DEU NO JORNAL

A PALAVRA DO EDITOR

À BEIRA DO ATLÂNTICO

Véspera de São João, Recife está pegando fogo.

Fogos, forró e fogueiras por toda a cidade.

Uma festa arretada. Aqui na capital, no interior e em toda a Nação Nordestina.

Assim como se deseja “Feliz Natal” no final do ano, por aqui a gente deseja “Feliz São João” neste época junina.

Uma tradição secular que se solidifica a cada ano que passa.

E que movimenta toda a economia da região. Faz uma bem danado pras pessoas e pro comércio.

Passei este domingo festivo na Praia de Muro Alto, um paraíso localizado na cidade de Ipojuca.

Fica no litoral sul de Pernambuco, a menos de uma hora do Recife, por uma excelente rodovia.

O sol estava ótimo e o dia muito bonito. Mas eu fiquei muito aperreado. Muito chateado mesmo.

Tudo por conta do forte assédio de que fui vítima da mulherzada que passeava pra lá e pra cá pela areia.

Cada pé-de-rabo de encher as vistas. Todas se inxirindo e se oferecendo pra mim.

Ainda bem que Aline já está acostumada com este assédio de que o marido é vítima constantemente, pra onde quer a gente vá. Ela nem liga e faz de conta que não está vendo.

O danado é que ainda não criaram uma Delegacia do Homem onde eu pudesse registrar queixa das inúmeras cantadas que recebo.

Nem também criaram uma Lei Maria da Lenha, pra proteger nós outros, os pobres machos, vítimas indefesas dessas fêmeas fogosas.

Coisa horrorosa!

DEU NO JORNAL

NUNCA SE VIU ALGO ASSIM

A Folha de S. Paulo tirou as mensagens roubadas de seu contexto.

Uma lista com dezenas de políticos foi encontrada na casa de um diretor da Odebrecht e vazada para a imprensa. Sergio Moro temia que esse vazamento aloprado fosse atribuído a ele e que isso acabasse facilitando o golpe no STF e no CNJ para tomar-lhe todos os processos.

Como disse Deltan Dallagnol, num de seus diálogos, “o receio é que isso seja usado pelo STF contra a operação e contra o Moro”.

O receio era mais do que justificado.

Três dias depois da conversa entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol, O Antagonista suspeitou que o vazamento da lista fosse uma manobra semelhante à “armadilha Bisol”.

Releia aqui:

O Antagonista alertou em julho do ano passado para uma das mensagens mais intrigantes encontradas pela Lava Jato no celular de Marcelo Odebrecht.

A frase “Armadilha Bisol/contra-infos” sugeria a reedição por MO de uma estratégia usada na década de noventa para engavetar outra investigação contra a empreiteira.

A “superplanilha” parece se encaixar perfeitamente no plano de MO, sendo deixada na casa de um de seus principais executivos para ser encontrada pela Polícia Federal.

Revejam o post:

Armadilha Bisol

Brasil 21.07.15 06:27

“Armadilha Bisol/contra-infos. RA? EA/Veja?”.

Essa mensagem de Marcelo Odebrecht que a PF encontrou em seu telefone celular tem uma história que precisa ser revista.

Em 1993, a PF apreendeu 18 caixas de documentos na casa de um diretor da Odebrecht.

Segundo os investigadores, os documentos indicavam “a existência de um cartel das grandes empreiteiras para fraudar as licitações de obras públicas”. Os documentos indicavam também que a Odebrecht havia distribuído propina a dezenas de parlamentares.

José Paulo Bisol, relator da CPI das Empreiteiras e candidato a vice-presidente na chapa de Lula em 1989, passou à Veja uma lista com mais de 200 políticos que, segundo os documentos da Odebrecht, teriam recebido presentes.

Tratava-se de uma armadilha: a armadilha Bisol.

Na realidade, muitos dos parlamentares citados haviam recebido apenas brindes da empreiteira, como calendários e agendas. Quando José Paulo Bisol misturou os corruptos aos inocentes, os corruptos foram inocentados.

A CPI das Empreiteiras, desmoralizada, foi arquivada. E a Odebrecht continuou com seu cartel e com seus pagamentos aos políticos.

* * *

Se a Folha teve acesso ao inteiro material roubado da Lava Jato, há um crime em andamento: a quebra de sigilo de fonte de todos os jornalistas que fizeram contato com procuradores da operação.

O sigilo de fonte jornalística, garantido pela Constituição, já havia sido quebrado quando o hacker passou as mensagens ao site do seu cúmplice. Agora, no entanto, o fato se torna mais grave com a possibilidade de um jornal como a Folha estar na posse de eventuais conversas de jornalistas de publicações concorrentes com procuradores da Lava Jato.

Mesmo que não as divulgue, o jornal já teria conhecimento dessas conversas. Nesse caso, a quebra de sigilo estaria configurada.

Nunca se viu algo assim.

* * *

A Folha de S. Paulo tentou verificar a autenticidade das mensagens roubadas à Lava Jato.

“Os repórteres, por exemplo, buscaram nomes de jornalistas da Folha e encontraram diversas mensagens que de fato esses profissionais trocaram com integrantes da força-tarefa nos últimos anos, obtendo assim um forte indício da integridade do material.”

Não há a menor dúvida de que mensagens foram roubadas. Os próprios procuradores denunciaram a invasão de hackers.

A questão é saber se alguma frase forjada foi inserida nos arquivos originais.

E isso só se pode descobrir investigando o criminoso que roubou as mensagens.

* * *

O novo lote de mensagens roubadas à Lava Jato mostra que:

1) Sergio Moro e Deltan Dallagnol tentaram conter o vazamento para a imprensa de uma lista (possivelmente apócrifa) de políticos suspeitos de receber propina da Odebrecht;

2) Eles temiam uma manobra do STF para tirar a Lava Jato de Curitiba e engavetar os inquéritos em Brasília, por causa do foro privilegiado;

3) Nem o juiz, nem o procurador interferiram no trabalho da PF;

4) Sergio Moro contava com Teori Zavascki para impedir o golpe;

5) Nenhuma ilegalidade foi cometida.

* * *

Estas notas foram publicadas hoje, domingo, na página O Antagonista.

E isso basta.

Chega pra este domingo.

A PALAVRA DO EDITOR

DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MARLY COUTINHO – FEIRA DE SANTANA-BA

Nobre Editor do melhor jornal do Brasil,

A grande mídia, mais conhecida por grande merda, está totalmente pirada.

A revista Veja deveria se retratar, pedir desculpas ao povo brasileiro e publicar esta capa.

Meu afetuoso abraço!!!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

BOSTOSIDADE CRANIOLÓGICA

Uma pesquisa de uma dupla de cientistas australianos aponta que jovens que ficam muito tempo com a cabeça dobrada para baixo, em uma posição comum para olhar a tela do celular, podem desenvolver uma protuberância na parte de trás do crânio.

O crescimento é comparável a um calo, e fica na parte de trás, na junção entre o crânio e o pescoço.

Os pesquisadores são David Shahar e Mark Sayers, da Universidade de Sunshine Coast, em Queensland, na Austrália.

Na mídia da Austrália, a pesquisa tem sido noticiada como o desenvolvimento de um chifre na parte de trás do crânio desenvolvido por causa do celular.

* * *

Eu já ouvi falar muito de chifres na testa.

Muito mesmo.

Mas de chifres no crânio é a primeira vez que tenho notícia.

Se estes cientísticas australianos fizessem um estudo aqui no Brasil, iriam constatar que a militância do PT, ao invés de calo ou chifre, desenvolve mesmo é muita bosta no crânio.

Sem qualquer sombra de dúvidas.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Zeferino Vaz

Zeferino Vaz nasceu em São Paulo, em 27/5/1908. Médico, professor e fundador da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e reitor da Universidade de Brasília (UnB). Os primeiros estudos se deram no Liceu Coração de Jesus. Poderia ter sido um grande ator, pois atuou no teatro do colégio, ao lado de Rodolfo Mayer, em várias peças e também no cinema. Perdemos um ator e ganhamos um reitor. Uma troca da qual não podemos reclamar.

Em 1926 ingressou na Faculdade de Medicina de São Paulo e, logo, tornou-se monitor da cadeira de parasitologia. Em seguida foi estagiário no Instituto Biológico de São Paulo, onde foi nomeado assistente, em 1930, e fundou, junto com Clemente Pereira, a seção de parasitologia animal. Formou-se médico em 1931 e foi assistente do professor André Dreyfuss na cadeira de histologia e embriologia da recém fundada Escola Paulista de Medicina, atual UNIFESP-Universidade Federal de São Paulo. Em 1932 participou ativamente da Revolução Constitucionalista, deflagrada em São Paulo. Aprofundou os estudos em sua especialidade e pouco depois foi lecionar Zoologia e Parasitologia na Escola de Medicina Veterinária da USP, onde foi diretor entre 1936-1947 e 1951-1964.

Em 1947 coordenou a Comissão criada para implantar uma faculdade de medicina no interior de São Paulo. Quatro anos após organizar o currículo e planejar a instalação numa antiga fazenda de café, foi criada a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. No discurso de posse como diretor, em 1951, deixou claro suas intenções: “Minha gente, vim criar uma Faculdade de Medicina. Mas não vim criar uma Faculdade de Medicina qualquer. Vou fazer daqui o melhor Centro de Educação Médica e de pesquisas científicas, no campo da medicina, do Hemisfério Sul”. Hoje a FMRP é o maior centro de formação de médicos em nível de pós-graduação do País. Em 1963, foi secretário estadual de Saúde Pública. De 1964 a 1965 foi o primeiro presidente do Conselho de Educação do Estado de São Paulo.

Logo após o Golpe Militar de 1964, foi nomeado reitor da Universidade de Brasília-UnB em substituição a Anísio Teixeira, cassado pelos militares. Fez o que pode para manter a estrutura inovadora da UnB, realizando inclusive gestões bem-sucedidas para libertar os professores que haviam sido presos durante a invasão do campus universitário por tropas da Polícia Militar e do Exército, em 9/4/1964. Apesar das limitações de verbas e das demissões de 13 professores e instrutores, o trabalho de implantação da UnB prosseguiu, segundo ele mesmo, com o intuito de “salvar a universidade da destruição”. Nessa lida, chegou a impedir o afastamento de indivíduos de alta qualificação, como Oscar Niemeyer e Almir Azevedo, acusados de subversão. Em certa ocasião foi chamado de “o reitor de direita que protegia as esquerdas”. Em 1965 pediu demissão do cargo devido ao impasse gerado pela contratação do professor Ernâni Maria Fiori, pensador católico gaúcho demitido da Universidade de Porto Alegre e aposentado com base no Ato Institucional nº 1 (9/4/1964). Foi substituído na reitoria da UnB por Laerte Ramos de Carvalho, mas continuou integrando o Conselho Diretor da Fundação Universidade de Brasília.

Em seguida, retornou a São Paulo com a missão de fundar a primeira universidade no interior do estado, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Nomeado reitor em 1966, lutou para reunir alguns dos melhores cientistas brasileiros para formar uma instituição de pesquisa sólida e respeitada, tornando a Unicamp uma das mais produtivas e respeitadas instituições de pesquisa da América. Sua filosofia de trabalho era simples até no modo de se expressar: “para funcionar uma universidade precisava primeiro de homens, segundo de homens, terceiro de homens, depois bibliotecas, depois equipamento e, finalmente, edifícios”. Assim, preocupou-se primeiramente com a contratação de pessoas capazes intelectualmente e com experiência pedagógica. Convidou cientistas e brasileiros que atuavam nos EUA e na Europa, e trouxe também professores estrangeiros.

Em 1979 a Unicamp já contava com um quadro de expressivos cientistas e pesquisadores de nível internacional: César Lattes, Gleb Wataghin, Vital Brasil, Rogério Cerqueira Leite, Giuseppe Cilento, André Tosello entre outros. No movimento de reivindicação das liberdades democráticas, mostrou-se favorável ao ressurgimento do movimento estudantil, lutou pela autonomia universitária e buscou a integração entre a universidade e a comunidade local. Manifestou-se favorável à reintegração dos professores e cientistas aposentados pelo Ato Institucional nº 5, sugerindo a imediata revisão de seus casos. Porém, com o acirramento dos movimentos políticos, foi contra a reivindicação do movimento estudantil de retorno à legalidade da UNE-União Nacional dos Estudantes, afirmando que a entidade teria sua atuação desviada para questões alheias aos interesses universitários.

Ocupou diversos cargos públicos e civis, tais como membro do Conselho Federal de Educação, Conselho Curador da Fundação SEADE, Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Academia de Letras de Ribeirão Preto, Associação Paulista de Medicina, Associação Médica Brasileira, Sociedade de Biologia de São Paulo e da American Society of Parasitologists. Foi também assessor para assuntos de educação e saúde do Grupo de Assessoria e Participação (GAP) do governo de São Paulo. Na vida acadêmica participou de vários congressos científicos, destacando-se como convidado da IV Conferência Internacional de Educação em Washington.

Além do seu legado como empreendedor de sólidas instituições, deixou publicado 65 trabalhos de investigação científica no campo da parasitologia (helmintologia) em revistas americanas, inglesas, francesas e brasileiras. Em 1978 deu-se por encerrada a implantação da Unicamp e a administração pro tempore de seu fundador e reitor, que se aposentou compulsoriamente aos 70 anos e passou a presidir a Fundação de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp). Em 1980 a saúde deu sinais de alerta e foi vitimado por um aneurisma de aorta, vindo a falecer em 9/2/1981. Entre as tantas homenagens que amealhou, seu nome foi dado ao Campus da Unicamp e ao trecho da Rodovia SP-332. A Unicamp concede, anualmente, o “Prêmio de Reconhecimento Zeferino Vaz” a docentes ativos que atuam em regime de dedicação exclusiva e que tenham se destacado nas suas funções de docência e pesquisa.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

CONCURSO DE DANÇAS

Anúncio de festa dançante na Lapinha

Está definitivamente confirmado que, dançar, nos dias atuais, tem relação muito maior com “malhar” ou “fazer ginástica” que propriamente sentir o prazer da dança ao lado do par.

Nas festas, já são muito poucos os momentos para “dançar a valsa”, seja num aniversário de 15 anos ou num casamento. Poucos sabem dançar.

A moda passou a ser, literalmente, “pular” – que é o que resolveram chamar de “dançar funk”.

Valsas vienenses desapareceram. Samba-canção, bolero, tango, samba, também. Com esses ritmos desapareceram também as famosas danceterias como Elite, onde a gafieira tinha valor inestimável. Acrescentaram à palavra samba, e resolveram chamar de samba-gafieira. Foi o início da caminhada para o desaparecimento.

Agora a moda é “funk”, e já há, também, quem saia de casa não para “dançar funk” – mas para “pular funk”, quase que com a mesma conotação de “pular carnaval.”

Mas, no passado, dançar era outra coisa. Dava prazer e muitos se orgulhavam de saber fazer isso. Eu sempre fui um poste – mas, confesso, na primeira vez que ouvi e vi uma apresentação de bumba-boi, o clima era tão envolvente, que acabei dançando, sem saber.

Participar de uma festa, num clube, onde estivesse tocando uma “Orquestra”, tipo Severino Araújo, Ivanildo, e outras tantas, era uma glória alcançada. Da mesma forma que, sair de casa para ir dançar numa gafieira.

Lembro bem que, naqueles passados anos, esses locais de festas e danças até realizavam concursos para oferecer um troféu e premiação em espécie ao par que melhor dançasse, além de conferir, também, quem dançava melhor de forma individual.

Houve até, na então muito conhecida casa de danças “Lapinha”, na capital paraense, por anos seguidos os concursos de danças. Eram convidados os melhores dançarinos e dançarinas dos estados vizinhos, com todas as despesas de passagens e hospedagens pagas por uma semana. Era importante conhecer a cidade, o clima, ter informações dos concorrentes.

Certa vez, o melhor dançarino de São Luís, Luizinho do Chapéu (apelido fictício) recebeu um convite para participar desse concurso. Não esperou muito para decidir viajar e competir. Após algumas “eliminatórias” chegou o dia da grande final. A final de melhor dançarino, envolvendo um paraense, da tradicional família Malcher e o representante maranhense, de São Luís, Luizinho do Chapéu.

Começada a festa e a disputa, tudo caminhava para uma decisão no cara ou coroa. Mas, o jurado, escolhido a dedo e composto por figuras importantes nas noites paraenses, reparavam em tudo, nos mínimos detalhes. Desde a forma de vestir, de modos de educação, no comportamento pessoal, na forma de beber e até na bebida escolhida durante a competição. Tudo contava ponto.

Sapato “furado” na sola era inaceitável

Como qualquer competição para pessoas, havia também os momentos de descanso e descontração, para garantir o ar de cavalheirismo aos dançarinos.

Eis que, num desses momentos de descontração, Luizinho do Chapéu sentou para ingerir uma bebida e, descontraidamente, cruzou a perna. Ao cruzar a perna, sem se dar conta, Luizinho do Chapéu acabou exibindo o solado do sapato.

E, pasmem, o sapato de Luizinho do Chapéu estava furado. Furado no solado. Foi eliminado na hora e sequer voltou ao salão.

Vitorioso, o representante da família Malcher voltou ao salão apenas para continuar dançando amistosamente, e receber o troféu e a rica premiação.

Como é que alguém que é bom de dança não consegue perceber que o solado do sapato está furado?

No bom maranhensês, “Zulive”!