DEU NO X

DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

DEUS – Casimiro José Marques de Abreu

Eu me lembro! Eu me lembro! – Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia
E, erguendo o dorso altivo, sacudia
A branca escuma para o céu sereno.

E eu disse a minha mãe nesse momento:
“Que dura orquestra! Que furor insano!
“Que pode haver maior do que o oceano,
“Ou que seja mais forte do que o vento?!” –

Minha mãe a sorrir olhou p’r’os céus
E respondeu: – “Um Ser que nós não vemos
“É maior do que o mar que nós tememos,
“Mais forte que o tufão! Meu filho, é Deus!

Casimiro José Marques de Abreu, Barra de São João-RJ (1839-1860)

A PALAVRA DO EDITOR

O COMERCIAL DO EDITOR !

O ROMANCE DA BESTA FUBANA

Ganhou dois prêmios de Melhor Livro do Ano:

Prêmio Literário Nacional – Instituto Nacional do Livro/MEC
Prêmio Guararapes – União Brasileira de Escritores

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JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

SEU MANOEL

Aqui em Itabaiana tem um andarilho de rua meio tantã do juízo que anda fardado.

Só que é calado feito um peixe.

Fiz uma foto dele.

É Seu Manoel.

Sabe-se que cumpriu uma pena em presídio e depois passou a viver desse jeito.

Só faz andar com um cachorro.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

SÓ EM BANÂNIA MESMO

No País onde ministros do governo e outros figurões abusam de jatinhos da FAB, como a ministra deslumbrada Anielle Franco (Igualdade Racial), que se utilizou da mordomia para viajar de Brasília para São Paulo a fim torcer pelo Flamengo, um servidor de carreira cuja morte foi sentenciada pelo PCC não dispõe do mesmo privilégio.

Em suas viagens, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, utiliza voos comerciais, mesmo cercado de forte esquema de segurança.

Condenado à morte pelo “tribunal” do “PCC”, há mais de dez anos, Gakiya e familiares vivem sob a tensão de iminente ataque criminoso.

Com traficantes sendo soltos e foragidos recuperando “bens” apreendidos, Gakiya jogou a toalha: deixará o País tão logo se aposente.

Neste ano, autoridades fizeram 1624 viagens em jatos da FAB.

Só Flávio Dino (Justiça) fez 75, incluindo sua ida a Salvador, nesta quarta (4).

Promotor de Justiça Lincoln Garkiya, do Ministério Público Estadual de São Paulo

* * *

Isso é escritinho a cara desta nossa republiqueta banânica 2023.

Cagado e cuspido.

É prar arrombar a tabaca de Xolinha!!!

DEU NO X

DEU NO JORNAL

ALEXANDRE GARCIA

O QUE FIZERAM DA CONSTITUIÇÃO, 35 ANOS DEPOIS

Ulysses Guimarães (ao centro), no dia da promulgação da Constituição de 1988.

Ulysses Guimarães (ao centro), no dia da promulgação da Constituição de 1988

Nesta quinta-feira a Constituição do Brasil, a nossa lei maior, que rege o equilíbrio, os direitos, as liberdades, está fazendo 35 anos. Foi em 5 de outubro de 1988 que o Doutor Ulysses, diante dos presidentes da República e do Supremo, ergueu a Constituição e disse que essa era a carta da liberdade, da dignidade, da democracia.

Eu abro um parênteses para perguntar onde é que fica a dignidade daqueles brasileiros que há décadas ocupam, lá em São Félix do Xingu, uma terra que dizem que é (ou não) terra indígena, Apytereua, e estão sendo desalojados com tudo: criação, roça, casa. A dignidade deles foi atingida. Eles alegam que não havia índios, que inventaram uma terra indígena com laudo antropológico, assim como aconteceu com outras terras indígenas. Essa é uma outra questão; eu queria era falar de dignidade, de tratar o brasileiro com dignidade, como recomenda o Doutor Ulysses.

* * *

Maníaco do Parque solto, réus do 8 de janeiro condenados sem provas

O novo presidente do Supremo, ministro Luís Roberto Barroso, tem por prioridade a situação dos presídios. Vejo aqui números do Conselho Nacional de Justiça: só neste ano já foram soltos 21 mil apenados. Em Mato Grosso do Sul, a Polícia Civil prendeu o Maníaco do Parque, que estava cumprindo pena em regime aberto. Ele havia sido condenado por ataques a dez mulheres no Parque das Nações Indígenas. Até agora, nesses dois anos de regime aberto, ele atacou no mínimo cinco mulheres. Uma delas conseguiu fugir.

Enquanto isso, o Supremo está condenando a penas pesadíssimas as pessoas que estavam na manifestação, que invadiram os palácios, outas que nem invadiram, as pessoas que quebraram, mas também as que não quebraram nada. Não têm provas, não individualizaram a conduta. Já que a Constituição está fazendo 35 anos, eu diria que faz 35 anos que está em vigor a cláusula pétrea da Constituição que, num trecho, o inciso XXXVII, diz: “Não haverá juízo ou tribunal de exceção”. E também o inciso LIII, que diz: “ninguém será processado, nem sentenciado, se não pela autoridade competente”.

Qual é a autoridade competente? O juiz natural. O que é o juiz natural? Um exemplo: numa comarca do interior, a casa do juiz foi invadida por vândalos. Os vândalos quebraram a cadeira do juiz, jogaram os móveis no chão, quebraram pratos, estragaram quadros do juiz. E foram presos. O juiz da comarca seria o juiz natural para julgar este caso? Vocês dirão “claro que não”, porque ele é parte, ele é a vítima. Por isso não pode julgar. Mas essa questão está bem aí diante de nós. O Supremo é a última instância; quem já vai julgado na última instância não tem mais a quem recorrer. Temos de pensar nisso tudo, pois a Constituição precisa ser cumprida; se a Constituição não for cumprida, as leis menores vão passar como uma boiada, porque a porteira estará aberta.

Queria encerrar repetindo uma frase que todos conhecem, do Doutor Ulysses: “Traidor da Constituição é traidor da pátria. Conhecemos o caminho maldito. Rasgar a Constituição, trancar as portas do parlamento, garrotear a liberdade, mandar os patriotas para a cadeia, o exílio e o cemitério”. Foi o Doutor Ulysses quem disse isso, no dia 5 de outubro de 1988.