PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

O MEU NIRVANA – Augusto dos Anjos

No alheamento da obscura forma humana,
De que, pensando, me desencarcero,
Foi que eu, num grito de emoção, sincero
Encontrei, afinal, o meu Nirvana!

Nessa manumissão schopenhauereana,
Onde a Vida do humano aspecto fero
Se desarraiga, eu, feito força, impero
Na imanência da Ideia Soberana!

Destruída a sensação que oriunda fora
Do tacto – ínfima antena aferidora
Destas tegumentárias mãos plebeias –

Gozo o prazer, que os anos não carcomem,
De haver trocado a minha forma de homem
Pela imortalidade das Ideias!

Colaboração de Pedro Malta

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ROQUE NUNES – CAMPO GRANDE-MS

Papa Berto, Primeiro e único

Acabei de “ponhá” 50 caraminguás na sua conta para ajudar na compra da ração do Polodoro e pagar as horas extras da Chupicleide.

Como sou analfabáitico em mandar esses recibos via “infernet”, é só conferir lá.

Sou de Campo Grande, capital do Glorioso Mato Grosso do Sul, terra de gente abestada metida a valente e fubânicos convictos.

E continue dos brindando com notícias da hora

R. Meu caro leitor, não precisa mandar recibo do depósito.

Chupicleide tirou o extrato e viu que o dinheiro já está na conta desta grande empresa registrada como Complexo Midiático Besta Fubana.

Ela e Polodoro relincharam de alegria com a vossa generosidade.

Polodoro comeu mais ração do que o normal e Chupicleide chega se mijou-se nas calçolas de tanta felicidade.

Toda doação é muito bem vinda e ajuda demais a pagarmos a hospedagem mensal e todas as outras despesas feitas para manter esta gazeta escrota nos ares.

Desde o pagamento do absorvente de Chupicleide até o amolamento das ferraduras de Polodoro.

Espero que o exemplo de vocês doadores amoleça os corações dos miscos, dos fominhas, dos pirangueiros, dos avarentos, dos sovinas, dos manicurtos, dos unhas-de-fome, dos ingenerosos, dos unhacas, dos somíticos e dos miseráveis que não se compadecem com as aperturas  pelas quais passamos.

Abraços para toda patota fubânica de Campo Grande e um excelente final de semana!!!

A  bela e progressista Campo Grande, uma das 27 capitais brasileiras onde esta gazeta escrota é acessada e lida todos os dias da semana

A PALAVRA DO EDITOR

O INSTITUTO DATA BESTA INFORMA

Abaixo estão os resultados da última pesquisa feita pelo Data Besta, o instituto de pesquisas mais confiável que existe na praça.

Informo aos distintos leitores desta gazeta escrota que uma nova pesquisa já está no ar.

Vá aí do lado direito e cumpra seu dever cívico-fubânico.

E tenham todos um excelente final de semana!!!!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

FLAVIO BELINI – SÃO PAULO-SP

Editor,

Veja só quanta diferença entre os protestos criminosos dos safados da esquerda e as manifestações pacíficas e ordeiras dos cidadãos de bem. 

Estes caras são uns bandidos e baderneiros.

Ontem eles atrapalharam a vida dos trabalhadores e das pessoas honestas.

E vamos continuar firmes na luta!

No próximo dia 30 estaremos todos nas ruas.

A PALAVRA DO EDITOR

É MENTIRA, TERTA???

Não basta ouvir a Globo e acessar Veja, Estadão ou Folha.

Pra ler mentira e ficar por dentro de tudo que não aconteceu, tem que ler também o jornal Luta Sindical (melhor seria Lula Sindical…), editado pela pelegada do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes.

Vejam que manchete da porra eles publicaram ontem:

Estes cabras, como todos os zisquerdistas, mentem mais do que a Cega Dedé, a maior inventadeira de histórias lá de Palmares.

É pra fazer o cabra se mijar-se de tanto se rir-se.

Eles matam Panteleão de inveja.

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

UMA COISA EXCLUI A OUTRA

Comentário sobre a postagem NÃO QUERO MAIS ANDAR NA CONTRAMÃO

Nkolai Hel

As suas convicções antes fossem apenas diferentes das minhas.

Elas apenas são moralmente putrefatas, parasitárias, maniqueístas, sórdidas, fraudulentas, indignas, abjetas, vis, mefistofélicas e beiram ao delírio tétrico digno de encontrar morada na mais atual habitação de Adélio Bispo (o manicômio judiciário). São tão famélicas de bom senso, tão visceralmente alucinadas que não há grau de surrealismo ou fantasia que lhe façam paralelo.

O esquerdismo é uma doença cujo enfermo se torna um ser execrável, e não há limites para sua execração, como apresentar ideias, fatos, dados e argumentos que são a quintessência da mentira e da desinformação.

Apesar de eu ser agnóstico, se Lúcifer existe, até ele se ruboriza com suas convicções, advogado morfético, até porque você personifica bem o aspecto mais nauseabundo do arquétipo do advogado: defender o cliente (neste caso, o sapo barbudo, sua quadrilha com CNPJ de partido político, e sua ideologia nefasta e apocalíptica), acima da verdade (qualquer que seja ela).

Em suma, você não passa de um pária que, por muito menos, num país autenticamente socialista, já teria virado mandioca. Mas como vive num país cujo Socialismo teve sua metástase neutralizada (ainda necessitando de muita quimio e radioterapia), você é como qualquer outro lulo-petralha-canhestro-progressista-globalista que vilipendia compulsivamente os alicerces da Direita e seus princípios culturais e civilizacionais usufruindo de suas próprias benesses.

Nisso tudo, se há algo do qual pode se jactar, talvez seja por você ser o píncaro da persona de adepto fundamentalista da seita macabra da estrela vermelha, pois você e tudo que lhe constitui, são o mais abissal ocaso ético e moral que pude ver em um petista.

Se errar é humano, petista é incapaz de errar: é o próprio erro em carne, ossos e sangue.

Portanto, ou se é humano, ou se é petista.

JOSÉ NARCELIO - AO PÉ DA LETRA

A MUSICALIDADE DE CADA UM

Eu possuía todos os predicados para ser uma criança complexada: bissexto, magrela, tímido, gago, canhoto, míope e sem qualquer habilidade esportiva. Como se não bastasse a miopia, ainda por cima usando armação de casco de tartaruga que me assemelhava ao Dr. Silvana, o vilão mais antigo de Shazan na época em que o herói ainda era chamado de Capitão Marvel.

O incompreensível de tudo isso é que nunca sofri qualquer tipo de bullying nem me puseram apelidos, talvez por estudar num colégio de viés católico. Convivia com a minha patota sem qualquer aptidão que me destacasse dentre os demais colegas. Nada disso impedia-me de ler muito, ouvir música de qualidade e sonhar. Sonhava alto. Nada de sonhos diminutos.

Um deles era imaginar-me substituindo Paul McCartney no conjunto The Beatles. Para mim, nada mais natural: eu era canhoto tal qual o dito cujo e dispunha de alguma afinação vocal. Porém, o sonho diluía-se ao lembrar dos meus cabelos crespos e da impossibilidade de corta-los ao estilo mot-top, que consistia em moldar as costeletas longas e a franja na testa no feitio tijelinha.

A timidez nunca impediu de eu enveredar por inovações no ginásio. Lembro bem da série ficcional futurística criada por mim e publicada, semanalmente, no painel de informes da escola. A trama ficou tão complicada que eu não soube como dar-lhe um final, então parei de escrever. A minha professora cobrou-me o desfecho, porque as mães dos alunos estavam ansiosas pelo epílogo da história.

Tomávamos aulas de canto orfeônico e o nosso professor classificou-me como um segunda voz. Na época, faziam sucesso no Brasil os trios Irakitan e o Los Panchos. Arvorei-me a criar um trio, e o fiz. Deu certo. Agora vem a pergunta: um gago pode cantar? Claro! Canta melhor do que fala. Vejam o exemplo de Nelson Gonçalves, gago de fazer pena, porém um cantor incomparável.

Na prova final das aulas de cântico o professor da matéria não compareceu. Coube ao diretor do ginásio, um sacerdote, assumir o comando do teste vocal, simplificado de forma que cada aluno cantasse a música de sua preferência.

Ao chegar a minha vez, o diretor, conhecedor e apoiador do nosso trio, perguntou-me: Narcelio, você conhece a música Interesseira? Eu lhe respondi já cantando o sucesso das paradas na voz de Anísio Silva:

Interesseira, não amas ninguém/Não tens coração/Só causas o mal/De quem te quer bem/Interesseira, a mim não convém/Pagar por um desejo, que é farsa do teu beijo/Que alma não tem.

Nessa linha de lamentações a letra exalta a desilusão de um amor não correspondido. As más línguas interpretaram o pedido da canção como um desabafo por decepção sentimental do clérigo na busca pela atenção de uma aluna do ginásio.

Semanas atrás, após uma baita crise de garganta, entrei numa loja e interpelei uma vendedora com voz grave e bem postada, sobre determinado equipamento de som. Antes de me responder a jovem perguntou: O senhor é locutor? Respondi-lhe: Sim. E já destruí muitos casamentos com essa minha voz radiofônica. Mostrando espanto, ela se afastou de mim exclamando: Cruz, credo!

Por essa razão e outras assemelhadas, eu resolvi educar a voz. Espero apenas o cancioneiro Fernando Vila concluir as suas aulas de canto para juntos criarmos um dueto direcionado para dor de cotovelo. Eu, na condição do segunda voz. Claro!

PENINHA - DICA MUSICAL