PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

POEMETO ERÓTICO – Manuel Bandeira

Teu corpo claro e perfeito,
– Teu corpo de maravilha,
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha…

Teu corpo é tudo o que cheira…
Rosa… flor de laranjeira…

Teu corpo, branco e macio,
É como um véu de noivado…

Teu corpo é pomo doirado…

Rosal queimado do estio,
Desfalecido em perfume…

Teu corpo é a brasa do lume…

Teu corpo é chama e flameja
Como à tarde os horizontes…

É puro como nas fontes
A água clara que serpeja,
Quem em antigas se derrama…

Volúpia da água e da chama…

A todo o momento o vejo…
Teu corpo… a única ilha
No oceano do meu desejo…

Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira…
Rosa, flor de laranjeira…

Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho, Recife-PE (1886-1968)

DEU NO X

DEU NO JORNAL

O PALANQUE INFINITO

Luciano Trigo

O palanque infinito

Depois de assegurar na campanha que este seria seu último mandato (“eu, se eleito, serei um presidente de um mandato só”, afirmou em outubro), o presidente, com pouco mais de um mês de governo, mudou o discurso e agora cogita disputar a reeleição em 2026 – se houver uma “situação delicada” e se ele estiver bem de saúde,  “com 81 de idade, energia de 40 e tesão de 30″.

É direito do presidente disputar a reeleição, e sonhar não custa nada. Mas trazer o assunto à baila neste momento não parece, digamos assim, ligeiramente precipitado? Até porque janeiro não foi um mês exatamente tranquilo, e não somente pelos acontecimentos lamentáveis do dia 8.

É preciso lembrar que a eleição já passou, e a sociedade está cansada do debate político: agora ela precisa de um pouco de paz e de notícias boas, principalmente na economia.

Infelizmente para o brasileiro comum, notícias boas nessa área ainda não vieram, ao contrário: promessas de campanha, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e o próprio reajuste do salário mínimo para R$ 1.320, já foram descumpridas ou, no mínimo, adiadas.

(No caso da isenção do Imposto de Renda, primeiro alegaram ser impossível fazer neste ano por causa do princípio de anterioridade, mas a justificativa logo caiu por terra – tanto que agora já se cogita a isenção imediata para quem até dois salários mínimos. Ué? a história do princípio da anterioridade era fake news?)

A boa vontade da grande mídia também já não parece a mesma da campanha: denúncias contra ministros começam a se acumular, sem uma resposta enfática por parte do governo.

Não é segredo que a grande mídia tinha um candidato e se engajou na sua campanha sem qualquer pudor. Parece uma sinalização preocupante que, vencida a eleição, um mês após a posse já apareçam editoriais duros contra o presidente, como o que foi publicado pelo “Estadão” no sábado. A lua-de-mel já acabou?

Alimentar o clima de conflito com as Forças Armadas e com o presidente do Banco Central (“esse cidadão”), como vem sendo feito de forma reiterada, tampouco contribui para um ambiente de otimismo, ao contrário: só faz aumentar a percepção de instabilidade e, consequentemente, a aversão ao risco por parte de quem investe e emprega.

Aliás, um indicador econômico divulgado nesta semana deveria causar particular preocupação: o desemprego aumentou em dezembro, com a perda de 431 mil vagas com carteira assinada.

“Ah, mas em dezembro o presidente ainda era Bolsonaro!” Sim, mas quem emprega e demite não é o presidente: são os empresários, com base na percepção do que virá pela frente. E a percepção não foi boa em dezembro – aliás um mês em que a taxa de desemprego costuma diminuir, já que várias vagas temporárias são abertas, em função das festas de final de ano.

Fato é que o desemprego e a inflação vinham caindo de forma consistente até a eleição, mas voltaram a subir no mês anterior à posse do novo governo. Vamos fazer de conta que isso não quer dizer nada? Tomara que ambos voltem a cair na apuração de janeiro, mas não será com um discurso hostil ao mercado e aos empresários que isso vai acontecer. (Aliás, a prévia da inflação de janeiro já aumentou.)

Já se fala, por fim, em um racha na base aliada, dependendo das propostas que chegarem ao Congresso, sobretudo em relação à reforma tributária e à nova regra de controle de gastos, a chamada âncora fiscal. Por tudo isso, mesmo que seja cedo para se falar em crise, a situação está longe de ser a ideal.

Geralmente, um presidente começa a falar em reeleição somente na segunda metade do mandato, e mesmo assim se as coisas estiverem indo muito bem, e se ele estiver com a popularidade lá no alto.

Apostar na polarização e na divisão da sociedade pode ser eficaz para vencer uma eleição. Mas popularidade não se conserva apenas com discurso, muito menos com a adoção da linguagem neutra e com pautas de costumes que contrariam os valores da maioria dos brasileiros.

Para o cidadão comum, o que conta é a inflação, a segurança, o emprego, o valor do aluguel, o preço da passagem do ônibus, o preço da comida, a qualidade dos serviços públicos. Se isso tudo piorar, acho que a justificativa da herança maldita não vai colar desta vez. Só acho.

Para cima ou para baixo, a evolução da popularidade do presidente nos próximos meses e anos dependerá de entregas concretas, que se reflitam em números positivos na economia, tal como ela é percebida no dia-a-dia pela população. Simples assim. Narrativas não bastam, a realidade sempre se impõe.

Por que, então, antecipar a pauta da eleição de 2026, mal iniciado o governo, e já com tantos problemas a enfrentar? A única resposta plausível é que se trata de uma estratégia deliberada:  a julgar por janeiro, o plano parece ser prolongar pelos 48 meses do mandato o tom da campanha eleitoral que saiu vitoriosa das urnas, ainda que por uma margem estreitíssima.

Fazem parte dessa estratégia, por exemplo, o tempo e a energia que vêm sendo gastos em ataques a Bolsonaro e até mesmo a Michel Temer, classificado como golpista em mais de uma ocasião recente. Até quando esse truque vai funcionar?

Embora a política do acerto de contas e da demonização do ex-presidente possa até satisfazer a parcela mais raivosa da militância de esquerda, ela tende também a estimular ainda mais a rejeição da metade da população que votou em Bolsonaro (e nem todo mundo que votou em Bolsonaro é bolsonarista, diga-se de passagem).

Ora, optar pelo palanque infinito é optar por governar com o apoio de apenas metade da população – ignorando, desprezando e mesmo ofendendo a outra metade, em vez de tentar minimamente conquistá-la (ainda que fosse por esperteza, no caso de faltar o desejo real de pacificar o país).

Talvez o cálculo seja ainda mais complicado. Segundo uma pesquisa do PoderData divulgada no sábado, 28% dos brasileiros se consideram de direita, contra apenas 21% que se consideram de esquerda (20% se dizem de centro e 31% não sabem).

São números impressionantes, considerando a incessante campanha de criminalização da direita promovida pela mídia e mesmo por uma parcela do Judiciário.

Ora, se estes números corresponderem à realidade, um governo claramente de esquerda como o que vem se desenhando só contará com  a simpatia incondicional de um em cada cinco brasileiros – o que torna o palanque infinito uma escolha ainda mais imprudente e arriscada.

Até porque aquela parcela da população que votou no atual presidente não por gostar dele, mas por aversão a Bolsonaro, ou que apoiou o atual presidente com a esperança de um governo moderado – incluindo vários economistas famosos, como Henrique Meirelles e Armínio Fraga – já está trocando o otimismo pela apreensão, quando não pelo medo.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

TERESA OLIVEIRA – NATAL-RN

ECCE HOMO

João Pessoa, 30 de Março de 2022

Eu, Teresa Oliveira, servidora de carreira do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba, adentrei as portas da Ouvidoria daquele órgão, tal qual Pilatos entrou no Credo, ou seja, contrariando a vontade da chefia imediata que fora obrigada a dobrar-se ao humanismo do Des. José Aurélio da Cruz.

O brilho do meu par de jabuticabas dera lugar a punhados de lágrimas salgadas. Mesmo assim, longe de Chico, tudo era insosso.

Era aniversário de Francisco, meu filho unigênito, meu autista.

Não obstante ser eu detentora de direitos asseguradores de jornada reduzida e teletrabalho, a chefia obrigou-me a cumprir o expediente completo de forma presencial.

Meu filho e eu residimos em Natal-RN, onde há uma decisão judicial garantidora da realização do tratamento de Francisco na Capital Potiguar, decisão esta fundamentada no direito ao vinculo terapêutico, mais uma conquista da comunidade autista.

Naquele dia, com o sol se pondo às margens do Rio Sanhauá, atravessei os limites geográficos da BR 101, assim como fez o Bom Samaritano em seu trajeto entre Jericó e Jerusalém.

Cheguei em solo natalense ainda em tempo de aproveitar o “primeiro” pedaço de bolo reservado para a Mãe de Chico. A intensidade da emoção do meu filho foi igualmente proporcional ao surto psicótico sofrido por ele. O episódio de autolesão culminou em um sangramento nasal.

Vi a carne da minha carne açoitada pela distância sangrante e coroada com os espinhos da fragilidade seminua perante as incertezas da ausência. Parecia ouvir o martelo e os insultos: “Se és o filho de Deus, salva-se a ti mesmo e desce dessa cruz.”

Igualmente a Maria de Nazaré, senti uma espada de dor traspassando a minha alma. Todavia, a profecia de Simeão não fora cumprida em sua integralidade.

* * *

Natal, 02 de Fevereiro de 2023

O telefone toca, meu corpo treme e, de forma reincidente, o segundo punhal talhado na perversidade de uma Mulher sem pauta de solidariedade e especialista em perfurar minha alma, golpeou-me. Sem tempo ou direito à defesa, fizeram-me sangrar desumanamente um dia após o reingresso do ano letivo de Francisco.

Avisou-me, a mulher deficitária de compaixão, com desdém, que, em nome do Senhor Ouvidor recém-empossado, eu havia perdido a minha utilidade no setor. O Des. José Aurélio da Cruz, o meu Cirineu, está aposentado.

– Serva inútil – assim pensei. Assim, igualmente vós, depois de haverdes realizado tudo quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, pois tão somente cumprimos o nosso dever.

O motivo alegado pela senhora, torpe e viciado: o pleno exercício dos meus direitos à jornada reduzida e ao teletrabalho, era desinteressante ao setor.

Tragicamente, a alegação de inutilidade de uma servidora do JUDICIÁRIO seria a prática de DIREITOS naturais, positivados e HUMANOS? Direitos estes conquistados pela luta incansável de mães de autistas que me antecederam. O caminhar de Berenice Piana de nada valeu? Fátima D. Kwant lutou em vão? O discurso amoroso e esclarecedor de Marcos Mion não passa de palavras ao vento?

As interrogações ficarão no ar aguardando que a Corte de Justiça Paraibana não lave as mãos e não repita omissão de Pilatos diante da crucificação de Jesus em plena Quaresma do ano de 2023 d.c.

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

TORRANDO NOSSO DINHEIRO

Suspenso desde a Lava Jato, o financiamento de obras no exterior com recursos do BNDES, que agora o requentado governo Lula pretende adotar, bancando o gasoduto na Argentina, segue a fórmula malandra, turbinada nas primeiras gestões petistas, de transferir para empresas “amigas” montanhas de dinheiro do Tesouro Nacional sem licitação, sem fiscalização e sem controle.

Chamada de “exportação de serviços”, a esperteza dribla a norma constitucional de aprovação prévia no Senado.

O esquema iniciava em acordo do Brasil com o país beneficiado para “exportar serviços”. O acordo, claro, logo recebia a chancela: “secreto”.

O BNDES não transfere o dinheiro para o país onde se realiza a obra e sim à empreiteira. No Brasil e em reais. Facinho assim, sem licitação.

Só em 2012, US$ 2,17 bilhões do BNDES foram pagos a empreiteiras brasileiras nesse esquema.

Em 2013, até setembro, US$ 1,37 bilhão.

O BNDES vai dar “adeus” aos R$ 3,5 bilhões a serem gastos no gasoduto na Argentina, assim como no Porto Mariel, em Cuba, de valor idêntico.

* * *

É bilhão pra cacete!!!

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

Quando eu penso que teve eleitor que votou nesse cabra safado (além das peças internas das urnas eletrônicas…), me dá um emputiferamento que chega fico roxo.

Como tem gente descerebrada nesse mundo.

Puta que pariu!!!

Lula diz que coronavírus foi bom pro Brasil - 98FM

“Vortamo pra lambê mais ainda o dinheiro d’ocês, seus besta!!!

DEU NO X

XICO COM X, BIZERRA COM I

DIA DAS CRIANÇAS TODO DIA

Vez em quando recordo um Deus que convivia comigo, escrevendo o certo e o errado nas linhas tortas de meu destino, como que retorcendo uma tosca caligrafia nos bordados das mulheres à beira da lagoa do Paia, Vila União, pertinho da rua em que eu morava. Como era bom ser menino, desobrigado de compromissos, sem calendário, obrigações e boletos à espera do fim do mês. Bastava-me a despedida do sol, final de tarde, a bola de borracha e uma rua em que passavam poucos carros: era o ‘racha’ diário de nós meninos de Nazaré. Pouco importava o joelho ralado ao final do dia. Valia, muito mais que o mercúrio cromo a me esperar, aquele gol que sonháramos na noite anterior, misturado com areia e lama. Dia seguinte, mochila às costas, Colégio Piamarta e aulas de Ciências com a professora abusada, que gostava de dar nota zero se não soubéssemos a definição exata dos fenômenos físicos. Nunca esqueci que inércia é ‘a propriedade que possui a matéria de manter-se sem movimento ainda que haja uma força contrária em contato com ela’. Na vida prática nunca acrescentou muita coisa eu saber da propriedade física da inércia. Tempos bons em que eu era apenas uma criança, com sonhos infantis e mais apegado à bola que aos livros. Hoje, convencido estou de que Rubem Alves tinha razão quando disse que Deus e uma criança têm algo em comum: ambos sabem que o universo é uma caixa de brinquedos. Por isso Ele vê o mundo com os olhos de uma criança e está sempre à procura de companheiros para brincar. Nesse tempo, todo dia era Dia das Crianças!

DEU NO X