DEU NO X

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

UM CORDEL DE OTACÍLIO BATISTA

Poeta cantador pernambucano Otacílio Batista Patriota (1923-2003)

A nêga tinha comido
Da panela de um cigano
Pimenta, sebo e tutano
Cebola e peba dormido
Foi tão grande o estampido
Que se ouviu no Pajeú
Toda praga de urubu
Da caixa prego desceu
O peido que a nêga deu
Quase não passa no cu

Na fazenda Gado Brabo
Num casamento que havia
Comeu tanto nesse dia
Mocotó, feijão, quiabo
Meia noite abriu do rabo
Defecando o que comeu
Toda prega se rompeu
Na porteira do baú
Quase não cabe no cu
O peido que a nêga deu

Quando o peido quis fugir
As tripas se revoltaram
E o cu do peido vedaram
Para o peido não sair
O peido não quis pedir
Mas o cu se arrependeu
O peido inchou e cresceu
Do jeito de um cururu
Quase não cabe no cu
O peido que a nêga deu

Cu seboso e vagabundo
O peido tinha razão
Um fundo fazer questão
De um peido passar no fundo
Mais veloz como um segundo
Esse peido endoideceu
Fez finca-pé no “suru”
Quase não cabe no cu
O peido que a nêga deu

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DEU NO X

COMENTÁRIO DO LEITOR

ALEXANDRE GARCIA

GOLPE NA BOLÍVIA É HISTÓRIA MUITO MAL EXPLICADA

Tanque militar em frente à sede do governo da Bolívia, em La Paz, durante tentativa frustrada de golpe.

Tanque militar em frente à sede do governo da Bolívia, em La Paz, durante tentativa frustrada de golpe

A tentativa de golpe na Bolívia está em todos os noticiários. Queria relatar uma experiência pessoal de uma ocasião em que aconteceu a mesma coisa, só que deu resultado, foi até o fim. Eu estava no Uruguai em junho de 1973, quando o presidente Juan Maria Bordaberry, com o auxílio do comandante do Exército, o general Gregório Álvarez, cercou com tanques e fechou o Congresso, dizendo que não podia governar com aquele Legislativo. A partir dali, governou sem Congresso, para pegar os tupamaros. Foi o chamado “autogolpe”, que deu certo com a ajuda dos militares.

Eu desconfio que o presidente Luís Arce combinou alguma coisa com esse general que agora está preso, e acabou tirando a escada dele. Tudo para chamar a atenção, já que ele estava precisando de popularidade. O general Galtieri, na Argentina, fez isso ao invadir as Malvinas; Nicolás Maduro faz isso na Venezuela, falando em invadir a Guiana, na tentativa de elevar sua popularidade, que está encolhendo, fazendo que o povo se una na defesa do patriotismo. Na Bolívia, a ideia seria fazer o povo se unir em torno de Arce e da democracia. Está todo mundo desconfiado, falando pouco a respeito disso, porque desconfiam de uma combinação entre o presidente e o comandante do Exército.

* * *

Lula está cada vez mais irritado com jornalistas que mostram os números da economia
 
O presidente Lula reuniu o Conselhão. No outro governo também havia isso: duzentos e tantos conselheiros que vêm à Brasília, recebem diária, recebem passagem, é um dinheirão. E não se decide nada com 200 pessoas dando conselho. Lula acabou chamando de “cretinos” aqueles que mostram números – e eu já vou mostrar alguns – a que desabonam a política econômica do governo. Ele sancionou a Lei da Blusinha, pela qual compras de até US$ 50 no exterior vão pagar 20% de imposto de importação. Você compra R$ 250 em uma blusinha lá da China e vai pagar R$ 50 de imposto federal. Isso que já pagamos R$ 1,1 trilhão em tributos federais até 31 de maio deste ano.

Nunca antes na história desse país se tirou tanto dinheiro do povo em tributos. Acho engraçado ver meus colegas jornalistas aplaudindo quando a arrecadação sobe. Eles devem ser masoquistas, porque eles também estão pagando mais imposto. Quando aumenta a arrecadação, é porque estão tirando mais dinheiro da nação brasileira, do povo brasileiro. Parece que as pessoas não entendem isso, vai ver eu é que sou “cretino” ao mostrar essa verdade.

* * *

Não há tráfico sem o comprador de drogas

Falando em verdade, repito outra aqui, o silogismo das 40 gramas de maconha. Quem vende droga pratica um crime hediondo, mas ele só se concretiza se alguém comprar. Do contrário, ele não vendeu; só há venda se houver um comprador, que concretiza uma ação que é crime hediondo. Se esse comprador levar menos de 40 gramas, não comete crime? Ele está financiando o criminoso, permitindo que ele compre armas, fuzis modernos, e mesmo assim não pratica crime? Não faz sentido, é absolutamente ilógico. E repito o que o papa disse: não se diminui a dependência de drogas liberando as drogas. É muito óbvio.

* * *

Técnico da seleção de basquete pede demissão em solidariedade a preparador físico pró-vida 

O técnico da seleção brasileira feminina de basquete, José Alves Neto, bicampeão dos Jogos Pan-Americanos, disse que, devido a seus princípios e valores de fé, estava deixando o cargo de treinador em solidariedade com o preparador físico Diego Falcão, que foi desligado porque se declarou a favor da vida de bebês já formados, com mais de cinco meses de gestação, para que não fossem assassinados com uma dolorosa agulhada de cloreto de potássio. Enquanto isso, o Supremo está exigindo que o Conselho Regional de Medicina de São Paulo comprove que não está punindo médicos que assassinam bebês com mais de 22 semanas.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

CONVERSAS DE ½ MINUTO (41) ‒ RELIGIOSOS

Todos os países têm suas festas religiosas. As nossas vieram de Portugal, conhecidas lá como dos Santos Populares. O curioso é que também herdamos o costume de dividir a devoção por regiões. No Sul de Portugal, sobretudo Lisboa, é Santo António, que encontrou seu destino em Pádua, mas naquela cidade nasceu. Num 13 de junho; mesmo dia em que nasceria bem depois, em 1888, o poeta Fernando António Nogueira Pessoa (Fernando, em homenagem ao filho de uma parenta, dona Teresa Tavares Martins de Bulhões; António, em latim o que está na vanguarda, devoção ao santo; mais os sobrenomes, em Portugal apelidos, da família ‒ Nogueira, da mãe; e Pessoa, do pai, indicando suas origens sefaraditas). Enquanto, ao Norte, é São João. Sobretudo no Porto, Cidade Invicta. Aqui no Brasil, também. No Sul, feriado é Corpus Christi. Enquanto, em boa parte de Nordeste e Norte, São João. Nossa maior festa popular, que celebramos agora. Embalados por Luiz Gonzaga, “Olha pro céu meu amor”… E assim, entre São João e São Pedro, seguem mais conversas, hoje só com religiosos, amigos dos tais santos, em livro que estou escrevendo (título da coluna).

DOM AGNELLO ROSSI, núncio apostólico (uma espécie de embaixador do Vaticano, no Brasil). História contada pelo padre Pedro Rubens. Vivia em Brasília e foi visitar Fortaleza. O Bispo local perguntou

‒ Vossa Eminência está cansada?

E ele, italiano e ainda aprendendo as concordâncias do português, respondeu

‒ Morta…

Dom BASÍLIO PENIDO, abade do Mosteiro de São Bento (Olinda). História contada por Irmão José. Um frequentador da igreja reclamava das famílias de pedintes que ficavam assediando os fiéis que iam as missas, à entrada, mostrando filhos pequenos que teriam doenças graves.

– O ruim, Dom Basílio, é que eles mentem muito.

– Não é tão grave, meu filho.

– Como?

– É que eles mentem para comer.

Padre EDWALDO GOMES, da paróquia de Casa Forte. Numa festa da Vitória Régia. Luciana, minha filha menor,

– Arretado!, padre.

– Cuidado com esse palavreado, Lulu.

– Padre Edwaldo, arretado pode?

E ele, depois de pensar um pouco,

– Poder pode, minha filha. Até mais. Pode arretado, merda, bosta, porra e puta que o pariu. Mas só isso, viu? Que, passou daí, é pecado.

DOM FERDINAND AZEVEDO, historiador americano. História contada por padre (que pediu para não escrever o nome), seu amigo. Viveu 90 anos no Brasil e jamais aprendeu as concordâncias de nossa língua. Chegou para morar na residência dos jesuítas, no Recife, e logo se dirigiu aos funcionários da casa

‒ A partir de hoje, no fim dos dias, todos vocês devem limpar o cuzinha.

Dom HÉLDER CÂMARA, arcebispo de Olinda e Recife. Bate na sua porta um pedinte, querendo roupas que as suas estavam rasgadas. Dom Hélder lhe deu uma calça. Zezita, que era sua guardiã (até o fim), o censurou

– Mas dom Hélder, o senhor tem só duas calças.

– E o pobre, Zezita, que não tem nenhuma?

Padre JOÃO PUBBEN, da Igrejinha das Fronteiras. Prometi uma caixa de vinhos e ele escolheu um português, Periquita. Pode? Um Padre? Mandei, junto com esse bilhete

– Todo homem de valor
Se revela pecador
Quando apreciador
De coisa boa e bonita
Mas me causa estupor
Ver alguém como o pastor
Que é quase um Monsenhor
Sendo admirador
Dessa tal de periquita.

Dom JOSÉ TOLENTINO MENDONÇA, cardeal. Dia seguinte à sua posse como Cardeal, no Vaticano, ofereceu almoço para os amigos. Preparei discurso que começava assim

– O treinador do Flamengo (à época), Jorge de Jesus, é também português. E hoje, no Brasil, Jesus é Deus. Os amigos de Tolentino são bem mais modestos. Não querem vê-lo como Jesus. Nem, muito menos, Deus. Para nós, basta que um dia ele seja Papa.

LILI FALÂNGOLA, empresária. Convidou Madrinha Neiça para uma festinha, na sua casa, e a outra

‒ Sabe quando eu vou?, no dia de São Nunca.

Passa o tempo e Lili, num 1º de novembro, preparou churrasco pantagruélico. Chamou amigos e, primeiro a chegar, foi a tal Madrinha.

‒ Oi, e você não disse que só vinha no dia de São Nunca?

‒ Verdade, e é hoje, o Dia de Todos os Santos.

Dom LUCIANO MENDES DE ALMEIDA, secretário geral da CNBB. De nossos almoços, todas as quartas, guardo só lembranças boas. Como refrescos de laranja bem gelados. Ou o Bliss, que tomava sempre dom Ivo Lorscheiter no seu corpo de atleta. Ou a comida simples, com sabor caseiro. Então disse

– Uma das coisas que não entendo na Igreja, dom Luciano, é a restrição à Gula. Como pode coisa tão boa, que é comer, ser pecado? E logo mortal?, um dos sete capitais.

Ele, com sua imensa capacidade de consensualizar, argumentou

– Você não conhece a Santa Gula?, meu filho.

– Que história é essa?

– É assim. Quando você come muito, e não quer que mais ninguém coma, é pecado. Mas quando você come, e quer que todo mundo coma tanto quanto você, é virtude. A Santa Gula.

LUZILÁ GONÇALVES, escritora. Madrugada, ligou amiga pedindo ajuda que o marido estava quase morto. Luzilá teve que ir a colégio de freiras que acolhiam padres. Encontrou um, já bem velhinho, e disse que precisava dele para dar a Unção dos Enfermos. Tudo acertado, inclusive o preço. Mas o velho quis tomar café, antes de partir. A freirinha que lhe atendeu, com toda paz do mundo, preparou tapioca e cuscuz que ele comia com prazer. Sem pressa. E o tempo ia passando.

– Padre, queria lembrar que o homem está se acabando.

– Tenha calma, filha, Deus é paciente.

– Deus eu sei que é, padre. Só não estou certa é que o doente possa esperar tanto tempo.

Afinal, chegaram no apartamento. O padre leu Breviário e belo Ofício aos Mortos. Diante de um paciente largado na cama, lívido, com os olhos fechados. E todos rezando. Ocorre que, de repente, o quase defunto deu um pulo

– Que merda é essa?! A gente nem pode mais dormir em paz?!!, porra!!!

Em resumo, o homem estava era de porre. Coma alcoólico. Foi só engano da quase viúva.

MAURO MOTA, da ABL. Dona Santinha, sua irmã, tomava conta de outro irmão, Dom Mota, arcebispo de São Luís (Maranhão). Carola, quando escrevia cartas para Mauro começava dizendo

‒ São Luiz, cidade pagã…

Confessava-se todos os dias. Já meio surda, gritava os pecados. E, o padre, sua penitência. Para evitar constrangimento acertaram que ela entregaria, no confessionário, a relação de seus pecados mortais. Os cometidos na véspera. E o padre lhe mostraria qual seria sua penitência. Por cautela deixou já pronta, num canto, essa relação, sempre 3 Padres Nossos e 3 Aves Marias. Dando-se que certo dia Mauro roubou, de seu missal, os tais pecados do dia e nos mostrou. Eram três.

‒ Ontem, não rezei o Rosário completo.

‒ Olhei para trás na missa.

E, mais grave de todos,

‒ Tentativa de mau pensamento.

DEU NO JORNAL

COISA MESMO DE BANÂNIA

Após semanas de devastação, só agora a ministra Marina Silva (Meio Ambiente) resolveu sobrevoar o Pantanal, que arde em chamas.

Lula não deve dar as caras na região.

Mandou o vice Geraldo Alckmin.

* * *

Li essa nota e fiquei imginando…

Só mesmo numa republiqueta banânica feito essa nossa seria possível esse trio estar no poder:

Marina, Lula, Alckmin.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

CBN - A rádio que toca notícia - 'Marina traz para o palanque de Lula uma força que estava distante do PT nos últimos anos'

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

A VOZ DO POVO

Antigamente, calvar ou descalvar a terra era abater a vegetação que cobria um cimo de monte, ficando a elevação despida de arvoredo.

Também, antigamente, o homem careca era chamado de calvo.

Ficar com a calva à mostra, era uma pena aplicada a um condenado, por ter se portado covardemente numa batalha, fugindo das fileiras, abandonando o posto que lhe fora confiado, ou praticando atos de vilania. O condenado tornava-se indigno do título e situação de fidalgo, e tinha a cabeleira cortada pelo carrasco, seguindo-se a sua expulsão das hostes privilegiadas.

Esse ato era uma dolorosa punição, e acontecia na presença de todos os antigos companheiros.

Os cabelos longos eram atributos notórios da nobreza. Um condenado, portanto, jamais poderia ter cabeleira bonita.

O ex- cavaleiro, com a calva á mostra, estava publicamente degradado de sua condição aristocrática. Passava a ser um plebeu miserável e um covarde por todos conhecido. Sua reabilitação era impossível.

Nos dias atuais, a evolução da cibernética tornou pública a exposição do infrator, com a revelação dos seus defeitos, sem falar dos seus direitos. Os chamados direitos humanos só existem no papel.

A mídia nos fala sobre infratores presos há mais de um ano, por suposta tentativa de golpe, sem quaisquer resquícios de sentimento humano, com relação à saúde e a vida regrada que eles, comprovadamente, levavam antes do fatídico dia, que resultou nesse encarceramento sem sentido.

Assim como os podres poderes, os presídios estão cheios de homens vazios e descrentes de tudo, à espera de um julgamento justo, que dê uma solução rápida aos seus suposto crimes. Enquanto criminosos cumprem pena fora da prisão, inocentes continuam na cadeia, cumprindo prisão preventiva infindável, o que acontece ao arrepio da lei.

E assim “caminha a humanidade”. Até quando?

Mudando o rumo dessa prosa:

No interior nordestino, o caloteiro contumaz tem fama de não pagar nem promessa a santo.

Há caloteiros de carteirinha, desonestos por compulsão. Incomodam pessoas conhecidas, sabendo que quem lhe emprestar dinheiro, já perdeu. O empréstimo irá para o “tinteiro”. Jamais será pago. Os caloteiros compulsivos enganam até ao Papa. Se tiverem oportunidade, serão capazes de furtar até o dinheiro da coleta da Igreja.

A humanidade é dividida em duas classes: Os honestos e os desonestos.

Não existe remédio para regenerar uma pessoa desonesta, principalmente no meio político. A desonestidade está no sangue e se propaga até a 5ª geração, ou mais. A reabilitação é muito rara, senão impossível.

Séculos atrás, raspar a cabeça do desonesto era punição. Hoje já não é. Nem se fala nisso. Se a moda de raspar a cabeça de ladrões voltar, vai ser “uma gracinha”.

Ninguém perde por ser honesto. O desonesto “está frito” para o resto da vida. É condenado pela opinião pública e perde sua dignidade.

A opinião pública é decisiva, em determinados julgamentos. Vale a sentença ditada pelo povo.

E “a voz do povo é a voz de Deus” – diz o ditado.

COMENTÁRIO DO LEITOR