CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO X

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

PROEZAS

Este colunista e uma de suas proezas: o Rondon da Amazônia!

* * *

Tu não sabes meia-missa
Das proezas que eu já fiz.

Mote de Hélio Crisanto

Tem cabra que diz que sou
Parente de Zé Limeira,
Gosto de falar besteira
Como Limeira falou.
Pergunte quem ministrou
Aula de canto a Elis?
Vá lá na Barsa que diz
Que foi minha essa premissa.
Tu não sabes meia-missa
Das proezas que eu já fiz.

Fui o primeiro instrutor
Do bravo Antônio Silvino,
Obriguei a Virgulino
Beijar a mão dum pastor.
“Festa do Interior”
Compus para Seu Luiz,
Gal gravou, mas eu não quis
Que lançassem na Suiça.
Tu não sabes meia-missa
Das proezas que eu já fiz.

Fui soldado da Volante
Do Tenente Zé Rufino,
Dei combate a Jesuíno
Em Gonçalo do Amarante.
Fui numa marcha vibrante
De Altinho até Paris,
Recebi trinta rubis
Do Ministro da Justiça.
Tu não sabes meia-missa
Das proezas que eu já fiz.

DEU NO X

DEU NO X

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

SONHO E REALIDADE

Eu me deixei escondido
Numa esquina da rua,
Te vi sob a luz da lua
Sem por ti ser percebido.
O teu vestido comprido
De um tecido encarnado
No teu corpinho colado
Prendeu mais minha visão
Me fez perder a razão
No singular rebolado.

Meu olhar admirado
Te acompanhou na calçada
Com minha vista vidrada
Em cada passo, teu, dado.
Para ficar complicado
Chegou-me a inspiração
Atiçou meu coração
Por toda beleza tua
De vermelho, sob a lua,
E ante a minha visão.

Se isso tudo é paixão
Não divulgada, vivida,
Se sempre correspondida
Eu não sei te dizer não.
Só sei que perco a razão
Quando te vejo passando
Na realidade, ou sonhando,
Em teu vestido encarnado
De longe teu rebolado,
Segue assim me inspirando.

E eu sigo preso em ti.

DEU NO X

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Barbara Heliodora II

Heliodora Carneiro de Mendonça nasceu em 29/8/1923, no Rio de Janeiro, RJ. Professora, escritora, tradutora e renomada crítica de teatro, conhecida como Barbara Heliodora, nome adotado em homenagem à inconfidente e esposa do poeta Alvarenga Peixoto. Era temida pelos atores e diretores teatrais, devido ao seu profundo conhecimento desta arte e ao rigor analítico. Foi uma autoridade na obra de Shakespeare, tradução de mais de 30 de suas peças.

Filha de dois destacados intelectuais: A poeta Ana Amélia Mendonça e o historiador Marcos Carneiro de Mendonça. Aos 12 anos ganhou da mãe um volume das obras completas de Shakespeare, que a acompanhou durante toda sua vida. Costumava dizer que o “Bardo inglês” foi um grande bom amigo ao longo dos anos. Aos 16 anos foi morar nos EUA para estudar literatura inglesa e se formou no Connecticut College. De volta ao Brasil, manteve contato com o grupo de teatro O Tablado, onde os amigos vendo sua paixão pela arte, insistiram para que escrevesse sobre o assunto.

Iniciou como crítica teatral do jornal Tribuna da Imprensa, em 1958. Durante 6 anos comandou uma coluna no Jornal do Brasil (1958-1964), onde promoveu uma modernização na crítica teatral, através do Círculo Independente de Críticos Teatrais. Em seguida assumiu a direção do SNT-Serviço Nacional de Teatro, permanecendo no cargo até 1967, imprimindo um sentido cultural e educativo às suas atividades, rompendo com algumas práticas desde a sua criação em 1936. Não obstante o regime imposto pela ditadura militar em 1964, ela pode manifestar em diversas ocasiões seu posicionamento contra sobre qualquer tipo de censura.

Atuou como professora de história do teatro no Conservatório Nacional de Teatro e foi professora titular do Centro de Letras e Artes da Uni-Rio-Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, onde permaneceu até aposentar-se em 1985. Pouco depois ministrou cursos de pós-graduação na USP-Universidade de São Paulo, onde defendeu a tese A expressão dramática do homem político em Shakespeare, em 1975. Mais tarde voltou a exercer a crítica na revista Visão e a lecionar no curso de mestrado na Uni-Rio. Na condição de “polemista inveterada”, publicou diversos artigos nos jornais O Globo e O Estado de São Paulo, na década de 1990.

Deixou publicado algumas relevantes obras: Algumas Reflexões sobre o Teatro Brasileiro (1972), A expressão dramática do homem político em Shakespeare (1978); O teatro barroco (1982); Falando de Shakespeare (1997); Martins Pena: uma introdução (2000); Reflexões shakespearianas (2004); Por que ler Shakespeare (2007) e Caminhos do teatro ocidental (2013). Apaixonada pela obra de Shakespeare, voltou a insistir na importância do autor, no intuito de convencer os leitores, e publicou seu último livro em 2014: Shakespeare: o que as peças contam – Tudo o que você precisa saber para descobrir e amar a obra do maior dramaturgo de todos os tempos.

Foi uma frequentadora assídua do teatro e costumava sentar-se sempre nas primeiras filas para observar melhor o desempenho dos atores. Numa entrevista, pela TV em 2013, disse que já tinha visto mais de 3.500 espetáculos. Para ela “O teatro é um documentário perfeito da história do ocidente. Você lendo as peças vai acompanhar o desenvolvimento do ocidente exatamente. Os autores teatrais acabam refletindo exatamente a história toda”.

No ano seguinte saiu de cena e veio a falecer em 10/4/2015, aos 91 anos. Foi condecorada pelo Ministério da Cultura da França com a “Ordre des Arts e des Lettres” e recebeu a medalha João Ribeiro da Academia Brasileira de Letras. Segundo a pesquisadora Maria Inês Barros de Almeida, há um paradoxo em seu perfil provocado no panorama teatral. Enquanto alguns diretores e autores enxergavam nela uma pessoa rigorosa e durona, “a sua fama como colunista de jornal… a que se dedica com igual intensidade. Estou me referindo à comunicação direta com o público… convivendo com grande número de pessoas e atendendo-lhes à curiosidade e ao desejo de saber. É aí que aparece a Barbara mestra, madrinha dadivosa, flexível, exuberante, que conquista os espíritos e as mentes.

DEU NO JORNAL

FRACO DE MEMÓRIA

O TSE não vai investigar a doação do novo juiz da Lava Jato à campanha de Lula.

Foi o PT que registrou a doação no TSE em sua prestação de contas.

O juiz Eduardo Appio não se lembra da doação.

* * *

O “não” que está na primeira linha da notícia aí de cima já diz tudo:

O TSE não vai investigar a doação

TSE é aquele comandado por Xandão.

Nem precisa investigar, num é mesmo, TSE??

Uma insignificância, uma ninharia a doação feita pelo isento senhor juiz.

Apenas 13 reais, conforme foi noticiado aqui no JBF.

Esse valor, 13, foi uma mera coincidência.

Assim como é mera coincidência a numeração do órgão onde o nobre magistrado trabalha, a 13ª Vara Federal de Curitiba.

Bom, o fato é o seguinte:

Chega faz pena: um dotô tão jovem e que já perdeu a memória.

Num se alembra-se da doação que fez pra campanha de Lula, aquele que foi supremamente descondenado e, por conta disso, voltou a ser presidente de Banânia.

Já dei ordem a Chupicleide, nossa secretária de redação, determinando que ela envie para o isento magistrado, símbolo perfeito da justiça brasileira da atualidade, uma caixa de Memoriol, medicamento muito eficiente, 

Espero que a entrega seja feita em tempo rápido, para evitar outros esquecimentos do dotô.

DEU NO JORNAL

O TOTALITARISMO DISFARÇADO DE COMBATE À INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Editorial Gazeta do Povo

Padre

Propagar a própria religião e estimular os demais a aderir a ela é direito básico garantido pela liberdade religiosa, mas para o governo da Bahia é “discurso de ódio” e “crime”

Na eleição presidencial de 2022, um dos tabus estabelecidos pela Justiça Eleitoral foi a aliança entre o petista Lula e o ditador nicaraguense Daniel Ortega, uma amizade tão notória que nenhum dos lados fazia questão de esconder. Em seu país, Ortega praticamente destruiu as liberdades de expressão, de imprensa e religiosa, sem que se ouvisse um pio de seus amigos brasileiros. O temor de que Lula chegue no Brasil aos extremos impostos por Ortega aos nicaraguenses – como a recente condenação do bispo Rolando Álvarez a 26 anos de prisão – pode até ser infundado, mas, como lembrou meses atrás o colunista da Gazeta do Povo Flávio Gordon, nenhum regime adversário da liberdade religiosa sai fechando igrejas de imediato; as restrições mais severas são apenas o ponto culminante de todo um processo que se inicia com uma perseguição “não violenta”, que passa por fases como a ridicularização da crença e o assédio administrativo, burocrático e judicial.

Um exemplo desse tipo de ataque que, por trás da sutileza e de supostas boas intenções, esconde uma violação escancarada da laicidade estatal acaba de vir do governo da Bahia, estado governado pelo PT desde 2007. Em publicação no Instagram, o governo estadual e a Secretaria de Estado da Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi) listaram uma série de “frases e comentários carregados de ódio” que “são crimes, de acordo com o Código Penal Brasileiro”. Entre essas frases estão “Você precisa encontrar Jesus”, “Isso lá é religião?”, “Macumba é coisa do satanás” e “É de gesso, não vai te ouvir”. Cada exemplo é acompanhado de explicações didáticas como “Não é só Jesus. O princípio básico de todas as religiões é o amor, o que basta é encontrar aquela que te faz bem e que eleve a espiritualidade e o afeto entre as pessoas”, ou “Não temos o direito de criticar ou julgar”, ou ainda “Todas as doutrinas promovem bons sentimentos e afeto”.

Em outras palavras, sob o pretexto de combater a intolerância religiosa, o governo da Bahia está simplesmente assumindo o papel de catequista, teólogo ou líder religioso, dizendo o que cada um deve buscar em uma religião, o que é ou não verdade em termos de fé, o que um fiel pode ou não pode dizer ou discutir… já temos aí uma ofensa explícita à laicidade estatal, pela qual o poder político não se intromete, de forma alguma, na esfera religiosa. Mas, ao tomar para si o papel de determinar comportamentos e “verdades” de cunho religioso, o governo da Bahia vai muito além de simplesmente jogar no lixo a laicidade: ele se porta como autêntico totalitarismo. Pois, se um regime autoritário muitas vezes se limita a exercer com mão de ferro o poder político, o regime totalitário se imiscui em todas as esferas da vida humana, como a religião, determinando que crenças são aceitáveis e em que termos alguém pode viver sua fé. Foi assim que a União Soviética, por exemplo, perseguiu as igrejas e estabeleceu o ateísmo de Estado; a China prefere estabelecer versões “estatais” de religiões como o catolicismo, caçando e prendendo os que não aderem a essas entidades controladas pelo Partido Comunista.

O jornalista Guilherme de Carvalho, ao analisar a campanha do governo baiano, ressaltou alguns dos aspectos mais sórdidos da iniciativa, como a criminalização da atividade evangelizadora, que está na essência de praticamente todas as religiões. Afinal, é natural que quem creia em algo e esteja convencido de ter encontrado a verdade queira propagá-la aos demais. Para os cristãos, evangelizar é justamente dizer a outros que eles “precisam encontrar Jesus” e, como afirma Carvalho, desejar que os outros também tomem conhecimento da verdade é uma atitude que demonstra grande consideração para com o próximo, desde que não se recorra à coerção – este era um dos temas do tão famoso quanto distorcido discurso de Bento XVI na Universidade de Ratisbona, em 2006. Mas o direito de difundir a própria fé, parte indispensável da liberdade religiosa, é transformado pelo governo da Bahia em “discurso de ódio” e crime (obviamente, a campanha não se presta a informar em qual artigo do Código Penal alguém que está divulgando sua fé seria enquadrado, até porque não existe tal situação na lei penal), quando na verdade a intolerância está em impedir uma pessoa de levar aos demais aquilo que ela considera ser a verdade sobre algumas das questões mais fundamentais da existência humana.

E quanto às demais frases? Elas refletem apenas o outro lado do mesmo direito: o de submeter suas convicções religiosas ao “mercado de ideias”. Como lembrou Guilherme de Carvalho ao comentar a campanha baiana, há uma via de mão dupla: todos têm o direito tanto de propagar sua fé quanto de criticar a crença alheia – e precisam estar dispostos a ouvir críticas à própria religião. “Os instrumentos internacionais deixam claro que as crenças religiosas podem ser escrutinizadas e contestadas no debate religioso e filosófico público, desde que as pessoas não sejam estereotipadas e que a violência não seja estimulada”, afirma, mostrando qual é o limite que não deve ser ultrapassado quando se trata de discutir religião. Por mais que muitos dos que creem em Deus possam se incomodar ao ver sua crença ou sua divindade chamada de “delírio”, a ninguém ocorreria, por exemplo, pedir a censura do famoso livro de Richard Dawkins com esse título – mas é justamente o que faz o governo da Bahia ao afirmar que determinadas expressões de desaprovação a crenças e rituais são “crime de ódio”. A vedação estatal à crítica às crenças e práticas religiosas alheias, portanto, é tão violadora da liberdade religiosa quanto a vedação à defesa pública das próprias crenças e práticas religiosas.

Qualquer pessoa imbuída de bom senso e, ao mesmo tempo, de um profundo respeito pelos adeptos de todas as religiões (ou de religião nenhuma) terá enorme dificuldade para compreender onde estão o “ódio” e o “crime” nas afirmações que o governo baiano qualifica como tais, mas saberá identificar de imediato a estratégia de classificar como “discurso de ódio” qualquer afirmação que se pretenda banir da esfera pública, como é o caso de alguns ditos “progressistas” em relação ao discurso religioso. Assim como a cartilha de “expressões racistas” do TSE que recorria a uma etimologia de botequim, a lista de “frases e comentários carregados de ódio” do governo baiano é uma tentativa canhestra de controlar a população por meio da linguagem – neste caso, ainda por cima, anulando uma liberdade relacionada a um aspecto fundamental da experiência humana. Como afirmou Carvalho, sob o pretexto do combate à intolerância religiosa, é o governo da Bahia que comete intolerância religiosa ao se portar como validador do discurso religioso e pretender determinar como alguém deve exercer sua fé. Como dissemos, um totalitarismo que por ora se manifesta de modo sutil, mas que, se não é contido, mais cedo ou mais tarde trocará a saudável laicidade estabelecida na Constituição de 1988 pelo laicismo antirreligioso que se transforma em perseguição ostensiva.