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CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

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MAURO PEREIRA – ITAPEVA-SP

A fixação da mídia em Bolsonaro não pode servir de pretexto para jogar no ralo do esquecimento os escândalos do PT

Só não enxerga o clima tenso e mal cheiroso que envolve a política brasileira quem não quer. Salta aos olhos o desespero do establishment que – apesar do seu extraordinário poderio financeiro, da sua descomunal máquina de destroçar reputações e da ação nefanda da canalha que comanda a política brasileira na busca tresloucada do impeachment do presidente Bolsonaro -, não consegue avançar na guerra que trava contra um único adversário. Um mero ex-capitão do Exército tem impingido seguidos reveses ao mecanismo.

Diante dessa realidade, é natural que as atenções estejam todas voltadas para essa reedição histórica de Davi e Golias. Por isso eu resolvi mudar o foco dos meus comentários e me dedicar à tarefa de não deixar que as falcatruas do PT enquanto governou o Brasil caiam no esquecimento, rememorando os acontecimentos mais impactantes daquele lapso temporal que ainda assombra a maioria dos brasileiros. Lembremos, então, entre tantos outros episódios lamentáveis, do malfadado convênio com a OPAS, que resultou na importação de milhares de médicos cubanos.

Ao longo dos mais de treze anos que esteve no poder, o PT nos proporcionou a oportunidade ímpar de testemunharmos a introdução de sua propalada democracia redentorista, tese defendida desde a sua fundação e que acelerou seu desembarque na presidência da República. Com o objetivo alcançado, durante todo o tempo que esteve no comando da Nação quis nos impor a democracia dele, parida no solo árido da egolatria e consubstanciada no desmesurado apego ao poder.

Determinado a se consolidar como latifundiário supremo da política nacional, seu governo exercitou um perverso e seletivo modelo de defesa dos direitos humanos, indignando-se apenas quando os direitos ultrajados dos humanos ocorriam em hostes inimigas. Quando os excessos aconteciam nos seus quintais ou nos de seus aliados, dentro ou fora do Brasil, dava às costas aos direitos e não conseguia definir como humanas as pessoas que padeciam sob a violência de governos autoritários e ferozes.

Buscando a qualquer custo uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, jamais demonstrou o menor vestígio de pudor ao bajular ditaduras cruéis e andar de braços dados com governos corruptos e autoritários. Perfeitamente à vontade, visitou os porões da inconsequência ao tramar a suspensão do Paraguai dos quadros do Mercosul para substituí-lo pela Venezuela, parceira de desmandos e desvarios. Na visão vesga de um seu ex-ministro das Relações Exteriores, a Venezuela era só um tipo diferente de democracia. Incontinente, a sociedade o fez saber que para os brasileiros de bem, qualquer tipo de democracia diferente é a versão mais ordinária de ditaduras iguais, exercido apenas por democratas de fachada e aplaudido somente por lacaios disponíveis.

Coerente com o seu ideário, sempre defendeu com veemência a pureza democrática de Fidel Castro, um dos mais truculentos ditadores da história recente da América Latina e mostrou-se confortável, também, ao patrocinar uma das páginas mais desprezíveis da política internacional brasileira qualificando o ativista Orlando Zapata Tamayo, que morreu em decorrência da greve de fome em protesto à tirania da família Castro, como um bandido comum. Mostrou a dimensão de sua cumplicidade ao calar-se sobre a investida descaradamente absolutista de Cristina Kirchner contra a imprensa e o Judiciário argentinos.

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