ARISTEU BEZERRA - CULTURA POPULAR

Deus começou pelas mães
A redenção prometida
De um milagre gerou Cristo
No ventre da concebida
Maria gerou Jesus
E Jesus salvou nossa vida.

Geraldo Amâncio

Mãe é coberta de fé
Vive de cabeça erguida
Mãe é quem prepara a roupa
Mãe é quem faz a comida
E como é que eu vou esquecer
Quem me deu à luz da vida.

Hipólito Moura

É bendito o alimento
Que a mamãe prepara em casa,
A carne fica gostosa
Quando é assada na brasa;
Braço de mãe para o filho
Tem o calor de uma asa.

Manoel Xudu (1932 – 1985)

Me iludi com a vida,
Porém hoje eu não me iludo.
Minha mãe me de conselho,
Carinho, abraço e estudo;
E em troca de quase nada
Mamãe me deu quase tudo.

Zé Viola

A mãe da gente é a sombra
Onde repousa o amor
Sofre nas dores do filho
Escondendo a própria dor
E no pomar da bondade
Cada mãe é uma flor.

Rubens do Valle

11 pensou em “AMOR MATERNO NOS VERSOS DOS REPENTISTAS

  1. Mãe é uma palavra pequena, mas com um significado infinito, pois quer dizer amor, dedicação, renúncia a si própria, força e sabedoria. Ser mãe não é só dar à luz, e sim participar da vida dos seus frutos gerados ou criados. Essa homenagem desse artigo do Jornal da Besta Fubana é justícima porque, embora antecipada, ao dia das mães representa que todos os dias são dias das mães. Todas estrofes são lindas, entretanto me deixou empolgada os versos de Geraldo Amâncio: Deus começou pelas mães/A redenção prometida/De um milagre gerou Cristo/No ventre da concebida/Maria gerou Jesus/E Jesus salvou nossa vida.

    • Dione,

      Grato por seu competente comentário. Mãe é uma pessoa que quando temos não damos o devido valor que ela merece e, quando perdemos, vemos o quanto ela era importante e faz falta. Com o passar do tempo, vamos fazendo amizades e, algumas até sem saber, adotamos como nossa segunda mãe e essa também passa a ter um papel especial em nossa vida.

      Aproveito esse espaço democrático do JBF para compartilhar este poema de Giuseppe Ghiaroni (1919 – 2008) com a prezada amiga:

      Dia das Mães

      Mãe! eu volto a te ver na antiga sala
      onde uma noite te deixei sem fala
      dizendo adeus como quem vai morrer.
      E me viste sumir pela neblina,
      porque a sina das mães é esta sina:
      amar, cuidar, criar, depois… perder.
      Perder o filho é como achar a morte.
      Perder o filho quando, grande e forte,
      já podia ampará-la e compensá-la.
      Mas nesse instante uma mulher bonita,
      sorrindo, o rouba, e a velha mãe aflita
      ainda se volta para abençoá-la

      Assim parti, e nos abençoaste.
      Fui esquecer o bem que me ensinaste,
      fui para o mundo me deseducar.
      E tu ficaste num silêncio frio,
      olhando o leito que eu deixei vazio,
      cantando uma cantiga de ninar.

      Hoje volto coberto de poeira
      e te encontro quietinha na cadeira,
      a cabeça pendida sobre o peito.
      Quero beijar-te a fronte, e não me atrevo.
      Quero acordar-te, mas não sei se devo,
      não sinto que me caiba este direito.

      O direito de dar-te este desgosto,
      de te mostrar nas rugas do meu rosto
      toda a miséria que me aconteceu.
      E quando vires a expressão horrível
      da minha máscara irreconhecível,
      minha voz rouca murmurar: ”Sou eu!”

      Eu bebi na taberna dos cretinos,
      eu brandi o punhal dos assassinos,
      eu andei pelo braço dos canalhas.
      Eu fui jogral em todas as comédias,
      eu fui vilão em todas as tragédias,
      eu fui covarde em todas as batalhas.

      Eu te esqueci: as mães são esquecidas.
      Vivi a vida, vivi muitas vidas,
      e só agora, quando chego ao fim,
      traído pela última esperança,
      e só agora quando a dor me alcança
      lembro quem nunca se esqueceu de mim.

      Não! Eu devo voltar, ser esquecido.
      Mas que foi? De repente ouço um ruído;
      a cadeira rangeu; é tarde agora!
      Minha mãe se levanta abrindo os braços
      e, me envolvendo num milhão de abraços,
      rendendo graças, diz: “Meu filho!”, e chora.

      E chora e treme como fala e ri,
      e parece que Deus entrou aqui,
      em vez de o último dos condenados.
      E o seu pranto rolando em minha face
      quase é como se o Céu me perdoasse,
      me limpasse de todos os pecados.

      Mãe! Nos teus braços eu me transfiguro.
      Lembro que fui criança, que fui puro.
      Sim, tenho mãe! E esta ventura é tanta
      que eu compreendo o que significa:
      o filho é pobre, mas a mãe é rica!
      O filho é homem, mas a mãe é santa!

      Santa que eu fiz envelhecer sofrendo,
      mas que me beija como agradecendo
      toda a dor que por mim lhe foi causada.
      Dos mundos onde andei nada te trouxe,
      mas tu me olhas num olhar tão doce
      que, nada tendo, não te falta nada.

      Dia das Mães! É o dia da bondade
      maior que todo o mal da humanidade
      purificada num amor fecundo.
      Por mais que o homem seja um mesquinho,
      enquanto a Mãe cantar junto a um bercinho
      cantará a esperança para o mundo!

      Saudações fraternas,

      Ariste

  2. Já tive oportundida de ouvir muitas sextilhas sobre as mães porque é um tema sempre pedido na apresentação dos repentistas. Agora. lendo este artigo tenho a impressão que a criatividade dos cantadores de viola é infinita. O poeta repentista Zé Viola foi muito inspirado quando fez esta sextilha: Me iludi com a vida,/Porém hoje eu não me iludo./Minha mãe me de conselho,/Carinho, abraço e estudo;/E em troca de quase nada/Mamãe me deu quase tudo.

    • Vitorino,

      É gratificante receber seu admirável comentário. Farei uma breve reflexão sobre a morte de uma mãe. Tenho certeza que o maior sofrimento que sentimos é quando morre a nossa mãe. Vivenciamos pelas nossas mães o maior amor do mundo, e tudo desaba quando as perdemos na morte. Ficam lembranças poderosas e ensinamentos que nos acompanharão pelo resto da vida. Resta a saudade e a certeza que nada ocupará seu lugar especial no nosso coração.

      Compartilho com o prezado amigo um poema de Mário Quintana (1906 -1994) com a temática do amor materno:

      Mãe

      Mãe… São três letras apenas
      As desse nome bendito;
      Também o céu tem três letras
      E nelas cabe o infinito.

      Para louvar nossa mãe,
      Todo o bem que se disser
      Nunca há de ser tão grande
      Como o bem que ela nos quer.

      Palavra tão pequenina,
      Bem sabem os lábios meus
      Que és do tamanho do céu
      E apenas menor que Deus!

      Saudações fraternas,

      Ariste

  3. Ser mãe é missão de graves responsabilidades e de subida honra. É gozar do privilégio de receber nos braços Espíritos do Senhor e conduzi-los ao bem. Enquanto haja mães na Terra, Deus estará abençoando o homem com a oportunidade de alcançar a meta da perfeição que lhe cabe, porque a mãe é a mão que conduz, o anjo que vela, a mulher que ora, na esperança de que os seus filhos alcancem felicidade e paz. Muito boa esta homenagem às mães antecipadamente ao próximo domingo, que é o Dia das Mães. Achei a estrofe do poeta repentista Rubens do Valle uma pérola: A mãe da gente é a sombra/Onde repousa o amor/Sofre nas dores do filho/Escondendo a própria dor/E no pomar da bondade/Cada mãe é uma flor.

    • Fernanda,

      Agradeço seu ótimo comentário. Concordo com todos os seus argumentos e aproveito a oportundida para compartilhar um texto, desconheço a autoria, com a prezada amiga:

      QUANDO DEUS CRIOU A MÃE

      Quando Deus criou a mãe, já estava nas horas extras do seu sexto dia de trabalho.

      Um anjo apareceu e disse-lhe: “Senhor, por que gastas tanto tempo com esta obra?”.

      DEUS: Viste a minha folha de especificações para ela? Precisa ser completamente lavável, mas não ser de plástico; ser capaz de funcionar com toda a energia, mesmo que esteja em jejum; ter um colo que acomode quatro crianças ao mesmo tempo; ter um beijo que possa curar desde um joelho arranhado até um coração ferido, e fazer isso tudo com apenas duas mãos.

      ANJO: Com apenas duas mãos? Impossível! E este é o modelo padrão? É muito trabalho para ela!

      DEUS: Ela também enxerga os filhos através das paredes, vê suas necessidades sem que eles precisem dizer nada, se cura sozinha quando está doente, alimenta uma família com qualquer coisa e consegue trabalhar dezoito horas por dia.

      ANJO: Mas ela parece tão frágil, Senhor!

      DEUS: Ela é frágil por fora, mas muito forte por dentro. Não fazes ideia do que ela pode suportar e conseguir.

      Saudações fraternas,

      Ariste

  4. Quem nunca ouviu falar que mãe sabe de tudo, que atire a primeira pedra! Está no DNA das mães ser um pouco adivinha, ter o sexto sentido apurado, saber onde está tudo, como arrumar qualquer coisa e até como curar dores e machucados. Essa homenagem em versos às mães demonstra todo o valor que merece as genitoras, através de uma seleção brilhante de estrofes dos mais representativo repentistas nordestinos, que são verdadeiros artistas do improsivo e de versos metrificados. Gostei imensamente da estrofe do repentista Manoel Xudu (1932 – 1985): É bendito o alimento/Que a mamãe prepara em casa,/A carne fica gostosa/Quando é assada na brasa;/Braço de mãe para o filho/Tem o calor de uma asa.

  5. Antônio,

    Muito obrigado por suas considerações a respeito da importância das mães na educação dos filhos e no amor que não espera nada em troca. Dentro dos valores humanos, o mais exaltado são os que especificam o perfil de uma mãe. O ato mais sublime da natureza pertence à mãe, a mulher carrega a vida, só ela tem esse privilégio. É por isso que, junto a esta capacidade de gerar, lhe foi concedido um pacote de virtudes, valores e habilidades que a suportam a socorrem e a fortalecem para exercer plenamente o seu papel louvável.

    Compartilho com o prezado amigo um poema de Cecília Meireles (1961 – 1964):

    Vigília das Mães

    Nossos filhos viajam pelos caminhos da vida,
    pelas águas salgadas de muito longe,
    pelas florestas que escondem os dias,
    pelo céu, pelas cidades, por dentro do mundo escuro
    de seus próprios silêncios.

    Nossos filhos não mandam mensagens de onde se encontram.
    Este vento que passa pode dar-lhes a morte.
    A vaga pode levá-los para o reino do oceano.
    Podem estar caindo em pedaços, como estrelas.
    Podem estar sendo despedaçados em amor e lágrima.

    Nossos filhos têm outro idioma, outros olhos, outra alma.
    Não sabem ainda os caminhos de voltar, somente os de ir.
    Eles vão para seus horizontes, sem memória ou saudade,
    não querem prisão, atraso, adeuses:
    deixam-se apenas gostar, apressados e inquietos.

    Nossos filhos passaram por nós, mas não são nossos,
    querem ir sozinhos, e não sabemos por onde andam.
    Não sabemos quando morrem, quando riem,
    são pássaros sem residência nem família
    à superfície da vida.

    Nós estamos aqui, nesta vigília inexplicável,
    esperando o que não vem, o rosto que já não conhecemos.
    Nossos filhos estão onde não vemos nem sabemos.
    Nós somos as doloridas do mal que talvez não sofram,
    mas suas alegrias não chegam nunca à solidão de que vivemos,
    seu único presente, abundante e sem fim.

    Saudações fraternas,

    Aristeu

  6. Parabéns, prezado poeta Aristeu, pela bela postagem, AMOR MATERNO NOS VERSOS DOS REPENTISTAS”!
    Gostei imensamente de todas as sextilhas e da seleção de poetas usada por você.
    Destaco, para homenagear as mães, os versos do poeta Geraldo Amâncio:

    “Deus começou pelas mães
    A redenção prometida
    De um milagre gerou Cristo
    No ventre da concebida
    Maria gerou Jesus
    E Jesus salvou nossa vida.”

    Desejo a você uma ótima semana, com muita saúde, inspiração e Paz!

  7. Violante,

    Grato por seu excelente comentário. Toda mãe é capaz de oferecer amor aos filhos, não importa como eles sejam e as condições pelas quais tenham que passar. Não é necessário que os filhos ganhem o amor da mãe, isso é algo que vem naturalmente . E à medida que aumenta o número de filhos, aumenta também o amor, para que todos possam sentir aquela segurança que ele oferece.

    Uma criança nasce planejada para fazer sua mãe se apaixonar, por uma questão de sobrevivência. Chega indefesa ao mundo e por um tempo vai depender de quem assume a função de alimentá-lo, confortá-lo, estimulá-lo. Geralmente é a mãe quem oferece esses cuidados durante a chegada do filho em vida.

    O amor de uma mãe pelos filhos será sempre o mesmo, tão forte e tão grande que ela é capaz de superar todos os obstáculos que possam surgir para ver seus filhos felizes. Embora muitas vezes gritem, briguem e xinguem, não há ninguém no mundo que nos ame como a mulher que nos deu a vida.

    Aproveito a oportundidade para compartilhar um episódio do admirável mundo do repente. Num encontro de repentistas, em Patos/PB, o cantador paraibano Raimundo Nonato, recebeu o seguinte mote dado pela assistência:

    Amor de mãe é mais doce
    Do que açúcar cristal.

    Nonato, então, improvisou de forma brilhante:

    Amor de mãe é tão santo
    Deus é quem faz o prefácio,
    Mãe que mora em palácio
    Com guarda por todo canto
    Só é mãe do mesmo tanto
    Da que usa um avental,
    E a que tem vinte é igual
    A de cem que aposentou-se
    Amor de mãe é mais doce
    Do que açúcar cristal.

    Desejo uma semana plena de paz, saúde e alegria!

    Aristeu

  8. Obrigada, Aristeu, por compartilhar comigo este mote tão bonito, recebido da plateia, pelo cantador paraibano Raimundo Nonato, num encontro de repentistas em Patos (PB)!
    Mote:
    “Amor de mãe é mais doce
    Do que açúcar cristal”.

    O grande cantador paraibano, Raimundo Nonato, glosou o mote à altura:

    “Amor de mãe é tão santo
    Deus é quem faz o prefácio,
    Mãe que mora em palácio
    Com guarda por todo canto
    Só é mãe do mesmo tanto
    Da que usa um avental,
    E a que tem vinte é igual
    A de cem que aposentou-se

    Amor de mãe é mais doce
    Do que açúcar cristal.”

    Parabéns pela belíssima reflexão, sobre o que representa uma mãe na vida dos filhos!
    O vazio que elas deixam ao partirem precocemente, jamais será preenchido. Os filhos órfãos de mãe quando crianças, ficam desnorteados, pois nenhuma outra mulher dará a eles o calor e o carinho que somente as mães sabem dar.

    Grande abraço! Muita saúde e Paz!

    Uma ótima semana, com muita saúde, alegria e Paz!

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