A PALAVRA DO EDITOR

NÃO PODE SER ADÉLIO DE NOVO

Prestem atenção neste vídeo gravado pelo lulo-petista Paulo Henrique Amorim, o mais descerebrado dentre todos os descerebrados “jornalistas” da Federação de Redações Midiáticas Babacais.

Escutaram o final do vídeo?

Prestaram atenção no que ele diz se referindo a Bolsonaro?

“Flamengo até morrer. Breve”

A palavra “breve” não consta do hino do Flamengo.

Se os lulo-zisquerdistas estão pensando em um novo atentado, pra matar Bolsonaro “breve”, é melhor desistir de Adélio.

O autor da facada vai ser internado num presídio por tempo indeterminado, conforme determinou a justiça hoje, sábado, 14 de junho.

Arranjem outro pra empunhar a peixeira.

Um assassino que seja competente e que não dê ensejo a que Lula diga novamente, como disse esta semana, que o atentado foi um encenação da direita reacionária.

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

GRANDES MESTRES DO REPENTE

O grande cantador pernambucano Oliveira de Panelas, um dos maiores nomes da poesia popular nordestina da atualidade

* * *

Oliveira de Panelas

No silente teclado universal
Deus pôs som nas sutis constelações,
e na batida dos nossos corações
colocou a pancada musical,
quando a harpa da brisa matinal
vai fazendo concerto pra aurora,
nessas lindas paisagens que Deus mora
em tecidos de nuvens está escrito:
é a música o poema mais bonito
que se fez do princípio até agora.

Quando as pétalas viçosas das roseiras
dançam juntas com o sol se levantando,
vem a brisa suave carregando
pólen vivo das grávidas cerejeiras,
verdejantes, frondosas laranjeiras,
soltam hálito cheiroso à atmosfera,
toda mãe natureza se aglomera:
de perfume, verdume, que beleza!…
É o canto da própria natureza,
festejando o nascer da primavera!

* * *

Dimas Batista

Alguém já me perguntou:
o que são mesmo os poetas?
Eu respondi: são crianças
dessas rebeldes, inquietas,
que juntam as dores do mundo
às suas dores secretas.

Nossa vida é como um rio
no declive da descida,
as águas são a saudade
duma esperança perdida,
e a vaidade é a espuma
que fica à margem da vida.

* * *

Diniz Vitorino Ferreira

Qualquer dia do ano se eu puder
para o céu eu farei uma jornada
como a lua já está desvirginada
até posso tomá-la por mulher;
e se acaso São Jorge não quiser
eu tomo-lhe o cavalo que ele tem
e se a lua quiser me amar também
dou-lhe um beijo nas tranças do cabelo
deixo o santo com dor de cotovelo
sem cavalo, sem lua e sem ninguém.

* * *

Canhotinho

Acho tarde demais para voltar
estou cansado demais para seguir,
os meus lábios se ocultam de sorrir,
sinto lágrimas, não posso mais chorar;
eu não posso partir e nem ficar
e assim nem pra frente nem pra trás,
pra ficar sacrifico a própria paz,
pra seguir a viagem é perigosa,
a vereda da vida é tão penosa
que me assombro com as curvas que ela faz.

Te prepara, ladrão da consciência,
Que tuas dívidas de monstro já estão prontas,
Quando o Justo cobrar as tuas contas,
Quantas vezes pagarás à inocência?
Teu período banal de existência
Se compõe de miséria, dor e pragas;
Em teu corpo, se abrem vivas chagas,
Que tu’alma de monstro não suporta…
Se o remorso bater à tua porta,
Como pagas? Com que? E quanto pagas?

* * *

Antonio Marinho

Quem quiser plantar saudade
Escalde bem a semente
Plante num lugar bem seco
Quando o sol tiver bem quente
Pois se plantar no molhado
Ela cresce a mata a gente.

* * *

Toinho da Mulatinha

Em Sodoma tão falada
Passei uma hora só
Lá vi a mulher de Ló
Numa pedra transformada
Dei uma talagada
Com caldo de mocotó
E saí batendo o pó
Adiante vi Simeão
Tomando café com pão
Na barraca de Jacó.

* * *

Pinto do Monteiro

Admiro um formigão
Que é danado de feio
Andando ao redor da praça
Como quem dá um passeio
Grosso atrás, grosso na frente
E quase torado no meio.

* * *

Odilon Nunes de Sá

Admiro a mocidade
Não querer envelhecer
Velho ninguém quer ficar
Moço ninguém quer morrer
Quem morre moço não vive
Bom é ser velho e viver.

* * *

Léo Medeiros

Ensinei Ronaldinho a jogar bola
Fui o mestre de Zico e Maradona
Seu Luiz aprendeu tocar sanfona
Bem depois que saiu da minha escola
Caboré no pescoço eu botei mola
Também fiz beija-flor voar pra trás
Conquistei cinco copas mundiais
Defendendo a nossa seleção
Inventei em Paris o avião
O que é que me falta fazer mais?

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

A ILHA DAS MELANCIAS

Era uma vez um arquipélago no Pacífico Sul. Um dia, um grupo de pessoas desembarcou em uma ilha desabitada com a idéia de fundar um novo país. Os novos moradores logo descobriram que naquela ilha nasciam melancias deliciosas. Naturalmente, veio a idéia de cultivá-las, e em pouco tempo cada família da ilha tinha sua plantação de melancias. Havia fartura para todos.

Lógico que as pessoas desejam outras coisas além de melancias. Aos poucos, algumas famílias foram mudando de ramo: alguns se especializaram em construir casas; outros, em confeccionar roupas; também surgiram sapateiros, ferreiros e carpinteiros. Mas como a melancia continuava sendo a comida do dia-a-dia, foi natural que ela também virasse a moeda de troca. O sapateiro trocava um par de botas por dez melancias, o carpinteiro pedia vinte melancias por uma cadeira, e assim por diante.

Nem todos os serviços tinham o mesmo preço: um casaco bonito e com enfeites custava mais melancias que um casaco simples. Mas cada um escolhia o que achava melhor, e ninguém brigava. Pode-se dizer que todos viviam felizes.

Um dia, desembarcou um forasteiro na ilha. Ele subiu em um caixote e começou a discursar. Os moradores daquela ilha estavam desprotegidos, disse ele. Não havia ninguém que cuidasse deles e evitasse que eles sofressem injustiças. Era necessário criar regras, e normas, e era preciso haver pessoas encarregadas de fiscalizar se as regras e normas estavam sendo cumpridas.

O forasteiro era “bom de papo”, e em pouco tempo havia convencido a maioria das pessoas. Criou-se então o cargo de fiscal de melancias, que ficou encarregado de medir, pesar, avaliar e carimbar todas as melancias antes que estas pudessem ser comercializadas. De cada cem melancias, ele ficava com uma, como pagamento pelo seu serviço.

Também surgiu o fiscal de plantações, que garantia que os pés de melancia fossem plantados da forma considerada correta; o fiscal de chapéus, que exigia que todos ao trabalhar na plantação, usassem o modelo de chapéu previamente aprovado, para evitar que o pescoço ficasse queimado de sol; o fiscal de horários garantia que ninguém trabalhasse mais do que o número de horas permitido; e o fiscal de transporte inspecionava as carroças e concedia licenças para que se pudesse transportar as melancias.

Como nenhum destes fiscais plantava nada, todos eles recebiam uma parte das melancias plantadas pelos demais. Para garantir que ninguém estava deixando de contribuir, surgiu o fiscal de arrecadação de melancias. Para definir quantas melancias cada um deveria pagar, criou-se um comitê. Para fiscalizar o comitê, criou-se uma assembléia, e para definir normas para a assembléia criou-se um conselho. às vezes o conselho não concordava com a assembléia, e então criou-se uma justiça, com tribunais de primeira, segunda e terceira instâncias.

Neste ponto, algumas pessoas começaram a reclamar. Diziam elas que havia cada vez mais gente comendo, mas cada vez menos gente plantando melancias, e que se as coisas continuassem assim, não haveria melancia para todos.

A moral da história é a seguinte:

Algumas pessoas acham bom ter um governo grande, outras não. Mas não se pode negar um fato: governos não produzem melancias, eles vivem às custas das melancias que os outros produziram.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JACOB FORTES – BRASÍLIA-DF

REPELENTE NATURAL

Durante o calendário da mocidade, portanto no transcorrer da primavera, (quando, aliás, tudo floresce e fascina) os seres humanos parecem equipados com um repelente natural, digamos uma vacina que tem o condão de afugentar colônias de doenças que vagueiam pelo mundo em busca de uma boa estalagem. Equivale, por assim dizer, a querubins de primeira hierarquia montando guarda com o propósito de enxotar um sem-número de enfermidades que, renitentemente, buscam um formidável cangote onde possam armar as suas redes.

Porém, à medida que escorre o calendário primaveril, percebe-se que a validade do repelente vai perdendo suas forças gradualmente. Tempos depois, no repontar do verão, esses corpos, minguados de sentinela, já estão praticamente de porteira aberta. Com o passaporte carimbado, manadas de marmotas egressas de todas as paragens, inclusive do estrangeiro, dão início às invasões. Chegam à socapa, uma de cada vez, com o firme propósito de erguer acampamento na cacunda dos cristãos. Estes, nessas alturas, já revelam cabelos em duas cores. Quando menos se espera a procissão de forasteiros perniciosos adquire dimensões avultadas, os hospedeiros, evidentemente, figurando no catálogo dos destinos turísticos de alta demanda.

Mais adiante, quando o outono promulga o despojar das árvores, os corpos das criaturas já ostentam a condição de prestimosos santuários de doenças.

Com o advento da quadra vetusta, demarcada por cabeleira algodoada, época em que o inverno atinge a sua plenitude, um simples raio X testifica que os corpos já encerram um desfrutável ninhal de malfazejos. (E ainda se diz que os idosos só pensam em remédios; velha injustiça que a refuto). Mas não se dê por achado! Os dias trotam para todos; “eu já fui quem você é e você será quem eu sou”.

Porém, nem tudo está perdido inclusive porque, como dizia o Camões brasileiro: “{…}as esperanças vão conosco à frente, e vão ficando atrás os desenganos {..}”. A esperança é que a medicina decifre a enigmática fórmula desse sobredito repelente natural e os laboratórios possam manufaturar um genérico supimpa, com aptidão para desvanecer as hordas de agentes virulentos e infecciosos. Isso seria bênção grandiosa; seria a confirmação da sentença de Saramago (Azinhaga de Ribatejo 1922, Espanha 2010, prêmio Nobel de literatura): debaixo de um escombro é possível brotar um favor. Favor para que pereça tarde quem desencarna cedo.

A PALAVRA DO EDITOR

CASSETETE NO FURICO DOS VAGABUNDOS

Estava vendo agora há pouco o noticiário matinal e o que se esperava está confirmado.

Meia dúzia de vagabundos atrapalhando a vida de milhões e milhões de trabalhadores.

Queimando pneus, fechando avenidas, paralisando ônibus, interditando estações de metrô e depredando o patrimônio alheio.

De norte a sul do país.

Essa pelegada lulo-vermêio-ziquerdóide é um atraso da porra.

Pra esses desocupados existe um cassetete muito bom e eficaz.

A parte principal é pra baixar com força no lombo dos marginais.

E o punho enrugado do cassete é pra enfiar no furico deles.

Não vai ficar uma única prega no cu desses felas-da-puta.

* * *

COMENTÁRIOS SELECIONADOS

É DE FAZER O CU CAIR DA BUNDA ! ! !

Comentário sobre a postagem BOCA-DE-BUCETA QUER ACABAR COM A LAVA-JATO

Canindé:

E foi o “supremo” que ligou!!!

Já pensou???

O representante do Super Tolete Fedorento liga para um criminoso cujo processo corre no órgão onde ele faz suas merdas pra perguntar “que confusão é essa”?

E ainda afirma ao réu que vai “falar com o Tóffoli e depois retorna”.

É pra arrombar a tabaca de xolinha ou murchar os ovos de polodoro???

Sinceramente, ter que aguentar uma excrescência dessas como ministro da mais altar corte da nação é quase como ser obrigado a comer merda e dizer que é bom.

PUTA QUE PARIIIIIIIIIIIIIIIIUUUUUUUUUUUUUUU!

* * *

Lapa-de-Corrupto e Boca-de-Buceta: uma parelha que só mesmo na República Federativa de Banânia seria possível existir

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

ENTRE CHUVAS, RAIOS E TROVOADAS

Quando Gerônimo acertou o pagamento da pousada no Recife, Seu Manoel, o proprietário, pediu-lhe um favor: Levar de carona à Maceió, Lilian, sua jovem sobrinha. Gentil, ele disse ser um prazer, embora gostasse mais de dirigir solitário nas estradas. Partiram pelas três e meia da tarde. A jovem acomodou-se a seu lado no banco da frente, não o cumprimentou. Tinha um “walkman” grudado ao corpo e os fones no ouvido. Constantemente ouvindo música durante a viagem numa pose de quem estava fazendo um favor ter sua companhia. Gerônimo sentiu um desconforto com o comportamento pedante da jovem. Lilian era graciosa como qualquer moça. Corpo bem formado, sua pele rosada contrastava sob a blusa de malha branca, desenhada com motivos modernos, cobrindo seios abundantes. Seu rosto suave, cabelos castanhos, uma bela jovem, pena ser tão soberba, pensou Gerônimo, enquanto analisava a sua companhia acidental.

A viagem transcorreu monótona, sem diálogo, a moça só ouvia música e gesticulava como se estivesse dançando. Esgotado o repertório do “walkman”, Lilian retirou os fones do ouvido e sem pedir licença, ligou o rádio do carro, procurou um som jovem, ficou a ouvir calada. Gerônimo ainda tentou conversar alguma coisa, desistiu diante do mutismo da moça. Com duas horas de viagem bateu uma chuva grossa persistente. Gerônimo parou num posto de combustível para abastecer e lanchar. Depois do lanche, pela primeira vez Lilian falou.

– “Deixe, que a minha conta eu pago. Faço questão de não lhe dar despesas.”

Gerônimo respondeu brincando.

– “Na próxima você paga”.

Depois de dirigir mais 15 minutos ainda sob um intenso temporal, encontrou uma fila de carros parados. Gerônimo perguntou a um guarda rodoviário o que havia acontecido, ele respondeu que o aterro da cabeça de uma pequena ponte estava com problemas devido à enxurrada, o D.E.R. proibiu a passagem pela ponte. Estava perigoso enfrentar um desvio até Maceió àquela hora, escurecia. Aconselhou a dormir em Palmares e continuar a viagem no outro dia pela manhã, quando a ponte estivesse liberada. Gerônimo perguntou a opinião de Lilian. Ela fez um gesto com os ombros, como se dissesse tanto faz. Ele precavido voltou até o posto. Recomendaram um hotel na cidade.

Acertou na portaria, pediu dois quartos. A chuva não parava, marcou com Lilian para jantarem no próprio hotel às 19:30 h. Quando Gerônimo desceu na hora combinada, Lilian já havia jantado, subia as escadas para seu quarto, sem sequer dar um boa-noite. Ele não entendia aquela grossura. Jantou, recolheu-se cedo. Deitou-se de pijaminha bermuda esperando o sono. Relâmpagos cortavam o ar e trovões ribombavam incessantemente, custou a dormir. Ainda não era meia-noite quando foi despertado por fortes batidas na porta de seu quarto, a voz aflita de Lilian pedia, desesperada: “Por favor, abra aqui. Abra a porta!” Gerônimo deixou a cama num salto. Abriu a porta, Lilian entrou correndo, enrolada no cobertor, deitando-se na cama, confessou com voz trêmula morrer de medo de trovão. Gerônimo surpreso e fascinado pelo encanto da moça, agora humilde, buscou confortá-la, mandou que ela dormisse à vontade; ele dormiria na outra cama. Foi surpresa e emoção para o sessentão, quando ela puxou-o pelo braço pedindo: “Vem para perto de mim cara!”

Ela levantou o lençol, estava nua. Ao mesmo tempo em que o abraçou. Lilian, tremendo, levantou o rosto beijando voluptuosamente seu “motorista” na boca.

A noite longa transcorreu com muita chuva, muitos trovões e muitos ais. A louca ninfeta sabia tudo do amor, perfeita nos carinhos e na hora certa.

Dia seguinte, quando Gerônimo acordou, Lilian não estava na cama. Olhou para o céu pela janela, o tempo havia melhorado, mas continuava chuvoso. Tomou banho, arrumou a mala e desceu. Quando saiu do café, Lilian estava pronta sentada numa poltrona com a mala, esperando a partida.

Entraram no carro, a jovem tomou a mesma posição, calada como se nada tivesse acontecido. Não cumprimentou o companheiro de amor da noite de raios e trovões. Durante a viagem o fone não saiu do ouvido. Nem sequer disse um “obrigado” quando ele a deixou num edifício no bairro da Pajuçara.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

RODRIGO BUENAVENTURA DE LEÓN – PELOTAS-RS

Berto,

Divulgue está campanha.

Hoje no dia da greve geral você empresário ou empregador ajude o Brasil a andar para frente.

TROQUE UM GREVISTA POR UM TRABALHADOR DESEMPREGADO.

VOCÊ GANHA, SUA EMPRESA GANHA E O BRASIL GANHA.

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

O CÓDIGO DE BARRAS

Nerina era muito espirituosa e vivia de bem com a vida. Muito querida, tinha sempre um bom conselho para dar às amigas. Não sabia o que era mau-humor.

Era casada com Salin,, um turco da fala enrolada, apesar de radicado no Brasil, há muitos anos. 

O casamento já durava há mais de 20 anos e Nerina continuava fogosa , o que não acontecia com o marido. O homem só se preocupava com o seu comércio e já não a tratava com o carinho e o romantismo de antigamente. Mas Nerina procurava sempre ser coquete e sensual, para despertar o desejo de Salin.

Muito astuciosa e sentida com o esfriamento do marido, Nerina resolveu lhe provocar ciume. Certo dia, na hora do almoço, quando estava toda a família reunida, Nerina recebeu uma corbelle de rosas vermelhas, com um cartão assinado por um “admirador misterioso”.

A empregada recebeu o presente e Nerina levantou-se para ver quem era o remetente. O marido estava na mesa, almoçando de cabeça baixa, e de cabeça baixa continuou. Não deu o menor cabimento de olhar o que era. Também não demonstrou o menor ciúme. Serviu-se da sobremesa e se retirou da mesa. Quando Salin saiu da mesa, o filho mais velho do casal disse para a mãe:

– Deixa de presepada, mamãe…Essa corbelle, eu juro que foi a senhora mesmo quem lhe enviou. Não existe por trás disso nenhum admirador… O rapaz caiu na risada, sob os protestos da mãe.

Nerina mantinha na parede da sala de visitas as fotos dos sogros, em tamanho natural. Salin passava horas olhando para as fotos, e às vezes parecia estar conversando com os pais.

Concita, uma amiga de infância de Nerina, que havia morado fora vários anos, voltou para Natal e foi fazer-lhe uma visita.. Ao ver as duas fotos na parede e ouvir da amiga que aqueles eram os pais de Salin, perguntou:

– Eles são vivos?

Nerina respondeu:

– Graças a Deus, não!!!

Conversando com Nerina a amiga contou-lhe que estava namorando com um homem muito bom, mas sem estudo. Ele falava errado e lhe fazia vergonha. Numa roda de pessoas intelectuais, ele se saía com:

“Nesse “INTERÍM…” “Menas gente”, “O pessoal chegaram” e daí por diante. Ela disse que sentia muita vergonha do namorado falar errado. Só estava levando o namoro adiante, com medo da solidão.

Nerina, então, torcendo para que a amiga, já coroa, saísse do caritó, deu-lhe o conselho mais inteligente do mundo:

– Ô Concita, você, já com 50 anos, quer um namorado pra fazer discurso, ou pra namorar? Porque se for pra fazer discurso, mande desenterrar o finado Rui Barbosa!!!

As gargalhadas foram grandes.

Chegou o aniversário de 60 anos de Nerina, e os filhos organizaram um almoço em sua homenagem, reunindo 100 convidados, entre familiares e amigos. A festa foi num sábado pela manhã, num buffet de luxo, ao som de um excelente pianista, que executava uma seleção de MPB, de 1ª qualidade.

Foi uma festa muito bonita, e a aniversariante, muito bem vestida, de cabelo arrumado e maquiada, irradiava alegria, não aparentando a idade que estava completando.

Às 16 horas, todos se aproximaram da mesa , muito bem ornamentada, onde estava o belíssimo bolo artístico, confeccionado pela mais famosa especialista de Natal., para o tradicional “parabéns a você”.. Acenderam as duas velas , 6 e 0 e começaram a cantar “Parabéns”.

Na hora de apagar as velas, Nerina se recusou a fazê-lo. As velas queimando e os filhos e netos adulando a aniversariante para apagá-las. Só eram duas: um 6 e um 0 (sessenta, de rombo), e mesmo assim, Nerina só fazia rir.

Então, a filha lhe perguntou por que motivo ela não queria apagar as velas. Rindo muito, Nerina confessou:

– Para apagar as velas, vou ter que fazer um bico, soprar e vai aparecer meu Código de Barras, que eu tenho horror. E, ainda mais, vai aparecer nas fotos…

Ela se referia às inevitáveis rugas (preguinhas) que ficam abaixo do nariz.

Sopra, Mãe!!! Sopra, Vó!!! Sopra as velas!!!

Finalmente, Nerina apagou as velas, protegendo o “Código de Barras” com as duas mãos, numa cena hilária, que provocou risos em todas as pessoas presentes.

Muito espirituosa, a aniversariante gritou:

– Mas não mostro o “Código de Barras!!!”

PENINHA - DICA MUSICAL