DEU NO X

A PALAVRA DO EDITOR

SEXTAFEIROU!

Chegou a sexta-feira e a inxirida da Chupicleide amanheceu o dia toda fogosa.

Ela está aqui relinchando de felicidade com as doações dos nossos leitores e até já fez um vale pra gastar na farra de hoje, no final do expediente.

Ela manda um abraço muito especial para os fubânicos Áurea Regina, Samuel Levi, A.J.S, Jorge Alberto F. Motta, Cassio Ornelas, Maria de Fátima Pereira, João Matias dos Reis e Fábio Pereira, pelas suas generosas doações feitas esta semana.

Gratíssimo a todos vocês que nos dão força e ajudam a manter esta gazeta escrota avuando pelos ares.

E, atendendo pedido do leitor Walter de Castro, residente em Apucarana, no Paraná, vamos embelezar nossa sexta-feira repetindo um concerto chorado de primeira grandeza.

Um excelente final de semana para toda a comunidade fubânica!!!

DEU NO X

DEU NO JORNAL

ACERTOU

O Tribunal de Contas da União investigará (?) a contabilidade criativa do governo que alterou dados da Previdência para reduzir projeções de despesas e liberar recursos a aliados.

“Práticas típicas do padrão PT”, conclui o autor do pedido, senador Rogério Marinho (PL-RN).

* * *

O sinhô deputado resumiu tudo de modo irrefutável:

Alterar dados, falsificar, mentir e fazer mágicas contábeis são mesmo práticas típicas do PT.

Acertou no alvo.

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

ANOTAÇÕES (3)

Seguem mais anotações.

1. ESTADOS UNIDOS. Como a maioria dos leitores não tem ideia precisa de como funcionam as coisas, tão longe de casa, vão aqui informações curiosas sobre sua economia:

1. APOSENTADORIA.

• Idade mínima é 62 anos.

• O valor varia numa escala relacionada aos anos produtivos e a idade do recolhimento dos valores correspondentes à aposentadoria.

• Esse valor inicial, de quem se aposenta com 62 anos, é 30% menor que aquele de quem se aposenta aos 70.

• Não há ligação entre o último salário recebido e o valor do pagamento do Social Security. E normalmente esse valor da aposentadoria é (bem) menor.

• Organizações sociais criam pacotes de aposentadorias, descontados automaticamente dos salários.

2. APOIO MÉDICO.

• O Medicate and Medical Services começa aos 65 anos, para todos, independentemente do tempo trabalhado por cada um.

3. SALÁRIOS.

• O salário mínimo federal é de 7,25 dólares por hora; e não teve reajuste, no país, desde 2009. Nem há projetos de ter, no futuro próximo.

• Ocorre que os Estados americanos têm seus próprios salários. Em 34 dos 50 Estados, o salário mínimo é maior que o federal.

• O da Califórnia é o dobro, 15 dólares por hora.

• Em Oregon, na área metropolitana, é de 15,95 dólares, variando nos condados por categorias (rural/urbano).

4. BRASILEIROS.

• O salário dos brasileiros que por lá estão trabalhando é de, no mínimo, 200 dólares. Mas quase sempre acaba sendo bem mais.

5. SINDICATOS.

• As questões entre empregados e patrões são todas resolvidas com negociações dentro da própria empresa. Em alguns casos, com participação de sindicatos. Sem Justiça, no meio.

• A força dos Sindicatos, usualmente, depende da atividade do empregador. Alguns sendo mais fortes que outros.

• Em algumas áreas, como da saúde, é comum agréments com duração de 2 anos.

6. FÉRIAS.

• Férias dependem de cada trabalho.

• Trabalhadores podem escolher tirar férias acumuladas ou por dias.

• Não existe, ali, a regra federal dos 30 dias automáticos de férias anuais.

• Adicional das tais férias, como no Brasil, esqueça.

7. LICENÇA MATERNIDADE.

• Mulher, ao nascer filhos, tem direito à licença maternidade.

• Mas essa regra varia de Estado a Estado.

• Em alguns casos, podem corresponder até a 12 semanas.

• Dependendo do Estado, há pagamento total pelo empregador, ou pagamento parcial, ou mesmo pagamento nenhum.

8. ESTABILIDADE.

• A estabilidade no emprego depende dos contratos de trabalho.

• Em algumas categorias, é difícil demissões individuais durante a duração dos contratos.

9. INFORMAÇÕES ADICIONAIS.

• 13º salário, Zero.

• Adicional noturno, zero.

• Estabilidade no emprego, zero.

• Carteira de Trabalho, zero.

• Justiça do Trabalho, zero.

10. Isto posto, alguém estaria disposto de abandonar o Brasil para ir morar lá?, eis a questão.

2. SINDICATOS. Não são muitos, em canto nenhum. Os Estados Unidos têm o maior número, 191. Só pouco mais que África do Sul, 190; Reino Unido, 168; Dinamarca, 161; Argentina, 91. A média, no mundo, não chega a 100. Em Portugal, por exemplo, tentei por todos os meios saber e o governo silencia. “Não chega a 100”, respondem. E no Brasil? Seriam em torno de 16.700. Por favor não ria, leitor amigo, mas cerca de 90% dos sindicatos do planeta estão por aqui.

Qual a razão?, é simples. Dando-se que, nos outros países, só paga sindicato quem se associa. No Brasil era obrigatório ‒ Imposto Sindical, assim se chamava ‒, correspondente a um dia de trabalho/ano. E assim foram nascendo sindicatos, por todo canto, como uma boquinha garantida. Até que, na Reforma Trabalhista de 2017, também adotamos essa regra de pagamentos só de quem quiser fazer parte deles. Para uma ideia dos montantes que representaram, no último ano de Imposto Sindical obrigatório, as Centrais Sindicais receberam: CUT, 62,2 milhões; Força Sindical, 51,3; UGT, 46; NCST, 24,2; CTB, 15,4; CSB, 14,1 milhões.

Sem contar que vivemos um sistema de “Unicidade Sindical”, em que só pode haver um sindicato por categoria profissional. Impedindo a competição, entre eles. Diferente do resto do mundo. Agora, o novo governo brasileiro quer voltar o tal Imposto Sindical obrigatório, com outro nome, para alegria dos sindicalistas profissionais que vivem dele. E o Supremo já se apressou em colaborar com essa trama, como sempre nos últimos tempos. E tudo por cima da decisão do Congresso que, numa Democracia, deveria ser respeitada.

Olhando para a grandeza dos números, e para a voracidade com que os sindicalistas reivindicam, lembro o amigo Millôr (Nelson Rodrigues dizia que a frase era dele, um dia vou relatar a versão que o próprio Millôr me contou, bem mais confiável), num artigo do JB, “dinheiro compra tudo, até amor sincero”. Compra mesmo.

3. NELSON DA MASTERBOI. Nelson Bezerra, empresário no ramo dos frigoríficos, tem um em Canhotinho (Pernambuco) com abate diário de mais que mil bois. Estava num restaurante, em Boa Viagem, falando no celular com seu gerente. Só que a ligação estava péssima, quase não dava para ouvir, e tinha que falar bem alto. O problema relatado é que havia, naquele momento, só pouco mais de 40 cabeças disponíveis. O gerente queria saber se faria o abate logo ou melhor esperar por mais bois, para agilizar a produção. E Nelson, aos gritos,

‒ Mate todos! Agora!! Pode matar!!!

Foi um pandemônio. Pois todos os frequentadores do lugar, pensando que os mortos seria pessoas como eles, foram embora correndo. Na hora. Com medo (talvez) de serem os próximos.

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

A CUIDADORA DO CLIMA BOM

Cícero ficou radiante ao conseguir emprego na transportadora de valores, passado o período de capacitação, deram-lhe fardamento, armamento e logo iniciou seu trabalho com atenção e medo de assaltantes. Ao retornar em seu bairro, fardado, sentia-se o próprio coronel de Polícia, até brigas e pendengas entre moradores ele era consultado. Comprou uma moto barata de segunda mão, em cujas prestações escorriam metade de seu salário. Numa festa conheceu Alzira, jovem, 18 anos; apaixonou-se, namorou, engravidou e casou-se. Foram morar numa casa alugada de porta e janela, perto do sogro, onde nasceu Geraldo. Cícero não deixou Alzira trabalhar para cuidar do menino, comiam na casa do sogro no bairro do Clima Bom.

Passaram-se seis anos, o casal sobrevivendo, até que Cícero deu para beber, vivia reclamando da vida, comportamento estranho, deixou de procurar a esposa na cama, ela que gostava tanto da vadiagem. Nessa época Alzira havia arranjado um emprego de doméstica na casa de um ricaço. Limpava, lavava, passava e cozinhava. Melhorou sua situação econômica, Geraldo estudando, entretanto, a cachaça e o distanciamento do marido entristecia a bela Alzira. Certa tarde ela apanhou o filho mais cedo na escola, estava febril, ao chegar em casa percebeu a moto de Cícero, entrou e teve a maior surpresa de sua vida. Ao abrir a porta do quarto, o marido abraçado, se pegando com um rapaz conhecido no bairro. A maior decepção, humilhação e traição que uma mulher pode ter. No mesmo dia expulsou o marido de casa, chorou a noite toda. Levantou-se de madrugada, olhou-se no espelho, prometeu a ela, recuperar sua vida, tinha o amor de Geraldo para lhe dar força.

Com um ano de separação a dor amenizou. Alzira, bonita, assediada por muitos homens, preferiu, embora gostasse tanto do amor, fechar-se, não queria outro homem por enquanto. Até o patrão rico mostrava uma queda pela bela empregada, ela fingia não entender as insinuações.

No dia que Arnaldo, o patrão, completou 67 anos teve um derrame, uma tragédia na casa de Dona Geruza. Ela e os dois filhos deram a assistência devida no hospital. Ao voltar para o luxuoso apartamento, Arnaldo precisou de uma enfermeira para ajudar no banho, no vestir-se, o empresário falava um pouco enrolado, mas, dava para entender, o que queria. Cismou com as enfermeiras, toda semana trocava de assistente. Certo dia na falta de enfermeira, Alzira ajudou Arnaldo a tomar o banho de banheira, enxugou-o, vestiu-o. O velho ficou surpreso com a delicadeza, a suavidade de gestos da empregada, gostou daquele cuidado, disse que Alzira havia nascido para cuidar de idoso. A partir daquele momento só chamava pela empregada, durante todo dia, inclusive no banho de sol em cadeira de roda, só queria a jovem bonita.

Alzira dava conta da casa e do patrão, ficou muito cansativo, inclusive em suas folgas sábado à tarde e domingo era chamada com urgência, Arnaldo só queria a assistência da enfermeira improvisada. Quando Alzira se recusou a trabalhar à noite e nos dias de folga, foi um Deus no acuda, Dona Geruza entendeu, seu marido, não só gostava do tratamento de Alzira, ele estava encantado pela jovem. Dona Geruza foi de uma grandiosidade extraordinária só encontrada nas grandes mulheres. Entrou em um acordo com a empregada. Propôs Alzira morar em um de seus apartamentos perto da sua casa, pagaria a escola de Geraldo e aumentava o salário, desde que ela desse maior dedicação em seu tempo a Arnaldo. Alzira só não abriu mão das noites com seu filho e sua folga aos domingos, assim ficou acertado. O bom salário e o colégio de Geraldo pago, compensava.

Hoje, aos 70 anos Arnaldo melhorou bastante sua mobilidade, Alzira foi treinada a aplicar certos exercícios. O velho, com o tempo, está mais conformado com a situação, tem em casa uma mulher que o apoia, dois filhos que tomam conta de seus negócios, e uma cuidadora competente, suave, cuja delicadeza ameniza o sofrimento do enfermo.

Uma vez na semana Dona Geruza vai às compras no Shopping, é dia do banho prolongado. Arnaldo passa a tarde com a gentil Alzira trancados no banheiro, os dois dentro da banheira, água morna. Ela o massageia em todas as partes e buracos do corpo, as partes íntimas deixa por último, sua mão de ouro faz milagres, bem devagar, suave, sensual. Arnaldo adora.

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DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

SÃO JOÃO E SUAS TRADIÇÕES

Fogueira, fogos de artifícios e comidas de milho permeiam as festas de Santo Antônio, São João e São Pedro.

Quando chega o mês de junho
Tem festa e animação,
De Santo Antônio e São Pedro,
Também a de São João.
É festa no mês inteiro,
E ninguém perde o roteiro
Nos trilhos da tradição.

Estes festejos juninos
Vieram de Portugal.
Por aqui eles chegaram
No tempo colonial,
E seguindo a tradição
A festa de São João,
Das três é a principal.

No dia treze de junho
Fica animado o terreiro.
A mulherada se apega
Ao Santo casamenteiro.
O famoso Santo Antônio!
Para arrumar matrimônio,
E se casar mais ligeiro.

Já vinte nove de junho,
De São Pedro é o dia.
Patrono dos pescadores,
É de barco a romaria,
É protetor das viúvas,
É também quem manda chuvas!
Da chave do céu é guia.

Essa festa dos três santos
De juninas são chamadas,
Por que é no mês de junho,
Que elas são celebradas.
No Brasil a tradição,
Tomou conta da nação,
Tem festas bem afamadas.

Numa junção de cultura
Foram chegando parceiras.
Dos indígenas herdamos
O costume das fogueiras.
Os zabumbas e tambores,
Da África são valores,
Como a dança e brincadeiras.

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DEU NO JORNAL

UMA UNANIMIDADE NADA BURRA

Editorial Gazeta do Povo

Sede do Banco Central, em Brasília.

Sede do Banco Central, em Brasília

A desconfiança do mercado financeiro em relação à política fiscal do governo federal é tanta que, na última edição do boletim Focus, as estimativas para a taxa Selic no fim de 2024 já eram idênticas à taxa em vigor, de 10,50% ao ano, indicando que não se esperava mais nenhum corte este ano por parte do Comitê de Política Monetária (Copom). Se as previsões em relação à reunião encerrada na última quarta-feira eram de manutenção dos juros, ainda havia dúvidas quanto ao placar da decisão e ao tom do comunicado. O resultado, no fim, foi o mais tranquilizador possível para quem tem consciência do buraco em que estamos metidos: todos os nove diretores do Banco Central, incluindo os quatro apontados por Lula, votaram por não alterar a Selic, e o comunicado reafirmou o compromisso do colegiado com o controle da inflação atual e com a ancoragem das expectativas futuras de inflação.

Lula tentou como pôde influenciar a decisão de quarta-feira. Em entrevista a uma rádio na terça-feira, dia inicial da reunião do Copom, o presidente afirmou que “o comportamento do Banco Central” era a única “coisa desajustada no Brasil nesse instante”. O desespero foi tamanho que o PT chegou ao ponto de anunciar uma ação judicial contra o presidente do BC, Roberto Campos Neto, pela participação em um evento do governador paulista, Tarcísio de Freitas, e pela própria taxa de juros. Se é verdade que se pode considerar muito imprudente a participação do presidente do Banco Central em eventos de cunho político, por outro lado afirmar que ela tem algo a ver com sua atuação à frente do BC é um claro non sequitur – a falácia em que as conclusões não derivam das premissas. Além disso, Campos Neto não decide a Selic sozinho, e o fato de mesmo os quatro diretores indicados por Lula terem votado pela manutenção da Selic, depois de terem aberto uma divergência significativa na reunião anterior, diz muito sobre o que realmente está desajustado no país.

Como no clássico provérbio, Lula, ao apontar um dedo para Campos Neto e o BC, deixa os outros apontados para si. É a farra de gasto ilimitado do governo petista que tem provocado a deterioração rápida das contas públicas e a desvalorização da moeda. Se é verdade que a manutenção de juros mais altos nas economias desenvolvidas dificulta ciclos de afrouxamento nos emergentes, que ficariam com moedas menos atrativas, é ainda mais verdadeiro que o governo, com sua política fiscal expansionista e seu arcabouço que é continuamente sabotado mesmo já prevendo aumento real de gastos todo ano, age para piorar as expectativas. Para se ter uma ideia da velocidade da deterioração, no primeiro boletim Focus de 2024 o mercado financeiro previa uma Selic de 9% ao fim do ano – 1,5 ponto porcentual a menos que a previsão atual.

O recado do Copom é resumido no parágrafo no qual “reafirma que uma política fiscal crível e comprometida com a sustentabilidade da dívida contribui para a ancoragem das expectativas de inflação e para a redução dos prêmios de risco dos ativos financeiros, consequentemente impactando a política monetária”. Uma mensagem que já esteve em outros comunicados, mas que Lula se recusa a ouvir, rejeitando enfaticamente qualquer conversa sobre corte de despesas, apelando a jogos de palavras para diferenciar “gasto” de “investimento”, como se em todos os casos não se tratasse de usar dinheiro que o governo não tem – e, ainda por cima, chamando de “investimentos” despesas que não são assim consideradas por nenhum manual de contas públicas, como reajustes para o funcionalismo. Um verdadeiro negacionismo econômico que cobra seu preço na necessidade de manter uma política monetária contracionista para que a inflação não escape ao controle.

A tranquilidade trazida por essa unanimidade nada burra pela manutenção da Selic, no entanto, pode ser temporária. O comportamento de um Banco Central com maioria de diretores indicados por Lula, cenário que se tornará realidade daqui a alguns meses, ainda é imprevisível, especialmente se o presidente preencher as futuras vagas abertas no Copom com nomes mais subservientes à vontade do petista. Neste sentido, já se especula que Gabriel Galípolo, que era o mais cotado para substituir Campos Neto à frente do BC no início de 2025, pode ter perdido terreno com o voto desta semana.

Lula e o PT não sabem, ou não querem saber, que os juros são efeito, e não causa. Uma política monetária contracionista é a consequência de inflação presente fora do controle ou expectativas de inflação alta no futuro próximo; e a inflação é, em grande parte, resultado de políticas fiscais frouxas ou abertamente expansionistas. Governos gastadores tiram valor de suas moedas e fragilizam suas economias, algo que mesmo os quatro indicados de Lula ao BC pareceram perceber, ao menos neste momento. Lula pode seguir esperneando o quanto quiser, mas a matemática não aceita ideologia e não existe geração espontânea de dinheiro público.

PENINHA - DICA MUSICAL