ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

ZONA DE CONFORTO

Na zona de conforto,
Sente-se amparado;
Mas ao levar um choque
Pega despreparado.
Só sai dessa cilada,
Quem está desmotivado.

PERDÃO

É tempo de refazer
A ferida logo sarar
Momento de refletir
A ofensa reparar
Liberte dessa prisão
Basta tomar uma ação
Ser capaz de perdoar.

IMPORTÂNCIA DA AUTOCRÍTICA

Visão de um amigo
Recebo com alegria
Se for elogio, aceito
Uma crítica me guia
Se eu fosse perfeito
Na Terra, não nasceria.

ENXAQUECA

A minha enxaqueca
Trago como uma sina
Dói toda a cabeça
Dos olhos à retina
Já não há tormento
Dessa dor fiquei isento
Graças a Neosaldina.

HOJE O DIA AMANHECEU
COM CHEIRO DE POESIA

Uma nuvem apareceu
Parecendo um lençol
Escondeu a luz do sol
A esperança acendeu
O matuto se benzeu
Chove, o tempo esfria
Acabou a melancolia
Pra o cristão e o ateu
Hoje o dia amanheceu
Com cheiro de poesia.

10 pensou em “ALGUNS POEMAS BREVES

  1. Parabéns, Aristeu, pela excelente postagem, “ALGUNS POEMAS BREVES”!

    Gostei imensamente de todos os seus versos. Você é um grande poeta!
    Todas as suas glosas são muito bonitas.
    Destaco, com louvor, o Mote “HOJE O DIA AMANHECEU
    COM CHEIRO DE POESIA”, e a respectiva glosa:

    “Uma nuvem apareceu
    Parecendo um lençol
    Escondeu a luz do sol
    A esperança acendeu
    O matuto se benzeu
    Chove, o tempo esfria
    Acabou a melancolia
    Pra o cristão e o ateu
    Hoje o dia amanheceu
    Com cheiro de poesia.”

    Uma ótima semana, com muita saúde, inspiração e Paz!

    • Violante,

      Grato por suas generosas palavras de incentivo. Você tem sensibilidade poética e presto bem atenção na sua avaliação para procurar deixar os meus versos simples, objetivos e com o poder de síntese dos repentistas.

      Fiz uma homenagem a cordelista Dalinha Catunda e faço questão de compartilhar com a prezada amiga:

      TRIBUTO À DALINHA CATUNDA

      Cordelista Dalinha
      Possui grande inspiração
      Os versos são perfeitos
      São puros na afeição
      Originam-se da mente
      Uma fonte permanente
      E atingem o coração.

      Desejo uma semana com muita saúde, paz e inspiração!

      Aristeu

  2. Todos os poemas selecionados são ótimos. Identifiquei-me com os versos sobre a enxaqueca porque sofro desde criança com essa doença crônica cuja principal característica é a dor de cabeça latejante, em um ou nos dois lados da cabeça. Às vezes, minhas enxaquecas são precedidas por sintomas de alerta. Os gatilhos incluem alterações hormonais, certos alimentos e bebidas, estresse e exercícios físicos. Faço questão de registrar os versos do poema “ENXAQUECA”: A minha enxaqueca/Trago como uma sina/Dói toda a cabeça/Dos olhos à retina/Já não há tormento/Dessa dor fiquei isento/Graças a Neosaldina.

    • Rafael,

      Agradeço seu formidável comentário. Eu sofro com enxaqueca desde muito tempo. Tenho sempre analgésico no trabalho e na minha residência. Os colegas brincam muito comigo por causa desse meu hábito e, quando alguém está com cefaléia, mandam me procurar para conseguir um comprimido.

      Aproveito esse espaço democrático do Jornal da Besta Fubana para compartilhar um poema de João Cabral de Melo Neto em homenagem à aspirina com o prezado amigo:

      Num monumento à aspirina

      Claramente: o mais prático dos sóis,
      o sol de um comprimido de aspirina:
      de emprego fácil, portátil e barato,
      compacto de sol na lápide sucinta.
      Principalmente porque, sol artificial,
      que nada limita a funcionar de dia,
      que a noite não expulsa, cada noite,
      sol imune às leis de meteorologia,
      a toda hora em que se necessita dele
      levanta e vem (sempre num claro dia):
      acende, para secar a aniagem da alma,
      quará-la, em linhos de um meio-dia.

      Convergem: a aparência e os efeitos
      da lente do comprimido de aspirina:
      o acabamento esmerado desse cristal,
      polido a esmeril e repolido a lima,
      prefigura o clima onde ele faz viver
      e o cartesiano de tudo nesse clima.
      De outro lado, porque lente interna,
      de uso interno, por detrás da retina,
      não serve exclusivamente para o olho
      a lente, ou o comprimido de aspirina:
      ela reenfoca, para o corpo inteiro,
      o borroso de ao redor, e o reafina.

      Saudações fraternas,

      Aristeu

  3. O poema PERDÃO tocou a minha intimidade, e uma luta que tive para conseguir perdoar uma pessoa. Perdoar é muito difícil, mas vale a pena porque nos libertamos. Perdoar torna nosso espírito leve, nos possibilita enxergar além da dor e do ressentimento, nos ajuda a seguir em frente, deixando o passado para trás, sem remoer os erros, sem desejar vingança. Perdoar é possível e necessário para alcançar a tão almejada liberdade. Copio os versos do poema que fala sobre o perdão porque são assistenciais: É tempo de refazer/A ferida logo sarar/Momento de refletir/A ofensa reparar/Liberte dessa prisão/Basta tomar uma ação/Ser capaz de perdoar.

    • Adagmar,

      Muito obrigado por seu importante comentário enfatizando a necessidade de perdoar. Perdoar é uma união de arrependimento e sacrifício. Só há perdão se uma das partes estiver de fato arrependida e a outra verdadeiramente disposta a sentir a compaixão. Perdoar requer assumir os erros que cometemos e, acima de tudo, nos perdoarmos a nós mesmos.

      Através do perdão, é possível deixar para trás a dor e o ressentimento provocados por uma mágoa. É uma maneira de se libertar da lembrança de um acontecimento ruim para que ela não afete mais a sua vida. O perdão é necessário para muitos processos de cura de traumas e desapego do passado.

      Compartilho com a prezada amiga um poema de Cecília Meirelles tendo por tema o perdão:

      Nem tudo é fácil

      É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste.
      É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
      É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
      É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia.
      É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
      É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo.
      É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar.
      É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
      Se você errou, peça desculpas…
      É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
      Se alguém errou com você, perdoa-o…
      É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender?
      Se você sente algo, diga…
      É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar
      Alguém que queira escutar?
      Se alguém reclama de você, ouça…
      É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
      Se alguém te ama, ame-o…
      É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz?
      Nem tudo é fácil na vida… Mas, com certeza, nada é impossível.
      Precisamos acreditar ter fé e lutar
      Para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos,
      Realidade!

      Saudações fraternas,

      Aristeu

  4. Todos os poemas são de qualidade, entretanto o que destaca a zona de conforto chamou minha atenção por ser um assunto que leio bastante. A conhecida zona de conforto é aquele lugar onde não nos sentimos ameaçados, onde já sabemos que não precisaremos enfrentar grandes desafios e nem correr grandes riscos. Ela é chamada assim porque na zona de conforto temos um certo conhecimento e domínio das coisas que podem acontecer. Os versos sobre a zona de conforto são esclarecedores e definem em poucas palavras uma série de ações, pensamentos e/ou comportamentos que uma pessoa está acostumada a ter e que não causam nenhum tipo de medo, ansiedade ou risco. Tenho o prazer de transcrever estes versos: Na zona de conforto,/
    Sente-se amparado;/Mas ao levar um choque/Pega despreparado./Só sai dessa cilada,/
    Quem está desmotivado.

    • Edmison,

      Grato por suas considerações a respeito da zona de conforto. No Jornal da Besta Fubana, aprendemos sempre uns com os outros. Aproveito a ocasião para fazer breve reflexão sobre a zona de conforto.

      Viver na zona de conforto é um estado em que você fica paralisado e se sente inseguro em apostar em algo novo, sem conseguir ter um pensamento crítico sobre o contexto. Você acaba vivendo em um ciclo vicioso, sem chegar a lugar algum. Outra situação que pode indicar que você está na zona de conforto é não ver um propósito em sua vida.

      O que nos faz ficar na zona de conforto? Existem inúmeras causas para que esse tipo de fenômeno aconteça. Pode ser por preguiça, desinteresse ou desmotivação, assim como pode ser por medo da mudança ou uma falta de clareza do que se quer para a própria vida.

      O crescimento pessoal e profissional está fora da zona de conforto. Aprenda a apreciar a zona de desconforto, pois é lá que o seu futuro é traçado.

      Saudações fraternas,

      Aristeu

  5. O artigo está completo porque os temas são variados. Um poeta tem que ter bom humor. Observamos a leveza do poeta nos versos sobre a enxaqueca e quanto a importância da autocrítica. Se eu fosse escolher o poema mais interessante, sem sombras de dúvidas o meu voto iria para IMPORTÂNCIA DA AUTOCRÍTICA: Visão de um amigo/
    Recebo com alegria/Se for elogio, aceito/Uma crítica me guia/Se eu fosse perfeito/Na Terra, não nasceria.

  6. Fernanda,

    Muito obrigado por seu comentário com observações importantes sobre o bom humor. Sabemos que o bom humor é uma característica das pessoas que vivem de maneira leve, cultivam atitudes de cortesia, são hábeis em desenvolver emoções positivas, recordam com frequência bons momentos e procuram transmitir serenidade e esperança. Ainda há quem confunda leveza e bom humor com futilidade ou falta de comprometimento.

    Ter senso de humor é uma qualidade própria da personalidade de uma pessoa mais bem disposta com a vida, que não se chateia com os pequenos problemas do cotidiano e que sabe ver o lado engraçado e menos dramático das situações difíceis.

    Compartilho um poema de Mario Quintana (1906-1994), um dos maiores poetas da literatura brasileira e seus versos reverberam ao longo de gerações.

    O POBRE POEMA

    Eu escrevi um poema horrível!
    É claro que ele queria dizer alguma coisa…
    Mas o quê?
    Estaria engasgado?
    Nas suas meias-palavras havia no entanto uma ternura mansa como a que se vê nos olhos de uma criança doente, uma precoce, incompreensível gravidade
    de quem, sem ler os jornais,
    soubesse dos seqüestros
    dos que morrem sem culpa
    dos que se desviam porque todos os caminhos estão tomados…
    Poema, menininho condenado,

    bem se via que ele não era deste mundo nem para este mundo…
    Tomado, então, de um ódio insensato,
    esse ódio que enlouquece os homens ante a insuportável
    verdade, dilacerei-o em mil pedaços.

    E respirei…
    Também! quem mandou ter ele nascido no mundo errado?

    Saudações fraternas,

    Aristeu

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