CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MASSACRE ÀS MULHERES

Dizer que as mulheres, inumeráveis, são massacradas é cair numa repetição tão óbvia que pode até fazer o leitor bocejar de tédio. Apesar disso, insisto, volto a repisar o tema; a repetição traz saciedade.

Certa revista brasileira, de grande circulação, formulou a seguinte indagação: como evitar que as mulheres sejam massacradas? A pergunta suscitou discussão interminável.

Superficialmente, massacre é o ato pelo qual “machões” submetem mulheres a todo tipo de vexação, a principiar pela descortesia e, a partir daí, num processo gradual, o constrangimento, a censura, a repreensão, a humilhação, maus-tratos, tortura, até o desfecho fatal, o assassinato. Essa tragédia, que prospera e se banaliza aos olhos de todos, retrata, desgraçadamente, o triste fadário de incontáveis mulheres, no Brasil e no mundo. O mais inacreditável é que as sobreviventes dificilmente maldizem, ou praguejam, o seu triste fado.

Não se argua que os grosseirões provêm apenas das camadas pigmeias, a bem dizer do proletariado. Ilustrados, e doutores que habitam os palácios também figuram na galeria dos verdugos. Entre estes podem ser vistos inclusive Senadores da República.

Exubera na mídia a notícia de que a médica oncologista Nise Yamaguch ajuizou ação contra senadores da CPI, acusando-os da prática de misoginia, além de humilhações quando esta esteve na condição de depoente. Agora, outra depoente, a médica Maira Pinheiro, também pleiteia na justiça reparação judicial por danos morais.

Falar sobre as mulheres é evocar o que há de mais sagrado, é referir-se às mães de um modo geral, é aludir à pessoa de Maria, mãe de Jesus. “As mulheres são a homenagem de Deus ao amor”.

Dito isso, queira algum filho de DEUS obsequiar a feminilidade brasileiras concebendo uma maneira de avisar àqueles senadores de apetites grosseiros que eles têm o dever, ainda que protocolar, de tratar com a devida solicitude todas as mulheres, marquesas ou plebeias. Nenhum senador carece de adoçar a voz para tratar uma mulher depoente, tampouco almofadar a cadeira em que ela irá sentar-se, mas qualquer uma, mesmo aquelas alistadas nas casernas da prostituição, merecem palavras de apreço de qualquer anfitrião, ainda mais quando nas dependências do Senado Federal.

Aliás, o tácito estatuto dos anfitriões protege visitantes e convivas da prática da desmesura, da grosseria, do pouco-caso, da rudeza, da linguagem bronca. Tratar uma mulher com obsequiosidade nas dependências do Senado Federal não é prestar um favor, mas dar fidelidade à etiqueta da Corte; que não transige o fiel cumprimento do seu código de cortesia. É na cortesia que está a pedra de toque da nobreza senatorial.

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