JOSÉ NÊUMANNE - DIRETO AO ASSUNTO

CHARGE DO SPONHOLZ

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

MEU PITACO SOBRE A PREVIDÊNCIA

Minha mulher me disse: “Legal a estória das melancias, mas você podia falar da previdência, que é o assunto do momento.”

Bem, para explicar a previdência nem precisa de melancias:

O João tem dois irmãos e duas irmãs. Quando seus pais ficarem velhinhos, o João sabe que a tarefa de cuidar deles será dividida entre os cinco. Além disso, o pai dele tem irmãos e vários sobrinhos, e a mãe dele também, então sempre vai ter alguém para dar uma mãozinha.

No outro lado do mundo, o Wu é filho único. O pai dele é filho único e a mãe dele também. O Wu sempre pensa que quando os pais dele se aposentarem, ele vai ter que cuidar deles e do vovô e da vovó e do outro vovô e da outra vovó, sozinho.

A situação da previdência do Brasil não é mais a do João. Ainda não é a do Wu, mas está indo nesta direção. Em palavras diretas: tem cada vez mais gente aposentada e cada vez menos gente trabalhando para sustentar a todos. (se fosse para continuar o tema da minha última coluna, todo mundo acha que tem direito a ganhar melancia, mas tem cada vez menos gente plantando).

Se é tão simples, porque parece tão complicado?

Primeiro: Brasileiro gosta muito de privilégio, nem que seja pequeno. Todo mundo gosta de saber que tem um “direito” a mais que o vizinho.

Segundo: Brasileiro acredita que o governo “dá” coisas para nós. Não é uma questão de lógica, é uma questão de fé.

Terceiro: Brasileiro gosta muito de achar culpados. Quando falam que o governo vai mexer no bolso dele, é grande a tentação de sair gritando “a culpa é dos políticos”, “a culpa é dos militares”, “a culpa é dos corruptos”, “a culpa é de sei lá quem, mas minha não é”.

Quarto: Seguindo uma longa tradição, a comunicação do governo trata o brasileiro como idiota. A TV deveria mostrar algo como “Nossa previdência gasta X e nossa arrecadação é Y; X está crescendo Y não; se continuar assim o país vai quebrar”, mostrando os números e os fatos. Ao invés disso, o governo faz comerciais com pessoas sorridentes e frases vazias dizendo “a nova previdência é boa porque o governo sempre está certo; você só precisa confiar cegamente.” A burrice é tanta que ao invés de usar a expressão certa, “reduzir o déficit”, usam “fazer economia”, o que já induz uma reação negativa: “vão fazer economia com a minha aposentadoria?”

Quinto: Temos um monte de gente que, na falta de algo melhor para inflar sua auto-estima, decidiu ser “resistência”, ou seja, ser contra o governo sempre, não importa o quê seja. É uma grande massa de tolos repetindo slogans sem sentido que leram nas redes sociais. Na próxima vez que você escutar alguém gritando “Regime de capitalização nunca! Olhem o Chile!”, pergunte: “É mesmo? O que aconteceu no Chile?”. Provavelmente você verá um jovem engasgado, porque só disseram para ele repetir “Olhem o Chile!”, sem explicar. Se ele tiver um pouco de iniciativa, vai repetir alguns clichês sobre “prejudicar os pobres”, “enriquecer os banqueiros” e coisas assim. Provavelmente estes clichês serão fundamentados apenas em uma enorme esperança de que sejam verdade, porque na verdade o pobre jovem não é capaz de dizer uma só frase contendo fatos sobre a previdência chilena.

Um conselho? Procure pelos FATOS e pelos NÚMEROS. Sem números, as pessoas dizem “é só tirar daqui e colocar lá”, sem ter idéia de quanto tem aqui ou de quanto precisa lá.

Então, para ajudar (e lembrando que não sou especialista em coisa nenhuma), alguns fatos e números:

– O governo arrecada dinheiro sob dois nomes principais: “impostos” e “previdência”. No fundo é a mesma coisa: o governo – que não produz nada – tomando de quem produz.

– O governo usa o dinheiro que arrecadou em duas coisas: Pagar seus próprios salários (e gabinetes, carros oficiais, lagostas e vinhos premiados) e fornecer serviços que as pessoas pensam que é “de graça”, incluindo aposentadorias.

– Em 2018, o governo gastou 10 bilhões em segurança, 100 bilhões em educação, 110 bilhões em saúde e 716 bilhões em aposentadorias. (leia de novo, com calma: o governo gastou com aposentadorias mais que o triplo de saúde e educação juntas). Tem gente que argumenta que contabilmente não há déficit da previdência, o que há é que o governa desvia recursos da previdência para outras áreas. Em outras palavras, para resolver o problema da previdência é só tirar da saúde, da educação, da segurança e de onde mais precisar.
– Estes 716 bilhões representaram 53% das despesas primárias do governo federal em 2018.

– Se o sistema atual for mantido, daqui a sete anos esta despesa atingirá 80%. (Isto não é um chute: é só pegar o cadastro dos contribuintes e somar quantas pessoas vão atingir as condições para se aposentar).

– Para resolver isso, ou se gasta menos (é o que a reforma quer fazer) ou se arrecada mais (aumentando impostos). Caso alguém diga “dá para arrecadar mais se a economia crescer”, pergunto: fácil assim? como?

– Para comparar: O Brasil gasta 13% do PIB em aposentadorias, contra 10% da Alemanha e 9% do Japão. Há países que gastam tanto ou mais que o Brasil? Sim: França, Portugal, Itália e Grécia. Todos estão quebrados. Note também que todos estes países tem uma população idosa muito maior que o Brasil, o que significa que eles não tem muito como piorar, enquanto nós sim. Note também que em todos eles a idade mínima para se aposentar já é acima dos sessenta há décadas. No Brasil, a idade média das aposentadorias por tempo de serviço é 54 anos.

Importante: estes números deveriam estar sendo divulgados todo dia na TV. Ao invés disso, o governo coloca nos seus sites balanços enormes tão cheios de rubricas e sub-rubricas, que dá para tirar um monte de números diferentes para cada coisa, dependendo do que incluir ou não em cada um. Por isso, não estranhe se você encontrar na internet números diferentes destes que eu mostrei.

Concluo com minha opinião pessoal: o problema não é a previdência, é a mania de achar que o governo nos dá coisas de graça. Solução: capitalização individual, privada, com a maior liberdade possível, garantida por uma rede privada de seguros e resseguros. E para quem não tem capacidade de organizar sua própria vida e seu próprio futuro, salário mínimo pago pelo governo, com o nome de assistência social, não previdência.

DEU NO JORNAL

DOTÔ ADEVOGADO FREQUENTA PUTEIRO DE BERMUDAS

O advogado Kakay, publica O Globo, disse que, embora seja amigos de ministros do STF e os receba em casa, nunca tratou de processos fora da corte.

“Tenho o WhatsApp de alguns ministros que são meus amigos pessoais, mas nunca trato de processo dessa forma. Isso é excrescência, é crime. Uma coisa nunca antes vista”, afirmou, aludindo ao suposto conteúdo das mensagens roubadas de Moro e Dallagnol.

Kakay é um pândego.

* * *

Mais que um pândego, este cabra safado, amigo de Lula, é um tremendo dum cara-de-pau.

Merece o Troféu Óleo de Peroba deste mês.

O jegue Polodoro tá só esperando cruzar com ele – num corredor ou num gabinete de um ministro petista do supremo -, pra enfiar-lhe no olho do furico um cacete equino de grosso calibre e ajumentado tamanho.

Se Kakay estiver de bermuda, vai facilitar enormemente o serviço de Polodoro.

A PALAVRA DO EDITOR

TEM CACHORRO BEBENDO ÁGUA EM PÉ

São Pedro continua com as torneiras abertas aqui em cima do Recife.

Choveu ontem o dia todo. Manhã, tarde, noite e madrugada.

E hoje o dia amanheceu chovendo.

Cada pingo do tamanho de um caroço de jaca.

Conforme registrou o noticiário local, teve até sapo morrendo afogado.

Não fui nem deixar o João no colégio hoje. E ele achou ótimo!

Neste momento, meio da tarde desta segunda-feira, a água maneirou um pouco.

Mas o tempo continua feio.

Um desmantelo danado.

Vôte!!!

DEU NO JORNAL

TUDO SERÁ EXPLICADO

O que levou o sujeito com tornozeleira eletrônica, como a TV mostrou, unir-se aos protestos contra a reforma da Previdência?

* * *

Este dúvida foi levantada por Cláudio Humberto em sua página.

Já enviei mensagem ao bem informado e antenado jornalista pedindo que ele aguarde um pouco.

Ainda hoje o fubânico lulo-petista Ceguinho Teimoso, entusiasmado defensor das manifestações do proletariado e do campesinato, dará os devidos esclarecimentos.

Manifestante com tornozeleira em eventos zisquerdistas é coisa fácil de explicar.

PERCIVAL PUGGINA

A SOCIEDADE EM ALERTA PERMANENTE

Não passa um dia sem que editoriais, artigos e comentários em rádio e TV, se disponham a lecionar o público sobre o caráter negocial da democracia e sobre a impropriedade das mobilizações populares. Neste domingo (16/06), o Estadão volta ao assunto: “O alarido não é bom conselheiro. Decisões de Estado tomadas ao sabor da gritaria das redes sociais, como se tem tornado perigosamente comum, carecem dos elementos básicos de uma política madura”. E por aí vai o texto lastimando a circulação de informações por esses canais, o passeio das versões e das versões de versões, tudo em tempo real, impossibilitando a necessária reflexão.

Se o leitor destas linhas é, também, leitor de alguns dos mais destacados meios de comunicação do país, deve ter visto muito disso por aí. São afirmações que refletem saudosismo dos velhos tempos em que uns poucos iluminados opinavam e influenciavam a opinião pública. Esse tempo, felizmente, passou.

O ganho proporcionado pelo surgimento das redes sociais é imenso! A hegemonia esquerdista fora, até então, produto acabado, finalizado e desastrado desse monopólio. As redes sociais, apesar de sua natureza babélica e caótica, mudaram o país, desfizeram mitos, denunciaram mentiras e seus autores, protegeram a Lava Jato, impulsionaram o impeachment e trouxeram ao debate ideias relegadas às catacumbas. Libertaram os ideários conservador e liberal das
desqualificações que os mantinham no anonimato das prateleiras inacessíveis.

Numa sociedade conduzida durante décadas, como manada, por políticos, economistas, professores, sindicalistas, autores, artistas e atores, de esquerda, descolados, moderninhos e revolucionários, de onde vinha “a voz do povo”? Vinha das massas de manobra. Portava bandeiras vermelhas e era mobilizada a favores de Estado, ônibus de sindicato e sanduíches de mortadela. Durante esses longos anos, dezenas de milhões de brasileiros viveram uma cidadania aleijada, hipossuficiente, sem direito a vaga no parking das opiniões, apartados que eram pela pretensa “superioridade moral” da esquerda. Deu no que se viu e nunca foi diferente.

Seria essa a “política madura”? Se o alarido não é bom conselheiro, presume-se que quem pensa diferente deva se sujeitar a um silêncio obsequioso. Espera-se que a nação creia que tudo andará bem se todos fecharem os olhos, deixarem as instituições “cumprirem seu papel” e a formação das opiniões retornar às antigas vozes?

Não! Impressiona que tantos profissionais da comunicação não percebam o imenso desalento dos brasileiros em relação às instituições do país! É por causa delas que tantos vão às ruas. Cobrar dos cidadãos que entrem em recesso para que a paz volte a reinar é propor um contrato entre ovelhas e lobos. É voltar à cidadania quadrienal, exercida apenas no dia da eleição. E é restaurar o ancien régime da corrupção. Foram as redes sociais e as mobilizações pacíficas dos cidadãos que influenciaram de modo decisivo todas as transformações positivas pelas quais o país passou desde 2014.

Querem ajudar realmente o Brasil? Querem tornar desnecessárias as mobilizações sociais? Ótimo! Ajudem a mudar as instituições. Exerçam nesse sentido o poder que ainda têm. As instituições que temos estimulam condutas irresponsáveis, exigem sociedade em estado de alerta porque fabricam crises com assiduidade e desenvoltura que, mesmo aos 74 anos, não cessam de me estarrecer.

DEU NO JORNAL

MALDADE REACIONÁRIA

Como nada conseguiram com Bolsonaro na base do “toma lá, dá cá”, os partidos do “Centrão” retiraram Estados e Municípios da reforma da Previdência.

Para forçar governadores e prefeitos a “convencê-los” a apoiar o projeto, no mais desavergonhado balcão de negócios.

* * *

Como é mau e cruel este reacionário fascista que está na presidência.

Estrangular a centenária e salutar prática do “toma lá, dá cá”, e negar pedidos dos dignos e patrióticos parlamentares do Centrão, é crime de tortura.

Sacanagem.

Deveriam trazer Bolsonaro na coleira, como nos governos anteriores.

CHARGE DO SPONHOLZ

ANDERSON BRAGA HORTA - SONETO ANTIGO

NUVEM

Vês, ao longe, uma nuvem fugidia
beijando a extrema curva do horizonte?
Qual garça fugitiva ela corria;
parada, sorve a luz da eterna fonte.

Olha-a bem. Vê-lhe a forma, que varia,
conforme a viração, de monte a monte.
Peregrina volúvel… Caberia
senão em todo o céu? Aqui defronte

fita-me agora. Como a dos espaços,
nuvem, movem-me as auras de uns carinhos,
aquieta-me a volúpia de uns abraços…

Só por ti sou todo eu: repouso e lida,
langor e crispação, brandura e espinhos,
na pulsação unânime da vida!