A PALAVRA DO EDITOR

DEU NO JORNAL

AUGUSTO NUNES

VOANDO NA GAIOLA

Lula ainda não decidiu se vai confessar que é bandido ou jurar que aprendeu a voar na cadeia e virou pombo-correio

“Tornozeleira é para bandido ou pombo correio”.

Lula, numa entrevista concedida na cadeia em Curitiba um dia antes de se tornar réu pela 10ª vez, ao responder se aceitaria usar tornozeleira eletrônica, preparando-se para declarar que, depois de ter sido JK, Tiradentes, Mandela e Jesus Cristo, aprendeu a voar e virou um pombo-correio.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

O TEMPO PASSA? NÃO PASSA – Carlos Drummond de Andrade

O tempo passa? Não passa
no abismo do coração.
Lá dentro, perdura a graça
do amor, florindo em canção.

O tempo nos aproxima
cada vez mais, nos reduz
a um só verso e uma rima
de mãos e olhos, na luz.

Não há tempo consumido
nem tempo a economizar.
O tempo é todo vestido
de amor e tempo de amar.

O meu tempo e o teu, amada,
transcendem qualquer medida.
Além do amor, não há nada,
amar é o sumo da vida.

São mitos de calendário
tanto o ontem como o agora,
e o teu aniversário
é um nascer toda a hora.

E nosso amor, que brotou
do tempo, não tem idade,
pois só quem ama
escutou o apelo da eternidade.

Colaboração de Pedro Malta

CHARGE DO SPONHOLZ

J.R.GUZZO

GRANDE IDEIA

A mais rica cidade do Brasil é atravessada de ponta a ponta, ao longo de quase 25 quilômetros, por um dos mais extensos, perigosos e sinistros esgotos a céu aberto do planeta ─ o Rio Tietê. Essa fossa, riquíssima em tudo o que pode haver em matéria de coisa podre, de lixo e de tóxicos em seus estados mais agressivos, é confinada entre avenidas gigantes dos dois lados, as célebres “Marginais”, pelas quais passam diariamente cerca de 2 milhões de veículos com toda a emissão de gás carbônico a que têm direito. Um sujeito que cair ali dentro pode perfeitamente não ter tempo de se afogar ─ corre o risco real de morrer envenenado antes, no meio da pasta química mortal que substitui há décadas a água corrente do rio. Nenhuma forma conhecida de vida sobrevive dentro desse horror. Isso é só uma parte do problema. Pouco antes de sair do município de São Paulo, em direção à sua foz 1.100 quilômetros adiante, o Tietê encontra o canal do Rio Pinheiros ─ outro sério concorrente ao título de Oitava Maravilha da Poluição Urbana do Mundo, negro de imundície e igualmente ladeado por duas avenidas de tráfego insano. Sua única vantagem: é um pouco mais curto que a cloaca irmã.

Parece claro que existe aí um problema ambiental monstruoso, desses que teriam de ser resolvidos antes de quaisquer outros pelas autoridades e defensores da natureza em qualquer país mais ou menos civilizado do mundo ─ até porque prejudica diretamente os 21 milhões de brasileiros que moram na área metropolitana de São Paulo. Parece, mas não é. Não apenas não é: não passa pela cabeça de ninguém que possa ser assim, entre os milhares de ambientalistas, ecologistas, engenheiros ambientais, naturalistas, indigenistas, procuradores, fiscais e o resto dos burocratas que infestam as repartições de defesa do meio ambiente nos três níveis da administração. Isso sem contar, naturalmente, com as ONGs “do verde”; para essas, então, falar em poluição urbana é praticamente um crime. A única questão ambiental válida, em tal mundo, é o pacote que engloba florestas, cerrados, mangues, ilhas perdidas, fauna, flora, bagres de rio ─ tudo, em suma, que não inclua o ser humano, salvo se ele for índio. O Rio Tietê que se dane. O que interessa é pegar o cidadão que cortou um pé de gabiroba num sítio perdido em algum fim de mundo, ou exigir prisão inafiançável para o infeliz que matou um macaco-prego no sertão do Ceará.

O verdadeiro desastre ambiental do Brasil do século XXI não está no meio do mato, e sim na cara de todo o mundo, todos os dias; não afeta sapos ou papagaios, mas mata gente de carne e osso. Centenas de cidades brasileiras com mais de 50.000 habitantes são envenenadas por rios mortos como o Tietê e o Pinheiros. Não menos que 50% da população, ou 100 milhões de pessoas, não dispõem de esgotos. Uns outros 40 milhões, possivelmente, não têm acesso a água tratada de boa qualidade. Há 3.000 lixões em pleno funcionamento em 1.600 cidades por todo o país ─ aterros ao ar livre onde lixo e todo tipo de detritos são jogados e abandonados, sem qualquer tratamento. Desde 2014 não deveria mais existir nenhum lixão aberto no Brasil, por exigência da lei; só que há mais lixões hoje do que havia cinco anos atrás. Essas cordilheiras de dejetos contaminam a água, poluem o ar e envenenam o solo. Cerca de 95 milhões de cidadãos, segundo cálculos das empresas de limpeza pública, têm sua saúde e qualidade de vida diretamente prejudicadas pelo descarte no lixo no meio da população em geral.

Mas quem é que está ligando para isso, entre os autocratas ambientais? Suas paixões são outras. Entre os surtos que vivem tendo, tornou-se conhecido, recentemente, o bloqueio que o Ministério Publico comanda há oito anos contra a construção da linha mestra de transmissão de energia elétrica em Roraima. Como os 350 índios waimiri ─ isso mesmo, 350 ─ que vivem nos 225.000 quilômetros quadrados de Roraima têm objeções ao linhão, o MP vem vetando sistematicamente as obras, desde sua aprovação em 2011. Com isso, a maior parte do território do Estado, e seus 500.000 habitantes, não recebem um único watt de eletricidade brasileira. São obrigados a depender de fornecimento importado da Venezuela ─ que hoje não consegue produzir nem papel higiênico, e vive falhando na entrega. Há, agora, um esboço de solução. A população de Roraima reza.

O universo ecológico diz que o Brasil deveria, ao mesmo tempo, eliminar seus problemas ambientais urbanos, permitir o progresso e preservar a natureza. Grande ideia. É só executar.

DEU NO JORNAL

DUAS BOSTAS DO MESMO PINICO

Flávio Dino (PCdoB) não parece perder o sono com a situação do Maranhão, atolado em dívidas e pagando preço alto pelos desacertos da sua gestão.

Ele é contra a reforma da Previdência e se isolou com o petista Rui Costa (Bahia) contra a carta dos demais 25 governadores pela manutenção dos estados e municípios no projeto.

Eles são contra porque a proposta é de Jair Bolsonaro, ainda que disso dependa a recuperação dos milhões de empregos deletados nos governos do PT.

Só na previdência do Maranhão de Flávio Dino, o rombo chega a R$2,5 bilhões. E a reforma faria o Estado economizar R$ 6,2 bilhões.

A Bahia pode economizar R$ 29 bilhões nos próximos 10 anos com reforma.

Para Rui Costa e Flávio Dino, o importante é ficar contra.

* * *

PCdoB e PT, uma parelha de partidos da porra.

Dois tolôtes vermêios do mesmo pinico.

AUGUSTO NUNES

AMANTE REALISTA

Gleisi avisa que será preciso muito mais que uma ampla reforma da Previdência para consertar o que o desgoverno do PT conseguiu destruir

“Enquanto Bolsonaro quer transformar carros em armas a economia derrete. Insistem q a reforma da Previdência é a panaceia p/ todos os males. O país ruma p/ tragédia social, mas Guedes e os seus estão como a banda do Titanic, fingindo controle. A teimosia vai matar o paciente”.

Gleisi Hoffmann, deputada federal e presidente do PT, conhecida pelo codinome Amante no Departamento de Propinas da Odebrecht, no Twitter, comunicando ao país que será preciso muito mais que uma ampla reforma da Previdência para consertar o que o PT conseguiu destruir em 13 anos de desgoverno.

DEU NO JORNAL

CONSPIRAÇÃO REACIONÁRIA

O número de cidadãos que deixaram a Venezuela por causa da crise superou a barreira dos 4 milhões, anunciaram nesta sexta-feira, 7, conjuntamente a Organização Internacional para as Migrações (OIM) e a Agência de Refugiados das Nações Unidas (Acnur).

Os cidadãos venezuelanos se tornaram um dos maiores grupos de populações deslocadas do mundo, após a aceleração do êxodo em massa a partir de 2016.

Em apenas sete meses, contados desde novembro de 2018, o número de refugiados e migrantes venezuelanos aumentou em 1 milhão, segundo a ONU.

“O ritmo de saídas da Venezuela foi assombroso. Eram cerca de 695.000 no fim de 2015, e desde então a quantidade de refugiados e migrantes da Venezuela disparou para mais de 4 milhões em meados de 2019”, disseram OIM e Acnur em declaração conjunta.

* * *

Eu acho que estes tais órgãos internacionais, OIM, Acnur e ONU, são organizações fascistas da extrema direita.

Todos eles estão a serviço da conspiração internacional, comandada pelos Zistados Zunidos.

Conspiração para derrubar o governo progressista, revolucionário e zisquerdista do grande líder Maduro, herdeiro do pajarito Hugo Chávez e aliado de outro grande líder mundial, o brasileiro Luiz Inácio, atualmente cumprindo uma pena injusta por corrupção e lavagem de dinheiro.

Gleisi Hoffmann, Jandira Feghali, Maria do Rosário e Ceguinho Teimoso recomendam que ninguém dê abrigo ou comida aos reacionários que estão abandonando a Venezuela.

São todos eles fascistas e traidores.

Estes anti-revolucionários que aparecem cruzando a fronteira na foto abaixo não passam de canalhas acovardados.

Fala, Lula!!!

Diz a verdade!!!

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

40 ANOS DE ESPERA

Leopoldo encontrou Silvinha no Aeroporto do Galeão, cumprimentou-a com alegria. Sentiu uma pontada no coração ao ver sua ex-namorada de juventude, bonita e conservada. Os dois viajavam para Maceió.

Ao entrar no avião ela tomou uma poltrona na frente, no meio, enquanto Léo ficou na traseira. Ao decolar, Leopoldo notou, a poltrona ao lado de Silvinha estava vaga. Certo momento ele se achegou com um livro na mão.

– Ôi! Posso sentar-me?

– Quanta honra para mim – Disse a amiga sorrindo.

– Menina, você está linda. Difícil uma mulher ficar assim em sua idade.

– Querido Léo, sempre gentil. Conservar o corpo e a cabeça é uma obrigação de nossa geração. Exige sacrifício, dieta, caminhada, yoga. A plástica ajuda. Você também parece estar em forma para um boêmio que sempre foi e é ainda. Acompanho sua vida ao longe.

– Estou no terceiro casamento, sempre procurando pelo amor, sou um romântico. E você continua casada com aquele médico carioca? Tem netos? Eu tenho dois.

– Tenho três netos. O médico carioca me deixou por uma jovem. Que livro é esse?

– “O Amor no Tempo do Cólera”. Já leu?

– Ótimo livro! Achei lindo o cara esperar 50 anos por seu amor, até que um dia conseguiu. Diferente de você, meu amigo que teve tantos amores na vida. Ainda continua mulherengo?

– Silvinha, na verdade, nunca lhe esqueci. Nós namoramos dois anos, lembra? Éramos apaixonados. Um namoro bonito, eu não conseguia olhar para outra moça, só havia você. O tempo e a distância foram cruéis, nos afastaram. Eu parti para estudar agronomia em Minas. No primeiro ano nós suportamos a distância com belas cartas e as gostosas férias. Depois seu pai foi trabalhar no Amazonas. Aí danou-se, a distância fez você me esquecer e namorar o carioca.

– De fato. Eu chorava como uma adolescente apaixonada, não queria ir para Manaus, mas fui obrigada. Era uma menina de 17 anos, naquela época não tinha força. Jurei nunca mais me apaixonar para não sofrer. Só pensava em você, coisa de adolescente.

– Passei umas férias frustradas em Maceió. No carnaval caia na folia para lhe esquecer. Talvez minha fama de mulherengo, namorador tenha sido a frustração de ter lhe perdido. Quando você foi para o Amazonas a tristeza bateu em minha porta. Quer saber? No fundo ainda resta alguma coisa daquele amor juvenil num cantinho do peito.

– Ai que lindo! Assim não vale. Não mexa com meus sentimentos. Hoje você está com o cão atazanando. Fique quieto menino. Você é um homem casado.

– Menina, sempre fui louco e tarado por você. Vou lhe confessar: Quando você tinha 14 anos já era moça feita e ia lá para casa brincar com minhas irmãs, ainda não namorávamos. Eu inventava de brincar de professor, deixava cair o lápis e ficava olhando por baixo da mesa suas maravilhosas pernas, você sempre de calcinha branca.

– Meu Deus!!! Começamos a namorar nos meus 15 anos. Naquele tempo namorado não transava, mas você era adiantado nos agarrados e quando entrávamos no mar da praia da Avenida eu ficava louca. Nosso namoro era considerado escandaloso para época. Menino sem juízo!

– Você era minha paixão. Quantas vezes eu me possui em sua intenção!

– Eu também, em muitas noites insones pensava em seus carinhos.

– Quando você voltou do Amazonas noiva de um médico do Rio de Janeiro, deu-me uma tremenda dor de corno, com todo o ciúme do mundo. Nesse dia fui à zona de Jaraguá e tomei o maior porre.

– Engraçado, no dia de meu casamento eu estava feliz, confesso, mas fiquei lhe procurando entre os convidados, não lhe vi. Todas as viagens que fiz a Maceió eu tinha uma vontade louca de lhe ver. Passei minha vida no Rio, gosto de lá, meus filhos também. Criei raízes. Embora eu tenha me machucado com o ex-marido, continuo minha vida em Ipanema. Venho a Maceió para passear e rever amigos.

– Que tal me rever?

– Ei! Estamos chegando, olhe que mar lindo de minha terra!

– Não fuja da conversa. Quero lhe ver amanhã. Vamos almoçar juntos?

– Almoçar? Toda Maceió vai saber! Você está louco?

– Num local discreto. Conheço uma suíte linda em Jacarecica.

– Você sempre objetivo. Menino impossível. Que tal me pegar às três da tarde defronte o coreto da Avenida. Está bom?

– Está ótimo!

O avião aterrissou, Leopoldo segurou a mão de Silvinha e cochichou em seu ouvido.

– Vá de calcinha branca, por favor. São mais de 40 anos de espera!