A PALAVRA DO EDITOR

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

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COLUNISTA PRESENTEIA COLUNISTA: GENTILEZA FUBÂNICA

Comentário sobre a postagem COLUNISTAS FUBÂNICOS EM CONVERSA BIOGRÁFICA

José Domingos Brito:

Caro Berto

Veja no que deu minha ousadia em falar de biografias, em referência à “Quase biografia de Fernando Pessoa”, feita por nosso amigo José Paulo Cavalcanti Filho. Veja quanta ignorância a minha ao dizer que “agora surge a quase biografia”, quando ela já existe há quase 10 anos. E veja só quanta benevolência do autor em relevar minha ignorância e me enviar um exemplar autografado.

Além dos 10 anos de existência, não é apenas mais um livro sobre o poeta. É o livro mais completo, mais vendido e mais traduzido no mundo sobre o poeta. Tudo isso só amplia a dimensão da minha ignorância. Como é que não conheci antes um livro desse porte. Em verdade um tratado biográfico como nunca se viu até agora sobre (uma) Pessoa.

Pois bem, minha ousadia animou o autor a me enviar o livro que acabo de receber e mais outro contendo poemas curtos e CD recitando a obra do poeta. Em seu texto, que você alardeou em nosso JBF, ele fala com uma simplicidade assombrosa que seu trabalho “parece que deu certo”.

Ao folhear o livro, reparo nas orelhas e vejo depoimentos de algumas pessoas falando do quanto o trabalho acertou. E quem são estas pessoas? Millôr Fernandes, Alberto Dines, Eduardo Galeano, Marcos Vilaça, Richard Zenith, Tereza Sobral Cunha. Cada qual mais efusivo nos elogios ao livro.

Finalizando seu texto, ele pede meu endereço para mandar o livro para eu ler e “depois diz se funcionou. Ou não”. Veja só a enrascada em que me meti! O que eu posso dizer além do que já disse os ilustres depoentes nas orelhas?

Vou ler o tijolaço de 734 páginas e ver como saio dessa. Por enquanto só posso dizer ele realmente teve um encontro com Fernando Pessoa. Um encontro que não foi possível com a Cecília Meireles, conforme vimos em sua biografia concisa que publicanos no JBF. Ela teve um encontro agendado com o poeta, mas ele não compareceu e deixou um bilhete se desculpando e justificando que segundo os astros aquele não era um bom dia para o encontro de dois poetas.

Pelo visto os astros agora convergiram para esse encontro, que Jose Paulo Cavalcanti promoveu e divulgou-o em todo o mundo. Ao receber o livro autografado com um verso do nosso amigo jurista, poeta e o maior biógrafo de Fernando Pessoa fiquei ancho que só a bixiga, como você costuma dizer.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ROQUE NUNES – CAMPO GRANDE-MS

Papa Berto, primeiro e único.

Será que seria muita ousadia de minha parte pedir a vossa Santidade Fubânica publicar este escrito abestado meu, que vai em anexo?

Apenas para desopilar o fígado de alguns amigos desta grande família fubânica.

E conto com sua abalizada crítica para ver se esse amontoado de bobagens vale a pena ser publicado.

Grato pela compreensão

R. Meu caro, aqui nesta gazeta escrota você não tem nada que pedir licença.

Empurre a porte, emburaque e dê as ordens.

Nesta bodega safada e fedorenta quem manda é o freguês.

Publico com muito prazer o hilário texto que você nos mandou.

É mesmo pra desopilar o fígado.

Abraços e um excelente feriado!!!

* * *

O ENTORTADOR DO VERNÁCULO

Clarimundo Luciano foi um desses seres abençoados que nasceu para trazer luz e sabedoria para o mundo. Filho de uma família abastada estudou nas melhores escolas, teve os melhores preceptores e uma educação que, em nada deixava a dever. Teve contato, desde cedo, com os clássicos: Homero, Virgílio, Cícero, Agostinho, Petrarca, Dante, Cervantes, Camões, Machado, e por aí vai. Teve, inclusive, aulas com o professor Aldrovando Cantagalo, tornando-se exímio esgrimista da Língua Pátria.

Mas, como todo bom brasileiro, o doutor Clarimundo – seguindo os passos do pai, formou-se em Direito – cedo pegou os cacoetes e vícios de esculhambar a “Inculta e Bela” usando vocábulos eruditos que fariam com que Rui corasse e tivesse que correr ao “Aurélio” para saber seu significado. Não usava a palavra carro, ou veículo. Era sempre viatura. Futebol era ludopélio, piquenique convescote. Argumento, arrazoado. Quando, por qualquer motivo se via contrariado, aí Benedito…. a coisa desandava:

– Sacripanta sicofanta, calaceiro, trampolineiro, estróina, biltre, valdevino, azêmola.

O alvo dos impropérios ficava na dúvida se era elogio, ou não, o que o doutor Clarimundo estava fazendo. É pra mim agradecer, seu Clarimundo? Aí ele ia ao delírio. Rua, capadócio!!!! E lá ia o sujeito, ainda em dúvida se era para ficar ofendido, ou agradecido.

Casou-se e dona Celeste – santa mulher – vivia mais fora de órbita que satélite brasileiro lançado pela base de Alcântara. Apesar de tudo isso, amava aquele homem esquisito no falar. Afora essa cisma em buscar tornar complexo o que, no dia a dia era simples, Clarimundo era uma pessoa afável e ótima companhia.

Na meia idade aceitou o cargo de Secretário do Interior de um governo do sertão do Brasil. Desses estados em que a população, apesar de simples é muito esperta, e vendo as besteiras que irão acontecer, coloca os menos capazes e mais incompetentes no cargo de governador, pois lá eles dão menos trabalho e prejudica menos a quem quer trabalhar e produzir. Clarimundo Luciano foi ao delírio. Só não declamou “As armas e os barões assinalados” de orelhada, porque era entortador do vernáculo e não acaciano.

Secretaria assumida, com os elogios de praxe ao governador, à mulher do governador. Só não elogiou o cachorro do governador, porque este gostava mais de cavalos, e não ficava bem. Até pensou em fazer o elogio, mas o discurso em que pontuava “agradecimento à nobre figura da cavalgadura do governador” pareceu-lhe não cair bem. Então cortou.

Sentado na cadeira da secretaria do estado de… ops…. quase… um Estado qualquer do sertão do Brasil, ficou sabendo que algumas das cidades sob sua gestão sofriam com tremores de terra. Nada a se preocupar, mas achou por bem mandar uma circular aos prefeitos das cidades. Mensagem, sim, pois esta situação se deu lá atrás, no período de antanho.

– Informo Vossas Excelências a passagem de sismo moderado por vossa urbe. Solicito informações imediatas, tão logo passagem efeméride telúrica

Ah, Barnabé…. armou-se a confusão. O prefeito de Cristalinho de Mato Dentro do Norte, sim, porque o do Sul estava bem tranquilo, mandou pronta resposta.

“Informo Senhor Secretário que logo que o Sismo chegou aqui botemo ele na cadeia, desarmemo o mode da urbe, o coroné da puliça já ponhô um IPM nessa feméria e botemo o telúrio pra correr. Só não informemo antes porcausdiquê um puta terremoto quase que acaba com nossa cidade”.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

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PARCERIA: FERREIRA GULAR E FAGNER

Comentário sobre a postagem CANTIGA PARA NÃO MORRER – Ferreira Gular

Sergio Rieffel:

Esse poema do Ferreira Gular foi lindamente musicado pelo Raimundo Fagner em 1984.

No LP “A mesma pessoa”

Tenho esse bolachão até hoje!

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PENINHA - DICA MUSICAL