ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

DITADOS POPULARES EXPLICADOS POR CÂMARA CASCUDO

Com o rei na barriga

A expressão provém do tempo da monarquia em que as rainhas, quando grávida do soberano, passavam a ser tratadas com deferência especial, pois iriam aumentar a prole real e, por vezes, dar herdeiros ao trono, mesmo quando bastardos. Em nossos dias, refere-se a uma pessoa que dá muito importância a si mesma.

Tapar o sol com a peneira

Peneira é um instrumento circular de madeira com fundo em trama de metal, seda ou crina, por onde passa a farinha ou outra substância moída. Qualquer tentativa de tapar o sol com a peneira é inglória, uma vez que o objeto é permeável à luz. A expressão teria nascido desta constatação, significando atualmente um esforço mal sucedido para ocultar uma asneira ou negar uma evidência.

Chorar as pitangas

Pitangas são deliciosas frutinhas cultivadas e apreciadas em todo o país, especialmente, nas regiões Norte e Nordeste. A palavra deriva de pyrang, que, em tupi-guarani, significa vermelho. Sendo assim, a provável relação da fruta com lágrimas, vem do fato dos olhos ficarem vermelhos, parecendo duas pitangas quando se chora muito.

Colocar panos quentes

Significa favorecer ou acobertar coisa errada feita por outro. Em termos terapêuticos, colocar panos quentes é uma receita, embora paliativa, prescrita pela medicina popular desde tempos remotos. Recomenda-se sobretudo nos estados febris, pois a temperatura elevada pode levar a convulsão e problemas daí decorrentes. Nesses casos, compressas de panos encharcadas de água quente são um santo remédio. A sudorese resultante faz baixar a febre.

Favas contadas

De acordo com Câmara Cascudo, antigamente, votavam-se com as favas brancas e pretas, significando sim ou não. Cada votante colocava o voto, ou seja, a fava, na urna. Depois vinha a apuração pela contagem dos grãos, sendo que quem tivesse maior número de favas brancas estaria eleito. Atualmente, significa coisa certa, negócio seguro.

Bicho- de-sete-cabeças

Tem origem na mitologia grega, mais precisamente na lenda de Hidra de Lerna, monstro de sete cabeças que, ao serem cortadas, renasciam. Matar este animal foi uma das doze proezas realizadas por Hércules. A expressão ficou popularmente conhecida, no entanto, por representar a atitude exagerada de alguém que, diante de uma dificuldade, coloca limites a realização da tarefa, até mesmo por falta de disposição para enfrentá-la.

Cor de burro quando foge

A frase original era “Corra do burro quando ele foge”. Tem sentido porque, o burro enraivecido, é muito perigoso. A tradição oral foi modificando a frase e “corra” acabou virando “cor”.

Aquela que matou o guarda

Tratava-se de uma mulher que trabalhava para D. João VI e se chamava Canjebrina, que, como informam os dicionários, significa pinga, cachaça. Ela teria matado um dos principais guardas da corte do Rei. O fato não foi provado. Mas está no livro “Inconfidências da Real Família no Brasil”, de Alberto Campos de Moraes.

Sangria desatada

Diz-se de de qualquer coisa que requer uma solução ou realização imediata. Esta expressão teve origem nas guerras, onde se verificava a necessidade de cuidados especiais com os soldados feridos. É que, se por qualquer motivo, se desprendesse a atadura posta sobre as feridas, o soldado morreria, por perder muito sangue.

Luís da Câmara Cascudo (1898 – 1986) foi historiador, antropólogo, advogado, professor universitário, jornalista e, principalmente, folclorista brasileiro. Era apaixonado pelas tradições populares, superstições, literatura oral e História do Brasil. Ele passou toda sua vida em Natal e dedicou-se ao estudo da cultura brasileira. Foi professor da Faculdade de Direito de Natal, hoje Curso de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) , cujo o Instituto de Antropologia leva seu nome. O conjunto de sua obra é considerável em quantidade e qualidade: ele escreveu 31 livros e 9 plaquetas sobre o folclore brasileiro, em um total de 8.533 páginas, o que o coloca entre os intelectuais brasileiros que mais produziram. É também notável que tenha obtido reconhecimento nacional e internacional publicando e vivendo distante dos centro s Rio e São Paulo.

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ALGUNS POEMAS BREVES

QUEIMA E NÃO SENTE DOR

Amor não se desgasta
Porque tem muito sabor.
Estrada de mão dupla,
Não há um só doador.
É fome que não sacia,
Êxtase e euforia,
Queima e não sente dor!

***
ESCUTE E APRENDA

O escutar é difícil,
Não se presta atenção.
Para a gente aprender
Tem que ter motivação.
Deve-se sempre persistir,
Estudar e refletir
Compreendendo a lição.

***
FUI FELIZ E NÃO SABIA

A saudade espanca,
Ela também alivia.
É uma boa companheira
De quem não tem companhia.
Lembra que no passado,
Fui feliz e não sabia.

***
É HORA DE APRENDER A VOAR

Há situações na vida
Complicadas de lidar.
Alguém que lhe fez sofrer,
O remédio é perdoar.
Quando não puder correr,
Evite o padecer
Aprendendo a voar.

***
RESPEITO AO PRÓXIMO

Procure ser fraterno,
Respeite as diferenças.
Não discrimine ninguém
Por qualquer doença;
Pois quem está saudável,
Pode ficar deplorável.
Dor não pede licença!

***
SEMENTE DA VIDA

No caminho da vida,
Plantamos uma semente.
Ela produz um fruto,
Parece com a gente.
Depois fica madura;
Boa, enquanto dura
E brota novamente.

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MÁXIMAS E MÍNIMAS DO BARÃO DE ITARARÉ

“Tudo é relativo: o tempo que dura um minuto depende de que lado da porta do banheiro você está.”

“Os homens nascem iguais, mas no dia seguinte já são diferentes.”

“O mal do governo não é a falta de persistência, mas a persistência na falta.”

“O homem cumprimentou o outro, no café.
– Creio que nós fomos apresentados na casa do Olavo.
– Não me recordo.
– Pois tenho certeza. Faz um mês, mais ou menos.
– Como me reconheceu?
– Pelo guarda-chuva.
– Mas nessa época eu não tinha guarda-chuva…
– Realmente, mas eu tinha… “

“Orçamento é uma conta que se faz para saber como devemos aplicar o dinheiro que já gastamos.”

“O menino, voltando do colégio, perguntou à mãe:

– Mamãe, por que é que pagam o ordenado à professora, se somos nós que fazemos os deveres?”

“Os vivos são e serão sempre, cada vez mais, governados pelos mais vivos.”

“A moral dos políticos é como elevador: sobe e desce. Mas em geral enguiça por falta de energia, ou então não funciona adequadamente, deixando desesperados os que confiam nele.”

“Devo tanto que, se eu chamar alguém de ‘meu bem’ o banco toma!”

“Que faz o peixe, afinal?… Nada.”

“O trabalho nobilita o homem, mas depois que o homem se sente nobre, não quer mais trabalhar.”

“Quem não muda de caminho é trem.”

“A primeira ação de despejo foi a expulsão de Adão e Eva do paraíso por falta de pagamento de aluguel e comportamento irregular.”

“A guerra é uma coisa tão absurda e incompreensível que, quando se registra um combate de amplas proporções, até as baixas são altas.”

“Quando o queijo e a goiabada se encontram na mesa do pobre, devemos suspeitar dos três: do queijo, da goiabada e do pobre.”

“A conversa prejudica o trabalho! Deixe, portanto, de trabalhar, sempre que quiser conversar!”

“O meu amor e eu nascemos um para o outro, agora só falta quem nos apresente.”

“O tambor faz muito barulho, mas é vazio por dentro.”

“Há heróis de dois tipos: Os que a pátria chora porque morreram e os que a pátria chora porque não morreram.”

Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, também conhecido por Apporelly e pelo falso título de nobreza de Barão de Itararé (1895 – 1971), era gaúcho da cidade de Rio Grande. Ele foi jornalista, escritor e pioneiro no humorismo político brasileiro. Estudou medicina, sem chegar a terminar o curso, e já era conhecido quando veio para o Rio de Janeiro fazer parte do jornal “O Globo”, e depois de “A Manhã”, de Mário Rodrigues (pai de Nélson Rodrigues), um temido e desabusado panfletário. Logo depois lançou um jornal autônomo, com o nome de “A Manha”.

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O BOM HUMOR NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

Sabe por que Mona Liza
Não mostra os dentes pra gente?
Foi porque Da Vince disse:
Ria com os lábios somente
Você deve está lembrada
Que falta os dentes da frente.

Oliveira de Panelas

A calça desse garoto
Parece que está perdida
Foi esta a roupa mais feia
Que eu já vi na minha vida
Pra ser comprida está curta
Pra ser curta está comprida.

Bem-te-vi Neto (1922 – 1959)

A barraca do Zé Gato
É das outras diferente
Embaixo cachorro frio
Em cima cachorro quente
Cachorro que a gente morde
Cachorro que morde a gente.

Adauto Ferreira

Quem ouvir Pedro Bandeira
Um cantador da elite
Bebe água sem ter sede
Come sem ter apetite
Fala com Nossa Senhora
Entra no céu sem convite.

Pedro Bandeira

Pobre não passa de pobre
Vive nos pés do patrão
O rico tem pão na mesa
Pobre nem mesa nem pão
Rico faz filho na cama
Pobre faz filho no chão.

Zé Vicente da Paraíba (1922 – 2008)

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ALGUMAS DAS MELHORES FRASES DE MÁRIO QUINTANA

“Com o tempo, você vai percebendo que, para ser feliz, você precisa aprender a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de quem também gosta de você.”

“As pessoas não se precisam, elas se completam… não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.”

“A vida fica muito mais fácil se a gente sabe onde estão os beijos de que precisamos.”

“Há uma cor que não vem nos dicionários. É essa indefinível cor que têm todos os retratos, os figurinos da última estação… – a cor do tempo.”

“Como um cego, grita a gente: ‘Felicidade, onde estás?’ Ou vai-nos andando à frente, ou ficou lá para trás.”

“Deficiente é aquele que não consegue modificar sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de que é dono do seu destino.”

“O passado é lição para refletir, não para repetir.”

“Quem disse que eu me mudei?
Não importa que a tenham demolido:
A gente continua morando na velha casa que nasceu.”

“O jeito é: ou nos conformamos com a falta de algumas coisas na nossa vida ou lutamos para realizar todas as nossas loucuras…”

“Esses que puxam conversa sobre se chove ou não chove – não poderão ir para o Céu! Lá faz sempre bom tempo…”

“Quero sempre poder ter um sorriso estampado em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre… E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.”

“Sentir primeiro, pensar depois. Perdoar primeiro, julgar depois. Amar primeiro, educar depois. Esquecer primeiro, aprender depois.”

“Abraçar é dizer com as mãos o que a boca não consegue, porque nem sempre existe palavra para dizer tudo.”

“Cego é aquele que não vê seu próximo morrer de frio, de fome, de miséria. Surdo é aquele que não tem tempo de ouvir um desabafo de um amigo, ou um apelo de um irmão.”

“O que têm de bom as nossas mais caras recordações é que elas geralmente são falsas. Se eu fosse acreditar mesmo em tudo o que penso, ficaria louco.”

“Mas o que quer dizer este poema? – perguntou-me alarmada a boa senhora.
E o que quer dizer uma nuvem? – respondi triunfante.
Uma nuvem – disse ela – umas vezes quer dizer chuva, outras vezes bom tempo…”

“A morte é a libertação total: a morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapatos.”

“Não te irrites, por mais que te fizerem… Estuda a frio, o coração alheio. Farás, assim, do mal que eles te querem, Teu mais amável e sutil recreio…”
[Da Observação]

“O mata-borrão absorve tudo e no fim da vida acaba confundindo as coisas por que passou… o mata-borrão parece gente!”

Mário Quintana (1906-1994) foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Mestre da palavra, do humor e da síntese poética, em 1980 recebeu o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras (ABL) pela obra total. Em 1981, foi agraciado com o Prêmio Jabuti de Personalidade Literária do Ano. Sua biografia é tão singela quanto seus poemas: não casou, não teve filhos, viveu boa parte da vida em quartos de hotéis, passeava pelas ruas de Porto Alegre como qualquer anônimo e da cidade foi figura lendária. Faleceu na capital gaúcha no dia 05 de maio de de 1994, aos 87 anos, em decorrência de problemas cardíacos e respiratórios, deixando uma inestimável e singular contribuição para a literatura brasileira.

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ARIANO SUASSUNA SEGUNDO GERALDO AMÂNCIO

Onde a cultura é tribuna
Sua voz foi a mais alta,
Houve o primeiro mas falta
O segundo Suassuna.
Parte e deixa uma lacuna
Que não será preenchida.
Sua forma definida
Na maneira de escrever,
Não tinha como dever
Mas como missão de vida.

Com originalidade
A sua missão cumpriu
Foi quem melhor traduziu
Nossa nordestinidade.
Porta-voz e autoridade
Dos valores culturais.
Das fontes originais
Um divulgador constante,
Como um cavaleiro andante
Dos tempos medievais.

Cronista do dia a dia,
Um defensor ardoroso
Das estórias de trancoso,
Das crenças, da romaria.
Repórter da cantoria,
Do cordel, do desafio.
Sem ele até desconfio
Que morre a nossa memória,
E o circo da nossa história
Poderá ficar vazio.

Muitas vezes contestado
Ele cansou de dizer
Que a arte não pode ser
Um produto de mercado.
Sempre que era perguntado
Dizia de forma honesta,
Sem rodeio, sem aresta,
Sem sofisma, sem engodo,
Que a arte é no seu todo:
Vocação, missão e festa.

“Auto da Compadecida”
Sua mais famosa peça,
Termina como começa
Contando os dramas da vida,
Inspirada e extraída
Do mundo cordeliano.
O mestre paraibano
Teatrólogo e ensaísta,
Era também cordelista
O genial Ariano.

Nos seus trabalhos defende
Um Brasil mais brasileiro,
Contra o modismo estrangeiro
Que a mídia comprada vende.
Brasil onde o inglês pretende
Ser o idioma oficial.
Nos trazendo grande mal,
Fazendo morrer à míngua
O encantamento da língua
Que herdamos de Portugal.

Nas palestras que fazia
Com humor e fundamento
Esbanjou conhecimento,
Semeou sabedoria.
Era quem mais conhecia
O que o Brasil desconhece.
Quando um astro se opaquece
Acaba-se a iluminara.
O céu da nossa cultura
Sem esse astro escurece.

Foi guardião da raiz
Da nossa ancestralidade,
Construiu a identidade
Cultural do meu país.
Da terra agora distante,
Tornou-se então palestrante
Nas cortes celestiais.
Hoje faz parte do time,
Da academia sublime
Dos mestres universais.

Geraldo Amâncio Pereira é poeta, repentista, trovador, cordelista e contador de causos. Nascido no sítio Malhada da Areia, município do Cedro, Ceará, em 29 de abril de 1946. Cursou faculdade de História em Fortaleza. Começou com acompanhamento de viola em 1966. Participou de centenas de festivais em todo o país, e classificou-se mais de 150 vezes em primeiro lugar. Organizou festivais internacionais de repentistas e trovadores, além do festival Patativa do Assaré. É autor das três antologias sobre cantoria em parceria com o poeta Vanderley Pereira. Gravou 15 CDs ao longo da carreira, além de ter publicado cordéis em livros. Apresentou o programa dominical “Ao Som da Viola”, na TV Diário em Fortaleza.

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FILOSOFIA DE PARA-CHOQUE

“É melhor ficar atrás de um carro que não anda do que na frente de um caminhão que não para.”

“Quando eu te vejo o meu coração dispara e é pedaço de amor pra todo lado.”

“Navio imita tubarão; avião imita gavião; só meu caminhão não tem imitação.”

“Não importa o que os outros pensem, porque eles vão pensar de qualquer maneira.”

“A felicidade não é um destino onde chegamos, mas sim, uma maneira de viajar.”

“Um diamante é um pedaço de carvão que se saiu bem sob pressão.”

“O que o dinheiro faz por nós não é nada em comparação com o que a gente faz por ele.”

“Não há melhor momento do que hoje para deixar para amanhã o que não vai fazer nunca.”

“Deus pôde fazer o mundo em 6 dias porque não tinha ninguém perguntando quando ia ficar pronto.”

“Se for mudar algo, mude pela única pessoa por quem vale tal esforço: você mesmo!”

“Desde que o mundo é mundo, ninguém se convenceu ainda de que morrer é obrigatório.”

“Alguns amigos são como aves de arribação. Quando faz bom tempo eles vêm, quando faz mau tempo eles vão.”

“O homem que cala e ouve não dissipa o que sabe e aprende o que ignora.”

“Não sei se te guardo no banco, porque vales muito; na geladeira, porque és um doce, ou em uma ilha, porque és meu tesouro.”

“Não há melhor momento do que hoje para deixar para amanhã o que você não vai fazer nunca.”

“Casamento é uma soma de afetos, uma subtração de liberdades, uma multiplicação de problemas e uma divisão de bens.”

“Cavalo selado só passa uma vez. Quando passa, temos que agarrá-lo imediatamente.”

“As melhores coisas não custam nada e as piores nenhum dinheiro no mundo pode evitar.”

“Quem inventou a partida, não sabe o que é o amor. Quem parte, parte sem vida, quem fica morre de dor.”

“Se quem ama cuida, muita gente deve me amar. Porque o que tem de pessoas cuidando de minha vida, não é brincadeira.”

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REFLEXÕES POÉTICAS DE MILLÔR FERNANDES

ESSA CARA NÃO ME É ESTRANHA

Vi meu amigo ao longe
E ele também me reconheceu
Nos aproximamos alegremente
E cada um arrefeceu:
Eu vi que não era ele
Ele viu que não era eu.

OBSTINAÇÃO DOS OUTROS

Deixamos de beber
E em cada esquina
Abriram um novo bar.
Abandonamos o fumo;
Passam homens, crianças
E navios
A fumar.
A rua, como nunca, está cheia de mulheres
Jovens, lindas de corpo, sedutoras de andar.
Ah, mas já deixamos de amar.

AOS QUE NÃO TÊM VEZ

Até mesmo na ciência
O pobre sente ironia
Pois toda alta de preços
Se estuda em Economia.

POESIA DE SAUDADE AUDITIVA

Se eu achasse uma locomotiva
A traria para minha solidão de monge
E enquanto ela ficasse aqui, sozinha,:
Eu apitaria, lá longe.

COMPETÊNCIA GERAL

Que nada é impossível
Não é verdade:
Todo mundo faz nada
Com facilidade..

SÓ SEI QUE NADA SEI
Poesia com Autocrítica

Há os que não sabem antropologia
E os que ignoram trigonometria.
Só de mim ninguém pode falar nada:
Minha ignorância
Não é especializada.

Milton Viola Fernandes (1923 – 2012). Autor e tradutor. Descobriu na adolescência que havia sido registrado erroneamente, graças a uma caligrafia duvidosa, como Millôr. De humor singular, humanista e moderno, com visão cética do mundo, Millôr Fernandes foi considerado uma figura de proa do panorama cultural brasileiro: jornalista, escritor, artista plástico, humorista, pensador. Destacou-se em todas essas atividades. No teatro, empreendeu uma transformação no campo da tradução, tal a quantidade e diversidade de peças que traduziu. Escreveu, com Flávio Rangel – Liberdade, Liberdade – uma das peças pioneiras do teatro da resistência à ditadura militar, encenada em 1965. Em seus trabalhos costumava-se valer de expedientes como a ironia e a sátira para criticar o poder e as forças dominantes, sendo em consequência confrontado constantemente pela censura.

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FRASES ANÔNIMAS INTELIGENTES

“Tudo aquilo que o homem ignora não existe para ele. Por isso o universo de cada um, se resume no tamanho de seu saber.”

“Chega um tempo na vida que a gente aprende que ninguém nos decepciona, nós é que colocamos expectativa demais sobre as pessoas. Cada um é o que é e oferece aquilo que tem para oferecer.”

“Momentos bons e ruins fazem parte da vida. A diferença é que um marca e o outro ensina.”

“E com o tempo a gente vai se acostumando a conviver com a presença de alguns e ausência de outros.”

“Não é o desafio com que nos deparamos que determina quem somos e o que estamos nos tornando, mas a maneira com que respondemos ao desafio.”

“Não tenha medo da mudança. Ela assusta, mas pode ser a chave daquela porta que você tanto almeja abrir.”

“A expansão do universo nos ensina que não somos o que juntamos, somos o que espalhamos.”

“Cuide dos teus pensamentos quando quando estiver sozinho, e das tuas palavras quando estiver com pessoas!”

“A vida nunca me tirou além do suportável, entretanto eu só descobri isto quando superei a perda.”

“Na hora da raiva o melhor a fazer é simplesmente esperar e acalmar, porque a raiva passa, mas o que a gente faz por causa dela não.”

“Existem dias que faltam gavetas para guardar tanta saudade.”

“Quando descobrimos que absolutamente nada é definitivo, inclusive a vida, compreendemos a inutilidade do orgulho, a tolice das disputas, a estupidez da ganância e a intolerância das tolas mágoas.”

“A distância é intrigante. Tem quem fique distante ao nosso lado. E quem continue ao nosso lado, mesmo distante.”

“De nada adianta sofrer com as atitudes dos outros. A única pessoa que temos o poder de mudar é apenas a nós mesmos. Mude a si, que seu mundo muda.”

“Você sabe que está no caminho certo quando perde o interesse de olhar para trás.”

“Se você está em dúvida sobre ir ou ficar é porque, de alguma forma, sabe que está num lugar em que não deveria permanecer.”

“A vida fica mais fácil quando você entende que a outra pessoa tem o direito de não ter a mesma opinião que você.”

“Depois de passar pela escuridão, você descobre que a luz não está no fim do túnel, a luz está em você.”

“A vida é fugaz, tão veloz, tão passageira, nesse ínterim a gente sofre demais por bobagens, por besteira. Tudo um dia se desfaz, mesmo que queira ou não queira. Importa é viver em paz, pois, quando olhamos para trás, lá se foi a vida inteira.”

“Há duas maneiras de ser rico. Uma delas é ter tudo o que você quer, a outra é estar satisfeito com o que você tem.”

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POEMAS SOBRE OBVIEDADES

UM DIA DE CADA VEZ

Viver sempre o tempo presente
Não ter foco no passado
Nem ansiar pelo futuro
Evita ser atropelado
Pelo trem do pensamento
Que está desgovernado.

*

PRIMEIRO, AS PRIMEIRAS COISAS

Assuntos devem ser ordenados
Utilizando prioridade
Pode sonhar com o ideal
Tenha foco na realidade
Assim vai superar desafios
A vida ganha qualidade.

*

VIVA E DEIXE VIVER

A gente tem um grande defeito
Querer o máximo poder
E na vida do próximo
Acha que pode se intrometer
Quem possui sabedoria
Segue o lema: Viva e deixe viver!

*

VÁ COM CALMA

Uma postura de bom senso
É agir sempre com calma
Constitui muita importância
Pra o equilíbrio da alma
O corpo não vai adoecer
Pois bloqueia todo trauma.

*

PENSAR

Quem quer ser distinguido
Ser humano racional
Evita agir por impulso
Através do instinto animal
Pensar é a frequência
De quem usa a consciência
Sintonize esse canal!

*

AUTOESTIMA

Gostar de alguém é fácil
Difícil é se valorizar
Erra quem procura no outro
Felicidade encontrar
O afeto vai poder fluir
Nada consegue obstruir:
Ame-se em primeiro lugar.