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Gostei da palavra “miragem” nessa manchete aí de riba.
Um termo poético, tocante, inspirador, atraente, arrebatador.
Deu na Veja. Uma fonte insuspeita.
E veja (êpa!) bem: um tô inventando nada.
Dei o print e reproduzi do jeito que está aí.
E, pra fechar a postagem, aqui vai um trecho escrito por José Casado, colunista da mesma revistona:
“Fiasco da oposição rachada nas ruas deu fôlego a Bolsonaro. Para o candidato à reeleição foi uma dádiva. Opositores juntaram nas ruas de 18 capitais menos gente do que ele tem de seguidores numa única rede social.”
Pelo que me consta, o Brasil tem 26 capitais e mais um distrito Federal.
Achei interessante essa informação de que as manifestações aconteceram em apenas 18 capitais.
Eu pensei que o “Fora Bolsonaro” tivesse sido em todo o Brasil.
Povo preguiçoso que só a porra…
Bom, foi desse jeito mesmo que o colunista vejiano escreveu.
Só fiz transcrever.
ONTEM, HOJE E AMANHÃ
Aqui pelas bandas onde eu moro, reza o folclore que uma certa moçoila muito dada e de sólida formação religiosa, num desses modorrentos dias de verão singrou a mansidão do bucólico cotidiano interiorano e irrompeu casa adentro determinada em comunicar à família o suplício que lhe devastava a alma e dilacerava o coração. Movida por uma coragem que desconhecia, disparou num fôlego só: “mamãe, o tarado me pegou ontem, hoje e amanhã!”. Compreensiva, a mãe a acolheu nos braços e a confortou: “não se desespere, minha filha; nada melhor do que um dia depois do outro!”. Ao rememorar essa passagem pitoresca, foi praticamente impossível não estabelecer um paralelo entre as desventuras daquela jovem e a trajetória do Partido dos Trabalhadores.
Quanto mais as lideranças petistas tentam justificar o enorme vazio que os distancia de suas origens, mais se aproximam da menina que ilustra a fábula. Longe da inocência pueril da personagem do conto, usam, no entanto, do mesmo ardil e buscam na retórica rota que os caracteriza um lampejo de decência na prostituição política que escolheram como meio de sobrevivência. De diferente, é que a menina quase-virgem vagueia serelepe apenas pela vastidão do imaginário popular, enquanto os próceres petistas brincam com a realidade e zombam da inteligência da sociedade brasileira surfando nas águas fétidas da hipocrisia.
Ontem, sem estupor, mas com a mais refinada malandragem, invadiram os lares dos brasileiros para comunicar que, açodados pela vergonha imposta por consecutivas derrotas nas urnas, foram obrigados a facilitar as investidas do desalmado e imoral tarado do oportunismo eleitoreiro aceitando como companheiro de orgia política um dos mais expressivos representantes do outrora odiado capitalismo para compor a chapa que elegeria o presidente da República por eles apoiado. Inovadores, criaram jurisprudência no campo da pornografia eleitoral introduzindo a figura jurídica do primeiro caso de estupro consentido.
Fruto de uma gestação promíscua e temerária, no terceiro ano daquela conjunção interesseira nasceu o mais famoso dos seus rebentos. Embora empregassem todos os esforços para registrá-lo sob o codinome Caixa Dois, o pimpolho resistiu ao assédio e já prestes a ingressar na pós-adolescência faz questão de ser chamado de Mensalão do PT, seu nome de batismo. O Petrolão foi nada mais que o aprimoramento da experiência corruptiva do escândalo que imortalizou o “eu não sabia” de Lula da Silva.
Totalmente afeitos às delícias proporcionadas pelo poder, denunciaram que estavam prenhos novamente e que desta vez foram forçados a dividir o leito com o tarado da privatização, inimigo útil que num passado não muito distante lhes garantiu vários milhões de votos e vitórias memoráveis. Preocupados em abafar o caso juraram que o rebento era adotivo e, dispostos a provar que a mesma coisa nem sempre é a mesma coisa, colocaram-lhe a alcunha de Concessão. Arrogantes, tinham certeza de que a capacidade de percepção do brasileiro também era concessão do PT. Compreenderam que não era ao serem repudiados nas ruas por ocasião dos protestos que culminaram no impeachment de Dilma Rousseff.
Amanhã, certamente estarão ávidos por novas aventuras, e, determinados a sacrificarem-se pela causa, não se importarão em submeterem-se aos flagelos que a prostituição política condiciona. Do conforto de suas alcovas, exercitarão a experiência acumulada no jogo da sedução cuidando para ter sempre à mão um conveniente estuprador malvado para justificar as obscenidades que o desempenho nas urnas exigir.
Se por ventura sentirem algum sintoma que possa levá-los a deparar-se com algo semelhante a uma crise de consciência capaz de censurá-los por essa ativa vida mundana, de imediato irão se recompor certos de que encontrarão guarida na sabedoria infinita de seu grande líder e guru que, por sua vez, inspirando-se no exemplo da mãe da moça da historinha, os acolherá sob suas asas protetoras e dissipará todos os seus temores. Convicto de seu retorno ao poder, garantirá:
“o futuro próximo há de nos sorrir generoso”, vaticina; “portanto, não se apoquentem crianças, nada melhor do que um contrato depois do outro!”.
MASSACRE ÀS MULHERES
Dizer que as mulheres, inumeráveis, são massacradas é cair numa repetição tão óbvia que pode até fazer o leitor bocejar de tédio. Apesar disso, insisto, volto a repisar o tema; a repetição traz saciedade.
Certa revista brasileira, de grande circulação, formulou a seguinte indagação: como evitar que as mulheres sejam massacradas? A pergunta suscitou discussão interminável.
Superficialmente, massacre é o ato pelo qual “machões” submetem mulheres a todo tipo de vexação, a principiar pela descortesia e, a partir daí, num processo gradual, o constrangimento, a censura, a repreensão, a humilhação, maus-tratos, tortura, até o desfecho fatal, o assassinato. Essa tragédia, que prospera e se banaliza aos olhos de todos, retrata, desgraçadamente, o triste fadário de incontáveis mulheres, no Brasil e no mundo. O mais inacreditável é que as sobreviventes dificilmente maldizem, ou praguejam, o seu triste fado.
Não se argua que os grosseirões provêm apenas das camadas pigmeias, a bem dizer do proletariado. Ilustrados, e doutores que habitam os palácios também figuram na galeria dos verdugos. Entre estes podem ser vistos inclusive Senadores da República.
Exubera na mídia a notícia de que a médica oncologista Nise Yamaguch ajuizou ação contra senadores da CPI, acusando-os da prática de misoginia, além de humilhações quando esta esteve na condição de depoente. Agora, outra depoente, a médica Maira Pinheiro, também pleiteia na justiça reparação judicial por danos morais.
Falar sobre as mulheres é evocar o que há de mais sagrado, é referir-se às mães de um modo geral, é aludir à pessoa de Maria, mãe de Jesus. “As mulheres são a homenagem de Deus ao amor”.
Dito isso, queira algum filho de DEUS obsequiar a feminilidade brasileiras concebendo uma maneira de avisar àqueles senadores de apetites grosseiros que eles têm o dever, ainda que protocolar, de tratar com a devida solicitude todas as mulheres, marquesas ou plebeias. Nenhum senador carece de adoçar a voz para tratar uma mulher depoente, tampouco almofadar a cadeira em que ela irá sentar-se, mas qualquer uma, mesmo aquelas alistadas nas casernas da prostituição, merecem palavras de apreço de qualquer anfitrião, ainda mais quando nas dependências do Senado Federal.
Aliás, o tácito estatuto dos anfitriões protege visitantes e convivas da prática da desmesura, da grosseria, do pouco-caso, da rudeza, da linguagem bronca. Tratar uma mulher com obsequiosidade nas dependências do Senado Federal não é prestar um favor, mas dar fidelidade à etiqueta da Corte; que não transige o fiel cumprimento do seu código de cortesia. É na cortesia que está a pedra de toque da nobreza senatorial.
Nem mesmo a reunião dos países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), na última quarta-feira (8), foi capaz de inspirar o noticiário econômico a fazer justiça à moeda brasileira.
O real se consolida como a mais forte moeda dos países do Brics, valendo mais que o rublo russo, a rúpia indiana, o yuan chinês e o rand sul-africano.
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Um expressão quase poética nessa notícia aí de cima:
“ispirar o noticiário econômico”.
Os redatores de economia da mídia banânica precisam ter mais sensibilidade para essas coisas sublimes e etéreas.
Bom, o fato é que num sei nada, num intendo porra alguma desse negócio de Brics, economia, finanças e moedas.
Deixo pros economistas fubânicos fazerem comentários e avaliações sobre esta postagem.
O que está contido nessa notícia aí de cima, é bom ou ruim pro Brasil?
Comentário sobre a postagem LIÇÃO PARA OS INSTITUTOS DE PESQUISA
C Eduardo:
Os bolsominions comemoram, com toda razão, que as manifestações pró autogolpe (07/09) foram muito maiores do que as em favor da democracia (12/09). Alegam que isso significa que a maior parte dos eleitores estará ao lado de Bolsonaro em 22. Discordo. Acredito que a enorme maioria dos eleitores manipuláveis está ao lado do Capitão, hoje.
Não existe dúvida que as manifestações de 7 de setembro foram muito mais organizadas, havia transporte e uma “chama ou seva” para animar o cidadão. Já o movimento de 12/09 foi genuinamente espontâneo. Não importa, a massa que encheu as ruas estava usando o verde amarelo.
O que intriga é, o que esse cidadão espera de Bolsonaro?
O sujeito desgoverna o Brasil há mais de 2 anos e 8 meses. Nesse período tudo piorou. Esse mesmo brasileiro que foi defender a continuidade do Capitão no trono, nas manifestações de 07/09, quando acordou em 08/09 pagou R$ 7,00 (aproximadamente) no litro da gasolina, comprou apenas 700 gramas de carne, porque o dinheiro não dá mais para comprar 1 kg.
O seu aluguel foi reajustado em 30% o que obriga locador e locatário à uma negociação nada agradável. Sua conta de luz é quase impagável e o apagão inevitável, um botijão de gás custa caro demais. A pandemia do coronavírus deixou à mostra a incompetência do Governo para administrar crises, só é bom de criar crises.
O Brasil tem número exagerado de mortes por milhão, nenhum país da OCDE, que Bolsonaro quer incluir o Brasil, tem número próximo dos 2738 mortos/milhão de brasileiros.
Projeção do PIB pela pesquisa FOCUS cai toda semana (5,07% a última) e inflação sobe (8%).
Aí, o entendido de Bolsonaro diz: Aguarde, não fale antes da hora, você verá a surpresa que Bolsonaro guarda para o Brasil! Melhor não ter surpresa nenhuma, a cada surpresa a situação do brasileiro piora.
Antes, segundo o Ministro da Economia o ex-liberal Paulo Guedes, até empregada doméstica tinha possibilidade de levar o filho à Disney, agora o sonho é um carrinho de supermercado cheio.
Quem será surpreendido serão os bolsominios quando as urnas expressarem a vontade do eleitor não tutelado.
É difícil explicar o mundo da fantasia em que os bolsominions vivem.
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Não tenho como meta convencer ninguém a acreditar nos fatos que passo a narrar. Mas que foi assim que tudo aconteceu, isso foi.
Era um domingo, nos idos de 2010 ou 2011. Uma época em que aconteciam muitos assaltos em Fortaleza, inclusive nas chamadas áreas nobres, como Aldeota, Meireles, Dionísio Tôrres e Papicu.
Eu tinha acabado de almoçar em uma churrascaria de rodízio e, sabendo que havia exagerado no consumo de picanha e outras carnes vermelhas, decidi passar em uma farmácia e comprar uns envelopes de sal de fruta, para tomar logo que chegasse em casa.
Estacionei o carro em uma das três vagas que havia diante de uma farmácia ali perto, em uma rua que fazia esquina com a Avenida Engenheiro Santana Júnior, se não me falha a memória.
Sabendo que era uma área onde ocorriam assaltos com certa frequência, observei o local antes de desembarcar. Havia quase nenhum movimento de pedestres na rua. Só os carros passavam na avenida, a maioria no sentido de quem voltava da Praia do Futuro.
Pude perceber que havia um rapaz atendendo no balcão, mas parecia não haver nenhum cliente no estabelecimento, porque o dito rapaz estava parado, olhando na minha direção, como se esperasse que eu fosse em sua direção para me atender.
Havia, sim, uma idosa, no exato limite da porta da farmácia, mas não estava comprando nada. Parecia mais estar esperando alguém, porque olhou para um lado da rua e depois para o outro, antes de voltar à posição inicial. Magra, pequena, usando um vestido preto até a altura dos joelhos, e com o cabelo preso em uma espécie de rabo de cavalo. Devia ter uns 70 anos, talvez um pouco mais.
Resolvi entrar na farmácia. Em um gesto extra de cautela, deixei a carteira e o celular embaixo do banco do carro e desembarquei levando comigo apenas o cartão do banco e uma nota de cem reais no bolso traseiro da bermuda. Se fosse vítima de um roubo, evitaria entregar o telefone e a carteira com meus documentos.
Os acontecimentos seguintes mostraram que minha cautela fazia sentido. Mal iniciei a caminhada pela calçada, em direção às portas da farmácia, três rapazes saíram de uma viela – um beco, como se diz no Ceará – que eu não havia percebido, e vieram em minha direção.
Tinham o cabelo parcialmente descolorido, de uma maneira que eu já conhecia, e sabia que seria um sinal de possível relacionamento com o crime.
– Tem um trocado pra gente aí, barão? – disse-me aquele que parecia ser o líder do grupo.
A abordagem seguia um padrão que eu já conhecia, do relato de outras pessoas: pedem algum dinheiro ou perguntam as horas; quando você pára e pensa numa resposta, anunciam o assalto ou tentam arrancar à força o que você tiver nos bolsos. A ação depende do tipo de arma da qual disponham.
Naquele exato momento, porém, na velocidade absurda que nossos pensamentos alcançam em situações de alto estresse, lembrei que, ao sair da churrascaria, havia encontrado no chão, perto do meu carro, uma nota de dez reais. Amassadinha, mas inteira. Lembrei ainda que havia posto aquela nota de dez reais no bolso da camisa, e não na carteira, junto com as outras notas.
Com essa memória de fatos recentes instantaneamente carregada em minha mente, pus a mão no bolso da camisa, peguei a nota encontrada minutos antes e disse:
– Eu trouxe esses dez reais pra você. Ela disse que eu lhe entregasse aqui, em frente à farmácia.
– Diabeisso, barão?! Tu é doido? Ela quem?
– Era uma senhora idosa, magrinha, com o cabelo amarrado como um rabo de cavalo. Apareceu pra mim num sonho essa noite. Disse que eu viesse aqui com dez reais e desse pro primeiro rapaz que aparecesse pedindo. Que é melhor pedir do que roubar, e que não queria ver o “menino” roubando pra comprar droga.
– Porra, maluco, tu sonhou com a vó!?
– Se era sua avó eu não sei. Tô fazendo só o que ela me pediu – disse eu, estendendo a nota de dez reais em direção a ele.
– Era a vó, macho! Ela morreu tem uns três mês. Todo domingo ela me dava dez real, quando chegava da missa – prosseguiu ele, com a voz trêmula e lágrimas transbordando dos olhos.
– Que seja, então, irmão. Toma aí teus dez reais!
– Tô nem com vontade de receber, ó? Que doidice é essa, macho? – disse, esfregando o pulso direito no olho do mesmo lado, dando-me a impressão de que tentava dissimular o movimento para enxugar uma lágrima.
Peguei a sua mão esquerda, pus a nota de dez reais nela e comecei a me despedir:
– Guarda aí, irmão. Vai na paz!
Retomei, então, meu movimento para entrar na farmácia, ao mesmo tempo em que observava, com minha visão periférica, os três rapazes se afastarem, conversando entre si, como tentando entender o que tinha acontecido.
O rapaz do balcão, que acompanhava tudo de seu posto, parecia surpreso com a cena que acabara de assistir:
– Achei que o senhor ia ser assaltado – disse ele. – Essa turma já é conhecida aqui na área…
– Eu também achei. Mas, quando eles me abordaram, eu vi aquela senhorinha entrando na farmácia, e veio uma ideia na minha cabeça. Acabou dando certo.
– Qual senhorinha?
– Uma magrinha, de preto, com o cabelo feito um rabo de cavalo. Tava aqui na entrada, olhando lá pra fora. Quando eles apareceram ela veio pra perto do balcão.
– Desculpa aí, senhor, mas não tinha mais ninguém aqui, não. Só eu e minha colega ali no caixa.
Olhei em volta e não vi ninguém além do rapaz que me atendia e da moça no caixa, que em nada se assemelhava à senhora que eu acabara de ver.
Fui até a calçada e examinei com os olhos tudo ao redor, mas não vi mais a idosa.
Paguei a conta e retomei meu caminho para casa. Mas nunca entendi direito o que aconteceu naquele domingo. Em plena luz do dia. Em uma farmácia de Fortaleza.
O presidente do TSE, ministro Luis Roberto Barroso, deveria explicar sua crítica, no discurso de quinta (9), a um certo “constitucionalismo abusivo”.
Ficou parecendo que não se deve exagerar na defesa da Constituição.
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Fantástica essa expressão usada por Boca de Veludo.
“Constitucionalismo abusivo“.
Acho que ele quis dizer que tem gente querendo abusar, aplicando a Constituição a pé da letra, fazendo exatamente o que lá está escrito.
Será que é isso mesmo?
Peço ajuda aos doutos exegetas e juristas fubânicos.
Que danado o supremo togado quis dizer com esta expressão “constitucionalismo abusivo“?
Hein???

Sua Insolência com seu conselheiro espiritual e jurídico, o condenado à prisão por vários estupros e violência sexual, João do Diabo