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LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

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A PALAVRA DO EDITOR

DOMINGO BONITO

Amanheceu um dia lindo.

Um domingo esplendoroso e de muito sol nesta querida Recife.

Hoje Chupicleide vai passar o dia na Praia do Buraco da Veia, lá no bairro do Pina, enchendo a cara e dando bola pros machos.

Ontem fez um vale de adiantamento de salário e levou dinheiro  suficiente pra tomar um bom porre.

Ela manda um grande abraço pra todos os leitores desta gazeta escrota e um xêro especial pros fubânicos Fernando GE, Welinton F, Violante Pimentel, Maurício AF, Áurea Regina, Cassio Ornelas, Luiz Francisco, José Claudino, SOP-VIVENDAS.

Pra completar o desmantelo, a safada passou o dia falando de um sujeito que conheceu numa barraca lá na Praia do Pina, dizendo o cabra era “de dar água na boca“, e cantando baixinho a música de Nando Cordel com esse título.

Ô sujeitinha inxirida que só a peste!!!

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JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

ÁGUA DE BEBER

Cacimba cavada no leito do rio

“Eu quis amar, mas tive medo
E quis salvar meu coração
Mas o amor sabe um segredo
O medo pode matar o seu coração

Água de beber
Água de beber, camará
Água de beber
Água de beber, camará”

Tom Jobim

Onze horas e alguns minutos. O sertanejo para a carpina, tira o chapéu da cabeça e, como poucos sábios, mas com muito esforço olha para o sol, diz: já é mais de 11 horas! Vou beber um pouco d´água para aliviar a fome.

Alguns diriam que seria para aliviar a sede, mas, no caso de Seu Chico, é para aliviar a fome mesmo!

Por anos muitos tinham realmente “apenas a água” para beber e matar a fome. Eis que a Natureza com o seu entendimento, tirou até a água. Mas Deus, bom e justo, apontou o caminho: tal qual orientou Moisés à atravessar as agruras e as adversidades e caminhar até o Monte Sinai, apontou para o homem de Fé, a Serra da Canastra, onde está entre pedras, a nascente do São Francisco.

Homens sem Fé resolveram acreditar no “bezerro de ouro”, largaram seus pertences, seus animais e até a sua pouca Fé, e partiram em êxodo para o nada.

Anos se passaram. O sofrimento cresceu, vidas desapareceram e, finalmente o dia da redenção chegou. A transposição não apenas da água do rio, mas a recuperação da vida, do verde que permite semear e produzir o alimento.

Enfim, a água. A vida e o restabelecimento da Fé.

Seu Chico sentou à sombra da catingueira. Pegou a cabaça e sorveu o alimento líquido. Saciou a fome espiritual e voltou à carpina, quando olhou para o sol mais uma vez, e vaticinou: meio dia!

Pote de barro – a geladeira de muitos

Faz tempo que a água é o principal “alimento” de muitos que nasceram e viveram no eixo que beira e dependem do São Francisco e da sua milagrosa água. Outros, dito acima, não se mantiveram em Fé e partiram.

Mas… e a água de beber, quando o milagre franciscano estava distante?

De onde saía?

Os poucos rios existentes, aos poucos foram secando e desaparecendo. Sem água, animais e humanos e a própria agricultura não viviam nem frutificavam.

Água de beber, camará?

Brasil, país excêntrico. Difícil de entender. Desperdício abusivo e incontrolável da água – que, para muitos ainda é o principal alimento.

Aqui, falta água de beber. Ali, lava-se carros, calçadas, ruas.

Água de beber, camará!

Foto 3 – Cabaça ainda é o cantil de muitos