
Luciano Trigo

O novo governo completou ontem 40 dias, desfazendo mais que fazendo e assustando mais que conciliando. Por uma dessas associações malucas, me veio à cabeça que Noé passou 40 dias sem esmorecer em sua famosa arca, durante o dilúvio, até encontrar um sinal de terra firme. Segundo o “Gênesis”, Deus falou: “Porque (…) farei chover sobre a terra 40 dias e 40 noites; e desfarei de sobre a face da terra toda a substância que fiz.”
Curiosamente, esta não é a única ocasião em que o número 40 aparece na Bíblia, sempre em um contexto de provação ou aflição, em períodos em que Deus testa o homem, principalmente no Antigo Testamento. Ao todo, o número 40 é mencionado 142 vezes nas Escrituras.
Moisés passou 40 dias no Monte Sinai, onde recebeu os mandamentos de Deus talhados em tábuas de pedra (“Êxodo”). Espiões israelitas passaram 40 dias espionando Canaã, na terra prometida (“Números”). Golias espezinhou o exército de Saul por 40 dias, até que Davi aparecesse para desafiar o gigante e matá-lo (“Samuel”).
Já segundo o Deuteronômio, outro livro do Antigo Testamento, 40 era o número máximo de chicotadas que um homem poderia receber como punição para um crime. E, quando, Elias fugiu de Jezebel, jejuou durante 40 dias, até chegar ao Monte Horebe (“Reis”).
O número 40 também aparece nas profecias de Ezequiel e Jonas. Por fim, no Novo Testamento, Jesus Cristo resistiu à tentação do Diabo durante 40 dias e 40 noites (“Mateus”). E 40 dias se passaram entre a ressurreição de Jesus e a sua ascensão (“Atos”).
Mas, quando se fala em 40 dias no contexto da Bíblia, o primeiro personagem que vem a cabeça é mesmo Noé. Quando Deus, diante da corrupção dos homens e da maldade que eles espalharam, se arrependeu da sua criação e decidiu provocar uma inundação que cobriria a Terra, por algum motivo ele decidiu poupar Noé e sua família, além de orientá-lo sobre a construção da arca, para um recomeço.
Infelizmente, o dilúvio que se abate sobre o Brasil promete durar bem mais de 40 dias, mas, de uma forma ou de outra, um dia ele vai acabar – talvez antes do que se imagina, talvez depois. Em todo caso, a mensagem de Noé para os brasileiros aflitos com o tempo ruim é: não desanimem.
Na travessia deste dilúvio tropical, cada brasileiro precisa ter o senso de justiça, a paciência e a resiliência de Noé, pelo tempo que for necessário. É preciso acreditar que alguma hora vai aparecer uma pomba com uma folha de oliveira no bico. Ainda que o Brasil esteja hoje com mais cara de Titanic que de arca de Noé.

A grande dupla de poetas repentistas Ivanildo Vilanova e Valdir Teles (1956-2020)
* * *
Valdir Teles e Ivanildo Vilanova glosando o mote:
Não conheço esquerdista que não mude,
quando pega nas rédeas do poder.
Valdir Teles
Logo após ser eleito está mudado,
cada um tem direito a secretária,
segurança, assessor, estagiária,
gabinete com ar condicionado,
vai lembrar-se do proletariado,
com favela e cortiço pra viver,
ou será que não vai se aborrecer,
com esgoto, favela, lodo e grude.
Não conheço esquerdista que não mude,
quando pega nas rédeas do poder.
Ivanildo Vilanova
Pode ser um sujeito agitador,
boia-fria, sem terra, piqueteiro,
camarada, comuna, companheiro,
se um dia tornar-se senador,
vindo até se eleger governador,
qual será o seu novo proceder,
vai mudar, vai mentir ou vai manter
as promessas que fez de forma rude.
Não conheço esquerdista que não mude,
quando pega nas rédeas do poder.
Valdir Teles
No período que um adolescente,
quer mudar o planeta e o país,
através dos arroubos juvenis,
vira líder, orador e dirigente,
mas se um dia ele sair presidente,
o que foi nunca mais poderá ser,
aí diz que o remédio é esquecer
as loucuras que fez na juventude.
Não conheço esquerdista que não mude,
quando pega nas rédeas do poder.
Ivanildo Vilanova
Todo jovem, a princípio é sectário,
atuante, grevista, condutor,
antagônico, exaltado, pregador,
um perfeito revolucionário,
cresce, casa e se torna secretário,
veja aí o que trata de fazer,
leva logo a família a conhecer
Disneylândia, Washington e Hollywood.
Não conheço esquerdista que não mude,
quando pega nas rédeas do poder.
Valdir Teles
Quem vivia de luta e de vigília,
invasão, pichamento e barricada,
através disso aí fez a escada,
pra chegar aos tapetes de Brasília,
vai pensar no progresso da família,
no que faz pra do posto não descer,
nunca falta quem queira se vender,
sempre acha covarde que lhe ajude.
Não conheço esquerdista que não mude,
quando pega nas rédeas do poder.
* * *
DISCUSSÃO DE JOÃO FORMIGA COM FRANCISCO PARAFUSO – Severino Borges da Silva

Estava João Formiga
Versejando alegremente
Nas terras do Ceará
Quando chegou de repente
Um cantor do Mato Grosso
Quase tonto de aguardente
Chegou na sala e saudou
A todo o povo primeiro
E disse a João Formiga:
– Vá sabendo cavalheiro
Sou Francisco Parafuso
Dou certo em todo tempero
O dono da casa disse:
– Pois então, meu camarada
Você canta com Formiga
Uma discussão pesada
Se ganhar leva o dinheiro
Se perder não leva nada
– Porém eu vou dar um tema
Com estilos naturais
Para Formiga dizer
Com bases fundamentais
Sem errar nem dar um tombo
Nem bebo, nem fumo mais
E Parafuso responde
Para se ouvir e ver
Defendendo a aguardente
Durante enquanto viver
E dizer no fim do verso
Bebo e fumo até morrer
Formiga
Meu amigo Parafuso
Agora vou lhe dizer
Deus me livre de beber
Fumar eu também não uso
Do fumo eu tomei abuso
Porque nada bom não traz
Pois quando eu era rapaz
Quase o fumo me liquida
Enquanto Deus der-me vida
Nem bebo, nem fumo mais
Parafuso
Você é um inocente
Fumar é uma beleza
O fumo tira a tristeza
Fica a pessoa contente
O suco da aguardente
Ao homem dá bom prazer
Portanto posso dizer
Com pensamento profundo
Enquanto eu viver no mundo
Bebo e fumo até morrer
Em um pequeno povoado, moravam Bento, palhaço do seu próprio circo, e uma neta de dez anos, Ritinha, orfã de pai e mãe.
O Circo de Bento era pobre, mas teve sempre boa afluência. Todos os números eram muito aplaudidos. Mas, com o tempo, a imaginação e os poucos recursos do palhaço foram minguando, e ele, aos poucos, foi se convencendo de que o circo iria se acabar.
O pobre palhaço, como não tinha aprendido outra coisa a não ser fazer piruetas e dar cambalhotas, se viu fracassado.
O pouco que ganhava mal dava para a alimentação dele e da neta. Privava-se de muita coisa, para esconder da menina a dificuldade por que estava passando. Mas, não lhe era possível esconder mais. E numa tarde de domingo, quando se esforçava para fazer rir os espectadores, caiu de bruços, pesadamente, no palco, desfalecido pela fome e pelo cansaço.
E o mais triste é que o público desatou a rir, diante da posição grotesca do infeliz, sem imaginar que o palhaço houvesse desmaiado de fome. Só quando viram que ele não se mexia é que começaram a ficar sérios. Mas quem mais se assustou foi Ritinha, sua neta, que saiu correndo em seu auxílio.
Assim, o palhaço viu-se obrigado a contar à menina que a sua profissão não rendia o bastante para sustentá-los. E, nessa situação, só via uma saída: Procurar a madrinha dela, que vivia em boas condições, e pedir que a acolhesse.
Ritinha não aceitou a ideia de se separar do avô. Depois de ouvi-lo com calma, disse-lhe:
– Vamos continuar juntos. Se o seu trabalho já não agrada no Circo, procuraremos outro.
– Mas eu não sei fazer outra coisa, Ritinha.- disse ele com os olhos cheios d’água.
– Podemos variar o espetáculo. Eu vou dizer como: O sábio Tristão pode lhe ajudar. Ele é seu amigo e gosta do senhor..
– Mas, o Tristão não passa de um mágico ruim…Não poderá fazer nada por nós.
É capaz de nos receber e tratar-nos como a qualquer um dos seus animais!
Ao ouvir a última palavra, Ritinha deu um grito de alegria e disse:
– Os animais!!! Isso mesmo!!! – Se ele nos emprestar um dos seus maravilhosos sapos, estaremos salvos. Faz-se o que se quer com eles. São ensinados!…
Satisfeito com a ideia da neta, Bento pensou um instante que, se o sábio quisesse ceder um dos seus animais, tudo estaria resolvido. E, em seguida, os dois foram à casa do velho Tristão, a quem Bento contou toda a sua história.
O sábio, depois de ouvi-lo sem dar muita atenção, falou:
– Estás certo de que só desejas ganhar para o teu sustento e o da menina?
– Nada mais desejo! – respondeu o palhaço. E se me impões alguma condição para limitar o meu pedido, estou pronto a atendê-lo.
– Para que? Tua própria conduta será uma garantia. Segue-me.
E em companhia de Bento e Ritinha, foi o sábio até uma espécie de gruta sombria, onde inúmeros sapos pularam satisfeitos, ao vê-lo.
O homem olhou-os um momento e depois fez sinal a um deles para que se aproximasse. O sapo, o maior de todos, era barbado e da cor de ouro. Avançou obediente e parou aos seus pés. Então, Tristão falou calmamente e logo conseguiu o que desejava:
– Este senhor é um palhaço que não ganha nem para comer. E penso que se algum de vocês trabalhasse com ele, teria maiores resultados. Por isso achei que você, como o mais velho de todos, poderia ajudá-lo. Mas a minha decisão depende de você. Concorda?
O sapo barbado acenou com a cabeça afirmativamente e escreveu, no chão, com uma das patas, a palavra “Sim”.
Era um sapo muito inteligente..
– Está bem – disse o sábio – e agora mostre o que você sabe fazer. E tirando uma pequena flauta do bolso, começou a tocar.
Ao som da música, o sapo se pôs a dançar, graciosamente. Depois, exibiu diversos números de saltos mortais, andou de cabeça para baixo e equilibrou-se sobre um arame finíssimo. Terminou a exibição, escrevendo com palitos, números romano que lhe foram ditados pelo sábio.
– Maravilhoso! – exclamou o palhaço – Farei uma fortuna com ele!
E, notando o olhar de censura do sábio, retificou: – Perdão. Eu não pensei no que disse. Ficarei satisfeito em ganhar para nos mantermos…
– Não duvido – disse o sábio – mas ainda preciso lhe dizer uma coisa: este sapo só se alimenta com as flores de uma árvore que só há no meu jardim. Todos os dias, você terá que vir buscar uma. E, mais outra coisa: a cada flor que você levar para o sapo, terá que colocar uma moeda em um cofre. Não é um pagamento, pois em qualquer ocasião que desejar, pode vir buscar as moedas. Mas não se esqueça de que o sapo precisa alimentar-se, diariamente, com estas flores.
Sem esperar que o sábio desse ordem para que se retirassem, Bento foi saindo com a neta, levando o extraordinário sapo.
Nessa mesma noite, Bento apresentou ao público o animalzinho e o entusiasmo causado foi tão grande que o palhaço teve logo a certeza de que a sua subsistência e a de Ritinha estavam garantidas.
O sapo tornou-se popular entre a gente da terra, e a cada noite mais o pequeno Circo se enchia. Mas os espectadores eram pobres e a renda arrecadada nas entradas dava apenas para uma vida modesta, e para colocar no cofre, em troca de cada flor, uma moeda.
Um dia, o palhaço, depois de muito pensar, disse a Ritinha que era mais vantajoso irem para uma cidade mais populosa. Depois, não era nada demais desejar-se um pouco de conforto…
A menina disse que não era direito o que ele queria fazer, e lembrou-lhe a dificuldade em apanhar todos os dias, no jardim do sábio, a flor para alimentar o sapo.
– Não te aflijas por isso – respondeu o avô – Ficaremos em uma cidade perto daqui e terei tempo para vir buscar a flor alimentícia.
A mudança deu resultado, mas o palhaço não se satisfez e tempos depois falava assim à neta:
– Há duas léguas daqui, há uma importante cidade. E amanhã mesmo partiremos para lá…
– Mas – retrucou a menina – e as flores? Assim não lhe sobrará tempo para vir buscá-las todos os dias.
– Este assunto já está resolvido. Acabo de comprar um cavalo. Terei tempo de ir e voltar.
E realmente, a ideia do palhaço teria sido boa, se a sua ambição não aumentasse dia a dia. Graças à ligeireza do animal, trazia diariamente a alimentação do sapo.
O palhaço passou, então, a desfrutar de uma vida de luxo e desperdício e como gastava mais do que ganhava, chegou o dia em que teve de mudar, novamente, de cidade, porque as habilidades do sapo já não produziam para os seus gastos.
– O cavalo pode dar mais do que tem dado – pensava ele.
E assim fez. Exigiu do pobre animal, à custa de chicotadas, o dobro do esforço, até que sucedeu que, certa vez, quando voltava com as flores, o cavalo caiu de cansaço. O palhaço ficou muito aflito e se pôs a correr, para ver se conseguia vencer a distância que ainda lhe faltava, para chegar em casa.
Assim que chegou, viu que Ritinha estava muito triste e percebeu que alguma coisa grave tinha acontecido. O sapo tinha morrido por falta do alimento.
Dessa maneira, ficaram em pior situação do que antes.
Bento não tinha coragem de pedir auxílio ao sábio. Mas Ritinha achou que deviam recorrer novamente a ele. Ela tinha certeza de que ele os ajudaria.
E assim aconteceu… Quando Tristão viu Bento chegar muito triste, trazendo
Ritinha pela mão, falou-lhe com ironia:
– Voltaste antes do que eu esperava! Já sabia que não te conformarias em ganhar só para o teu sustento. Mas não te culpo. Não és melhor, nem pior do que os outros. Esta experiência te fará compreender que cada um deve viver com o que tem e se sentir feliz tendo o necessário. Mereces este castigo, mas a menina não tem culpa da tua ambição. Aqui está o cofre. Quando te pedi que, em troca de cada flor que levasses deixasse uma moeda aqui, era porque queria reunir, para Ritinha, uma pequena fortuna, pois tinha certeza de que voltarias a me pedir auxílio. Não tem grande coisa, mas até que a sorte se lembre de ti novamente, dará para os dois.
O palhaço, ao sair da casa de Tristão, reconheceu que a sabedoria do sábio lhe havia dado uma boa lição. E assim, resignado, percebeu que não havia outro remédio se não voltar ao seu primitivo Circo.
E quando voltou foi muito bem sucedido, porque todos já tinham esquecido seus números, suas graças e piruetas e cambalhotas, e o aplaudiram como se fosse a primeira vez que o vissem.
Prezado Papa,
quem tiver cabeça e pescoço não pode deixar de participar do Cabaré do Berto hoje à noite, das 19h30 às 20h30.
Supimpa!
O Dr. Alexandre Bezerra dos Santos, médico renomado com especialidade em cabeça e pescoço, aceitou nosso convite para participar do nosso encontro e olhe que o negócio é tão sério que ele vem acompanhado do pai….
Pois é, o grande Magnovaldo preferiu acompanhar o filho para livrá-lo dos percalços que tem um cabaré.
Mas, o ilustre médico vem falar sobre…. música, essa bela e linda linguagem universal.
Convide o pessoal, espalhe o boato, bote no quadro de avisos do condomínio e vamos nos encontrar por lá.
Para entrar, basta clicar aqui.
Abraços
R. Recado dado, meu nobre gerente cabarelístico.
Será um privilégio conversarmos com uma figura do gabarito de Dr. Alexandre, filho do nosso grande amigo Magnovaldo, colunista do JBF e assíduo participante das nossas reuniões.
Será uma sexta-feira muito especial.
Sete e meia da noite nos encontraremos por lá.
Até mais tarde!!!
Luís Ernesto Lacombe

Lula e jornalistas da imprensa dita “independente e alternativa” (mas que está mais para chapa-branca) em café da manhã, em 7 de fevereiro de 2023
Lula aprendeu com a mãe que a mentira é poderosa. Andou pelo mundo mentindo e recebendo aplausos. Agora, voltou com tudo, escoltado por uma imprensa que também entrou nessa de inventar histórias, de criar narrativas, desprezando os fatos, o mundo real. Há um comportamento sistemático de jornalistas, já faz algum tempo, parecido com o de Lula, “a alma mais honesta do mundo”. Deixaram de ser observadores, curiosos, desconfiados, perderam o senso crítico, desistiram de perguntar, de questionar, de duvidar. As maiores mentiras já não são rebatidas, podem ser apenas ignoradas, ou confusamente atenuadas, editadas de forma militante, recriadas, lançadas como a mais pura verdade aos leitores de manchetes.
Lula e grande parte da imprensa podem chamar quem quiserem de terroristas. Não importa se a lei estabelece que terrorismo é a prática de atos de destruição, por uma ou mais pessoas, motivada por xenofobia, ou qualquer forma de discriminação, de preconceito… Não há referência a questões políticas, ideológicas, mas Lula e seus jornalistas estão autorizados por eles próprios a escolher como classificar os outros. Podem tratar como democratas aqueles que pensam como eles e como terroristas, golpistas, extremistas, nazistas, fascistas e genocidas todos os que pensam de forma diferente. Resolveram dividir a humanidade a partir de critérios insanos, absurdos, risíveis até. Esqueceram que a separação deveria se dar entre os que têm caráter e os que não têm, entre honestos e desonestos, entre a verdade e a mentira.
É um achincalhe, um escárnio, um escracho, quase tudo com o aval da imprensa. São bobagens em série, delírios… A Argentina vai muito bem economicamente? Claro. Uma inflação de quase 100% ao ano só existe mesmo na cabeça dos desatentos, de quem é dado a alucinações, invencionices. Se Alberto Fernández disse, está dito. Ele não veio dos índios, ele não veio da selva, ele veio da Europa, é um ser superior, mas quer uma moeda única com o Brasil e o dinheiro do BNDES… Lula já anunciou que vai derramar recursos do banco em ditaduras de companheiros. O calote contra o Brasil, mesmo tendo começado em 2018, é culpa do Bolsonaro. Sumiram as infectas agências de checagem, não há mais manchetes sobre mentiras presidenciais. Agora, há coisas assim: “Lula acertou sobre BNDES, apesar de ter errado”; “Teve calote, mas BNDES financiar obras em outros países é, sim, bom negócio”.
O impeachment de Dilma Rousseff foi golpe. Michel Temer é golpista. Ele reage com elegância, com argumentos, mas não une seu partido contra as mentiras. Então, um golpe de verdade é chefiado por Lula e apoiado por jornalistas amigos, alinhados ao governo, mas que se tratam como “independentes”. É assim: independentemente da bobagem que Lula engendrar, a turma o apoia. Acabar com a autonomia do Banco Central, com o sistema de metas de inflação, derrubar a taxa de juros por vontade “política”… Falam em exonerar o presidente do BC com a maior tranquilidade. São jornalistas parciais, partidários, passionais, que ignoram todos os lados da história. E eles sabem, sim, que os países com bancos centrais independentes têm taxas de inflação menores, mais estabilidade, mais crescimento, mais desenvolvimento.
Quem será capaz de dizer a verdade, que uma rede de censura não pode ser chamada de “pacotão da democracia”? Quem vai apontar o artigo 220 da Constituição e dizer que um Departamento de Promoção da Liberdade de Expressão é uma piada? Quem vai deixar claro que a democracia não pode ser defendida com agressões à democracia? Certamente, não serão jornalistas que estranham incêndios no Chile na estação de mais calor, secura e vento, que se surpreendem com terremotos na Turquia, com o frio intenso no inverno canadense e o calor avassalador no verão carioca… Não há quase nada que faça sentido nos discursos toscos desses donos da verdade, de Lula e sua turma na imprensa. Não, eles não são seres especiais, superiores, não estão acima dos fatos, acima do bem e do mal. Eles não são infalíveis, não são capazes de educar as pessoas, de melhorar o país, mas sabem mentir como ninguém.
Lula está nisso há muito tempo, desde menino. Volta e meia, finge de forma canastrona uma “metamorfose”, mas é o mesmo líder sindical agressivo, malandro, que só se interessa por ele próprio e por sua turma restrita. Implodiram suas condenações, mas não implodiram sua essência, e ela é horripilante. Não existe o Lula pacificador, “paz e amor”, o Lula da frente ampla, moderado. Quem acreditou no Lula conciliador, apegado ao mundo real, esperava o quê? Que ele defendesse a redemocratização da Venezuela, de Cuba, da Nicarágua? A agenda dele é rancorosa, velha, mofada. Ele é feito de mentiras, trabalha pelas mentiras… E o que dói mais, no fim das contas, é a cumplicidade de uma imprensa que abandonou o que determina a sua existência: o respeito à verdade.