A PALAVRA DO EDITOR

MÚSICA ROMÂNTICA NO DIA DOS NAMORADOS

Neste 12 de junho, Dia dos Namorados, quero dedicar uma linda música romântica para um sujeito que mora aqui nas vizinhanças do meu edifício.

Trata-se de um militante petralha que anda vestido com uma camiseta do Ladrão Descondenado e vive desfilando pra cima e pra baixo com um par de chifres na testa.

E vou fazer uma dedicatória semelhante à que era usada no serviço de som do Seu Agenor, instalado em frente à igreja na festa da padroeira lá em Palmares:

Assim como as rosas abrem as suas pétalas para receber o orvalho da manhã, abra o seu coração (e o seu par de chifres) para ouvir Alypio Martins interpretando esta doce composição:

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

INFLAÇÃO VOLTA A SUBIR, PARA DESESPERO DE UM GOVERNO QUE NÃO SABE O QUE FAZER

Lula e Rodrigo Pacheco

Lula e o presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco.| Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Saiu o IPCA, de maio: 0,46%. O importante é pegar os últimos 12 meses para saber quanto está a inflação anual: subiu para 3,93%, e a meta do governo é 3%. O governo está desesperado. Fez essa “MP do fim do mundo” para tirar R$ 29 bilhões dos pagadores de impostos, e sofreu uma derrota acachapante. O presidente do Congresso está devolvendo essa história para o presidente da República.

Foi um erro muito grande do governo. Como diz a nota das confederações da agricultura, do comércio, da indústria, das cooperativas, dos transportes, divulgada em todos os jornais por vários dias, o governo tem de fazer o mínimo de esforço para cortar a despesa, mas não corta e quer cobrar mais. Dizem, também, que o governo mostrou não ter diálogo e demonstrou insegurança jurídica para todos os investidores. Até um empresário que “fez o L” e deu milhões para a campanha de Lula, Rubens Ometto, está criticando.

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Governo podia aproveitar recuo e desistir de importar arroz sem necessidade

Outro recuo do governo foi essa maluquice de importar arroz. Lula botou na cabeça que tem de importar 1 milhão de toneladas de arroz. A primeira experiência, das 263 mil toneladas, foi um escândalo. Por causa disso, caiu o secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, porque ele é quem indicou a pessoa que conduziu o leilão. Está na hora de parar com essa história de importação, porque temos arroz para exportar. Vamos gastar um dinheirão com isso e prejudicar ainda mais os arrozeiros gaúchos, que saíram de três secas e caíram numa enchente.

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Toffoli blinda a Odebrecht mais uma vez

O ministro Dias Toffoli, nesta semana, anulou um pedido do Ministério Público, que queria investigar nos bancos de Andorra – aquele principado que fica nos Pireneus, entre a França e a Espanha – se a conta da Odebrecht lá serviu para pagar propina. O ministro alegou que é imprestável a prova que leva a isso. Mais um assunto para o Financial Times, que já fez duas reportagens a respeito da derrubada do combate à corrupção no Brasil feito pela Lava Jato.

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A enorme diferença de tratamento entre Adélio Bispo e uma presa do 8 de janeiro

Vejam essas duas histórias. A Polícia Federal acaba de concluir que Adélio Bispo agiu sozinho na hora da facada em Jair Bolsonaro. Claro, mas ele não agiu sozinho na hora de produzir um álibi, botando o nome como se estivesse na Câmara, algum gabinete de deputado está envolvido nisso. E é fácil descobrir, tem de ficar registrado o nome de quem autorizou registro da presença dele na Câmara no dia 6 de setembro; se ele tivesse conseguido fugir de Juiz de Fora, estaria “provado” que ele estava na Câmara. Foi um homônimo? Se foi, onde está ele? Não apareceu. Isso é o que queremos saber até hoje.

Adélio Bispo é inimputável, mas a dona Alice dos Santos, 49 anos, que toma remédios controlados, teve um ataque epilético na prisão. Ela foi presa para não fugir do país como outros haviam fugido, mas a defesa diz que ela estava cumprindo todas as medidas cautelares, trabalhando como chefe de passadeiras de roupa. É avó e foi condenada a 14 anos por tentar derrubar o governo por métodos violentos; Adélio Bispo, a zero anos.

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Ditadura cubana vasculha tudo o que cubanos publicam e pede prisão para quem critica o ditador

Uma moça de 22 anos, Sulmira Martínez, criticou a ditadura cubana, lá em Cuba, e a promotoria está pedindo dez anos de prisão para ela, que já está presa há dois meses. Durante o interrogatório, ela foi levada à televisão para assumir a culpa de ter ofendido o ditador, de ter criticado o governo e de ter pregado um governo democrático em Cuba. Por isso, pode pegar dez anos. Como é que descobriram isso? Porque lá em Cuba existe uma Direção de Análise da Informação do Instituto de Informação e Comunicação Social para ver o que está saindo nas redes sociais. Isso aí nós também temos.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

A SAFADEZA DO ARROZÃO

Há mais de um mês, em São José da Tapera (AL), Lula (PT) já defendia a importação de arroz com intrigante ênfase, mas não pela tragédia no Rio Grande do Sul e sim porque se disse “puto da vida” com o preço, segundo ele, de 33 reais por saco de 5 quilos.

Sem admitir que preço alto tem a ver com pesados impostos do seu governo, Lula assinou medida provisória liberando R$ 7,2 bilhões para importar 1,3 milhão de toneladas.

O leilão de importação foi anulado ontem (11) com indícios de corrupção.

A ligação de filho de Neri Geller, secretário de Política Agrícola, com importadores de arroz transforma as suspeitas em caso de polícia.

Lula decidiu importar sem procurar saber se era necessário, e manteve a decisão apesar da garantia de que não havia risco de desabastecimento.

A Fenarroz, que representa 6 mil produtores gaúchos, informou desde o primeiro momento que quase toda a safra já estava colhida e a salvo.

Sinais de corrupção surgiram nos leilões, com a opção de entregar R$ 732 milhões a uma loja de queijos de Macapá (AP) para importar arroz.

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Diz a notícia aí de cima que o leilão foi anulado ontem “com indícios de corrupção”.

“Indícios” é um eufemismos bem moderado pra um caso claro de ladroagem lulo-petrálhica.

Apesar de todos os dados que o governo dispunha, escancarando que não era necessário importar arroz, o bando tocou a picaretagem pra frente.

E quebrou a cara.

Ainda bem que, desta vez, o Ladrão Descondenado e sua quadrilha tomaram no furico.

Vamos aguadar.

Em breve futuro, eles vão querer cobrir esse preju e lucrar o dobro com uma nova ladroagem.

DEU NO X

DALINHA CATUNDA - EU ACHO É POUCO!

MELHOR IDADE É O CACETE!

Xilogravura de Maércio Siqueira

Seu Rufino adoeceu
Achei por bem visitar
Não era caso de morte
Mas era de preocupar
Seu lamento era constante
Queixava-se a todo instante
Sem parar de resmungar.

A sua maior doença
Era seu inconformismo
Foi homem namorador
E agora com reumatismo
Sem poder ir vadiar
Passa o dia a reclamar
Praticando o derrotismo.

Eu tentei mudar a prosa
Pra trazer animação
Entretanto seu Rufino
Era só reclamação
Desembestou a falar
Eu tive então que escutar
A sua lamentação.

Confesso que tive dó
Estava de fazer pena
Mas com a língua afiada
Repetia a cantilena
E cheio de rabugice
Metia o pau na velhice
Que não chegava serena.

Foi o jeito eu me calar
E preparar os ouvidos
Para ouvir o pobre idoso
Com seus ais e seus gemidos
Pois paciência eu tinha
Para ouvir a ladainha
E clamores repetidos.

E vocês vão ver agora
O rosário de amargura
Que desfia seu Rufino
Essa pobre criatura
Em cada depoimento
Que lhe sopra o pensamento
Nessa atual conjuntura

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DEU NO JORNAL

LEILÃO DO ARROZ FAZ ÁGUA E EXPÕE GOVERNO

Guilherme Macalossi

Ministros Carlos Fávaro, da Agricultura, Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, tendo, ao fundo, o presidente da Conab, Edegar Pretto

Ministros Carlos Fávaro, da Agricultura, Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário, tendo, ao fundo, o presidente da Conab, Edegar Pretto

Havia inequívoco constrangimento na coletiva dos ministros Carlos Fávaro (Agricultura), Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário) e do presidente da Conab, Edegar Pretto. Os três tiveram de vir a público anunciar o cancelamento do leilão de arroz que o governo havia realizado.

A ação já era contestada em uníssono pelos produtores rurais, que consideravam a medida desnecessária para atender o abastecimento interno do produto, quase todo ele cultivado no Rio Grande do Sul. A coisa ficou insustentável quando pipocaram dúvidas sobre a capacidade das empresas de atender o arremete, e, pior inda, com as suspeitas sobre o procedimento.

A principal compradora do leilão cancelado foi a empresa Wisley A. de Souza LTDA, cujo nome fantasia é “Queijo Minas”. Ficaria responsável por importar 147 mil toneladas de arroz. Até poucos dias antes de vencer o certame, ela vendia queijos no Norte do país e tinha capita social de R$ 80 mil. Outras vencedoras foram a Icefruit, que tem como atividade a fabricação de sucos concentrados de frutas e legumes, e a ASR, que, curiosamente, faz locação de veículos e máquinas pesadas.

Reportagem do jornal Zero Hora apontou que as empresas Wisley A. de Souza LTDA e ASR tinham “possíveis restrições no Registro e Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros (Radar), sistema da Receita Federal em que são emitidas as habilitações de operação no comércio exterior”.

Será também necessário cuidar para que integrantes do ministério não tenham parentes em possível conflito de interesse na realização do negócio. O filho de Neri Geller, até então secretário de Política Agrícola, constava como sócio de uma corretora que participou da maior parte das negociações dos lotes vendidos. Geller pediu exoneração.

“Hoje, pela manhã, o secretário Neri Geller me comunicou, fez ponderação, quando filho dele estabeleceu sociedade com esta corretora do Mato Grosso, ele não era secretário de político agrícola. Não há fato que desabone ou que gere qualquer tipo de suspeita, mas que de fato gerou, e por isso colocou cargo a disposição”, justificou o ministro.

A trapalhada monumental vem num momento de extrema fragilidade do governo no Congresso Nacional. Parlamentares da oposição agora articulam a criação de uma CPI para investigar o leilão do arroz. Mesmo a saída de Geller não deve estancar a sangria, já que própria Conab está sendo questionada pela arquitetura bilionária de um leilão vencido sob condições suspeitíssimas. O próprio cancelamento, aliás, subsidia a percepção de que a coisa toda foi muito errada.

O governo, entretanto, já decidiu que pretende fazer um novo leilão. Segundo Fávaro, agora com a “garantia que vamos contratar empresa com capacidade técnica e financeira”. A pergunta é: e por que a garantia já não veio antes? Se Fávaro é incapaz de responder essa pergunta então é ele que deveria se afastar do ministério.

PENINHA - DICA MUSICAL