Janja é casada com o sujeito mais indigno de aparecer nesta galeria. Como pode ser tão descarada?!
Esta situação me lembrou de uma experiencia que vivi há uns vinte e poucos anos:
Eu estava a trabalho na cidade de Atibaia (onde o 9 dedos ganhou um sítio…). Na ocasião eu visitava um centro de eventos da prefeitura que também funcionava como museu, e reparei que lá havia uma galeria com fotos de ex-prefeitos.
Como Atibaia é uma cidade bem antiga, a galeria tinha muitos quadros e fotos emolduradas.
Porém, me chamou a atenção uma moldura, onde, em vez de uma foto, havia um texto datilografado.
Era uma carta do prefeito cuja imagem deveria estar ali, pedindo para que o diretor do museu não colocasse sua foto, pois considerava-se indigno de figurar ao lado dos demais ex-prefeitos pois, na época, havia sido cassado por suspeita irregularidades ligadas a regularização de terrenos.
Junto à tal carta, havia um esclarecimento recente da diretoria do museu, narrando toda a história e a reabilitação do prefeito, que provou sua inocência. E, ao lado do quadro, havia outro, com a decisão de reabilitação feita pela câmara municipal, muitos anos depois do afastamento.
Outro tempos, outras pessoas, outros valores….
Lula teria muito a aprender se além de aceitar um sítio na cidade como propina, também tivesse visitado o museu de Atibaia…
1. Começo com Millor Fernandes. Como os jornais falavam mal de PC Farias, caixa 2 de Collor, escreveu na sua coluna do JB (maior jornal daquele tempo), em resumo, “Nem todo PC é ruim. E, aqui, homenageio meus amigos PC. Paulo Caruso, Paulo Casé, (José) Paulo Cavalcanti. Mais Ziraldo. Que não é P, nem é C, mas se publicar nome de amigos, sem falar nele, briga comigo”. Depois a relação azedou, quando Ziraldo recebeu gorda indenização por ter sido preso (todos foram, só ele requereu). Sem papas na língua, Millor disse “Pensei que o que fizemos no Pasquim fosse um ato de resistência política; nada, era só uma aplicação financeira”. Mas essa é outra conversa.
2. A história que vou contar com o grande pianista Arthur Moreira Lima, que agora nos deixou, começa com dito Ziraldo. Presidente da Funarte, nos tempos de Tancredo/Sarney, e sem nenhum dinheiro no caixa, bom lembrar. Como soube que havia um piano de cauda nos depósitos do Ministério da Justiça, marca Steinway (melhor do mundo), avisou que dia seguinte iria no meu gabinete pedir fosse doado à mesma Funarte.
Como o instrumento teria muito melhor uso na área da cultura, que na das leis, pedi à área técnica do ministério para preparar a doação. Disseram que não podia. Então troquei por comodato (um tipo de empréstimo), sem prazo para devolver. Só que ninguém sabia como fazer isso, para eles era novidade. Então eu mesmo redigi o contrato, assinei e deixei na minha mesa. Dia seguinte, chega Zira com um monte de artistas juntos, os mais famosos do Brasil naquele tempo. Encheu a sala. Entreguei o contrato, assinou, me devolveu uma via e pôs a sua embaixo do braço. Sem ler. Começou
‒ Vim pedir o piano.
‒ Dou não, como posso justificar isso ao público?
‒ Diga que ele fica melhor na Funarte.
‒ Não é tão simples.
‒ Então diga que é meu amigo.
‒ Agora é que não posso doar mesmo.
A graça na história é que o piano já era dele. Então foi saindo da sala, cabeça baixa, sem nem se despedir dos amigos que vieram com ele. Quando ia já passando pela porta, lhe disse
‒ Zira, pelo menos leia o contrato que está no seu braço.
Leu, voltou ligeiro e me deu um beijo, Deus do céu. Para fazer graça pus, no tal contrato, cláusula que dizia
‒ “Todas as vezes que for exibido deve ser avisado, ao público, se tratar de um Piano gentilmente cedido pelo Ministério da Justiça”.
Um mês depois, teatro Nacional lotado, concerto de Arthur inaugurando o piano. Abre-se a cortina. E aparece em cima dele placa, com aquela letra de Ziraldo e bem grande, “Piano gentilmente cedido pelo Ministério da Justiça”; que arranquei, na hora, e hoje dorme junto de um piano de cauda Yamaha que temos em Gravatá. Pior é que Arthur ainda explicou, ao público, ser uma exigência minha. Só matando. Foi a maior vergonha que passei, em Brasília. Culpa dos dois.
3. Jantar para homenagear Arthur no Ristorante Arlechino, o mais grã-fino do Rio naquele tempo. Só gente importante, na mesa. Todos com terno. Até que chegou Arthur vestido com uma capa. Tirou na hora e, por baixo, estava só com uma camisa do Fluminense. Pode?
4. Pré-estreia de show seu que, começando no Rio, iria correr o Brasil todo. Escrito por Millor. Arthur abre o piano. Senta no banco. Prepara-se para começar e toca uma nota. Mais nada. Então, vira-se para a plateia e conta essa história
‒ Americano chega em bar, de Copacabana, com um Dicionário na mão.
Vem o garçom e ele, depois de 10 minutos consultando o tal livrinho, afinal pede
‒ Eu querer uma copa d’água.
Com o garçom, no melhor estilo dos malandros cariocas,
‒ Caxambú ou Lindoya?
‒ What?
Esse tipo de graça era a cara de Arthur.
5. Verão, ia sempre a nossa praia na Lagoa Azul. E, lá, formamos uma parceria, o “Duo Lima e Cavalcanti”. Eu na parte esquerda do piano, mais fácil, apenas com os acompanhamentos; e, ele, na mão direita, fazendo malabarismos inacreditáveis. Em Toquinho, nas casas com piano, chegávamos, pedíamos licença ao dono e tocávamos três músicas. Começando sempre com b Para uma pequena multidão que logo se formava. Depois, agradecíamos e seguíamos, na direção de outras casas.
6. Agora, desfeita a dupla, ficou só uma ausência que dói, na saudade sem remédio do amigo querido. Viva Arthur Moreira Lima. Em nossos corações. Para sempre.
P.S. Eleição nos Estados Unidos. Ao ver os comentaristas de nossas televisões, acompanhando as eleições, lembro da canção de protestos que embalou a Revolução dos Cravos em Portugal, Grândola Vila Morena:
Numa das campanhas eleitorais para Governador do Estado, um conhecido deputado estadual, candidato à reeleição, após um comício numa cidade do interior, foi dormir em sua fazenda, que ficava a poucos quilômetros de distância. De manhã cedo, acordou com alguém batendo palmas no portão da sua propriedade. Era a esposa de um antigo eleitor, à procura de socorro para o marido, que, desde a noite anterior, encontrava-se passando mal. Segundo ela, durante o jantar, ele havia exagerado na coalhada com rapadura, e pouco tempo depois, começou a passar mal. Deitou-se com o estômago muito cheio e logo que adormeceu, começou a passar mal. Ainda não tinha parado de vomitar. Quanto mais remédio caseiro tomava, mais aumentava sua indisposição. Já estava perdendo as forças, muito pálido e suando frio.
Como se encontrava em plena campanha política, o deputado viu-se na obrigação de transportar o doente para Natal, no seu luxuoso carro, à procura de socorro médico. Mandou, então, que o colocassem deitado no banco de trás, muito bem forrado, com a cabeça no colo da esposa, e sentou-se no banco da frente, ao lado do motorista.
A violenta indisposição gástrica, realmente, havia derrubado o seu fiel eleitor, que agora estava passando por maus momentos. Após uma noite inteira de fermentação, a barriga do homem, cheia de gazes, parecia um zabumba.
O gesto de solidariedade do deputado, para ele, iria comover as pessoas da redondeza, e, com certeza, seria uma forma de angariar mais votos para a sua reeleição. Por isso, fez questão de acompanhar o doente a um pronto-socorro da capital do Estado.
Nessa época, as estradas eram de barro e esburacadas. Com os constantes solavancos do carro, o mal-estar do doente aumentou, ainda mais, durante a viagem. O pobre coitado sofria com os balanços e com os “embrulhos” no estômago. Não parava de vomitar.
Muito encabulado, mesmo trincando os dentes, não podia evitar que os salpicos dos resíduos estomacais atingissem as costas do deputado. A coisa foi ficando feia, e o deputado olhou para trás, visivelmente irritado, ao sentir sua camisa molhada de vômito. Estava bastante chateado e arrependido de estar transportando o doente na sua “Hilux”. Num dado momento, o parlamentar olhou para trás e resmungou um palavrão. O velho eleitor percebeu a sua irritação, e então, num humilde pedido de desculpa, balbuciou:
– Calma, “cumpade”…o soro sai, mas a “quaiada” fica…
O pior é que o mau cheiro de fezes se misturava com o de vômito azedo.
O paciente foi levado ao melhor Pronto Socorro de Natal, onde foi medicado, permanecendo internado até o dia seguinte.
O deputado não podia mais disfarçar sua ira. Entretanto, sabia que sua “generosidade” faria com que conseguisse mais votos.
Essa viagem deixou o deputado tão contrariado, que, para esquecê-la, trocou de carro na mesma semana, e fez uma jura de nunca mais fazer sua “Hilux” de ambulância, para eleitor nenhum.
A infecção intestinal, ou no português rasteiro, a “caganeira” é fator nivelador da igualdade humana, e ninguém está livre dela. Seja rico ou seja pobre, não importando a classe social, o homem sempre estará sujeito a esse tipo de constrangimento.
Como todo bom brasileiro, Nilton Santos tem duas paixões: futebol e mulher. Por ter nascido em 29 de junho de 1958, dia em que o Brasil tornou-se campeão mundial foi batizado com o nome de Nilton Santos Silva, em homenagem ao grande “back” Nilton Santos. Tornou-se botafoguense, como o pai. Sabe tudo sobre seu time do coração, Botafogo de Futebol e Regatas. Conhece a história em detalhes dos campeonatos do Alvinegro. Na caminhada matinal na praia da Pajuçara, ele fica pensando no Brasileirão contando os pontos na cabeça e os próximos adversários. Tem convicção que será campeão nesse ano. O Botafogo está jogando com alegria e objetividade. Os botafoguenses estão vivendo no céu. Se não bobear, como ano passado, será um campeão! Pensa!
Nilton Santos, feliz da vida, assiste sempre aos jogos do Botafogo pela televisão num motel ao lado de uma GP (Garota de Programa).
Não quer amante, dá complicação, prefere garotas de programa. Paga pelo descompromisso, pelo silêncio e pelos carinhosos serviços prestados. Terça-feira passada, jantou em casa, saiu dizendo para mulher que iria assistir ao jogo Botafogo x Vasco com os amigos no Bar do Pelado. Ele havia armado um esquema com a Paulinha, gente fina.
Houve um problema, Paulinha telefonou, não dava para acompanhá-lo, mas deu o link de um site, com garotas de alto nível. Nilton ao conferir no celular as acompanhantes, gostou da Penélope, pensando na Penélope Cruz, acertou com a moça pediu que ela pegasse um táxi até o motel.
Nilton Santos estacionou seu carro dentro do motel preferido. Havia uma enorme televisão. Pediu uma dose de uísque, estava cedo para o jogo, ligou a televisão para assistir notícias.
Em pouco tempo tocou o interfone. Nilton Santos ficou encantado ao abrir a porta, deslumbrou-se, mulher bonita, alta, olhos amendoados, boca carnuda que nem a Angelina Jolie, acertou com o táxi para buscá-la no final do jogo. O mulherão sentou-se no sofá pediu licença, acendeu um cigarro. Ele notou a voz rouca daquela linda mulher, pensou, é cigarro.
Foi quando iniciou o jogo Vasco x Botafogo, Nilton Santos grudou-se na televisão prestando maior atenção, nervoso, tomando uísque que nem refresco, torcia desesperadamente quando Penélope se achegou de banho tomado, cabelos molhados, enrolada numa toalha, juntinha ficou. No segundo gol do Botafogo de Luiz Henrique, durante a emoção, ele beijou os grossos lábios da acompanhante. Ao acabar o primeiro tempo ela deitou-se, de bruços, Nilton Santos não resistiu, deu um pinote por cima e foi às vias de fatos, ela mordia o travesseiro. O intervalo durou 10 minutos. Relaxado Nilton Santos assistiu à vitória por 3 x 0. Fim de jogo, no momento dos abraços notou alguma coisa esquisita em Penélope, não conseguiu segurar a surpresa quando percebeu, saiu o grito inesperado:
– Você é homem!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Depois de momentos de discussão, Penélope abriu o site em seu celular, mostrou escrito: “Penélope, linda bi, passiva ou ativo.” Nilton não quis confusão, pagou o acertado, incluindo o taxi de volta. Tomou banho, vestiu-se, foi para casa alegre, Seis pontos de diferença iria ser campeão. Mas, Penélope não saiu de sua cabeça.
Nilton Santos não consegue esquecer aquela mulher, aliás, aquele homem, sente o hálito de sua boca, toda noite sonha com Penélope olhando seus olhos, sorrindo, sente nos lábios, os beijos molhados. Já decidiu nos próximos jogos do Botafogo, estará sentado, bem comportado na poltrona de sua casa, Na verdade qualquer psicólogo de mesa de bar, tem o diagnóstico. O botafoguense quer revê-la, mas está com medo, fazendo força para esquecer Penélope.