MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

IMBECILIDADE À FLOR DA TOGA

O comportamento tendencioso do STF – Suprema Troca de Favores, baseado nas decisões do Sinistro Ricardo Lewandowski, causa asco em que tem discernimento e que olha o passado na busca da construção de um futuro melhor. Eu penso assim: não adianta perder a dignidade defendendo o PT, nem a coerência se matando por Bolsonaro. Chega de divisões. O muro de Berlim caiu, ou melhor, o “muro da vergonha” porque não passava disso: uma enorme vergonha concretizada em tijolos, cal e cimento, misturados a uma ideologia que acabou, praticamente, no mundo inteiro.

O Sinistro Lewandowski foi relator da ação, votada na quinta feira (06/06), que tratava da autorização do Congresso para vendas de empresas públicas. Na ótica do Sinistro, como o Congresso autoriza a criação caberia autorizar a venda. Estamos falando de 134 empresas públicas e 88 subsidiárias criadas, exclusivamente, para fortalecer candidaturas e partidos políticos, como o caso de Renan Calheiros que colocou Sérgio Machado na Transpetro e este, em delação, já declarou o quanto repassou para Renan, Sarney, Jucá e toda essa corja do MBD.

Entende-se que uma despesa tenha, necessariamente, que ser justificada por uma receita. Em palavras simples é isso que diz a Lei de Responsabilidade Fiscal que foi, tão, combatida pelo PT. Embora, a previsão de receita seja um item presente no orçamento, não há qualquer cabimento em não aceitar receitas eventuais. De certo modo, as despesas são mais ou menos conhecidas, mas as receitas são incertas porque dependem da arrecadação. Então, o que o congresso deveria votar era o ajuste no orçamento após a venda de uma estatal, não a autorização para a estatal ser vendida.

O pensamento ardiloso do Sinistro Lewandowski tem relação com o aparelhamento estatal feito pelo PT. Se estes cabides de empregos são esfacelados, principalmente com Lula na cadeia, o PT se enterra para nunca mais ressurgir. Estas empresas, embora se observe um processo de substituição de cargos pelo atual governo, continuam com diretores ligados aos partidos que deram sustentação aos governos anteriores e que ficam ali, caladinhos, porque não querem perder a “boquinha”. Tem uns que se declaram bolsonaristas desde criancinha.

O Sinistro Lewandowski já mostrou, em mais de um momento, que seu interesse é proteger e salvaguardar os ideais do partido que lhe colocou no STF. A lambança no impeachment de Dilma na qual ele violou um artigo constitucional pra manter seus direitos políticos ativos é uma das constatações mais gritantes. A voz de prisão dada a um jovem advogado que disse, usando seu direito constitucional de liberdade de expressão, que o STF causa vergonha ao Brasil, também é mais um caso de violação constitucional por um ministro que deveria ser guardião da constituição.

Não satisfeito com suas lambanças constitucionais, o Sinistro Lewandowski autorizou a entrevista de Lula dias antes da eleição passada. A irritação dele com Dias Toffoli, que proibiu a entrevista, chegou aos jornais. Então, o que a gente precisa se perguntar é: não tem jurista nesse país com capacidade de apresentar um pedido de impeachment desse canalha? Adicionalmente, o presidente do Senado precisa ser alertado que ele está ali para defender interesses da população e tenho certeza de que basta aceitar um pedido de impeachment para que os demais canalhas (Gilmar, Marco Aurélio, etc.) entendam que não estão acima da lei.

O resultado da votação no STF foi pela aprovação das subsidiárias sem necessidade de aprovação do congresso. É pouco, mas representa um avanço. Estamos falando de 88 empresas, 16 das quais penduradas no Banco do Brasil, 35 penduradas na Petrobras (coloque os 7 mil postos de combustíveis que vendem gasolina no Brasil mais caro do que vende no Paraguai).

Seguramente dirão alguns: vai aumentar o desemprego. Poucos dirão: estas empresas não deveriam ter sido criadas. Pegue o caso da Trasnpetro. Uma empresa destinada a logística do combustível no Brasil. Alguém sabe o motivo dessa empresa não ter sido escolhida, mediante licitação, na iniciativa privada? C-O-R-R-U-P-Ç-Ã-O.

Em resumo: empresas foram criadas com autorização do congresso e gerando custos para o erário de diversas formas, dentre as quais, desvios de recursos para alimentar partidos e políticas. As atividades dessas empresas poderiam ser conduzidas por empresas privadas, desde o início, mas não foram e agora tentam passar a imagem de o governo vai acabar com o patrimônio público. Esse pensamento conta com a anuência do Sinistro Lewandowski cujo voto foi para que o congresso autorizasse a venda. Ele sabe que o governo Bolsonaro não tem base e uma proposta dessa não passaria, ou passaria com grande desgaste.

Senhor Sinistro, o congresso deveria estar votando os ajustes orçamentários por receitas não previstas diretamente, porque conseguem o financeiro, mas não pode gastar porque não está no orçamento. Sinistro, tem uma frase célebre do interior nordestino que é dita a um jogador ruim que está em campo. No seu caso seria assim: “Lewandowski, pede para cagar e sai”. Espero que essa decisão seja revista como vocês tentam rever a decisão de prisão em segunda instância e que o governo, qualquer que seja ele, tenha total liberdade de negociar seus ativos.

Finalmente, senhor Sinistro, ajude o Brasil. Solte Lula. Nossa economia está combalida demais pelos desmandos econômicos praticados desde 2010 para cá. No dia 14 estão querendo parar o país. Mais uma vez, “Lula livre” que ninguém agüenta. A gente quer produção, emprego, renda, segurança presente e futura. Dê logo um HC e avise a turma que não tem compromisso, porque os que trabalham precisam continuar trabalhando.

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

OAB: CABIDE DE EMPREGOS E OSTENTAÇÃO!

Não sou do ramo da advocacia, mas, a pedido de seis bacharéis em Direito que não conseguiram obter êxitos em três Exames da Ordem, pagando uma taxa absurda pela inscrição, resolvi elaborar esse (PL), que encaminho aos auspiciosos deputados e senadores federais através do Jornal da Besta Fubana para tentar amenizar a dor do gosto amargo da reprovação de muitos examinandos que chegam à segunda fase do Exame da OAB e são reprovados por míseros 0,15, ou 0,10 na prova subjetiva!

FLEXIBILIZAR A 2.ª DO EXAME DA OAB É PRECISO!

Projeto de Lei N.º___de 2019

(Do Sr.º Deputado Federal Irineu Boa Ventura)

Esta lei altera o inciso IV do art. 8 da Lei 8.906, de 04 de julho de 1994, para acrescentar as alíneas “a”, “b” e “c”.

O Congresso Nacional decreta

Art. 1.º Esta lei institui a obrigatoriedade de a OAB determinar que o examinando que passar na primeira fase do Exame de Ordem possa fazer a prova da segunda fase por dois triênios sem submeter ao crivo da primeira, acrescentando ao inciso IV do art. 8 da Lei n.º 8.906, de 04 de julho de 1994 as alíneas “a”, “b” e “c”.

Art. 2.º O inciso IV do art. 8 da Lei 8.906, de 04 de julho de 1994, passa a ser acrescido das seguintes alíneas.

a) O examinando que passar na primeira fase do Exame da OAB, ficará habilitado a realizar a segunda fase por dois triênios, 06 (seis) tentativas, sem se submeter ao crivo da primeira fase da prova objetiva, ficando somente obrigado a pagar a taxa correspondente a metade do valor da inscrição, conforme disciplinará o Regulamento Geral.

b) Se o examinado se inscrever em uma das 06 (seis) provas subjetivas e não comparecer para realizá-la, qualquer que seja o motivo sem justificativa fundamentada, perderá a oportunidade de fazer as provas subsequentes, sendo obrigado a retornar à fase inicial do exame.

c) O examinando que for isento da taxa de inscrição da primeira fase do Exame da OAB ficará livre do pagamento da mesma da segunda fase até passar, dentro do prazo estabelecido nesta lei.

Art. 3 Esta Lei entra em vigor na data da sua publicação

JUSTIFICATIVA

É do conhecimento de todos os estudantes e bacharéis em Direito que se submetem à prova do Exame da OAB que a primeira fase possui um índice de reprovação absurdo e, pior, não testa os conhecimentos técnicos do examinando, daí porque exigir-se dos senhores legisladores um exame de consciência no sentido de aprovar esta lei, tornando-se mais consentânea à facilitação do examinando para a obtenção da carteira da OAB a fim de que possa exercer a profissão de advogado e ganhar seu sustento com dignidade.

Não resta dúvida de que o Exame da OAB é essencial para testar a capacidade técnica do examinando uma vez que vai lidar com causas que requerem alta responsabilidade. Também se faz necessário o Exame de Ordem tendo em vista a grande quantidade de faculdade de direito espalhadas por todo o Brasil, autorizadas a funcionar pelo MEC na era petista, sem nenhum critério qualificativo. Daí porque ser necessário a OAB fazer um filtro para jogar no mercado os profissionais mais capacitados.

Segundo o Blog. Exame da Ordem, na primeira fase do XXIII exame da OAB houve 15.352 aprovados, sem anulações. No XXIV foram 47.693 aprovados, número bem discrepante da prova do XXIII. Já no exame XXV 29.892 examinando foram aprovados, sendo que o número dos inscritos ficou na ordem dos 126 mil com cada um pagando uma taxa de inscrição de R$.260,00! É dinheiro pra caralho arrecadado!

Ou seja, as provas da 1ª fase do XXV e do XXIV Exames foram muito parecidas quanto ao grau de dificuldades se balizados apenas pelo viés estatístico.

Há que se concluir na análise feita pelo Blog Exame da Ordem que a primeira fase do Exame da OAB funciona como “um filtro quase inflexível para testar o examinando que estão aptos, assimilaram o conteúdo das matérias jurídicas ensinadas durante o período do curso, mas o testador de conhecimento técnico mesmo é a 2.ª fase, que merece uma especial atenção por parte da OAB.”

Ante os fatos apresentados, espera-se dos senhores deputados e senadores o acolhimento, apreciação e votação da matéria para que seja aprovada na íntegra, tornando mais justo o Exame da OAB.

Câmara dos Deputados,________ de junho de 2019.

Presidente.

P:S: A OAB, sem nenhuma definição jurídica estabelecida em lei: se “autarquia”, se “entidade sui generis”, é uma das maiores arrecadadoras de grana dos pobres e fudidos do Brasil que ousam se habilitar para passar no Exame da OAB e entrar nesse mercado nefasto que a cada dia se torna mais desumano devido à quantidade de advogados com o certificado de conclusão de bacharel em direito numa mão e a Carteira da OAB na outra, mas morrendo de fome por não terem espaço no mercado para exercerem a profissão. O sonho da carteira para advogar se tornar um pesadelo de ante dum mercado sem cliente. E os que existem, muitas vezes pessoas de ótimos poder aquisitivos, recorrem à Defensoria Pública “como pobre na forma da lei!” O Brasil é o paraíso da filantropia com o dinheiro dos impostos do contribuinte!

O PT saturou o mercado com a abertura indiscriminada de cursos jurídicos e fechou a porta para o curso de Medicina, tão essencial para a população! O famigerado Mais Médicos é fruto dessa ignomínia perpetrada pelo MEC na era petista.

Decididamente, o PT foi o maior câncer que infestou esse País, matando sua população de inanição!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF

CONVERSA TEDIOSA

Quem já não pulou o capítulo de um livrou, ou mudou o canal da TV, por achá-lo enfadonho?

Isso também ocorre em relação às emissoras de rádio. Aliás, é de justiça reconhecer que algumas emissoras são dignas de todos os aplausos, todos os louvores porque, donas de um time de ouro, brilham naquilo que fazem. Mas, há momentos em que é preciso mudar de sintonia. É quando lá vem eles: os invariáveis maldizentes, travestidos de comentaristas políticos que, garganteando perfeccionismo põem a boca a serviço unicamente da censura, da desaprovação, do desmerecimento da desconstrução sobre toda e qualquer ação de governo, ou dos políticos, incluídas as mais comezinhas. Com a ajuda do fermento as mais irrisórias ações governamentais são avultadas e desfiguradas para, assim, legitimar a publicidade estridulante do apocalipse a que tanto se devotam, circunstância que excita os ânimos e o temor nos desavisados.

Outra característica inconfundível desses censores de plantão (que se julgam donos de verdade maior que a dos outros) refere-se ao seu propósito vitalício de consertar o mundo por encontrar-se este arrevesado, fora das suas réguas.

É saudável, é instrutivo ouvir uma análise, uma crítica pedagógica, imparcial, sobre quaisquer temas, ainda que de modo ácido, sem afagos maternais, desde que sustida na plausibilidade, na congruência, tal qual fazem alguns comentaristas esportivos. Porém, escutar as mesmas e perpétuas litanias, brotadas do vezo mórbido de alfinetar por alfinetar, reprochar por reprochar, é cardápio indigesto para quem anda em busca de um repelente contra o tédio. Não existe elocução mais monótona do que a exprobração repetitiva, a falação fastidiosa que pisa e repisa queixas contra a mesma coisa, a mesma pessoa, o mesmo governo. Mas o pior é a compenetração desses contestantes em fazer crer que estão oferecendo, plausivelmente, estudos pormenorizados acerca dos instantâneos governamentais quando, na verdade, não fazem senão exteriorizar sentimentos, flagrantemente repassados de rancor, que atestam suas posições antípodas em relação ao governo, aos políticos.

Os ouvidores, salvantes os acometidos de alguma demência ou desorganização psíquica, não são tão sáfaros ou tão apedeutas, como possam aparentar, que não saibam discriminar o tinto do destinto, a análise política judiciosa da increpação; manifestamente oponível.

ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

O SANTO CASAMENTEIRO

Batizado de Fernando Bulhões, Santo Antônio era um frade franciscano, nascido em 1195, em Portugal, mas viveu a maior parte de sua vida em Pádua, na Itália. Apesar de não ter em seus sermões nada específico sobre casamento, Santo Antônio ficou conhecido como o santo casamenteiro por conta da ajuda que dava a moças humildes a fim de conseguirem um dote e um enxoval para o casamento. Ele é uma figura histórica que superou várias adversidades para encontrar sua vocação. Dedicou a vida na busca incessante pela paz e pelo amor entre os seres humanos, inspirando assim milhões de devotos em todo o planeta.

No Brasil, Santo Antônio, o milagreiro, protetor dos pobres e das causas perdidas é geralmente invocado para auxiliar moças com a finalidade de encontrar maridos. É necessário um ritual a fim de agilizar o pedido que consiste em colocar sua imagem de cabeça para baixo ou tirar do seu braço o menino Jesus. Quando o pedido é atendido, o santo volta à posição normal, ou recebe de volta a imagem do menino que lhe foi tirada.

Luís da Câmara Cascudo, um dos mais respeitados pesquisadores do folclore e da etnografia no Brasil, no seu Dicionário do Folclore Brasileiro, ajuda às mulheres que desejem chegar mais rápido ao matrimônio com a descrição da reza do dia 13 de junho, dia de Santo Antônio:

“Meu Santo Antônio querido
Eu vos peço, por quem sois:
Dai-me o primeiro marido,
Que o outro eu arranjo depois.”

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

O QUE FALTA?

Não existem cassinos no Brasil porque o brasileiro não tem maturidade para isso.

Não podemos descriminalizar a maconha porque o brasileiro não tem maturidade para isso.

O governo precisa regulamentar a quantidade de sal, de açúcar, de gordura e de calorias na comida porque o brasileiro não tem maturidade para isso.

Precisamos de uma lei que diga o que pode e o que não pode passar na TV porque o brasileiro não tem maturidade para decidir isso sozinho.

Não podemos permitir que cada brasileiro poupe para bancar sua própria aposentadoria: não temos maturidade para isso.

O governo precisa dizer se bagagem no avião é paga em separado ou é embutida no preço porque o brasileiro não tem maturidade para isso.

Precisamos aumentar a quantidade de radares e de lombadas porque o brasileiro não tem maturidade para dirigir veículos.

Precisamos do estatuto do desarmamento porque o brasileiro não tem maturidade para ter uma arma.

O governo não pode deixar de cobrar multa para quem não usa cadeirinha porque o brasileiro não tem maturidade para cuidar de seus próprios filhos.

O que falta para cancelar a maioridade deste povo sem maturidade?

O que falta para declarar de uma vez por todas que todo brasileiro é “de menor”, e pedir para algum país adulto tomar conta de nós?

XICO COM X, BIZERRA COM I

CÃES E SONHOS

Joviais senhoras, jovens senhoritas e alguns mancebos, quase sempre malhados, desfilam nas calçadas alheias, com seus cãezinhos, nem sempre cãezinhos. Alguns mais lembram ferozes leões acorrentados ao pescoço e puxados por suas donas e donos, domadores cuidadosos. Meu último cão foi Tupã, quando ainda garoto. Morava e passeava solto no quintal de minha casa. Gosto de cães, mas não mais os tenho e, por isso, com eles não passeio. Prefiro passear com meus sonhos e desejos: melhor companhia não há. Nos ajudam a encarar a vida e os percalços, quando seguram nossas mãos e nos desviam da crua realidade. Outras vezes nos fazem adormecer com a esperança refeita de um dia melhor no dia seguinte. Dobram as esquinas, mudam de calçada, ao pressentir perigo e nos embala, às vezes com carinho, outras, com sofreguidão, antes de nos abandonar até o próximo encontro, até o próximo sonho, até que o desejo se encante. Além do que, não precisam de coleiras, podem conosco subir e descer pelo elevador social. E com a grande vantagem de que não fazem cocô nas ruas.

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A PALAVRA DO EDITOR

É MUITA BOSTA

Não é só Garanhuns que produz bosta.

A grande e progressista Campinas, lá em São Paulo, também pode se orgulhar desta façanha.

Bom, Uncerto Bosta nasceu lá, mas foi eleito com o voto dos pernambucanos.

Não tenho como esconder este fato vergonhoso.

O número dos meus conterrâneos que são idiotas é bastante significativo.

Um eleito por Pernambuco e outro nascido em Pernambuco: duas bostas vermêias-istreladas que fedem com igual intensidade

A PALAVRA DO EDITOR

SERGIO LEONE, MESTRE ABSOLUTO DO WESTERN SPAGHETTI

Filho de um antigo industrial do cinema italiano, Sergio Leone, ficou conhecido mundialmente por popularizar o gênero do western spaghetti. Foi só em 1964 que estreou como diretor em seu primeiro filme de bang bang, ao realizar o antológico POR UM PUNHADO DE DÓLARES, estrelado pelo novato Clint Eastwood. Foi um dos mais brilhantes cineastas da sua geração e inventor de um estilo em que não faltam lances de pura genialidade. Ele é hoje fonte de inspiração para novos cineastas como Quentin Tarantino e Robert Rodriguez. Seu primeiro faroeste é uma comédia satírica, exuberante e impetuosa sobre a violência em filmes de cowboy sujo e fora da lei.

Em primeira mão o cinéfilo Darci Fonseca nos confidencia que, a imagem do homem solitário vestido com um poncho e com um toco de cigarrrilha no canto da boca em “POR UM PUNHADO DE DÓLARES” criada por Clint Eastwood é tão importante para o cinema, especialmente para o faroeste, quanto a presença de John Wayne/Ringo Kid em “No Tempo das Diligências”. Se em 1939 John Ford com seu filme deu ao gênero sutileza, lirismo e respeito antes jamais imaginados, Sergio Leone 35 anos depois mudou definitivamente a forma de se fazer westerns. O diretor italiano acrescentou ao faroeste, com “Por um Punhado de Dólares”, padrões tão chocantes no realismo sujo e na extremada violência que o gênero nunca mais voltaria a ser o mesmo. o primeiro faroeste de Sergio Leone antecipou, no entanto, o perfeito domínio fílmico que o diretor alcançaria em seus trabalhos posteriores.

Em uma de suas brilhantes explanações, o estudioso em filmes da modalidade faroeste, Antônio Nahud, nos informa que na década de 60, o WESTERN atravessou uma fase de vacas magras nos Estados Unidos, mas na Itália, conhecidos como “spaghetti-westerns”, estavam sendo produzidos a todo vapor, numa abordagem mais contemporânea e operística. O italiano Sergio Leone, mestre exemplar desse estilo, desconstruiu de certa forma o mito ao realizar excitantes tributos, como os inigualáveis Três Homens em Conflito(1966) e Era Uma Vez no Oeste (1968). Com extraordinária trilha sonora do maestro ENNIO MORRICONE, este último resgatou os estilizados personagens do gênero: a prostituta bondosa, o pistoleiro enigmático, o bandido manhoso. Um universo de pistoleiros e bandidos violentamente dominados pelo fascínio do dinheiro fácil e da crueldade sem precedentes.

Uma curiosidade interessante do estudioso e crítico de cinema Paulo Telles aconteceu em 1968, quando Sergio Leone lançou ERA UMA VEZ NO OESTE, com Charles Bronson, Claudia Cardinale, e Henry Fonda (cowboy Hollywoodiano por excelência que já tinha mais de 30 anos de experiência, que aos 63 anos interpreta o único vilão de sua carreira. Leone era fã deste grande e saudoso astro falecido em 1982). Na época do lançamento, foi um fracasso de bilheteria, mas com o passar dos anos, elevou a obra prima do gênero. O mesmo se sucedeu com o clássico norte-americano RASTROS DE ÓDIO, de John Ford, que ao ser lançado em 1956 não teve boa repercussão de crítica e de público, mas foi reconhecido como obra magistral da Sétima Arte tempos depois.

Com a crise dessa modalidade de cinema no Oeste norte-americano houve uma debandada em massa dos atores para o país europeu que, visto no mapa, tem o formato de uma grande bota, Itália. O primeiro da lista foi Clint Eastwood que saiu dos States em direção a Itália para protagonizar a obra triológica que o consagrou definitivamente. Por tabela outros o seguiram como Lee Van Cleef (o mais bem sucedido depois de Clint Eastwood), Richard Boone (da série de TV Paladino do Oeste), Clint Walker (da Série Cheyenne), Burt Reynolds, que como Clint havia começado sua carreira na TV em uma série televisiva, entre outros. Grande parte destes ATORES AMERICANOS seguiram o exemplo de Eastwood e migraram para a “terra prometida” do novo gênero de westerns, muito deles com o objetivo de revitalizarem suas carreiras.

Além dos americanos, o Western europeu contou também com atores de outros países, como a Inglaterra (Stewart Granger); França (Philippe Leroy e Johnny Halliday); Alemanhã (Klaus Kinski); Espanha (Fernando Sancho, um dos bandidos mais feiosos requisitados nos Westerns Europeus); e o BRASIL não estava menos representado sem a presença de ANTHONY STEFFEN, ou melhor, Antonio de Teffé (nascido em 1930, falecido no Rio de Janeiro em 2004), que fez muito sucesso em território europeu. NORMA BENGELL, nossa atriz brasileira, também participou de um Spaghetti Western: Os cruéis em 1966. O filme dirigido por Sergio Corbucci e estrelado pelo veterano Joseph Cotten.

No documentário 100 anos de Western escrito pelo autor Primagio Mantovi, ele nos brinda com ricas informações que pinçando uma aqui outra acolá nos defrontamos com uma boa margem das afinidades de diretores como Leone e Corbucci, surgiram outros diretores do gênero Spaghetti nos faroestes italianos, como Duccio Tessari, que dirigiu Uma Pistola Para Ringo, ou Giorgio Ferroni, com o Dólar Furado, ambos estrelados pelo galã GIULIANO GEMMA (RINGO), outro herói dos faroestes europeus, talvez o menos “sujo” dentre eles. Giuliano Gemma(amigo íntimo do cantor brasileiro Roberto Carlos) perdeu a vida em um trágico acidente de carro, em 2013, nas proximidades de Roma e morreu após dar entrada em um hospital na cidade de Civitavecchia. Na oportunidade ele estava com 75 anos de idade. Se não bastasse Giuliano Gemma, ainda temos FRANCO NERO (hoje com 77 anos), italiano legítimo estrelando Django, de Sergio Corbucci, em 1966, e Nero fez tanto sucesso que foi um dos atores mais requisitados para o gênero spaghetti nos 10 anos seguintes.

Praticamente lançado por Sergio Leone, Clint Eastwood prestou uma homenagem ao gênero que o consagrou, em “Os Imperdoáveis(1992), com Gene Hackman, Morgan Freeman e Richard Harris no elenco, rendendo-lhe o Oscar de Melhor Filme e Direção. O pesquisador Nahud diz categoricamente que, CLINT, em seu último filme de faroeste, voltou ao bang bang com novos olhos, pois não havia mais glamour em matar, o homem da lei se comporta tão mal quanto o renegado que tenta se regenerar. Ele dedicou essa reflexão notável aos seu mentor SERGIO LEONE. Um lamento ou canto triste ao fim do velho Oeste nos filmes por eles retratados.

Finalmente, por ironia do destino há quem diga que o seu melhor filme que não é bang bang e sim de gangster continua sendo ERA UMA VEZ NA AMÉRICA(1984), com Robert De Niro e James Woods e trilha sonora de Ennio Morricone. Não é à toa que, antes, em 1972, ele tinha sido convidado para dirigir o PODEROSO CHEFÃO com Marlon Brando e Al Pacino, porém Sérgio Leone recusou em razão desse seu outro projeto que só veio a realizá-lo em 1984, mas tornou-se, segundo os críticos, na sua melhor obra cinematográfica.

PENINHA - DICA MUSICAL