DEU NO JORNAL

MANTENHA A ALFACE E SUBSTITUA ESTE GOVERNO

Nikolas Ferreira

Mantenha a alface e substitua este governo incompetente

Ao comentar sobre as estratégias para o controle da inflação no Brasil, o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, propôs algo “genial” nesta semana: “Alface está cara? Substitua por chicória”. É incrível como o mesmo governo que não poupa dinheiro público com tantas coisas inúteis, e evita o corte de gastos, também sugere que a culpa pelos preços altos dos alimentos é sua, e que deve ser resolvida com uma simples substituição.

Por falar em Marinho, é bom relembrar que no início de dezembro de 2022, ele foi condenado por nepotismo cruzado, quando era prefeito de São Bernardo do Campo (SP), entre 2009 e 2016. Segundo o Ministério Público, Luiz Marinho empregou a filha do ex-prefeito de Santo André, Carlos Grana, enquanto uma cunhada ganhou um cargo na gestão do colega. Os dois foram condenados a pagar multa e proibidos de contratar com o poder público.

Em junho de 2023, ganhou destaque por se autonomear para uma vaga no Conselho Fiscal do SESC, em que o salário poderia chegar a R$ 28,6 mil por mês, acumulando ainda com o salário de ministro, o que iria totalizar cerca de R$ 71 mil mensais. Felizmente, a Justiça suspendeu a nomeação pouco tempo depois.

No início deste ano, o mesmo ministro defendeu que os trabalhadores não tivessem o direito de rejeitar o imposto sindical, o que, segundo ele, não seria legítimo ou democrático. É no mínimo curioso que o Marinho queira que os brasileiros sejam obrigados a pagar mais impostos para sustentar alguns parasitas e, ao mesmo tempo, afirma que o modelo de trabalho adotado pela rede de entregas Ifood é “altamente explorador”.

Falando sobre o grupo terrorista MST, Luiz Marinho teceu elogios, mas sobre os empresários brasileiros, disse em entrevista a um jornal, em julho deste ano, que se dependesse deles, os trabalhadores não teriam boa remuneração.

Mas, claro, a alta carga tributária e a enorme burocracia que atrapalham os empreendedores parecem não estar entre as principais preocupações da gestão petista

A nossa infeliz realidade com o desgoverno Lula é um rombo estimado de cerca de R$ 30 bilhões nas contas públicas neste ano e as estatais federais devem fechar 2024 com o maior déficit em 15 anos, segundo divulgado recentemente pela mídia. A picanha que prometeram já se transformou em abóbora e pé de galinha, e agora querem tirar até a sua alface.

A minha sugestão é que você mantenha a verdura e substitua este governo incompetente.

DEU NO JORNAL

UMA BRIGA ENTRE AMIGOS

Editorial Gazeta do Povo

Nicolás Maduro e Lula

Lula defendeu Maduro inúmeras vezes antes da fraude eleitoral de julho, e mesmo depois disso ainda deu declarações amenas em relação à Venezuela

Nicolás Maduro e Lula estão de mal. O ditador venezuelano e seus asseclas não ficaram nada satisfeitos com a primeira atitude concreta do Brasil que pode soar como reprovação à fraude eleitoral cometida em julho deste ano. Durante a recente reunião de cúpula dos Brics, na Rússia, o bloco aprovou um processo preliminar de adesão para 13 países que se tornariam “Estados parceiros” – a lista tem Cuba e Bolívia, mas não a Venezuela, que tinha interesse em se juntar aos Brics, mas foi barrada pelo Brasil. O episódio fez disparar a metralhadora verbal dos venezuelanos e, mais recentemente, Caracas também adotou medidas tradicionalmente vistas como sinais de um estremecimento diplomático.

O procurador-geral Tarek Saab, que já havia acusado Lula de ser um “agente da CIA”, disse que o presidente brasileiro forjou o acidente doméstico que o impediu de ir à Rússia. A chancelaria venezuelana criticou em nota a atuação brasileira para barrar a entrada da Venezuela nos Brics, chamando-a de “gesto hostil”. Logo em seguida, o ditador em pessoa entrou em cena para afirmar que o Itamaraty “sempre conspirou contra a Venezuela” e age a mando dos Estados Unidos. A polícia chavista foi às mídias sociais afirmar, em tom de ameaça, que “quem mexe com a Venezuela se dá mal”. Sobrou até para Celso Amorim, o chanceler brasileiro de facto, responsável por alinhar o Brasil ao que há de pior no mundo, e que pode ser declarado “persona non grata” pelo Legislativo chavista. Além das bravatas todas, a Venezuela chamou a Caracas seu embaixador em Brasília, e convocou o encarregado de negócios brasileiro na capital venezuelana para manifestar “repúdio” às recentes ações brasileiras.

Que ditadores tendem a ficar cada vez mais paranoicos, enxergando inimigos em todos os lugares, à medida que se eternizam no poder é um fato histórico. Mas a verdade é que a Venezuela tem muito pouco do que reclamar no caso do Brasil. Antes da farsa de 28 de julho, Nicolás Maduro e Lula eram unha e carne: o brasileiro trabalhou incansavelmente pela reabilitação de seu camarada venezuelano, recebeu-o com tapete vermelho em Brasília, e fechou os olhos a todas as violações dos Acordos de Barbados, chegando a classificar como “choro de perdedor” as reclamações das forças democráticas sobre a arbitrária inabilitação de María Corina Machado, a vencedora das primárias da oposição. Lula jamais classificou o que ocorre na Venezuela como “ditadura” – no máximo, afirmou que ali vigora um “regime desagradável”, e isso depois que Maduro já havia roubado de Edmundo González a vitória na eleição presidencial.

Na contramão de quase todo o Ocidente democrático, o Brasil até hoje se recusa a denunciar a farsa na apuração dos votos em 28 de julho, quando a autoridade eleitoral venezuelana, dominada pelo chavismo, suspendeu a apuração e declarou Maduro vencedor. Lula e seu colega colombiano, Gustavo Petro, insistem na apresentação de boletins de urna que jamais virão à luz por iniciativa da ditadura de Maduro, enquanto ignoram todas as evidências apresentadas pela oposição e reconhecidas pelos observadores internacionais que estiveram na Venezuela, atestando que González recebeu a maioria dos votos e venceu o pleito. Essa postura não é sinônimo de neutralidade; é uma omissão deliberada que joga a favor de Maduro.

Uma prova da pusilanimidade e Brasil e Colômbia está no que o chanceler colombiano, Luis Gilberto Murillo, escreveu no X nesta quarta-feira, em resposta a um professor universitário: “a apresentação das atas deve ser realizada antes do final do atual mandato presidencial, em 10 de janeiro de 2025. Caso contrário, como já expressou o presidente, a Colômbia não reconhecerá os resultados” da eleição. Estipular janeiro do ano que vem como fim do prazo para a apresentação de documentos que, em qualquer eleição normal, já deveriam ter sido divulgados antes mesmo da proclamação de um vencedor é um nonsense completo. Além disso, a Colômbia já não reconhece o resultado da eleição. O que mudaria depois de 10 de janeiro? O presidente Petro não receberia as credenciais diplomáticas de um representante de Maduro? A Colômbia reconheceria González como vencedor? O país passaria a apoiar sanções econômicas contra a Venezuela? Ninguém sabe e, se nada disso acontecer, o resultado prático será um reconhecimento tácito, informal, da “vitória” de Maduro. O mesmo se aplica ao Brasil, que reluta em dar o passo óbvio neste caso: o de reconhecer que houve uma fraude e que o vencedor é aquele que está exilado na Espanha para não se tornar preso político do regime bolivariano.

Na terça-feira, Amorim esteve na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados e ofereceu sua visão sobre o episódio. “O Brasil concordou com Cuba [nos Brics] e não concordou com a Venezuela porque existe esse mal-estar. Eu espero que possa se dissolver à medida que as coisas lá se normalizem, os direitos humanos sejam respeitados, as eleições transcorram com normalidade, as atas apareçam, enfim, coisas desse tipo”, disse, manifestando uma esperança ingênua de que “as atas apareçam” e “os direitos humanos sejam respeitados” como que por mágica, além de uma referência muito estranha a eleições, que já transcorreram, e muito longe da normalidade. Mas o termo mais relevante é outro. Brasil e Venezuela não estão se afastando por questão de princípios, como se Lula fosse alguém de sólidas credenciais democráticas, que repudia ditaduras fraudadoras de eleições. Nada disso: o que existe é apenas um “mal-estar”. Uma desavença entre amigos, que mais cedo ou mais tarde há de se resolver, já que, lá no fundo, Nicolás Maduro e Lula trabalham pelo mesmo objetivo.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

LIÇÕES DOS PEQUENINOS

Porta pantográfica

Esses pequeninos que vivem entre nós, sempre estão dispostos a nos dar lições. Parecem já haver nascidos sabendo das coisas.

As crianças de hoje já nascem com os olhos abertos, como se anunciassem: “Cheguei para mostrar que temos inteligência bem desenvolvida!”.

Numa época em que morávamos nas proximidades do aeroporto, onde víamos passar bem baixinho, os gigantes dos ares, um dos meus pequeninos filhos, certo dia, me disse:

– Papai, eu quero voar num avião!

E eu respondi:

– Vai voar, sim, meu filho! Quando você crescer mais um pouco, viajará.

Anos à frente, viajamos de férias ao Rio de Janeiro e ele ficou na residência de minhas tias. Mas questionou:

– Porque eu não posso ir viajar?

Argumentamos que nos aviões não havia berços, as crianças ficavam sem poder sair das cadeiras por muito tempo, eram amarradas por um cinto de segurança e ao dormir você não poderiam usar a chupetinha; e “carimbei” outros argumentos. Ademais, você precisa virar homem! Vai se hospedar num hotel. Foi convencido.

Não fez muita questão, sobretudo porque com minhas tias se davam muito bem. Era paparicado, por ser o caçula dos sobrinhos-netos. Mas lhe prometi que quando fosse possível ele viajaria, mas sem a chupetinha.

Anos depois, precisando ir ao Rio, resolvi ir com ele, porque a demora seria coisa de dois dias. Fui comprar as passagens, deixando ele na companhia da mãe. Quando voltei ao carro, fiz-lhe a surpresa: entreguei o Bilhete de Passagem, sob espanto:

– Pra que é isso, papai?

– É pra você entrar num avião e viajar para o Rio de Janeiro comigo. Mas, me disseram que só podem viajar crianças que não usam chupetas.

Ao preparar sua mala, a esposa colocou a chupeta bem escondidinha, para atender a algum caso extraordinário.

A partir do aeroporto fui lhe explicando coisas, a partir da apresentação dos bilhetes de passagem, entrega da bagagem, a ligação dos motores do avião, a inclinação para subir, as nuvens, os dois pousos e decolagens que se realizariam em Salvador, o lanche servido, etc.

O pequenino experimentaria um avião Constellation, da Panair do Brasil.

Reservei um daqueles antigos hoteis econômicos do Rio, cuja porta do elevador era pantográfica. Como os antigos sabem, se trata de um modelo com estrutura de grades, cujo fechamento articulado permite que fique completamente aberta ou totalmente fechada. Além do mais com ampla ventilação.

Logo que chegamos ao Itajubá Hotel e nos credenciamos, fomos para o velho elevador Otis, que estava de portas pantográficas abertas. Ao entrar e ver o cabineiro acionar a porta externa e a interna, ele aplicou:

– Ele vai trancar a gente aqui?

Como chegamos à tardinha, não dava mais para passear, logo após uma jantinha leve, retornamos. Na hora de dormir, metí-lhe o pijama, as meias, liguei o ventilador e notei que ele estava um pouco inquieto. E indaguei:

– Tá faltando alguma coisa meu filho?

– Sim, papai, esqueci minha chupetinha!

– Não, meu filho, sua mãe mandou que eu guardasse na minha mala. Tá aqui. Tome!

Ele olhou para a chupeta, me encarou, talvez sabendo que havia quebrado uma jura: não usar a danada para ter o direito de viajar. E saiu com mais uma, depois de instantes de reflexão:

Levantou-se, perguntou onde era a lixeirinha do quarto e lá jogou o “vício”, afirmando, feito gente, cheio de orgulho:

– Não uso mais chupeta, papai! Já sou homem, viajei de avião e conheci um hotel!

Hoje fico imaginando: como são vivas e inteligentes aquelas crianças da década de 60! A cada momento nos davam mostra de que eram portadores de muita vivacidade. Os olhinhos viam, gravavam e ouviam tudo. De fato, não poderei negar que recebi muitas lições dos pequeninos!

PENINHA - DICA MUSICAL