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COMENTÁRIO DO LEITOR

UMA MULHER ASSIM

Comentário sobre a postagem VOLÚPIA – Florbela Espanca

João Francisco:

Eu só queria uma mulher assim.

Seria pedir muito?

* * *

VOLÚPIA – Florbela Espanca

No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frêmito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!

A sombra entre a mentira e a verdade…
A nuvem que arrastou o vento norte…
– Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!

Trago dálias vermelhas no regaço…
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!

E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças…

A PALAVRA DO EDITOR

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

A ELEIÇÃO É NOS ESTADOS UNIDOS, MAS OS RESULTADOS INFLUENCIAM O MUNDO TODO

eleição nos estados unidos

Acesso a seção eleitoral no Arizona

Hoje é dia de os americanos que queiram votar – e que ainda não votaram pelo correio – irem aos postos de votação para escolherem o presidente dos Estados Unidos, entre Kamala Harris e Donald Trump. Eu vejo essa escolha desta forma: de um lado, fazer a América grande novamente; do outro lado, recuperar o que Biden demonstrou já não dominar. Infelizmenente, mesmo tendo uma idade em que a pessoa podia estar bem lúcida e dona de seu corpo, parece que Biden já não tem condições, e arranjaram a vice como alternativa. Tudo isso acontece no momento em que estouram escândalos sexuais de Hollywood, uma coisa horrível que temos acompanhado.

Esta é uma decisão do povo americano, mas também afeta os vizinhos do continente – aliás, afeta o mundo inteiro. Os Estados Unidos são a primeira potência do mundo, potência econômica e bélica. Consegue juntar as duas coisas que fazem um país grande. Nós não conseguimos. Muito pelo contrário, vivemos com uma cabecinha muito pequena, basta ver algumas coisas realmente nojentas.

* * *

O incrível caso do tribunal que paga periculosidade e insalubridade para quem trabalha na sede da corte

Um exemplo é o que aconteceu no Tribunal de Justiça de Rondônia. Durante a pandemia, os funcionários foram trabalhar em casa e o presidente do tribunal, respeitando o dinheiro do contribuinte, não pagou os adicionais de periculosidade e de insalubridade. Pois o sindicato entrou na Justiça e argumentou  – vejam só se isso não desperta a raiva do contribuinte – “respeito aos princípios da razoabilidade, do valor social do trabalho e da dignidade humana”.

Dá vontade de perguntar para o advogado que escreveu isso se ele não tem vergonha na cara de achar que são todos imbecis de aceitar uma argumentação dessas. Pegam grandes valores e jogam, como se fôssemos idiotas. Claro que a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça não topou. Mas com isso descobrimos que o tribunal paga insalubridade para quem trabalha no prédio do tribunal. Quer dizer que o prédio do tribunal é insalubre? É perigoso? Não tem segurança?

Isso é tapear o pobre do contribuinte. O pobrezinho que compra uma lata de óleo de soja ali na esquina está pagando imposto que vai sustentar esses adicionais de insalubridade para trabalhar dentro do prédio de tribunal de justiça. Deve ser brincadeira, gargalhada em cima do contribuinte. Essa é a dificuldade desse país: uns querendo explorar os outros. Especialmente essa nomenklatura aí, que quer explorar os outros que não têm salário semelhante, que têm salário inferior, que têm menos férias, que têm menos aposentadoria.

* * *

Enquanto choram por penduricalhos, Supremo segue fazendo absurdos com manifestantes do 8 de janeiro

É incrível ver quantos penduricalhos que inventam, e como fazem chororô por causa deles. Enquanto isso, o Supremo está aí, prendendo na Papuda gente que nem foi à manifestação do 8 de janeiro, que nem saiu da Praça dos Três Poderes, que nem entrou em prédio algum, que nem tocou em nada, que não quebrou nada, que não tinha arma nenhuma. Pelo menos o tema da anistia está na Câmara dos Deputados, latejando na cabeça do presidente da Câmara, daquele que for candidato à presidência da Câmara, e da agenda do amanhã. A anistia é absolutamente necessária para desfazer gravíssimas injustiças.

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AS ELEIÇÕES NOS EUA E O ANTIAMERICANISMO ESQUERDISTA

Editorial Gazeta do Povo

Eleições nos EUA

A candidata presidencial democrata, Kamala Harris, foi considerada “de direita” em encontro virtual da esquerda brasileira e organização socialista norte-americana

Nesta terça-feira, os norte-americanos irão às urnas para definir quem será o sucessor de Joe Biden, escolhendo entre a atual vice-presidente, a democrata Kamala Harris, e o republicano Donald Trump, que almeja voltar à Casa Branca depois de não ter conseguido se reeleger em 2020. As eleições nos EUA têm efeitos sobre praticamente todo o mundo é mais uma ocasião para que a esquerda brasileira dê novas demonstrações de um antiamericanismo e de uma hipocrisia que têm extrapolado o âmbito do discurso partidário petista, tomando conta também de toda a política externa brasileira.

Ainda que a esquerda brasileira suavize ligeiramente o discurso antiamericano quando os Estados Unidos são governados pelo Partido Democrata, que está mais à esquerda especialmente no que diz respeito às pautas de comportamento ou identitárias, o PT e demais esquerdistas não deixam de incitar o antiamericanismo – em alguns casos, ganhando contornos bastante surreais, como em um recente encontro virtual promovido pelo Foro de São Paulo, a Fundação Perseu Abramo (vinculada ao PT) e os Socialistas Democráticos da América, no qual até mesmo Kamala Harris e os democratas foram descritos como “direita”.

Agora mesmo, neste fim de mandato de Joe Biden, tanto o PT quanto o governo Lula vêm criticando o governo norte-americano, especialmente a respeito dos principais conflitos internacionais da atualidade. Um caso é o do apoio norte-americano a Israel em sua luta contra o terrorismo praticado pelo Hamas e as agressões feitas pelo Irã, que não escondem seu objetivo de eliminar os judeus e extirpar Israel do mapa mundial. Outro é o da guerra na Ucrânia, a ponto de Lula já ter afirmado em 2023 que EUA e Europa estavam “dando a contribuição para a continuidade desta guerra” por ajudarem a Ucrânia a se defender da invasão russa.

É o antiamericanismo, ainda, que dá o tom nas alianças que o Brasil está intensificando com Rússia e China, no âmbito dos Brics. O que começou como uma associação de grandes economias emergentes é hoje um verdadeiro clubinho de autocratas com a intenção explícita de se contrapor à influência global norte-americana, que Lula e o PT consideram deletérias. Um exemplo é a reiterada condenação brasileira a sanções aplicadas pelos Estados Unidos à ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela e a histórica crítica petista ao embargo norte-americano a Cuba.

Neste segundo caso, ainda se verifica uma boa dose de hipocrisia. O discurso original dos próprios revolucionários cubanos liderados por Fidel Castro era o de os males de Cuba se deviam às relações da ilha caribenha com os Estados Unidos e, portanto, era preciso romper com os norte-americanos. Passadas mais de seis décadas desde que a Revolução Cubana instituiu um governo revolucionário e nacionalista em radical oposição aos Estados Unidos, o atual discurso da esquerda cubana, brasileira e mundial é o de que o miserável estado de atraso e pobreza de Cuba se deve ao boicote econômico dos Estados Unidos. Se no início diziam que a pobreza de Cuba decorria das relações com os EUA, hoje pregam o tempo todo que a miséria cubana deriva de não haver relações com os Estados Unidos.

Esta mesma hipocrisia se revela em outras situações. Na campanha atual, Trump é alvo de constantes críticas, sendo descrito como uma “encarnação do mal”, responsável, ao lado da direita norte-americana, por inúmeras interferências desestabilizadoras mundo afora. Uma acusação bastante hipócrita e que segue a máxima “xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz”, atribuída a Lênin, como demonstra o caso de um “progressista” muito badalado: Barack Obama, presidente entre janeiro de 2009 e janeiro de 2017, ganhador do Prêmio Nobel da Paz.

Em meados de 2015, o site WikiLeaks revelou ao mundo as dimensões de um esquema de monitoramento norte-americano, graças a documentos sigilosos vazados pelo ex-prestador de serviços da NSA Edward Snowden. Inúmeros líderes haviam sido grampeados, como a então chanceler alemã Angela Merkel. No caso brasileiro, o grampo atingiu a então presidente Dilma Rousseff (que teve e-mails e telefonemas interceptados) e outros 29 números de telefone de integrantes do governo petista, incluindo ministros, diplomatas e assessores. Até mesmo a Petrobras foi alvo da ação norte-americana. Ainda que a espionagem militar, como parte da doutrina da defesa nacional, seja legítima e muitos países a pratiquem, o que o governo Obama fizera era de ordem completamente diferente.

Se este mesmo esquema de espionagem tivessem sido montado durante os mandatos de George W. Bush ou de Donald Trump, ambos seriam execrados como monstros perigosos para a estabilidade mundial. Mas o “progressista” Obama foi criticado de forma bem mais suave do que seria qualquer líder de direita, a ponto de este episódio ser convenientemente ignorado quando a esquerda mundial volta na história para criticar atos ou políticas dos Estados Unidos que eles julgam condenáveis.

Esse é o discurso incoerente e errado da esquerda brasileira, fazendo que neste fim do segundo ano do terceiro mandato de Lula na Presidência da República, o Brasil esteja se distanciando cada vez mais das nações livres, democráticas e desenvolvidas, para se aliar a nações atrasadas, retrógradas e agressoras dos direitos humanos. A proximidade do governo brasileiro com o grupo terrorista Hamas e países como Venezuela, Nicarágua e Irã provará o prejuízo imposto ao Brasil no curto e no longo prazo.

Os Estados Unidos não são perfeitos e não constituem uma república federativa infalível. Porém, a aliança e as boas relações que o Brasil sempre teve com os norte-americanos responderam pela expansão do comércio bilateral, pelos robustos investimentos feitos no Brasil pelas maiores empresas daquele país e, destacadamente, pela transferência de tecnologia em grande escala. O PT e a esquerda brasileira são responsáveis pelas dificuldades que o Brasil tem no objetivo de se aproximar das nações adiantadas em termos de crescimento e desenvolvimento social – dificuldades estas causadas, entre outras razões, por este exacerbado antiamericanismo.