ALEXANDRE GARCIA

INVASÃO DE TERRA TEM DE SER TRATADA COMO O QUE É: CRIME

Sem-terras conversam com policiais militares durante invasão de fazenda em Ponta Grossa (PR), em 2010.

Sem-terras conversam com policiais militares durante invasão de fazenda em Ponta Grossa (PR), em 2010

O governador do Mato Grosso está dando um exemplo a outros governadores para garantir uma cláusula pétrea da Constituição, o direito à propriedade. O caput do artigo 5.º elenca os direitos e coloca a vida e a propriedade no mesmo nível, até na mesma linha. O governador Mauro Mendes Ferreira, tendo ao seu lado o secretário de Segurança, disse o seguinte: “não ousem invadir propriedade alheia aqui no Mato Grosso. Dei ordem ao secretário de Segurança para aplicar tolerância zero para esse crime”.

E é mesmo um crime invadir propriedade alheia. Tanto é assim que eu acho muito estranho que no sul da Bahia, onde agora houve essa invasão da Suzano, o governo estimule a negociação. Imagine você: alguém invade a sua casa, contra a sua vontade, claro, e você ainda tem que negociar? Vai negociar o quê? Está certo o governador de Mato Grosso, e tomara que esse exemplo se espalhe para outros governadores.

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Mais uma prova de que o crime compensa no Brasil

São coisas incríveis que acontecem aqui no Brasil. Nesta quinta, o deputado Osmar Terra, do MDB, denunciou, na tribuna da Câmara, o assassinato de uma amiga: uma senhora de 63 anos que veio da Rússia pra acompanhar o marido, padre da Igreja Ortodoxa Russa. Ela estava em Porto Alegre, na parada de ônibus, e um condenado, que havia saído na “saidinha de Natal”, puxou a bolsa dela; ela agarrou a bolsa com força e ele a esfaqueou até matá-la. Como foi com faca, não sei se o pessoal lá do desarmamento vai ficar preocupado em ter de registrar facas agora, quantas facas cada um tem na cozinha… A senhora está morta, aos 63 anos, e o deputado mostrou sua foto na Câmara. E Terra sugeriu que, em vez de “saidinha de Natal”, fizéssemos como o presidente de El Salvador, que construiu uma prisão gigantesca para tirar de circulação todos os condenados, todos os assassinos, todos os criminosos, todos os assaltantes, todos os ladrões. E El Salvador passou vários dias sem homicídios depois que ele fez isso.

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Esquerda persegue diretor de escola porque não admite que pensem diferente

Certas filosofias e ideologias estão se impondo aqui no Brasil por medo do outro lado. Vejam esse caso em Jacutinga, um minúsculo município na região de Erechim (RS): Flávio Luís Gabardo, que é diretor de uma escola há 20 anos, leu num programa de rádio um trecho de uma reportagem da revista Oeste, que analisava os resultados das eleições. Dizia que Lula venceu por causa dos eleitores do Norte e Nordeste, que Bolsonaro teve voto no Sul e Sudeste; e aí já disseram que o professor estava expressando ideias racistas, quando ele estava apenas lendo a reportagem. O presidente do PT local fez um barulho danado e não é que o diretor, que estava no cargo havia 20 anos, foi afastado da direção? Não pode mais entrar na escola! Eles, da esquerda, não suportam o diálogo, não suportam que haja uma ideia diferente, posições diferentes. Porque a ideologia pressupõe sempre uma ditadura: onde quer que ela tenha sido aplicada, vira ditadura, porque só se aceita um partido, só se aceita uma ideia, não se aceita que outros divirjam. E então ocorrem injustiças como essa, com esse professor. Jacutinga tem 1,4 mil habitantes, praticamente a metade assinou uma moção de apoio ao diretor da escola, mas não sei se vai adiantar alguma coisa.

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Geração de empregos em janeiro mostra insegurança do empregador

Estou preocupado com os empregos de janeiro. Foram exatamente metade do que um ano atrás. No último janeiro de Bolsonaro foram abertas 167,3 mil novas vagas; no primeiro janeiro de Lula, 83,3 mil – praticamente metade, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados. Isso é um sinal de que há uma preocupação muito séria com a estabilidade jurídica desse país e o respeito às leis, a estabilidade das medidas governamentais que estão sendo revogadas, alteradas, simplesmente porque foram feitas pelo outro governo.

COMENTÁRIO DO LEITOR

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

A BOÊMIA DE JACARECICA

Surfando no mar de Jacarecica

Jacarecica nome indígena composto da junção de yacaré + icica, ou seja, a baba do jacaré. É um bairro localizado da orla norte da bela cidade de Maceió. A praia de tem águas limpas com ondas altas, excelente para prática de surf. Destaca-se a Avenida Litorânea com bares servindo um bom peixe, cerveja gelada, água de coco para lazer dos moradores e turistas. Um local aprazível onde Maristela nasceu se criou e mora até hoje na casa, herdada de seus pais, em frente ao marzão azul esverdeado. Ela ama seu bairro, ali criou seu único filho.

Certa manhã, ainda em jejum, Maristela dirigia seu carro à beira-mar em direção ao laboratório, detestava levar agulhada, entretanto, precisava fazer exame de sangue. De repente lembrou, havia deixado o cartão de saúde em cima da cabeceira da cama. Retornou apressada à sua casa, estacionou o carro. Ao entrar ouviu Cavalcanti, o marido, falando ao telefone. Fechou a porta com cuidado e escutou em silêncio a conversa do marido.

– Meu bem, você sabe, eu te amo, mas só posso me encontrar com você pela tarde, é melhor, a Jararaca não desconfia. “Se você quer ser minha namorada… Ai que linda namorada você poderia ser…” Tenha paciência, só posso lhe pegar no final da tarde.

Parou de falar quando um vaso espatifou-se em sua cabeça. Zonzo, Cavalcanti soltou o telefone, assustou-se ao ouvir os gritos de Maristela louca de raiva.

– Saia dessa casa agora! Seu filho de uma puta! Vá encontrar sua rapariga, não quero você aqui dentro dessa casa. Suma antes que eu lhe mate.

O marido sequer levantou a voz, não adiantava defender-se. Pela segunda vez foi flagrado. A primeira foi com uma namorada dentro no carro, agora um flagrante audível, sem questionamento. Com medo da mulher louca e traída, Cavalcanti escafedeu-se com a roupa do corpo, hospedar-se-ia num hotel até as coisas de acalmarem.

Maristela caiu aos prantos na cama, sem condições de fazer os exames no laboratório. Por toda manhã chorou sozinha, reviveu sua vida, 20 anos de casamento. O filho único, maior orgulho, estudando no Canadá. Entretanto, a traição é imperdoável. A força do amor próprio reagiu à fera ferida. Em certo momento ela levantou-se, respirou fundo, tirou a roupa, só de calcinha olhou-se no espelho. 42 anos, corpo perfeito se não fossem algumas detestáveis celulites, ainda era muito atraente, muitos homens olhavam com desejo, algumas vezes havia sido cantada por belos homens, até mulheres, contudo, nunca admitiu traição, sempre fiel ao marido. Desconfiava de o marido não ser santo, entretanto, dessa vez, foi um flagrante contundente, machucou, ainda martelava no ouvido, a ter chamado de Jararaca. Entrou no banheiro, uma hora de ducha morna ajudou ao reconforto. Almoçou, deitou-se na cama, o pensamento rodopiava. Algumas amigas telefonaram, sequer comentou o flagrante, nem conselho pediu. Pela tarde foi a uma loja chique, comprou três belos vestidos, decotados e sensuais.

Ao anoitecer telefonou para Vera, uma amiga separada e vida torta. Perguntou qual o melhor programa daquela sexta-feira. Vera percebeu que havia alguma coisa no ar. Tornou-se cúmplice da amiga. Convidou-a imediatamente a dar um bordejo pelas nove da noite nos bares da Jatiúca. E seja o que Deus e o Diabo quiserem, disse, soltando uma gostosa gargalhada.

Maristela chegou às nove e meia no bar marcado, ao avistar Vera numa roda de amigos acenou com a mão, dirigiu-se à mesa animada, sua amiga apresentou-a, os homens se encantaram com a jovem coroa, inteligente, bonita e recém-separada como frisou com certa maldade Vera. Foi uma noitada de alegria e muita farra, Maristela aproveitou toda noite, mudaram de bar, jantaram, terminaram numa boate da moda, dançando, cantando, paquerando, até o dia amanhecer.

Maristela acordou-se ao meio-dia na cama de um companheiro de noitada, o cara dormia, roncava. Ela levantou-se, foi ao banheiro, vestiu-se, saiu sem barulho e sem vestígio. Pegou um taxi para casa, nem triste, nem alegre, relembrou de toda noitada, fazer amor com um desconhecido, experiência nova, vida nova, ainda não sabia o rumo a tomar. Sabia apenas que jamais voltaria para o Cavalcanti.

No sábado à noite retornou à balada, começava a gostar ser solteira novamente, em pouco tempo tornou-se a maior boêmia. Dois anos se passaram. Maristela se sente feliz, tem seu emprego, ninguém dá palpite em sua vida, gosta da noite, sem compromisso sai com um ou outro namorado fortuito. Não gosta sequer de conversar com o ex-marido, nem cogita de casamento, pelo menos enquanto tiver fôlego para enfrentar baladas. Adora, durante a manhã, pegar uma cadeira e sombrinha e tomar sol na praia de Jacarecica, onde nunca viu um jacaré, mas aprecia o corpo da juventude surfando em sua praia.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

A “TOLERÂNCIA ZERO” DE LULA FRACASSA NO PRIMEIRO TESTE

Editorial Gazeta do Povo

Juscelino Filho foi recebido pelo presidente Lula e pelo ministro Alexandre Padilha no Palácio do Planalto.

Juscelino Filho foi recebido pelo presidente Lula e pelo ministro Alexandre Padilha no Palácio do Planalto

“Quem fizer errado sabe que tem só um jeito: a pessoa será, simplesmente, da forma mais educada possível, convidada a deixar o governo”, prometeu Lula em sua primeira reunião ministerial, ainda nos primeiros dias de janeiro. Apenas dois meses depois, e para a surpresa de ninguém, a “tolerância zero” do presidente da República foi reprovada em seu primeiro teste. Apesar de todas as suas estripulias com o dinheiro do “orçamento secreto”, o uso da jatinhos da Força Aérea para compromissos pessoais e o misterioso sumiço de seus cavalos na declaração de bens à Justiça Eleitoral, Juscelino Filho continuará sendo o ministro das Comunicações. Aparentemente, Lula se contentou com as explicações dadas em uma reunião na segunda-feira, dia 6 – publicamente, o ministro falou em “erro no sistema” de contagem de diárias.

Nunca se há de descartar que o grau de patrimonialismo demonstrado pelo ministro – que, segundo apuração do jornal O Estado de S.Paulo, recebeu diárias pagas com verba pública e usou jatos da FAB para ir de Brasília a São Paulo, onde passou apenas duas horas em compromissos oficiais antes de gastar o fim de semana se dedicando a sua paixão, os cavalos Quarto de Milha – tenha sido considerado por Lula coisa pouca, uma irrelevância. Afinal, estamos falando do PT, que tomou para si não algumas diárias, nem duas viagens em avião da Força Aérea, mas estatais inteiras, como o Brasil descobriu graças à Operação Lava Jato. Perto do mensalão e do petrolão, Juscelino Filho seria um mero aprendiz; sacrificá-lo seria uma injustiça, ainda que ele não faça parte do panteão dos “guerreiros do povo brasileiro”. Mas, ao que tudo indica, Lula tem razões mais pragmáticas para mandar às favas sua promessa de rigor com “quem fizer errado”.

Juscelino Filho e Daniela do Waguinho – a ministra do Turismo, às voltas com denúncias de ligação com milícias – pertencem ao União Brasil, que tem a terceira maior bancada na Câmara e a quarta maior no Senado. O apoio do partido como um todo a Lula será impossível, dado o perfil claramente antipetista de vários parlamentares eleitos pela legenda, mas o governo precisará trazer para sua base o máximo possível de deputados e senadores do partido, bem como de outros integrantes do Centrão. As lideranças mais “maleáveis” do União avisaram Lula de que rifar Juscelino não ajudaria na conquista de votos – e cada voto conta, a julgar pelo aviso do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL): “hoje o governo ainda não tem uma base consistente nem na Câmara e nem no Senado para enfrentar matérias de maioria simples, quanto mais matérias de quórum constitucional”, afirmou o deputado na manhã de segunda-feira, dia 6.

É claro que haveria outras formas mais sensatas para Lula conseguir apoio sem precisar manter no primeiro escalão um ministro encrencado como Juscelino Filho. Mas para isso precisaria realmente levar a sério, na composição do governo, a tal “frente ampla” formada em torno de Lula para vencer a eleição, em vez de tratar os não petistas que “fizeram o L” como inocentes úteis cuja serventia acabou às 18 horas de 30 de outubro de 2022. E precisaria apresentar à sociedade uma pauta realmente agregadora, indicando o desejo de governar para todos os brasileiros e não apenas para o cercadinho ideológico da esquerda.

Mas isso é demais para Lula e o PT. O partido não governa dividindo, ele quer tudo; quando cede, especialmente a partidos que não são da esquerda, o faz muito a contragosto – e a ofensiva de líderes petistas pedindo a cabeça de Juscelino Filho não tem nada a ver com algum surto moralizador, mas apenas com o desejo de comandar também a pasta das Comunicações, essencial para o sonho petista de controlar a imprensa, na eufemisticamente chamada “regulação da mídia”. E não há como esperar moderação de um grupo que voltou ao poder com sede de vingança e o desejo claro de desfazer tudo o que foi construído no Brasil desde o impeachment de Dilma Rousseff, em meados de 2016. Assim, os meios que sobram para o petismo construir alguma base parlamentar são aqueles que o Brasil inteiro já conhece – e repudia.

A PALAVRA DO EDITOR

“ENCUENTRA TU TRIBU Y BROTARÁ TU PASIÓN”, DIRIA A CICERINA E BAGOMOLEANA MARIA

«La libertad, Sancho, es uno de los más preciosos dones que a los hombres dieron los cielos; con ella no pueden igualarse los tesoros que encierran la tierra y el mar: por la libertad, así como por la honra, se puede y debe aventurar la vida.» El ingenioso Fidalgo Don Quijote de la Mancha.

De Cervantes à Paulicéa Desvairada, onde encontramos Sergio. Lembra-nos o paulistano que somos do tempo do disco de vinil, por isso aprendemos que “só se escuta tudo, quando se ouve os dois lados” e que todo cuidado é pouco, o que me leva à nova gestão governamental, pois estamos só no começo e o instituto Paraná Pesquisas, segundo os que responderam à enquete sobre o atual governo, “dizquê”: 38,6% acham ruim ou péssimo e 18,4% o acham regular (alguém sabe definir o real significado de regular no que toca a uma administração federal? Creio eu que melhor seria se a pergunta fosse: VOCÊ aprova ou desaprova?).

Quanto aos números divulgados, não creio serem nem um pouco alvissareiros para um começo de gestão (esperar para quê se já é como não deve ser). Quanto a crer, creio ser ótimo tema para o instituto mais confiável do Universo, o nosso querido e infalível DATABESTA.

Dois lados… Saindo do vinil, das pesquisas e entrando no cine… Alguém acredita em imparcialidade de opinões e ações neste mundão de meu Deus, onde atualmente compra-se até elogios com money grana, tostão, bufunfa, mangos, tutu, bolada, tusto, borós, chavo, nica, dindim, cascalho, bagarote, caraminguás, carcanhóis? Reações da crítica internacional (imparciais?) para “John Wick 4: Baba Yaga” estão aí, e ao que parece, a franquia estrelada por Keanu Reeves continua bombando (em todos os bons sentidos).O filme vem descrito como “um dos melhores de todos os tempos” no gênero. Cêcrê? Irei ao cine no ver para crer.

E já que todo cuidado é pouco… “Teste da realidade: vírus saiu de laboratório e máscaras foram inúteis”, dizem que diz reportagem de revista semanal. Continuará, de agora em diante, a máscara em uso quase que obrigatório, por profissionais do crime, gente muito feia, foliões, quem curte certas fantasias sexuais, profissionais que precisam proteger o rosto e aquela turma que todo final de ano curte um halloween.

Todo cuidado é pouco, como diria Halissa Yxuppa (¡Un nuevo personaje de Las Bienaventuranzas a la vista!) ao Shrek. Falando no ogro, disse o cabra verde: “Os ogros são como cebolas! / Burro diz: É… Fedem e fazem a gente chorar…” / Shrek: “Não Burro… Camadas… Cebolas têm camadas, ogros têm camadas!”… Ao todo, oito pessoas (ogros ou vítimas de ogros) deram entrada no HOSPITAL no início da noite de domingo devido a brigas entre torcedores (torcedores?) de Vasco/Flamengo; noticiado foi que um morreu; o Hell de Janeiro não é para amadores.

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PENINHA - DICA MUSICAL