DEU NO X

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

SONETO – Augusto dos Anjos

Ao meu primeiro filho nascido morto com 7 meses incompletos. 2 fevereiro 1911

Agregado infeliz de sangue e cal,
Fruto rubro de carne agonizante,
Filho da grande força fecundante
De minha brônzea trama neuronial,

Que poder embriológico fatal
Destruiu, com a sinergia de um gigante,
Em tua morfogênese de infante
A minha morfogênese ancestral?!

Porção de minha plásmica substância,
Em que lugar irás passar a infância,
Tragicamente anônimo, a feder?!

Ah! Possas tu dormir, feto esquecido,
Panteisticamente dissolvido
Na monumentalidade do NÃO SER!

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, Cruz do Espírito Santo-PB (1884-1914)

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

PANIS ET CIRCENSES

Na Roma Antiga, o poeta Décimo Júnio Juvenal, com suas tiradas satíricas, cunhou a expressão panis et circenses para se referir aqueles que pediam trigo e espetáculos (jogos) grátis para o povo sem se preocupar muito com a postura dos governantes. Parecido com o Brasil? Cagado e cuspido como se diz por aqui pelo nordeste.

Um país com as dimensões que o Brasil tem, com a disponibilidade de terras e de recursos naturais, com um PIB casa dos trilhões de Reais ostentando um nível de desemprego incompatível com sua grandeza. Daí, a gente começa a se perguntar o porquê de não termos um desenvolvimento econômico sustentável e não ser um líder mundial. Eu era aluno do ensino fundamental nos idos dos anos 1970 e já ouvia dizer que o Brasil era um país em desenvolvimento e 50 anos depois, ainda se diz que somos um país em desenvolvimento. Existem determinantes do desenvolvimento econômico e é bom dizer, desde já, que desenvolvimento econômico é um conceito mais amplo do que crescimento econômico. Um país pode crescer, mas só se desenvolve quando o crescimento econômico se reveste em qualidade de vida.

Alguns fatores são básicos para o crescimento. Robert Solow, por exemplo, mostrou em 1956 que o crescimento depende da taxa de crescimento da tecnologia. A Curva de Possibilidade de Produção (CPP) só se desloca com o aumento da tecnologia. Observe o gráfico abaixo onde se tem uma economia produzindo peixes e ananás.

Os pontos A e B estão sobre a fronteira e representam viabilidade técnica. No ponto A se produz mais ananás do que peixe e no ponto B, tem-se mais peixe do que ananás. Nestes pontos a capacidade técnica está plenamente utilizada. No ponto D a economia desperdiça seus recursos de produção. É um ponto de ineficiência e o ponto C é, tecnicamente, inviável, ou seja, o nível de tecnologia disponível não é capaz de fazer a CPP passar pelo ponto C. Isso só é possível se houver mudança tecnológica. É o que fazem os japoneses que com terras cultiváveis infinitamente menores do que as nossas, possuem um nível de produção agrícola melhor do que o nosso.

O problema é que tecnologia requer conhecimento ou educação de qualidade. Pronto. Esbarramos aqui. O Brasil ocupa as últimas posições no exame do PISA que é aplicado pelo OCDE para mensurar o grau da educação de um país. Dentre 72 países que participaram, o Brasil ficou em 69º em Matemática e Leitura. A gente utiliza um modelo educacional que, nitidamente, está errado e a gente insiste na sua manutenção. Independente do grau de escolaridade, estamos transmitindo um conhecimento que não se aplica na prática e com isso criando analfabetos funcionais. Já falei aqui no passado: criaram uma disciplina, na UFABC, chamada Afroetnomatemática que traz conteúdos que não agrega valor a quem vai procurar um emprego.

Tal como a Roma Antiga, este país sofre pela sanha dos canalhas corruptos que enriqueceram, ilicitamente, com recursos públicos. Gostaria muito que aparecesse aqui uma revendedora de Avon capaz de ter formado, basta 10%, da fortuna de Marisa Letícia. O programa base para essa gente é essa tônica do pão e circo. Dá-se o Programa Bolsa Família (pão) e estádios caríssimos, todos eles concluídos com verbas acima do que foram orçados, para a Copa do Mundo (circo). Faz-se o Carnaval (circo) e põe-se Paola Oliveira nua, com um tapa sexo minúsculo, para que a imagem de país do carnaval, do futebol e do sexo fácil seja vendida no exterior. Eu não dou a mínima para a nudez de Paola e de tantas outras! O que e incomoda é o patrocínio da prefeitura porque isso é dinheiro público.

O Brasil erra, e feio, quando prioriza a transferência de renda e não a produção como alavanca do crescimento econômico. Mas, as transferências representam votos no futuro porque quem recebe agradece e tem medo de perder. Não importa o caráter do candidato, mas o que ele está prometendo fazer. Em um país sério, Lula não estaria fora da cadeia e seria a cumprir pena. Só isso. José Maria Marin, ex-presidente da CBF foi preso nos Estados Unidos por corrupção e teve que devolver a Conmebol e a CBF R$ 519 milhões. Daniel Alves está preso na Espanha acusado de estrupo. Está na cadeia aguardando julgamento que pode demorar um ano. Está na cadeia. Pronto. Robinho foi condenado a 9 anos por estupro e está solto … no Brasil.

Eu tenho minhas dúvidas sobre o encaminhamento desse país. Nunca sairemos da condição de país em desenvolvimento. Pegue os egressos do ensino superior e veja se o conhecimento transmitido vai fazer diferença no mercado. Não vai. As empresas estão interessadas em pessoas que sejam capazes de resolver seus problemas. Isso me faz lembrar um professor de Economia Regional que tive. Primeira aula ele disse: “Duas coisas que eu detesto: dar aula e corrigir provas”. Eu perguntei o que ele estava fazendo ali e a resposta foi que tinha feito uma opção errada. As provas eram as mesmas questões aplicadas em semestres anteriores. Perdi meu interesse por regional, mas não pela economia e esse é um dos grandes incentivos que tenho para fazer diferente.

Minha principal dúvida é saber se seremos capazes de mudar a educação dos jovens e crianças. Aqui eu considero educação incluindo um posicionamento político sério, probo. Como busco ser racional, acho que nunca chegaremos a esse nível porque os jovens e crianças estão recebendo educação de quem é se coaduna com a corrupção ou com a políticos do panis et circenses. Uma criança começa ter suas raízes fincadas dentro de casa e se os pais são lenientes, dificilmente ela terá como se opor a tudo isso.

Fomos Obrigados Demonstrar Amizades Sem Esperanças, Basicamente Reduzidos A Simples Imbecis Lulistas. É assim que lhe querem.

DEU NO X

DEU NO X

DEU NO X

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

MAS QUEM NÃO E?

Para Jesus de Ritinha de Miúdo, colunista do JBF

Etevaldo Guaiamum, cachacista sem remissão, amigo dos mais fiéis do suco de cana, sócio benfeitor do sindicato da gozação, era discípulo fiel da filosofia do Tavares quando o negócio era mulher. Mas, nos últimos tempos vivia um dilema familiar que o deixava tristento e todo cacarejoso quando encontrava os amigos de copo no covil, digo, no bar do Portuga.

Casara bem jovem com a Jupira. As más línguas diziam que o casamento foi a contragosto, já que a dita senhora, desde cedo era uma cruza do Mike Tyson com o Vampeta, e, para completar o pacote tinha um espírito de sargento de cavalaria reformado. Gritona, mandonista, com uma piassava no cocruto que a deixava mais rabugenta.

Filhos? Tivera dois. O Juninho, ou seja, Etevaldo Junior, rapaz delicado, mimoso, sensível e emocional, daquele tipo de rapaz que a galera, um pouco menos cínica chamava de “amaneirado”, e os pouquinhos mais desbocados, de viado mesmo. Cecília, a filha, era o justo contrário do Juninho. A moça puxava ferro, dirigia bitrem e, de vez em quando, coçava certa parte da anatomia existente na sua anatomia que era de faltante, naquele corpo super esculpido que emparelhava com o corpo de um estivador.

De cachaça em cachaça, o que mais alucinava Etevaldo Guaiamum era rabo de saia. Era só ver um pé de rabo, principalmente o de moça militante em casa semvergonhista que Etevaldo ficava todo ensabonetado, mexia nos cabelos, embonecrava sua pessoa para melhor figurinagem fazer.

Ocupação perigosa era essa vida dupla, já que a mulher, pratrasmente de uns cinco anos deu para arapongar o marido pelas vielas da cidade com um porrete de guatambu nas mãos. Por qualquer coisa, ou menasmente que isso o porrete cantava em seu costado. Mulher do cão era aquela.

Átila, com certeza seria mais compreensível e piedoso. Aquilo não era mulher. Aquilo era uma tapera abandonada e malassombrada na beira da estrada. Mas, ninguém podia dizer que Etevaldo não tinha culpa no cartório. E, também, não se corrigia. O domingo de Nosso Senhor, quando Etevaldo cruzava assunto de cachaça com mulher, a desgraça era certeira. A vantagem, porém, era que Etevaldo podia ser chamado de tudo, menos de corno. Aliás, para Etevaldo ser corno, o guampista profissional, ou amador teria que estar, ou isolado, por uns vinte anos em uma ilha deserta, ou com meia dúzia de porcas faltando no quengo.

Etevaldo, porém, era mestre na arte da guamparia. Dizia, estufando o peito que só não saía com sapo porque não conseguia identificar a fêmea. A mulher, bem que sabia das safadagens do marido, descia o braço nele, mas relevava. Uns diziam que era amor, outros que a coisa era ordem unida mesmo que mantinha a santa paz em seu lar. Mas, sempre há um porém, e a canalhice de Etevaldo sempre o colocava em rota de colisão com o cracajá de pente que ele chamava de esposa.

Deu-se que, naquele domingo calorento, Etevaldo na roda dos amigos cachacistas, com uma loirinha jeitosa, dessas que se pergunta se o valor era pela hora, ou pelo turno, sentada em seu colo e bebericando no copo do sujeito, foi flagrado pela mulher. Ah, Irineu, a dona dele nem esperou chegar em casa para o pau cantar. A roda de amantes de canavial se desfez na hora, a loirinha evaporou no ar. Quem passava no de longe, pensava que era briga de cachorro tanto os uivos que se ouvia.

– Velho bola murcha, cachorro, safado, canalha, patife. E o festival de palavrão era seguido por uma saraivada de cachações e bolachas.

– Fica se engraçando com qualquer puta, enchendo a cara e eu tenho que agüentar bodum de cachaça. E tome-se outro safanão.

– Hoje eu lhe arranco a pele e salgo seu couro, fi de rapariga. E, tome-lhe outro safanão.

A turma do deixa-disso, bem que tentou, mas do jeito que a Jupira rosnou para o bando, era melhor deixar quieto. Aquilo ali era o Sete Couros encarnado na mulher. E, com medo do tamanho da borduna que a mulher fazia assobiar nas mãos, mais raiventa que um ninho de caninanas em noite de lua cheia, baixaram o cangote e cada um foi para sua casa.

O portuga, que tudo assistia no detrás do balcão, só balangava a cabeça, já estimando o prejuízo em cachaça não contabilizada e nas trapizongas de sua bodega que a mulher do Etevaldo quebrara na força do porrete.

Terminado o show de bolachas, o portuga, vendo a mulher puxando o marido para casa, com a cara mais avariada que aqueles antigos carros da PM, ainda tentou questionar o Etevaldo os motivos daquela penitência sabendo do pitbull que tinha em casa.

– Ora, seu Manoel…. a vida é assim…. precisa ser aproveitada, além do mais eu sou…. mas quem não é?

DEU NO JORNAL

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

OS CARROSSÉIS DA NOSSA VIDA

O carrossel dos cavalinhos

O carnaval passou. Acabou. Agora, só no ano que vem.

O que está por vir é a Semana Santa – dias em que os hipócritas fingem “guardar tradições” – sem se darem conta que Deus não dorme, nem é cego.

É bom entender o significado da palavra “justo”.

O que não passou, tampouco diminuiu foi a mistura da alegria de ter tido uma infância saudável, obedecendo aos pais que, até então, arbitravam as vidas dos filhos. Diferente dos dias atuais, tempos em que os reclamantes estão sentados nos sofás das salas e os destinos dos rebentos estão entregues aos Conselheiros Tutelares. Quase todos de procedência e orientação duvidosas.

Ei, pera aí!

Eu não vou conseguir consertar o mundo, nem a vida de ninguém. Assim, melhor reviver os bons tempos das noites ingênuas vividas nos parques de diversões – que os pais levavam seus filhos como “premiação” pelo bom comportamento em casa, ou, pelas boas notas conquistadas nos bancos escolares.

Os carrinhos bate-bate que dispensavam habilitação

Quando não existiam os “play-grounds” da vida, e sequer se sonhava na construção desenfreada dos shoppings centers, os pais levavam os filhos aos parques. Aos parques de diversões montados sempre nas áreas das igrejas católicas, onde os festejos em homenagem aos padroeiros aconteciam uma vez por ano.

Fora disso, sobravam os parques botânicos com seus zoológicos, com animais então desconhecidos da maioria dos visitantes; e as vesperais dos circos que, temporariamente, se instalavam nas cidades.

Nos festejos religiosos, o que merecia preferência da meninada eram o carrossel, a roda gigante, o carrinho bate-bate, e os barcos de balanços. Nos fins de semana, filas enormes se formavam na compra de fichas que garantiam o acesso a esses brinquedos.

E a gente brincava!

E a gente se alegrava!

E a gente se divertia, como se não houvesse o amanhã para voltarmos aos bancos escolares.

A gente era feliz, e era esse o laço que nos unia mais aos nossos pais. Diferente de hoje, tempo em que os pais estão “sempre ocupados” – sentados, bebendo cervejas em rodas de amigos.

Não há tempo disponível para os filhos.

RESUMO: Crianças (meninos e meninas) “homossexualizadas” permissíveis ao consumo de drogas, rebeldes, que nos permitem o atrevimento de culparmos as escolas (quando sabemos que isso tudo é parte da educação familiar – e isso só pode acontecer nos lares) e os governantes.

Precisamos ter coragem de assumir nossas culpas.

Nós falhamos!

Construímos nossas casas com muros altos, enchemos de câmeras, gradeamos, transformamos nossas residências em verdadeiras fortalezas com ares de “Guantânamo”, mas, quando temos direito de exercer nossa cidadania para mudarmos tudo, votamos no 13!