JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

QUEBRANTO E ESPINHELA CAÍDA

Erva milagrosa na mão da Benzedeira

Você já se sentiu vítima de “olho gordo”?

Não?!

Nem sabe o que é?

Pois, há quem garanta que, no mundo, existem pessoas que vivem de se preocupar com a vida dos outros. Não. Isso não é “coisa de vizinhos” que não convivem bem. Tem quem só viva bem, sabendo do desacerto da vida dos outros.

Não existe Psicologia que tenha explicações convincentes para isso. E, por conta disso – a falta de explicações plausíveis – ficam adjetivando, mentindo para satisfazer “seus clientes” e faturar a “sessão de descarrego” do bolso do incauto.

A partir dessa incerteza, o assunto cai na “janela” das crendices populares. Agora, nos últimos vinte anos entrou nessa extensa lista, a “depressão”. E isso tem lotado os consultórios e a indústria farmacêutica vem ganhando muito dinheiro, fabricando remédios para “depressão”.

Tenho parentes próximos que costumam dizer que, o melhor remédio para “depressão”, é ter o que fazer, é uma carteira profissional assinada e um bom salário. Vão mais longe, e garantem que, na roça, com uma enxada nas mãos e capinando, ninguém sofre de depressão.

Leia a seguir uma coisa muito interessante:

Quebranto e Mau-Olhado: Segundo o Dicionário Houaiss da língua portuguesa, quebranto é estado de torpor, cansaço, languidez, quebrantamento; suposta influência maléfica de feitiço, por encantamento à distância; efeito malévolo, segundo a crendice popular, que a atitude, o olhar etc. de algumas pessoas produzem em outras.

Nos antigos dicionários portugueses era registrado apenas como desfalecimento, prostração, quebramento de corpo.

Universalmente conhecido, o mau-olhado é o mal de ojo, na Espanha; mal-occhio, para os italianos; evil eye para os ingleses e mati, para os gregos.

Na Grécia existe, inclusive, o famoso olho grego, um talismã contra a inveja e o mau-olhado, que funciona também como um símbolo da sorte e é um poderoso instrumento contra energias negativas. Normalmente é feito de vidro, na cor azul, sendo usado como pingentes em pulseira, colares e tatuagens.

No Brasil, o quebranto está sempre relacionado ao feitiço e, a influências maléficas, sendo considerado uma doença causada pelo mau-olhado, também conhecida como quebrante.

Sabe-se que as pessoas transmitem energias positivas e negativas. As que possuem irradiação positiva ou benéfica são as de bons olhos e as que, ao contrário, irradiam energias negativas ou maléficas, são as responsáveis por causarem maus-olhados ou quebrantos.

Em alguns locais é feita uma distinção: considera-se quebranto quando afeta o ser humano e mau-olhado quando afeta plantas e animais.

São diversos os sintomas de quem é vítima do quebranto: olhos lacrimejantes, moleza por todo o corpo, tristeza, bocejar constante, espirros repetidos, inapetência. No caso dos animais, ficam tristes, parados e encorujados. As plantas vítimas de mau-olhado murcham sem motivo e rapidamente, às vezes da noite para o dia ou vice-versa, dependendo de quando foram atingidas pelas irradiações maléficas.

Segundo a crença popular, nem sempre o quebranto vem de alguém invejoso. Aliás, o quebranto mais difícil de cortar provém de não invejosos. É preciso benzer e defumar com a palha de alho no brasido manso (brasa com um pouco de cinza por cima); nove dias seguidos é o prazo religioso das novenas. (ARAÚJO, 1979, p. 189). (Lúcia Gaspar – Bibliotecária da Fundação Joaquim Nabuco)

Benzedeira. Esse é o nome de quem tem “resolvido alguns problemas” tratados na cidade grande por Psicanalistas e Psicólogos. Mas, “benzedeira” não tem consultório nos grandes edifícios, não tem secretária nem atende pelo SUS. Mas ainda pode ser encontrada nos distantes povoados dos municípios brasileiros.

Se é verdade que a Benzedeira resolve o problema, não nos cabe discutir aqui. É uma questão de “fé”. Mas, como “de grátis” tem quem tome até injeção na testa, não é difícil testar e tentar. E você sequer precisa levar o galhinho de arruda. É como se fora uma luva descartável ou algo que esteja contaminado, depois de uma benzedura para tirar quebranto e outros que tais, o galho murcho é jogado fora. Quando o olho é muito gordo, o galhinho murcho é incinerado.

Mas, vamos além. Existe alguém que acredite mesmo que exista o “olho de seca pimenteira”. Não acreditamos no efeito positivo em maus olhados, maus fluidos ou algo que, apenas mentalmente, consiga resultados evocando a maldade.

Quem é do interior, não gosta muito de peixe frito, de tortas de peixes ou mariscos. Gosta mesmo é de peixe cozido, com caldo, para ser bebido depois. E esse é um dos benefícios da pimenta malagueta, eficiente para quem tem problemas cardíacos e não tão eficiente para quem sofre com as hemorroidas.

Duas pimentas malaguetas (retiradas as sementes) esmagadas no fundo do prato recebendo duas conchas de caldo de peixe – há quem acrescente rodelas de bananas prata – acaba sendo melhor que o próprio almoço de cozidão de peixe. E não tem efeito colateral.

A folha da pimenteira, esquentada numa colher com azeite de coco ou banha de galinha caipira, “suga” (ou “chupa”, como dizem os da roça) furúnculos e tumores. Mas, nunca se soube que essa maravilha sirva para quebranto, mau olhado ou espinhela caída. Tampouco que seja eficiente contra “depressão”.

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

BOAVENTURA BONFIM – FORTALEZA-CE

Prezado Editor Berto:

Le pido que publique el texto a continuación en este periódico democrático.

¡Gracias!

LECCIONES BÁSICAS DE ESPAÑOL.

A mí me gusta mucho estudiar español, así que siempre estoy haciendo estudios comparativos entre estos dos idiomas, portugués y español. Hoy me resultó difícil encontrar una palabra para usar en portugués. Por eso, recordé una investigación que hice hace mucho tiempo sobre el uso de la tercera persona del plural, en el presente de indicativo y en el presente de subjuntivo del verbo ir, en portugués y español.

Tras mi investigación, he llegado a esta conclusión.

A mi juicio, nuestro portugués es más carente en vocablos que el español. Por ejemplo, cuando hablo la siguiente expresión, en el presente de subjuntivo de la lengua de Camões, yo digo: ESPERO QUE AS MENINAS VÃO. Sin embargo, la lengua de Cervantes tiene más riqueza de vocabulario porque yo digo así: ESPERO QUE LAS CHICAS VAYAN. Se percibe que en portugués el presente de subjuntivo es igual que el presente de indicativo (VÃO/VÃO). No obstante, en español el vocablo cambia (VAN/VAYAN).

Boaventura Bonfim.
Estudiante de Letras/Español de la Universidad Federal de Ceará.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Alceu Amoroso Lima

Alceu Amoroso Lima nasceu em 11/12/1893, no Rio de Janeiro, RJ. Também conhecido como Tristão de Athaíde, pseudônimo adotado aos 26 anos, foi escritor, crítico literário, professor, advogado, jornalista, pensador e líder católico. Publicou dezenas de livros sobre os mais variados temas e teve uma profícua carreira intelectual.

Filho de Camila da Silva Amoroso Lima e Manuel José de Amoroso Lima. Aprendeu a ler em casa, com o prof. João Kopke, teve os primeiros estudos no Colégio Pedro II e formou-se advogado pela Faculdade Nacional de Direito, em 1913. Iniciou como crítico literário n’O Jornal, em 1919, e publicou seu primeiro livro em 1922: Afonso Arinos, um estudo crítico. Ainda jovem viajou pela Europa com seus pais e voltou à Paris, em 1913, para estudar no Collège de France.

Aí teve aulas com Henri Bergson e, segundo seu relato, teve uma grande transformação em suas ideias, passando do “evolucionismo spenceriano” ao evolucionismo criador de Bergson, a partir da primazia do espírito. De volta ao Brasil, teve uma breve experiência como diplomata, mas logo deixou a carreira para substituir o pai na direção da fábrica de tecidos Cometa. Em seguida, optou pela vida literária. O pseudônimo Tristão de Athayde, adotado em 1957, “o nome ficou […] e hoje quase é possível dizer que tem o mesmo curso do verdadeiro”, declarou.

Sob a influência de Chesterton, Maritain e Jackson de Figueiredo, foi convertido ao catolicismo e escreveu uma carta aberta à Sergio Buarque de Holanda – Adeus à disponibilidade -, em 1928, significando “a primazia do literário ao ideológico. Do primado da crítica estética à crítica filosófica”. A partir daí inicia no movimento católico leigo no Brasil com disposição: “ao converter-se, não me recolhi a um porto, mas parti para o alto mar”. Na década de 1930 teve intensa produção editorial e ingressou na ABL-Academia Brasileira de Letras, em 1935. Foi catedrático de literatura na Faculdade Nacional de Filosofia, um dos fundadores da PUC/RJ e ministrou cursos sobre civilização brasileira na França (Sorbonne) e nos EUA.

Por indicação de Dom Sebastião Leme, substituiu Jackson de Figueiredo na presidência do Centro Dom Vital e na direção da revista A Ordem. Por esta época alimentou simpatias com o Integralismo, com artigos na imprensa, mas pouco depois reconheceu o equívoco, a partir da obra de Jacques Maritain Humanismo integral (1936). Não era um adepto da militância política e menos ainda da partidária, mas participou ativamente da criação da LEC-Liga Eleitoral Católica, em 1934, por iniciativa de Dom Sebastião Leme, que lhe pediu para estudar o problema das novas posições da Igreja em face dos problemas sociais, então recolocados em exame de maneira bastante incisiva pela Encíclica Quadragésimo Anno, de 1931.

Em fins da década de 1940 viajou pela Argentina e Uruguai palestrando sobre a Democracia Cristã na América Latina, organizando o “Movimento de Montevidéu” Pouco antes havia participado da criação do PDC-Partido Democrata Cristão, em 1945, junto com Franco Montoro. Escritor prolífico, foi também editor na Editora Agir, que ajudou a fundar em 1944. Em 1950 foi convidado para o cargo de Diretor Cultural da União Pan-Americana e logo se tornou Secretario Geral da OEA, com sede em Washington. Sua adesão ao movimento social católico foi intensificada a partir do Concílio Vaticano II, convocado pelo Para João XXIII no período 1962-1965.

A adesão a corrente renovadora da Igreja causou-lhe algumas críticas, que foram respondidas: “Pelo fato de colocar-me entre os renovadores da Igreja, sou chamado de progressista e de inocente útil. Mas a verdade é que a Igreja, no decorrer dos últimos 50 anos, tem evoluído gradativamente no sentido daquilo que chamo de humanismo, isto é, de uma colocação do primado do bem comum, em que o indivíduo se subordina à coletividade e a coletividade, por sua vez, se subordina à pessoa, à liberdade e à justiça. É aí que considero possível um entendimento entre as duas correntes antagônicas”.

Em 1964, com o golpe militar, alinhou-se a Dom Hélder Câmara contra a ditadura e tornou-se um dos mais respeitáveis críticos do regime político implantado no País, através da imprensa. Em 1967 comentou um livro sobre tortura, do deputado Márcio Moreira Alves: “Entre nós a revolução de 64 recolocou a tortura política em evidência. Márcio teve o desassombro… de ir aos fatos, de ouvir as vítimas, de arrancar os véus que impediam ver através dos muros das penitenciárias. E só agora pôde revelá-los em livro, que a Censura oficial procurou impedir que se divulgasse”.

No inicio da década de 1970, mostrou-se favorável à Teologia da Libertação, liderada pelo frade franciscano Leonardo Boff: “Considero a chamada Teologia da Libertação… que ela representa para mim a verdadeira e mais positiva concepção do papel capital que a Igreja de hoje, fiel às suas tradições mais primitivas da era patrística, pode e deve representar neste momento crucial, em que se chocam as concepções mais puramente antagônicas do futuro da humanidade, entre o crepúsculo da burguesia e a aurora do proletariado, entre a crise do capitalismo e a crise do socialismo, em tão grande parte herdeiro dos próprios males do capitalismo.”

Faleceu em 14/8/1983, aos 90 anos e, na condição de oblato beneditino, foi velado no Mosteiro de São Bento. No mesmo ano, a Comissão de Justiça e Paz, de São Paulo, liderada por Dom Paulo Evaristo Arns, criou o “Prêmio Alceu Amoroso Lima”, concedido pela Universidade Candido Mendes juntamente com o Centro Alceu Amoroso Lima pela Liberdade. Deixou um legado de 78 livros publicados sobre os mais variados temas e pode ser melhor conhecido através do site alceuamorosolima.com.br.

A Universidade Cândido Mendes mantém o CAALL-Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade, com o objetivo de manter e divulgar seu legado. Pouco antes de completar 90 anos, cuidou de suas memórias e organizou o livro Memorando dos 90: entrevistas e depoimentos, publicado pela editora Nova Fronteira, em 1984. Outro livro revelador – Cartas do pai: de Alceu Amoroso Lima para sua filha, Madre Maria Teresa – foi lançado em 2003 pelo IMS-Instituto Moreira Salles.

Clique aqui e veja entrevista histórica com Alceu Amoroso Lima

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

BOBAJADAS MERDÁLICAS

Se o que vou contar, notícias publicadas em jornal sulista de fino trato, acontecessem num dos estados nordestinos, seria motivo de muita chacota do sul-maravilha. Eis a síntese do fato primeiro: algumas quarentonas “emergentes” da elite paulista, às vezes classificada de influenciadoras diante das cafonices praticadas em nome de uma pseudomodernidade, estão se auto presenteando com flores, cartões e outdoors elogiosos, para despertar ciumadas dos maridos, namorados e enfiantes, numa estratégia de revalorização pessoal diante das relações estremecidas com os pobres coitados. Uma delas, mais porra-louca que as demais, andou pichando muros, enviando mensagens via Internet, deixando “recados” na secretária eletrônica do infeliz ricaço, até contratando vozes sensualmente másculas para indagarem viva voz sobre seus desejos mais íntimos e locais de preferência para uma transa legal.

Duas páginas adiante, em contraponto de mesmo calibre, um segundo fato: idiotão do leste, metido a empresário, 55 anos de idade, conta bancária com taludos reais e cavalheirismo de centavos, reproduz alto e bom som numa entrevista televisada, como se fosse o máximo, as razões de estar com uma nova companheira: “Um dia você acorda, olha para o lado e testemunha aquele monstro na sua cama. O monstro se espreguiça, boceja com a boca arreganhada e se levanta toda pesadona. Tive que inventar outra mulher para me livrar daquela. Não conseguia nem olhar mais para a cara feia da sujeita”.

Duas situações, uma masculina e outra feminina, reveladoras do atual nível de bostalidade cultural da classe granfa brasileira, que parece ter perdido o senso de ridículo, o respeito pela Vida, jogando na lata do lixo a bússola da serenidade comportamental para com os desafortunados, idosos e fisicamente alquebrados.

Numa sociedade hedonista, ávida em ser notícia de qualquer maneira, que se futiliza em pérfidos níveis de consumo, onde uma classe emergente procura tresloucadamente um “algo mais” para se promover e aparentar ter menos idade, não é tarefa difícil deparar-se com outras bobajadas dinossáuricas como as acima mencionadas.

Pouco importando as releituras e reciclagens necessárias para enfrentar com saudável criatividade as novas e dinâmicas realidades primeiromundistas, homens e mulheres disputam, mesmo com a atual tragédia gaúcha, o troféu Kimerda, classe ouro, pouco se lixando para os amanhãs trágicos que também advirão para todos eles.

Mais cedo ou mais tarde os truques mandarão as contas. E muitos dos que se imaginavam tampas-de-foguete perceberão logo o significado de um dos mais notáveis provérbios iídiches: “Para o verme num rabanete, o mundo inteiro é um rabanete”. E poderão, então, reiniciar-se socialmente, sempre atentos para o alerta do Luiz Berto, autor do engraçadíssimo e muito lúcido O Romance da Besta Fubana: “Pode-se perdoar tudo num ser humano, menos que não bote força para deixar de ser burro”.

Mas inúmeros outros, a grande maioria talvez, continuarão sobrevivendo como os dois exemplos acima, vegetando e ruminando pela vida afora, abanando orelhas e rabos, imaginando-se donos absolutas do pedaço, como se tudo eternamente ficasse, lindamente, nos devidos lugares por eles desejados.

Quem bem evita comportamentos bbbósticos, saberá defenestrar posicionamentos imbecilizantes, do tipo como usar cuecas e porta-seios por cima das calças e blusas.

PENINHA - DICA MUSICAL