mesmo com minúscula, para homenagear o gigantismo dos iluministros daquela corte -, Luiz Roberto Barroso, o popular Lulu Boca de Veludo, como diz Bob Jeff, na Associação Brasileira de Imprensa, a ABI, entidade centenária, gloriosa na luta pela liberdade de opinião e liberdade de imprensa, falando sobre combater as mentiras – fake news na linguagem politicamente correta -, aventando para isso a necessidade do Estado agir para coibir, restringir e eliminar essas notícias falsas.

A barbaridade da fala do ministro associava-se à barbaridade com que os membros da ABI, não somente aprovavam aquela fala, como se colocava no mesmo patamar de ação do iluministro. Meu senhor, o nome disso que o senhor prega e que a ABI concorda é CENSURA! Só isso. Não cabe ao estado esse papel. O brasileiro não é um ininputável, ou mesmo um idiota – no conceito estabelecido pelo Código Civil -. Ele sabe escolher o que quer consumir, ou não. A melhor arma contra as ditas fake news é o controle do cidadão nas suas redes sociais, no seu celular, na sua televisão, ou no seu radinho de pilha. O que passa disso é sanha autoritária de candidato a protoditador.

Uma barbaridade dessas sair da boca de Lulu eu não me admiro. O que me admira é ver a ABI, uma entidade que um dia foi presidida por Barbosa Lima Sobrinho, abaixar as calças e preparar a vaselina para que um ditador qualquer atoche-lhe a trolha do “cale a boca”. Isso não somente me assusta, mas causa-me calafrios ainda que eu esteja à beira da fogueira. Hoje, essa sanha de censura está calando as ovelhas rebeldes. E, o que acontecerá amanha, quando todas as ovelhas rebeldes estiverem caladas? Então saberemos que a entidade que um dia se debateu contra o cala boca oficial, na atualidade está ajudando a construir a masmorra onde ela mesma passará trancada o resto de seus dias.

Em torno de toda essa lambança que li e ouvi, enquanto era paparicado por todo tipo de enfermeiras, algumas com um par de platibandas, que só de olhar revigorava qualquer pingolin já jubilado e em aposentadoria compulsória, fui reparando que, nalgum ponto qualquer da vida, eu peguei o planeta errado em alguma curva senvergonhista. Misturei assunto de dico voador, com casamento e escravidão e olha no que deu. Ah.. espere um minuto. Motorista!!!!! Pare o planeta…. eu quero descer!!!!!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF

O PODER CURATIVO DAS ÁGUAS DO MAR 

Não faz muito a minha saúde topou com um embaraço medonho, a bem dizer, um desânimo, uma malemolência, uma prostração de forças. Justo eu, inquieto feito folha seca.

Então, para desenfadar-me desse incômodo, deliberei procurar um médico a quem apresentei as minhas preocupantes queixas. Depois dos exames radiográficos, auscultações e perquirições cabidas, o médico atestou que sobre o meu espinhaço encontravam-se arranchados dois invasores perigosos, digamos, duas marmotas pavorosas. Uma delas, disse-me o médico:

— Por ser minha velha conhecida será por mim despejada, a pulso. Com ela sei muito bem manivelar.

A outra, o médico declarou-se incompetente para promover o despejo. Todavia, fez o favor de apontar dois caminhos, em um dos quais, presumivelmente, eu encontraria uma luz de salvação. O primeiro caminho seria para eu agendar uma consulta com o “Bita do Barão”, macumbeiro de José Sarnei. Evidentemente, rejeitei, de pronto, essa possibilidade. É que sou de pouca fé aos poderes divinatórios dessas entidades macumbistas. Já basta o depósito de crendice de que é feito o Brasil. O segundo caminho seria para eu procurar as águas do mar e nelas submergir por trinta e três vezes, em mergulhos demorados. Ao final de cada mergulho eu deveria pronunciar, de modo altissonante: louvado seja nosso senhor Jesus Cristo. Ao cabo dos trinta e três mergulhos, então eu passaria a última costura dizendo: para sempre seja louvado. Assim o fiz. Peguei o distante caminho do mar e procedi conforme prescrição médica.

Concluída a tarefa os resultados foram surpreendentemente favoráveis. De dentro de mim começou a brotar um ânimo inflamado, uma vida animosa, uma intrepidez sem parelha. Enfim, a prostração desapareceu, restabeleceu-se o estilo de quando eu vivia animosamente. Mas esse assomo de disposição já está me custando o apelido de cabrito. É que, de raro em raro, me vejo cabriolando maquinalmente, aos moldes de cabrito.

Viva o poder curativo das águas do mar! E viva também, por uma questão de justiça, o substancioso cardápio à base de frutos do mar. Esse cardápio é tão substancioso, e saboroso, que até dar vontade de juntar as sobras, meter no alforje e levar para casa.