ALEXANDRE GARCIA

Fracasso geral nas manifestações de ontem

Mas o grande tema de ontem foram as manifestações contra o governo. Um fracasso geral. Onde reuniu mais gente foi na Avenida Paulista. Eu vi num site de notícias que encheu algumas quadras. O jornalista foi incapaz de contar quantas, foram algumas. E reuniram, no palanque, cinco presidenciáveis: Doria, Ciro Gomes, Amoêdo, Mandetta e o senador Alessandro Vieira. Isso significa uma divisão muito grande da chamada terceira via. No Rio de janeiro, postaram foto só do carro do som, para a gente não ver o público reduzido que lá estava. Em Belo Horizonte, Recife, Fortaleza, Salvador, eram centenas. Em Brasília, talvez não tenha chegado à centena.

E, disso, tem algumas lições que precisam ser tiradas. A primeira é para as pesquisas de opinião. Acho que elas têm que fazer alguma revisão, porque as ruas contrariam as pesquisas, não fecham umas com as outras. E não se deve brigar com a imagem. A narrativa não briga com a imagem, pois a imagem vai lá e desmente. Então as pesquisas de opinião, que são sérias, devem revisar alguns métodos, ver como está sendo feita a apuração, a coleta de informações, deve estar errada em algum ponto, porque não dá. Os fatos sempre são mais fortes.

E, às vezes, brigar com a imagem leva ao desespero. É muito ruim contrariar a imagem porque cai no ridículo e o ridículo é o maior fator para derrubar a credibilidade. E quando se derruba a credibilidade de um órgão de notícia, dificilmente volta. Por isso que um órgão de imprensa que chama uma pessoa que foi ao ato de 7 de setembro de antidemocrática, nunca mais vai entrar na casa dessa pessoa.

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O povo não gosta de trânsfuga

Parte deste fracasso talvez seja porque o povo não gosta de trânsfuga. Teve muita gente que convocou e participou desta manifestação que estava ao lado do presidente e está, agora, contra. O povo não gosta disso, porque o povo admira a lealdade. Uma pessoa que não foi leal agora é vista pelo povo como uma pessoa em quem não se pode confiar para o futuro.

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Certificado de Vacina

Só para comparar com o Rio de Janeiro, que está exigindo certificado de vacina, ainda que direitos e garantias individuais e que o Código Civil falem em liberdade e arbítrio e que cada um é dono de seu próprio corpo: o ministro da saúde da Inglaterra disse que desistiu de exigir comprovante de vacina para entrar em boate, clube noturno, festa onde tenha muita gente apertada. Ele disse que nunca teve vontade de fazer esse tipo de exigência. Como se sabe, na Europa está difícil implantar esse passaporte de vacina, porque as pessoas têm muita consciência de suas liberdades individuais.

Por falar nisso, eu fiz as contas, com base na “transparência do Registro Civil”, as mortes por Covid-19 dos últimos sete dias, a média está em 454 por dia. Aí, no ano passado, foi mais do que isso, foi 545 por dia. E aí eu comparei com a média de mortes por doenças cardíacas, dá 800 por dia, é quase o dobro. Então estou esperando alguma campanha sobre doenças cardíacas, porque é quase o dobro de mortalidade em relação à Covid-19 aqui no Brasil.

5 pensou em “LIÇÃO PARA OS INSTITUTOS DE PESQUISA

  1. As redes sociais estão repletas de ironias finas e tudo para demonstrar o fracasso dos atos desta tarde em todo o Brasil.

    São fiascos superlativos, jamais vistos antes em eventos do gênero.

    A oposição demonstra o seguinte:

    1) Que não tem povo.

    2) Que não tem discurso.

    3) Que é falsa como uma nota de 3 reais.

    As comparações com o dia 7 são devastadoras.

    (Políbio)

  2. Os bolsominions comemoram, com toda razão, que as manifestações pró autogolpe (07/09) foram muito maiores do que as em favor da democracia (12/09). Alegam que isso significa que a maior parte dos eleitores estará ao lado de Bolsonaro em 22. Discordo. Acredito que a enorme maioria dos eleitores manipuláveis está ao lado do Capitão, hoje. Não existe dúvida que as manifestações de 7 de setembro foram muito mais organizadas, havia transporte e uma “chama ou seva” para animar o cidadão. Já o movimento de 12/09 foi genuinamente espontâneo. Não importa, a massa que encheu as ruas estava usando o verde amarelo.
    O que intriga é, o que esse cidadão espera de Bolsonaro? O sujeito desgoverna o Brasil há mais de 2 anos e 8 meses. Nesse período tudo piorou. Esse mesmo brasileiro que foi defender a continuidade do Capitão no trono, nas manifestações de 07/09, quando acordou em 08/09 pagou R$ 7,00 (aproximadamente) no litro da gasolina, comprou apenas 700 gramas de carne, porque o dinheiro não dá mais para comprar 1 kg. O seu aluguel foi reajustado em 30% o que obriga locador e locatário à uma negociação nada agradável. Sua conta de luz é quase impagável e o apagão inevitável, um botijão de gás custa caro demais. A pandemia do coronavírus deixou à mostra a incompetência do Governo para administrar crises, só é bom de criar crises. O Brasil tem número exagerado de mortes por milhão, nenhum país da OCDE, que Bolsonaro quer incluir o Brasil, tem número próximo dos 2738 mortos/milhão de brasileiros. Projeção do PIB pela pesquisa FOCUS cai toda semana (5,07% a última) e inflação sobe (8%).
    Aí, o entendido de Bolsonaro diz: Aguarde, não fale antes da hora, você verá a surpresa que Bolsonaro guarda para o Brasil! Melhor não ter surpresa nenhuma, a cada surpresa a situação do brasileiro piora. Antes, segundo o Ministro da Economia o ex-liberal Paulo Guedes, até empregada doméstica tinha possibilidade de levar o filho à Disney, agora o sonho é um carrinho de supermercado cheio. Quem será surpreendido serão os bolsominios quando as urnas expressarem a vontade do eleitor não tutelado.
    É difícil explicar o mundo da fantasia em que os bolsominions vivem.

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