ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

GERACIONAL

Hoje de manhã, estava eu, no meu “Gesuíno Galo Doido” – assim batizei meu possante em homenagem a famoso personagem de Jorge Amado-, voltando para minha oca e assuntando as notícias de Pindorama. Como todo bom caeté, faço ouvido de tuberculoso para ver se sobra algum pedaço do toitiço do Sardinha, para meu repasto cotidiano. Aqui, acolá, sempre sobra algum pedaço da panceta do honorável bispo, e aí, não perco tempo: arrebato-o para minha degustação.

Mas, como dizia, bispando as notícias de Pindorama, ouvi sobre o pagamento da dita “bolsa família”, ou cala boca eleitoreiro como queiram chamar, principalmente agora que o arariboia de plantão proibiu falar mal dele. Como se as verdades ditas sobre ele fossem pior do que mentiras mentirosas e inventos inventados. Bem, como eu dizia, fiquei assuntando o assunto, e com isso minha memória avuou lá para o ano 2006, quando retornei para sala de aula.

Explico. Entre 1998 e 2006 trabalhei no órgão central da educação fazendo análises estatísticas – e aqui tenho que abrir um parêntese até para elucidar minha ignorância abissal em relação à Matemática, depois que nosso amigo fuxiquento, lá dos Zistados Zunidos, o Magnovaldo Bezerra, explicou para mim o que era um “dipolo elétrico”. Para mim, seria mais uma artimanha do tinhoso de casco fendido e cheiro de enxofre, mas não era nada disso -, e, apesar de ser um completo asno, batizado, comungado e crismado em Matemática, tenho enorme facilidade em fazer análises estatísticas, interpretar e colocar em Português aquele emaranhado de linhas, colunas, pizzas, cones, e por aí vai. E, como dizia, nessa época fazia análises estatísticas, tanto educacionais, quanto de investimento de recursos.

Em 2003, quando o iluminado senhor, grande timoneiro do futuro, luminar da sabedoria, arroz da inteligência e luz do conhecimento tomou posse e tentou criar o famoso “fome zero”, fizemos uma luta homérica para chegar a um formato final que pudesse ser gerenciado e operacionalizado. A ideia inicial era sair distribuindo sacos de comida, com ampla cobertura da imprensa e propaganda oficial. Nisto eu sinto falta de um senhor; o ministro da pasta do Desenvolvimento Social da época, Valfrido Mares Guia. Homem afável, bonachão e de fino trato, chamou todos os coordenadores estaduais da época – e este caeté incluso -, para pensarmos em um modelo que não fosse um pesadelo logístico e chegasse, de fato, a quem necessitava.

A semente do programa já existia, criada desde os tempos dos governos de coturno, depois refinados pela saudosa professora Ruth Cardoso, e uniu o Bolsa Escola do Ministério da Educação, o vale leite do Ministério da Saúde, o vale gás do Ministério de Minas e Energia e outros penduricalhos, rebatizados como um único programa chamado Bolsa Família. A ideia em si não é de toda má. Aliás, é excelente. E, para quem não sabe, programas de distribuição de renda como o Bolsa família é fruto da ideia de um liberal até o tutano – agora até me deu água na boca -, chamado Milton Friedman, da Escola de Chicago, e não de canhotinhas. Para qualquer canhota no poder como o bigodudo assassino de Caracas, ou o orelhudo tarado da Nicarágua, pobre tem mais é que morrer de fome mesmo, ou ficar no cabresto, tendo comida suficiente só para não morrer de fome, assim ele não se revolta.

Finda a implantação do programa, em 2006, solicitei a minha volta para sala de aula, pois não há coisa mais emburrecedora na educação do que cargo burocrático. Ele se entranha até as medulas, ou tutano, como queiram dizer, e, quando você menos percebe, está agindo no automático, sem parar para analisar, ou refletir sobre as ações tomadas, nem se importando se o resultado foi positivo, ou não. A minha briga, como analista era o monitoramento dos resultados e os feedback das ações feitas. Os gestores de processo só sabiam de uma coisa: tem dinheiro? Precisamos gastar!

Quando voltei para sala de aula, e acreditem, minha formação inicial é educador, ou seja, professor alfabetizador. Isso mesmo, já ensinei três gerações a ler, escrever e contar, e é muito gratificante ver uma criança que, quando chega na escola mal sabe segurar lápis e apontador, e depois de alguns meses, chega até sua mesa e declara: eu sei ler. E acaba lendo um texto para você. Essa emoção não há dinheiro no mundo que pague.

Pois bem, àquela época quando o Bolsa família ainda engatinhava, uma aluninha minha, sempre que faltava à aula, a mãe vinha correndo se justificar, ou entregar um atestado médico, pois o programa era vinculado a esse e outros condicionantes. Essa aluninha era beneficiária do programa, e, ao contrário de muitos, levava a sério as condicionantes. Quase não faltava, tirava boas notas, estava com o cartão de vacinação em dia e bem arrumada, limpa e saudável. E o tempo foi passando, ela sendo bem sucedida nos estudos, por fim acabamos perdendo vista um do outro.

Em 2022, com o fim do absurdo isolamento social malandro, imposto por governadores velhacos, sindicados vagabundos, guildas de espertalhões e justiça para lá de suspeita, encontro essa minha ex-aluninha, agora já uma mulher feita, com dois bacuris: um agarrado na saia e outro nos braços. Estava na secretaria escolar pegando uma declaração de matrícula para entregar na promoção social da Gloriosa Campo Grande, a fim de não perder o benefício da dita bolsa, que mais tarde Jair Bolsonaro iria rebatizar de auxílio Brasil, e logo em 2023 nosso iluminado, lente do saber, repositório do conhecimento, manancial de sabedoria, silo guardião de ética e moralidade iria rebatizar de Bolsa Família de novo.

Todos esses pensamentos “vinheram-se-me” à cabeça dirigindo meu poizé e corri para escrevinhar estas bobagens: Não tem como este país dar certo, nem em dois mil anos prafrentemente. Não há a menor chance do desenvolvimento ocorrer, enquanto programas que deveriam ser um auxílio temporário, tornaram se fontes geracionais de renda, sem que o beneficiário concorra para a sua manutenção. Aquilo que era para ser temporário, até a família poder “andar com suas pernas”, tornou-se fonte geracional de renda. Neste ano, já estamos na segunda geração de brasileiros que tem, como única fonte de renda, um programa social, que não oferece nem o mínimo para a sobrevivência de uma pessoa, quanto mais de uma família.

Um programa de transferência de renda geracional tende a empobrecer a nação como um todo, pois se há mais gente recebendo do que contribuindo, no longo prazo é insustentável. Tal qual a previdência social brasileira, é uma arapuca demográfica que, mais cedo, ou mais tarde vai se desarmar. E, como o governo não está nem aí para a geração de emprego e renda, e persegue quem quer produzir e gerar emprego, a pressão sobre programas sociais vão aumentar. O corolário dessa benemerência geracional é o colapso de todo o sistema estatal.

Como dinheiro não é tiririca que nasce depois de uma chuva, a pressão por mais impostos vai chegar a um ponto que toda a cadeia produtiva vai colapsar e emperrar. Aí faltará dinheiro até para comprar um band-aid para grudar no caeté que arrancou o tampo do dedão jogando futebol de rua. O colapso desse sistema está nos nossos narizes, mas todo mundo faz de conta que não vê. Um programa que intenta sustentar mais de uma geração com dinheiro de quem produz só gera como resultado mais mendicante estatal, mais pressão por dinheiro para atender um número maior de beneficiados.

Apostar em um programa social geracional é condenar a nação ao atraso, ao subdesenvolvimento e atiçar, com todo empenho, a fogueira caeté que existe em cada um de nós. Será pouco Sardinha para muito caeté faminto.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

ALGUÉM ACREDITA?

Estive sumido por alguns dias, só assuntando e tomando temperatura do que vem ocorrendo em Pindorama, neste ano de 467 d. S. (depois do Sardinha) e, confesso, apesar de minhas já vastas cãs (essa é para Violante que gosta de termos castiços), ainda me causa espanto o modo como a vaca está cada vez mais se atolando, restando de fora só as pontas das suas aspas.

A minha questão acima, endereçada, principalmente aos curumins e jovens da atual geração, diz respeito à velocidade com que o país está afundando em uma ditadura, ou melhor dizendo, em uma democracia relativa, em que é permitido concordar com os arariboias de plantão. Discordar, nunca!

A velocidade com que a construção de um modelo de governança, digamos, sui generis, tem sido implantado nas terras de Pindorama, pela sua própria configuração aponta para um futuro nada bonito, mesmo para aqueles que concordam com esse modelo. E isso me faz vir à mente, como o chavismo, o orteguismo e outras democracias relativas conseguiram tomar conta do cetro de mando e não largam o osso, nem pela intervenção do divino. Morrem seco nos seus cargos, mas antes, matam toda a nação. Como parasitas intestinais, só morrem quando seus hospedeiros também sucumbem.

Desde primeiro de janeiro há um movimento lento, mas forte que busca implantar esse modelo de democracia, à luz do dia, enquanto se utilizam de vários subterfúgios para tirar a atenção da “plebe ignara de Gomorra” daquilo que realmente importa. Ou, por acaso, alguém acredita que críticas às taxas de juros do Banco Central, ataques ao agronegócio – o maior gerador de riquezas e impostos do país -, as invasões terroristas de propriedade privada, o arcabouço fiscal, a dita reforma dos impostos, o financiamento de carros que vai atolar parte da classe média em dívidas impagáveis, o tal programa desenrola, que vai premiar o mal pagador e dar tubos de dinheiro do contribuinte honesto para bancos é o miolo da questão?

Vez por outra, um corneta que quer esse tipo de democracia relativa no Brasil não aguenta ficar calado e bota a boca no trombone, revelando parte do plano em andamento, e, logo, a imprensa que está de namoro firme, entre seu pescoço e a corda, corre para desviar a atenção do distinto público, para outro lugar, fazendo com que aquele assunto caia no esquecimento.

O ensaio geral se deu com a cassação do deputado Deltan Dallagnol. Confesso. Não sou fã dele. Aliás, nem o conheço. O que sei de sua pessoa foi quando era chefe da operação Lava Jato, lá em Curitiba. Afora isso, nada! Todavia, a arquitetura de sua cassação política não se sustenta, nem se um advogado de porta de cadeia fosse investido no cargo de relator do processo. Há, naquela peça, ilações, hipóteses, conjecturas, opiniões, mas, a letra da lei para dar base ao papelucho, nada, niente.

Logo em seguida foi a inelegibilidade de Jair Bolsonaro. Assisti aquele teatro do TSE, enquanto o ministro presidente da corte vociferava suas considerações, verbalizando pelo fígado, aquilo que o cérebro não conseguia articular e dar um sentido lógico. Mas, o que importava não era a aplicação da lei, a validade do estado de DIREITO, mas tão somente tirar um concorrente do páreo que poderia ter alguma influência para impedir a tal democracia relativa de ser implantada no país.

Mas, a coisa não para por aí. Já há movimento para cassar Sérgio Moro, impedir a Michelle Bolsonaro de se candidatar a qualquer cargo, cassar Magno Malta, Nikolas Ferreira e por aí vai. Aponta esse movimento para o mesmo modelo que o chavismo usou na Venezuela, não com a Corina Machado, recentemente, mas, olhando-se para o passado, a cartilha tem sido seguida à risca. Foi assim com Henrique Capriles, foi assim com Juan Guaidó, apesar desses dois serem esquerdistas, também, só que tomam banho e usam roupas bem cortadas. O tom fora desse concerto macabro é a ação de brucutu de Daniel Ortega. Esse mesmo, o orelhudo tarado da Nicarágua. Enquanto Chaves utilizava as estruturas do Estado para anular seus concorrentes, dando um ar de legalidade às suas ações, Ortega preferia o estilo de Idi Amin Dadá. A diferença era que o sargento balofo e tirano de Uganda mandava matar seus oponentes e jogar seus corpos no rio Nilo Azul, este manda prender, banir e anular a cidadania de quem quer que ouse se opor a ele, nas democráticas eleições nicaraguenses.

O edifício de anulação de direitos políticos começou a ser construído no Brasil já no dia primeiro de janeiro. O dia oito daquele mesmo mês era o estopim necessário para por em movimento esse esquema. Enquanto isso, no Congresso, que dizem que tem maioria de direita, faz-se discussões inócuas e áridas sobre as responsabilidades, desviando a atenção para o que se está construindo. Aposto meu dedo mindinho da mão esquerda, como aqueles que estão presos terão seus direitos políticos cassados, além de pegarem uma cana brava.

Diante da situação que está sendo construída, é muito provável que em 2024 as eleições gerais em Pindorama terão características próprias e peculiaridades que darão um colorido avermelhado à bandeira e aos rios brasileiros. Espero que o esquema não deixe baixar o espírito de porco do Idi Amim, senão, a metáfora que usei, não será metáfora.

Como sempre vivo dizendo, sou caeté. Meu interesse ainda continua sendo o Bispo Sardinha e os seus mocotós suculentos. Não faço exercício de futurologia, mas sei ler o passado, tanto aquele pratrasmente de muitos anos, quanto aqueles pratrasmente de poucos meses, e a conclusão que posso tirar dessa mirada ao passado, desenha um futuro sombrio à nossa frente. Não serão eleições normais, não teremos uma democracia plena, mas, à reflexão de um descondensado colocado na cadeira presidencial, será a inauguração de um novo país. Tal qual a Coreia do Norte, onde também há eleições periódicas, nossas eleições serão ao estilo do plebiscito que manteve a ditadura salazarista em Portugal.

Naquele plebiscito havia duas opções: Sim – queremos que Salazar continue no governo. Não – não queremos que Salazar deixe o poder. Basicamente teremos a mesma situação. O movimento silencioso das estruturas do poder vai nessa direção. Cassando, anulando direitos, impedindo pessoas de participarem do pleito, mas tudo dentro da lei, com o dito amplo direito de defesa e contraditório. Porém, a eleição de 2024 será corrida de um cavalo só.

Tenho medo dessas palavras, mas minha percepção, bildando o que vem ocorrendo e como as coisas estão acontecendo, esse cenário é plausível na tessitura de uma democracia relativa à brasileira. Diante de tudo isso, resta uma pergunta de fundo que há dias está martelando meus miolos: Alguém ainda acredita que teremos eleições livres no Brasil em 2024? Aceito repto.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

UM PENSAR HISTÓRICO

Esta última semana, aqui na minha taba na gloriosa Campo Grande/MS estive acompanhando os acontecimentos de Pindorama, principalmente sobre a dita parada do orgulho LGBTQIAPPUTAMERDAE+, especialmente na ala “crianças trans existem”. Fico a pensar que orgulho um macho peludo vestindo uma calcinha fio dental e todo rebolativo vai inspirar nos outros, se nem ele se respeita como macho, ainda que suas preferências sexuais sejam outras, e isso é problema dele e com quem ele se relaciona.

No entanto, eu fiquei-se-me a pensar nesse movimento, como ele começou e quis foram suas pautas nos últimos sessenta anos, no ocidente, e como a sociedade foi negociando seus princípios, e, atualmente, a mesma sociedade se vê diante de situações, no mínimo inusitada, e um pouco mais além, perigosa para a existência da própria sociedade.

Falar sobre homossexualismo e homossexualidade – e não me venham os analfabetos dizer que esse sufixo “ismo” faz referência a doença. Isso é desconhecer o processo de formação da língua e os seus significados -, não somente exige uma perspectiva histórica de percepção do mundo, como também uma perspectiva humanística do mesmo. Em todas as culturas, em todos os impérios, e em todas as religiões há referências sobre esse ponto. Dos “rapazes escandalosos” de que fala o Antigo Testamento, ao “pecado nefando” da Inquisição Católica, ao “Amor que não ousa dizer seu nome”, cunhado por Oscar Wilde, sempre houve homossexuais, e sempre haverá. É um contexto humano.

Todavia, o que me preocupa não é a sua existência, mas como as suas pautas foram se adaptando e se modificando ao longo da segunda metade do século XX e nessas duas décadas do século XXI, principalmente depois que elas foram sequestradas pelo pensamento de esquerda e seu “progressismo” que sempre faz a sociedade caminhar para traz.

O movimento de orgulho – anteriormente “gay” -, nasceu em Nova York com o chamado movimento do Stonewell Inn. Um bar frequentado por gays latinos e não brancos e que, em novembro de 1968 sofreu uma batida policial, com muitos presos e fichados por “comportamento imoral”. Desse episódio surge o movimento de orgulho gay. Até aí, tudo bem. Como disse, com quem as pessoas se deitam, o que elas fazem entre quatro paredes é problema dela e com que ela esteja, e de ninguém mais. Eu não vou ficar me doendo se um homem se deita com outro homem, ou se uma mulher se deita com outra mulher. Não é da minha conta, não paga meus boletos, e nem coloca comida na minha mesa.

Porém, as suas pautas mutantes ao longo do tempo e a negociação que a sociedade faz, utilizando seus princípios, para agradar a uma agenda sequestrada pela esquerda, no movimento gay, isso sim, me preocupa. De início, esse movimento, segundo as perspectivas históricas buscava apenas o direito de se relacionar, sem que isso fosse considerado crime, ou mesmo algo reprovável. Conseguiram. Lembro-me que muitos representantes desse movimento queriam apenas isso, e nada mais!

Em seguida, essa pauta modificou-se e passaram a ser tratados como qualquer casal heterossexual, com direito a declaração conjunta de imposto de renda, direito a usufruir de plano de saúde, direito de herança. Alegavam se tratar de algo justo. Concordo. Se você batalhou, suou e lutou ao lado de alguém, construiu um patrimônio, nada mais justo usufruir dele, caso de companheiro, ou companheira vier a faltar, e não ser lançado na rua, sem nada, como muitas vezes ocorreu, aqui em Pindorama, e em outras partes do mundo.

Os representantes dessa classe de pessoas diziam de pé juntos que nada mais queriam, já que essas reivindicações fechavam as suas pautas de direitos. Mas, e sempre existe um mas, com a concessão desses direitos, voltaram-se a exigir, e não mais reivindicar, não direitos, mas privilégios que a sociedade não tem. São as ditas cotas: em universidade, como se essas instituições não fossem pautadas pela excelência do conhecimento, pela qualidade da produção de conhecimento. Na visão desse grupo, sequestrado pelo pensamento esquerdista, a porção final do reto tem mais valor do que toda a massa encefálica encerrada no crânio, em concursos públicos, em banheiros, etc,.

Depois desse atendimento, a pauta de exigências apenas cresceu exponencialmente. Uso de banheiro a depender da declaração autopercebida da sexualidade, o direito de mudar de nome, o direito de mudar a anatomia de sua genitália, usando o dinheiro de toda a sociedade, mesmo daquela sociedade que não concorda, ou não apoia as suas reivindicações.

Hoje a pauta está voltada para algo perigoso e que, no longo prazo desestabiliza toda a sociedade humana e coloca em risco a própria espécie e a sua preservação. O alvo dessa pauta “progressista” está na criança e em seus dois espaços privilegiados: a escola e a religião. Não é de assustar perceber como essa pauta está vindo com toda fúria sobre a sociedade conservadora. Já se fala em casamento gay em igrejas, exigindo pena para o padre, pastor, reverendo, ou qualquer líder religioso que assim se recusar.

Com as crianças é uma pauta de sexualização precoce, erotização e modificação de sua percepção de sexo – ainda quero falar em outro texto sobre a noção de gênero, e como o movimento esquerdista, travestido de LGBT, deturpa essa palavra, sem base nenhuma -. Essa pauta está justamente na intenção de que, destruindo essa percepção, irá destruir o conceito de família, de fé e, por fim, da própria sociedade levando-a à sua extinção.

A palavra mágica hoje é “trans”. Trans isso, trans aquilo. Não importa o seu significado. O que importa para o grupo é a subversão das bases da sociedade. Já ouvi um militante dessa pauta dizer que o objetivo deles é destruir a família. Como não conseguem mais com os adultos, seu alvo se virou as crianças. É nelas que a esquerda dentro do movimento “gay” está investindo todas as suas fichas. Todos os seus tentáculos. Destrua a infância e a sociedade será destruída. Essa é a evolução histórica do movimento desde 1968. Essa é a agenda dita libertária e progressista que será concretizada se a sociedade não abrir os olhos e dar um basta a essa destruição programada e planejada, negociando seus valores e colocando a corda no pescoço para seus algozes.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

RES PÚBLICA

Certa vez, escrevi aqui no JBF – Jornal da Besta Fubana – que não faço exercício de futurologia. Sobre o passado sei contar muitas histórias, muitos “causos”, muita lorota, mas sempre com certa dose de preguiça e enfado. Disse e repito: sou caeté. Qualquer assunto que não seja o Sardinha me deixa enfarado, com uma lombeira e uma preguiça de pensar. Mas, mostre-me o contrafilé do honorável Bispo chiando sobre o braseiro que logo fico igual a cachorro novo quando vê cadela no cio.

No entanto, tenho ouvido e lido muita discurseira de todo tipo de gente que, por ser popular, ou ter seguidores no facebugre, ou outra rede social, que logo se alça à categoria de intelectual. Intelectual é Maurício Assuero, Neto Feitosa, Luiz Berto Filho, Maurino Junior, Tereza Noronha, Violante Pimentel, e também o saudoso Roberto Campos. O resto pode embrulhar e dar descarga. Não valem nem a água utilizada para tal fim. Mas, como dizia, há uma raça de ditos intelectuais, políticos, influenciadores, artistas, jornalistas, advogados, professores – que Deus me perdoe -, que se consideram no mesmo nível de um Spinoza, de um Wittgenstein, de um Hegel, ou Kant. Se bem que um Hegel, um Kant, um Spinoza daria um saboroso jantar. Esses outros, até pensar em assá-los, já repugna meu espírito caeté.

E, todo esse magote de gente adotou o mesmo discurso que certo ajuntamento de larápios, perigosíssimos chama de salvar a Democracia no Brasil. Livrar a democracia do fascismo, do autoritarismo, da ditadura personalista que foi incorporado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e todos aqueles que utilizam o cérebro, e não a porção final do intestino grosso para pensar. Hoje, qualquer discurso que não se amolda a esse tipo de “pensamento”, logo é chamado de “ódio”, de extremismo, de genocida, e por aí vai.

Mas o que, de fato precisa ser salvo no Brasil? Na verdade, o Brasil precisa ser salvo. Salvo de uma aberração que se travestiu de Democracia lá em 1988 quando passou a vigorar esse monstrengo que Ullysses Guimarães chamou de Constituição Cidadã. Ela é tão cidadã que o cidadão até hoje nunca se aproximou dela, e nunca teve a sua validade em pleno vigor. Quem acredita que a constituição de 1988 ainda existe, ou é besta, ou é safado. Já foram tantos remendos – os políticos chamam de emenda -, tantos pedaços extirpados e enxertados que o texto original não existe mais. Já acabou. Já é extinto. O que existe é um manual utilitário que servem aos capatazes de plantão usar a seu intento para fazer o que quer, dando uma banana para o cidadão.

A tal “República Nova” inaugurada com a constituição de 1988 não passa de um arranjo político para que alguns espertalhões façam negócios, enriqueçam, e, quando dão com os burros n’água, jogam a conta para o povão pagar. Vejam o caso do STF. Lembro-me quando a ministra Rosa Weber deu um exemplar da constituição de 1988 para Jair Bolsonaro quando foi empossado. Havia ali uma provocação explícita da ministra sobre o presidente. Porém, para mim ficou a impressão que ela deu o único exemplar dessa estrovenga. Depois disso, o STF passou a agir como se cada ministro tivesse na cabeça a sua própria constituição. O atropelo à legalidade, à cidadania, ao estado de DIREITO, à independência dos poderes, a esculhambação legal passou a ser norma e não algo a ser repudiado nos locais que, em tese, deveria ser a guardiã da Justiça, da legalidade e da proteção ao cidadão.

O legislativo, não importa qual a sua esfera, tornou-se valhacouto de escroques, esconderijo de bandido que, sob a capa de “inviolabilidade”, encontrou nesse poder um porto seguro para dar continuidade às suas velhacarias. Os mandatários, isto é, aqueles a quem são delegados um poder temporário e que deve ser exercido em nome do mandante – o povo -, só aceita ser tratado por “excelência”. Adjetivo bom demais para pessoas que deveriam estar dentro de uma caçapa de camburão e não em um gabinete legislativo.

Comercializam voto a céu aberto. Fazem um troca-troca pusilânime, venal e ilegal sempre com a justificativa de trabalhar pelos interesses de seus eleitores e seu reduto eleitoral. Quando oiço algum político bostejando isso, logo penso: meu ovo! Vá contar essa lorota para outro. A venalidade do legislativo criou o que todos chamam de presidencialismo de coalizão. Um eufemismo para ladroagem cruzada e defesa dos próprios interesses, em detrimento do futuro da nação.

O poder executivo não fica atrás. Tivemos a coragem de eleger um corrupto triplamente condenado para o posto mais alto do executivo, assim como muitos estados elegeram não biografias, ou currículos, mas sim prontuários policiais ambulantes e sem vergonha. O que me revolta é que todas as vezes que cometemos esse tipo de loucura, estamos condenando nossos filhos e netos a continuar a viver em latrinas e fossas, sem esperanças de progresso, de melhoria da qualidade de vida, sem chances de futuro. Somos especialistas em sabotar o futuro de nossos filhos e netos, e o fazemos com promessa de picanha e cerveja.

Essa última eleição provou para o mundo que temos o comportamento de porcos. Enquanto estivermos na pocilga sendo alimentados com lavagem, espojando na lama, uma sombra para descansar de um trabalho que não fizemos, está tudo bem. Até chegar a véspera do Natal e sermos levados para o cepo. E o nosso cepo está mais perto do que muitos imaginam.

Leis, normas, civilidade, honra, vergonha na cara, para que isso? Uns caraminguás de quatrocentos reais compra tudo isso e muito mais. Viver como mendicantes estatais, escravos de uma república que de “coisa pública, ou do povo” não tem nada, apenas o nome, é indigno, é repugnante, é desonroso. Somos uma nação pobre em que 100 milhões de brasileiros vivem, literalmente na merda. Sem água tratada, sem esgoto tratado, sem socorro, sem saúde, sem educação, sem segurança pública e que ainda teima em votar nos mesmos sujeitos que negam essas coisas básicas.

Hoje estive no hospital por causa de uma queda no serviço. Tive que fazer uma tomografia e raio – X. Minha salvação foi o plano de saúde, caro, custando os olhos da cara e os zovos também, mas senti uma dor terrível ao ver mais de 30 pessoas esperando o mesmo exame, mas pelo SUS, essa monstruosidade que só suga dinheiro e não dá a mínima para o cidadão que espera por serviços de saúde.

Esta nação está errada em sua essência. Nos acostumamos a ver toda essa situação com naturalidade, como se barracos construídos à beira de valas negras sejam igual a mata ciliar, como se o cidadão extropiado gemendo de dor, aguardando um exame pelo qual ele já pagou, fosse semelhante a um calangro de parede. Faz parte da paisagem. Povo desdentado, com a barriga grande de esquistossomose, bebendo merda líquida, em vez de água, morrendo soterrada em deslizamento de barranco fosse a coisa mais natural.

A constituinte de 1988 tem parte na responsabilidade do nosso “Estado de Arte”, mas a dita república inaugurada com ela tem a sua maior parcela de culpa. Se o Brasil quiser salvar a democracia que, de uma forma, ou de outra, só existe, só há uma saída: acabar com a república de 1988 e inaugurar outra, mas com pilares baseados na civilidade e na legalidade. Só assim salvaremos a democracia no Brasil.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

SOBRE GUERRA, BASE E CAPIVARAS

Estive este último mês entocado na minha oca, como um bom caeté, terminando de escrever e formatar minha Tese. Graças a Tupã a defesa será no dia 21/06/2023 às 13 e 30, horário do glorioso Mato Grosso do Sul. Assim que tiver as informações, vou ponhá para os demais caetés. Nhambiquaras, potiguiaras, nhandevas, tupi e guaranis de Pindorama o convite, e aqueles que puderem e quiserem assistir, fico agradecido.

Mas, não é sobre isso que quero falar. Apesar de ficar em silêncio, não deixei de acompanhar as fofocas e intrigas de Pindorama e as putanhices da grande taba central, aquele crime a céu aberto, aquele monumento à inutilidade e à corrupção chamada BrasILHA. E apenas sobre três assuntos banais que está queimando a mufa de muita gente aparentemente centrada.

Sobre a guerra da Ucrânia com a Rússia é até divertido, apesar de ser desastrosa, a campanha do condenado corrupto, alçado à condição de presidente da república – assim mesmo em minúsculo, para homenagear a atual conjuntura -, e seu turismo pelo mundo, com nosso dinheiro, acompanhado da primeira gastadeira de cartão corporativo, em se fazer protagonista da atuação mundial. Nessas horas lembro-me da sentença de Henry Kissinger, ex-secretário de Estado de Richard Nixon, sobre a América do Sul: é uma adaga enterrada no centro da Antárctica. Não significa nada!.

Com certeza, memórias como o Barão do Rio Branco, Azeredo da Silveira, Paulo Sérgio Rouanet – esse mesmo da famigerada lei que dá nosso dinheiro para artistas ricos e que produzem espetáculos grotescos e de cultura suspeita -, devem estar doloridas, por ver o desastre e a falta de objetividade da diplomacia nacional, que tem no descondenado seu mentor. Soa uma piada de mau gosto ver o presidente do Brasil ir a fóruns mundiais falar em democracia, ao mesmo tempo em que defende regimes criminosos como o da Nicarágua, da Venezuela e Cuba. É acintoso escutar o presidente falar nesses fóruns, em entrevistas e ver que ele está, literalmente, bêbado. E não é metáfora. Basta ouvir. A voz está pastosa, claudicante, quase incompreensível, os olhos injetados, os gestos lentos. Qualquer cidadão minimamente capaz de somar um mais um, de cara, vai perceber que o presidente está em estado etílico permanente. O resultado é a indisposição com países democráticos e poderosos e que pode nos render, no médio prazo, um embargo internacional. Aí só nos restará voltar para a mata e plantar aipim e colher jenipapo.

Outro tema que aquece os debates em Pindorama é a dita “falta de base parlamentar do governo” para apoiar seus projetos. Isso é brincadeira, ou deboche com a população que tem consciência histórica? Lula e o PT nunca, em todos os seus mandatos tiveram uma base parlamentar. E não tentem culpar o tal de “Centrão”. Esses parlamentares são tão legítimos quanto os demais, independente do espectro político que ocupem.

Alguém que está lendo este amontoado de bobagem se lembra do Mensalão? Do Petrolão? Vamos por parte. O mensalão, além de ter sido uma tentativa de golpe à democracia brasileira, foi a forma que Lula e o PT encontraram para “montar” a sua base parlamentar. Foi na compra de votos e consciências que isso aconteceu, até que o escândalo foi implodido por Roberto Jefferson. O mensalão foi uma espécie de avant-premiere para se aperfeiçoar a “montagem” de uma base parlamentar forte e que estivesse alinhada com os interesses do PT e de Lula. A figura sinistra de José Dirceu foi o maestro dessa sinfonia bizarra e golpista que deu com os burros n’água.

Com o fracasso do mensalão, Lula e o PT negociaram ministérios e cargos públicos, “de porteira fechada” para que os partidos pudessem entregar votos ao governo. O resultado foi o maior escândalo de corrupção da história da humanidade, não somente do Brasil: o Petrolão. As cenas eram grotescas. Ex-ministros devolvendo dinheiro e entregando os seus comparsas, donos de empreiteiras entregando o “capo di tutti i capi”, devolvendo dinheiro do cidadão que foi roubado – eu não aceito o termo desviado, aquilo foi roubo mesmo -, e distribuído entre comparsas e chefes políticos.

O petrolão foi outra tentativa, ainda mais mambembe de se formar a tal “base parlamentar”, mas há um problema de origem que está no âmago do PT e de Lula. Em todas as tentativas que Lula e o PT fizeram para anular a democracia, não queriam cúmplices, apenas súditos que dissessem “amém” para todos os descalabros dele. E, isso está se repetindo neste exato momento. O PT e Lula não aprenderam com os próprios erros. Hoje eles estão tentando comprar, de novo, uma “base parlamentar” para passar seus projetos autoritários, via as chamadas emendas R-2. É! Aquela mesma rubrica que eles chamavam de orçamento secreto do governo Bolsonaro. Só que agora, inconstitucional, segundo o Supremo Traidor Federal.

Há, porém um “senão” nessa dança macabra. Com a popularização das redes sociais, da internet e de seus fóruns de discussão a coisa ficou mais difícil de ser feita porque o escrutínio é em tempo real. Agora dá para entender o discurso do ministro balofo da justiça em dizer que a liberdade de expressão absoluta acabou. A tentativa de calar a sociedade, censurar as redes sociais e perseguir o cidadão, utilizando como corneta o mais autoritário dos ministros do stf, atropelando a constituição que juraram defender, jogando no lixo o estado de DIREITO, é apenas um movimento, enquanto lançam polêmicas para tirar o foco do essencial.

Por outro lado, vemos no parlamento brasileiro diversos discursos, seja apoiando, ou rejeitando projetos autoritários do executivo. Isso não me preocupa. O que me assusta, de fato, é quando vejo deputado e senador ir, sem pudor algum, às redes sociais e aos veículos de imprensa dizer que “ainda não está convencido desse projeto, ou ação”. Isso é mal sinal. Toda vez que um político, alfabetizado, com “trocentos” assessores, desde jurídicos, até aquele puxa-saco que leva o cafezinho na mesa dele, diz isso, traduza da seguinte forma: O governo ainda não chegou no valor ($$$) que eu quero para apoiar essa estrovenga. Não é convencimento. É compra e venda de voto mesmo. Então, se o seu representante chegar com essa lorota, saiba, ele está querendo mais dinheiro para poder vender o seu voto.

E, essa ação se dá em várias frentes e com diversos cafetões do voto parlamentar que assediam as “vestais” do legislativo. É promessa de liberação de emenda, oferecimento de cargo público, ou indicação de mais um incompetente para a diretoria de um banco, de uma estatal. Uma dança que tinha tudo para dar certo, mas a sociedade, através das redes sociais está mais atenta, quase que responde de imediato a essas tentativas. Aí está a justificativa de se montar o ministério da verdade, a comissão da mentira e da fofoca – recuso-me a chamar de fake news, pois se é mentira, não é notícia, é só fofoca -, se não para censurar, para levar à autocensura e Lula e o PT poder implantar seu projeto acalentado desde quando a quadrilha foi legitimada, lá em 1980.

Quanto às capivaras…, elas estão muito bem, obrigado. Pelo menos aqui na gloriosa Campo Grande, são a grande atração dos parques e córregos da cidade!

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

ESPERÁVAMOS O QUÊ?

Esta segunda-feira passada participei de uma Audiência Pública na Câmara de Vereadores aqui da gloriosa Campo Grande/MS. Com um título bem apropriado buscava debater a insegurança nas escolas, a violência contra professores e alunos e meios de se propor ações de curto, médio e longo prazo para tentar minimizar essa violência. Ouvi trinta e cinco “otoridades” e especialistas na área, cada um falando mais platitudes do que outra. Era como se eu tivesse “ocupado” uma horta, de tanta abobrinha que ouvi.

Findo o ciclo das ditas autoridades, abriu-se para a platéia, só perguntas por escrito. Mas, acho que houve alguma iluminação para o presidente da sessão e ele abriu espaço para cinco perguntas orais. Acredito que foi a deixa que eu precisava, e também vejo, neste espaço, um fórum correto para fazer a mesma questão: Esperávamos o que? Sim! Esperávamos o que como corolário de tudo o que vem ocorrendo nos últimos vinte anos deste século? Eu explico, meus caros caetés.

Desde a última metade de 1990, mas, mais especificamente de 2000 para cá a sociedade brasileira, para adequar-se a uma pseudoinclusão começou a negociar com seus princípios. A cada pedaço que ela entregava a fim de não excluir, não machucar, não discriminar aqueles que se achavam vítimas, alvos de uma sociedade machista, patriarcal, heteronormativa – sei lá o que essa estrovenga significa -, avançava uma pauta de desconstrução dessa mesma sociedade. Negociava-se com valores inegociáveis, cedia-se as bases da arquitetura social em nome de uma suposta inclusão que, na verdade, não inclui ninguém, apenas separa e enfraquece essa mesma sociedade.

E, a cada passo atrás o abismo ficava mais próximo de nossos pés. E, então, partiu-se para o projeto de banimento, principalmente nas escolas, o principal alvo dessa política de destruição da sociedade. Primeiro baniu-se as atividades cívicas. Utilizou-se como argumento de que essa atividade era resquício da ditadura, que impedia o livre pensamento de professores e alunos. O resultado é que o conceito de pátria, de nação, de sociedade coesa em torno daquilo que nos simboliza se perdeu. Daí dá para entender porque vemos pessoas fazendo da bandeira pano de chão, ou mesmo papel higiênico, ou ainda queimando a bandeira como se fosse apenas um pedaço de pano qualquer. Peguem qualquer pessoa com até 20 anos e peça a ela para cantar o Hino Nacional inteiro. Não sabem. Peçam para que citem ao menos duas datas nacionais importantes. Total silêncio.

Em seguida partiu-se para o banimento de Deus, nas escolas. Não se podem mais nem fazer a oração universal porque isso viola o dito estado “laico”. Aliás, os combatentes dessa ideologia falam sobre a laicidade do estado, mas não sabem o que é isso, como se iniciou e porquê ele existe. Promotores públicos, doídos com a religiosidade do povo brasileiro inundaram tribunais para que estes determinassem a retirada de símbolos religiosos, menções religiosas e cultos de dentro da escola, pois isso feria o dito estado laico. Não questionaram a sociedade se isso estava de acordo com sua vontade.

O terceiro passo foi o banimento da família. Esse pilar essencial de qualquer sociedade, de qualquer ajuntamento humano foi banido das escolas. Não se pode mais comemorar o dia dos pais, o dia das mães. Hoje só se pode falar no dia do “cuidador”. A desculpa, sem pé e nem cabeça é que existem muitos casais que não são heteronormativos – olha a palavra de novo – que não se sentem “representados” na comemoração desses dias. Ora, meu senhor, quem precisa de cuidado é planta. Criança precisa de pai e mãe. E isso não importa se o casal é hétero, gay, bi, trans, ou mesmo um casal de tatu bola, ou jaguatirica. A criança e o adolescente precisa do referencial família, até mesmo para poder cristalizar e compreender esse conceito em um plano histórico e sociológico mais amplo. Criança e adolescente precisam compreender que, assim como existem uma estruturação de sociedade, essa se inicia na família.

Logo em seguida baniu-se o conceito de autoridade de segurança. Nessa ideologia implantada goela abaixo e aceita como natural, o policial é sempre um criminoso e o bandido é sempre uma vítima da sociedade. Só respondo a esse tipo de gente. Meu ovo! Esse discurso quer nos fazer crer que a força policial, por si só gera violência, mas marotamente esquecem que a figura da autoridade de segurança é um elemento de dissuasão. Vá um criminoso para a porta de uma escola a fim de praticar um ato. O simples fato de ver um policial, ou mesmo um guarda civil armado faz ele pensar duas vezes se vale a pena o risco do seu ato. Entretanto, os apoiadores dessa ideologia funesta querem nos fazer crer que violência se combate com rosas, abraços e coral cantando “Imagine” para que tudo fique em paz.

A última tentativa de banimento está ocorrendo neste instante em todo o país. Querem banir a Língua Portuguesa das escolas e substituí-la por uma aberração lingüística chamada “linguagem neutra”, com a mesma desculpa asinina de inclusão. É um movimento continuado e forte e que nós estamos naturalizando. Sou professor de Língua Portuguesa há 32 anos e todas as vezes que vou a qualquer evento em que se usa essa aberração eu me sinto insultado. Para mim, professor de Língua Portuguesa, é um insulto e um desserviço à sociedade, pois zomba de meus anos de estudos e de meus anos de trabalho com gerações para que ela domine a forma Culta da Língua. Porque o trabalho do professor de Língua não é só repetir o que Gramática Normativa traz, mas estudar e aperfeiçoar o processo de comunicação e de expressão através da Língua,seja ela falada, ou escrita, ou qualquer outra forma de comunicação.

O mais interessante é que, quem defende esse tipo de aberração quer que ela seja implantada em escolas para pobre, sempre para os outros. Para elas, não Se filhos essas pessoas têm, buscam as melhores escolas, onde eles vão aprender e dominar a forma culta da Língua. É uma estratégia de domínio. Manter o pobre sempre pobre, e se a língua dele for a menos formal possível e com menos capacidade de interpretação e compreensão da mensagem, melhor ainda.

Mas, o que me assusta é ver um silêncio ensurdecedor da Academia Brasileira de Letras, das Faculdades de Letras de todo o país e mesmo das universidades, que por serem, ainda acredito, centros de excelências, deveriam ser as primeiras linhas de defesa da “Inculta e Bela”. Mas o que se observa é um mutismo quase cúmplice na dilapidação de um patrimônio da qual somos herdeiros, mas não proprietários. Tentar explicar como funciona a língua para os defensores dessa aberração é perda de tempo e de paciência, pois o objetivo é esse mesmo: destruir a Língua como uma identidade que transcende barreiras e fronteiras físicas.

E, de destruição e banimentos, a sociedade está aceitando negociar, e está negociando seus princípios, anulando as suas bases civilizatórias e caminhando certo para a sua autodestruição. Casos como a da professora assassinada em SP e agora a monstruosidade que ocorreu em Blumenau são apenas consequências desse processo de banimento e negociação de princípios. Acaso a sociedade achava que poderia negociar valores que são inegociáveis e sair impune, sem arcar com as consequências de seus atos? Esperávamos o que? Ao negociar com os fundamentos que no tornaram civilizados abrimos as portas para atos brutais como vimos esta semana. Abrimos a porta do tártaro para que monstros agissem livremente.

Naquela Audiência citei Ivan Karamazov como fecho final de minha fala e também quero deixar esse mesmo exemplo aqui. Ao contrário do que muitos dizem, Ivan não afirmou o que disse como uma licença para agir sem limites, mas tangencialmente fez uma severa crítica à sociedade de seu tempo: Deus morreu! É tudo permitido?

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

CABARÉS

Capitão Magnovaldo Santos, mandonista e chefe político de Pedreiras de Mato Dentro, criado e amamentado conhecendo toda a vasta tecnologia puteirista ficara muito zangado, soltando fumaça pelas ventas quando compararam o cabaré de Nhá Nacinha, casa semvergonhista de moça militante, mais afamada da região, com a Praça dos Três Poderes.

Obtemperava, a partir de soco na mesa, e fumarola de charuto que iria quebrar o chifre do safardana que garatujou aquelas invencionces.

– Filho de égua, safado! Então qualquer borra botas faria aquilo, trazendo enorme desfavor para Nhá Nacinha e suas moças de ofício, por causa de safadagem de outros? Era o que faltava. Então, um cristão batizado, crismado e confirmado não poderia mais gozar perna de moça, dedilhar seus fofinhos e besuntar o cangote de uma donzela de má fama que logo qualquer filho de égua de beira de estrada iria confundi-lo com um, deputado, um senador, ou um ministro e suas sujeiras nos desvão da capital federal.

Capitão Magnovaldo ia à loucura todas as vezes que lia em qualquer pasquim esse tipo de associação. Devocioneiro de São Lifôncio, jurou que iria arrebentar o chifre do safardana que pinchara tinta em papel marrom para denegrir a imagem de Pederneiras de Mato Dentro. Nunca, mas nunquinha mesmo iria permitiria aquele tipo de desrespeito.

Capitão Magnovaldo, desde pequeno tinha gênio estuovado. Crescera na fazenda de seu avô, no debaixo do capotão do velho e misturando seu grito de goela nova, com os mandos de dono de pasto e gado do coronel Segismundo Ferreira de Silveira Santos. Desde criança já mostrava pendores para o mundo da política e para a liderança de sua cidade. Certa vez, o coronel Segismundo, pegou o neto em delito semvergonhista no detrás das atafonas da fazenda. Recebeu reprimenda grossa, solavanco de orelha e dois dias em galé de quarto escuro. Depois disso sentenciou: vai para a cidade, aprender letra de padre e, quem sabe, ser doutor de lei, ou doutor de poções e sinapismos.

Desbocado desde cedo, altão de quase avariar as teias de aranhas da fazenda do seu avô, maluco por perna de moça, já rapazote adquiriu o hábito de frequentar casa de moça militante e fumar charuto de fina marca, desses de aromar dois quarteirões quando aceso. De letra de padre, Magnovaldo não queria nem sentir cheiro. Mas, gozava de alegria quando era chamado por Nhá Nacinha, com o argumento de que suas meninas estavam de fogareiro aceso, clamando sua presença.

Deseducado de boca, invencioneiro e linguarudo, padre Pereira, num dia desses de aula sentenciou: esse menino tem todo o sintoma do povo da política, Daria um bom sermonista, ou um deputado. Apesar de todos esses vaticínios, o que menos o capitão queria era saber de estudos. Para aprimorar sua pessoa resolveu montar barba. Vinha a calhar bem com a piaçava de fogo que cultivava na cabeça. Em viagem especial foi até o avô solicitar permissão para tal.

– Pois saiba o capitão – nessa época já era capitão da Guarda Nacional – que duas coisas de principal um homem deve ter: barba cerrada e voz grossa. Nada muito difícil, já que essas duas qualidades tinha de sobra.

Mas, a vida boa encerrou-se de maneira abrupta. Deus Nosso Senhor curou seu avô de uma vez por toda e levou o Coronel Segismundo para o céu dos anjos. E, então, Capitão Magnovaldo se tronou o mais ricoso, o mais desimpedido e o chefe político do burgo. E, com nova vida passou também a ser ouvido e solicitado emn pronta justiça em todos os acasos da cidade, seja em caso de briga na Câmara de vereadores, em casos de desdonzelismo de moça, ou em caso de roubo de moça, por alguém. Sempre que chegava esses tipos de caso, gambava o ladroísmo do acuasado, ria bastante e promovia o casamento. Era padrinho de muitas crianças da cidade. Padre Pereira, todo fechamento de ano era chamado para passar na água e no sal do batismo um magote de guris nascidos. Capitão Magnovaldo sempre era o padrinho e o protetor dos agregados de seus pastos, e nas adjacências.

Sua pessoa era a mais procurada e amais respeitada da cidade. De doutor de beberagens a desembargador de justiça vinham machucar soalho de sua casa para uma conversa de pé de ouvido. Apesar de respeitoso por fora, por dentro, o capitão era um samburá de safadagens e pilhéria. Tinha como amigo o dono da farmácia, que podia ser chamado mais de covil, do que farmácia. Teúda e manteúda nunca teve, mas todas as vezes que visitava a casa de Nhá Nacinha, saía feliz da vida, pimpão e mais alegre que pinto no lixo.

Quando a notícia garatujada em jornal comparou a capital federal com um cabaré foi a gota d’água. Sua pessoa apareceu na rua como um trem maluco. O charuto debruçado na varanda do beiço, tirava rolos e rolos de fumaça. Sua cabeleira vermelha, seu tipo altão que mais parecia uma palmeira deixava sua figura mais temerosa.

Entrou na prefeitura com a cara enfarruscada e foi tirar satisfação do prefeito. Figura miúda, quase cai da cadeira ao ver a pessoa do capitão. Disse uma coisa, disse outra, pediu desculpa, citou constituição, liberdade de expressão para fechar a rosca do discurso dizendo que nada podia fazer.

Capitão Magnovaldo saiu mais raivento ainda e se dirigiu ao j0ornal da cidade, abrindo a poder de sola de botina as portas de vai e vem da loja, perguntando onde estava o filhote de lobisomem que garatujara aquela invencionice em papel marrom. Escangalhou máquinas, desceu a gurungumba em mesas e mesinhas. Os funcionários do jornal, mais assustados que ratos buscaram asilar suas pessoas no debaixo da batina de padre Pereira, que era o confessor do capitão.

Findo esse justiçamento ancorou a sua pessoa na farmácia de seu amigo, bebendo uma cerveja e comendo um frango de especial preparo para ele. Já com as surucucus de seu cavername do peito menos zangadas passou a obtemperar seu justiçamento para o amigo.

– Eu sempre digo seu compadre. Casa de menina militante é coisa séria, é coisa de respeito. É igual coisa de religião e seu povo de batina. É preciso levar na maior seriedade na maior consideração os serviços prestados. Não se pode comparar algo tão importante com as safadagens e semvergonhismo que se pratica na capital federal. Onde já se viu, comparar um puteiro do mais alto respeito e da maior qualidade com a capital federal? Isso é uma falta de respeito com qualquer puteiro da nação.

E, depois, montou em seu tordilho, ciente de ter limpado a honra do puteiro de Nhá Nacinha a força de seu braço, voltou para a sua vida de dono de pastos e gados, já pensando nos fofinhos das meninas militantes do cabaré da cidade.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

O QUE QUEREM?

Fevereiro, mês de pão e circo em Pindorama, começou bem, com os terroristas do MST e agora da tal FNL, ou Frente Nacional de Libertação, igualzinho à sigla que dá sustentação ao ditador tarado da Nicarágua, que não respeita nem a enteada, começaram as invasões de terra, com a justificativa mais falsa que nota de sete reais, de reforma agrária. Para a maioria das pessoas que, malandramente apóiam essa estrovenga, há um misto de vingança e inveja, sob o manto da tal justiça social.

Entretanto, em uma análise mais cuidadosa, com menos preguiça intelectual e mais honestidade, do cordão umbilical que liga a quadrilha chamada PT, com MST, MTST e a atual FNL possui uma intenção mais obscura e profunda que os ricos e milionários que vestem a camiseta do Che Guevara e se sentem culpados, ainda que fingidamente, de serem ricos, acreditam, e que aiatolinhos das universidades brasileiras, querem acreditar.

Já disse várias vezes, em diversas análises, que a esquerda possui método na tomada do poder. A intenção dela é semelhante a uma cebola. É preciso ir descascando por camadas, até se chegar ao núcleo dela, quando, então poderá ser exposta a verdade escondida pelo mar de palavras bonitas.

Lembrem-se: todas as vezes que um esquerdista fala em justiça social, democracia, comida na mesa, paz, igualdade de tratamento, moradia, e outras bobagens, leiam o seu exato oposto e vocês terão um vislumbre da real intenção da esquerda. Não adianta, o discurso da esquerda é sempre traída pelos atos, é sempre traída pelas ações.

Todas as vezes que um partido de esquerda alcança o poder, a sua intenção é a perpetuação, preferencialmente eliminando seus adversários, que eles consideram inimigos, centralizando o poder, colocando cabresto, ou cooptando os demais poderes à sua vontade. Mas, o caminho para se chegar a esse “estado de coisas” não é direto, não é plano. É preciso desestabilizar a nação, criar um clima de insegurança para que a população aceite o garroteamento passivamente.

A história tem demonstrado. Em todos os quadrantes deste planeta em que a esquerda chegou ao poder, a fórmula foi a mesma, e o resultado foi extremamente positivo para ela e desastroso para a nação. Quando os bolcheviques tomaram o poder na Rússia Czarista, a primeira ação tomada por Lênin foi destruir a agricultura daquele país. Assim ocorreu na China, em Cuba, na Coreia do Norte, na Venezuela, está acontecendo na Argentina e vai, também, ocorrer no Brasil.

Quando grupelhos terroristas como MST e a tal FNL começam a invadir terras, sob a justificativa malandra de que a terra precisa cumprir a sua “função social”, seja lá o que isso signifique, de fato estão seguindo o comando dos partidos esquerdistas de desestabilizar o sistema agrário, inviabilizar a produção de comida e gerar instabilidade na sociedade.

Recentemente, orientei um artigo de um jovem formando em Agronomia sobre a produção e consumo de carne de gado vaccum, analisando o perfil dos consumidores desse produto. O levantamento estatístico realizado pelo jovem foi excelente. Ali ele demonstra que 83% da carne produzida no Brasil é consumida no mercado interno (olha ele aí, novamente, Maurício). Como sou movido pela curiosidade, fui ver dados sobre a produção de leite, de frango, de suíno, de trigo, de arroz, de feijão, e outras coisas.

Os dados a que tive acesso demonstram, de maneira cristalina que o discurso desses grupelhos é apenas vento. Os números do MAPA – Ministério da Agricultura, Planejamento e Agropecuária -, antes de ser fatiado em três inutilidades, são dados que trituram e transformam em nitrito todo o discurso balofo desse povo. O Brasil produz muito, e a maior parte do que produz é consumido aqui mesmo. Em relação à carne, apenas 17% é destinada ao mercado externo. Em relação ao trigo, 100% do que o Brasil produz é comercializado aqui. E é tanto, que o país precisa importar o produto para dar conta da demanda.

E, se levarmos em conta os demais produtos do agronegócio, passa-se a compreender os motivos do Brasil ter a comida mais barata do mundo. Mas para aqueles que acreditam que leite cresce em gôndola refrigerada, que a carne brota nos açougues e embalagens de supermercados, possivelmente esses números não tem a menor importância.

Isso porque eles não estão interessados em ter um pedaço de terra para produzir comida. Mesmo porque, para cada assentado é destinado apenas 8 hectares de terra. Esse espaço é impossível para uma produção sustentável no curto prazo. Nem para uma agricultura de subsistência para uma família de 4 pessoas essa quantidade de terra é possível.

Aqui, no glorioso Mato Grosso do Sul, um dos maiores orgulhos chamava-se Fazenda Itamaraty, que entrou para o livro dos Recordes, no final da década de 1980, como a maior produtora de soja do mundo. Hoje, em 2023, ao se andar pela fazenda, depois da dita reforma agrária, virou uma favela espaçada, com pobreza, fome e miséria, com as famílias assentadas em seus oito hectares, dependendo da cidade de Ponta Porã para sobreviver e a dita Bolsa Família para poder comer.

A real intenção desses movimentos que dizem lutar por reforma agrária, na verdade o que buscam é minar a produção de alimentos no país, desestabilizar a produção de comida, levando à escassez, ao distúrbio urbano por falta de comida, facilitando o garroteamento da nação a um poder tirânico.

Cuba é um exemplo clássico dessa estratégia. A população faminta da ilha prisão não se rebela, salvo um movimento, ou outro que é reprimido com força, a população só tem um pensamento fixo: onde arranjar outro prato de comida para matar a fome. Vendo o depoimento de uma refugiada cubana no Brasil, dizia aquela que o governo fornece uma cesta de alimentos para uma família de 4 pessoas que dura, em média 14 dias. Os demais 16 dias que o cubano se vire. Uma população mantida em estado de inanição perene torna-se apática, sem forças para lutar pela liberdade. Sua única preocupação é quando poderei botar um prato de comida na mesa e matar a fome.

O mesmo está ocorrendo na Venezuela e já está ocorrendo no Nordeste do Brasil. Cortar as águas do São Francisco, voltar os carros pipas vai desestabilizar a região, assim como as demais regiões do Brasil, provocar distúrbios nas cidades e conflagrar a sociedade, abrindo as portas para o domínio total.

Então, muito cuidado e muita atenção, principalmente do produtor rural, esse bravo que não tem dia santo, nem fim de semana. Grupelhos como MST, FNL. MTST não querem reforma agrária, ou distribuição de lotes de terras para quem não tem. Seu intento é destruir a produção alimentar do país, lançar a nação no caos e facilitar que a quadrilha chamada PT implante uma ditadura igual ao de Daniel Ortega, no Brasil.

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

MAS QUEM NÃO E?

Para Jesus de Ritinha de Miúdo, colunista do JBF

Etevaldo Guaiamum, cachacista sem remissão, amigo dos mais fiéis do suco de cana, sócio benfeitor do sindicato da gozação, era discípulo fiel da filosofia do Tavares quando o negócio era mulher. Mas, nos últimos tempos vivia um dilema familiar que o deixava tristento e todo cacarejoso quando encontrava os amigos de copo no covil, digo, no bar do Portuga.

Casara bem jovem com a Jupira. As más línguas diziam que o casamento foi a contragosto, já que a dita senhora, desde cedo era uma cruza do Mike Tyson com o Vampeta, e, para completar o pacote tinha um espírito de sargento de cavalaria reformado. Gritona, mandonista, com uma piassava no cocruto que a deixava mais rabugenta.

Filhos? Tivera dois. O Juninho, ou seja, Etevaldo Junior, rapaz delicado, mimoso, sensível e emocional, daquele tipo de rapaz que a galera, um pouco menos cínica chamava de “amaneirado”, e os pouquinhos mais desbocados, de viado mesmo. Cecília, a filha, era o justo contrário do Juninho. A moça puxava ferro, dirigia bitrem e, de vez em quando, coçava certa parte da anatomia existente na sua anatomia que era de faltante, naquele corpo super esculpido que emparelhava com o corpo de um estivador.

De cachaça em cachaça, o que mais alucinava Etevaldo Guaiamum era rabo de saia. Era só ver um pé de rabo, principalmente o de moça militante em casa semvergonhista que Etevaldo ficava todo ensabonetado, mexia nos cabelos, embonecrava sua pessoa para melhor figurinagem fazer.

Ocupação perigosa era essa vida dupla, já que a mulher, pratrasmente de uns cinco anos deu para arapongar o marido pelas vielas da cidade com um porrete de guatambu nas mãos. Por qualquer coisa, ou menasmente que isso o porrete cantava em seu costado. Mulher do cão era aquela.

Átila, com certeza seria mais compreensível e piedoso. Aquilo não era mulher. Aquilo era uma tapera abandonada e malassombrada na beira da estrada. Mas, ninguém podia dizer que Etevaldo não tinha culpa no cartório. E, também, não se corrigia. O domingo de Nosso Senhor, quando Etevaldo cruzava assunto de cachaça com mulher, a desgraça era certeira. A vantagem, porém, era que Etevaldo podia ser chamado de tudo, menos de corno. Aliás, para Etevaldo ser corno, o guampista profissional, ou amador teria que estar, ou isolado, por uns vinte anos em uma ilha deserta, ou com meia dúzia de porcas faltando no quengo.

Etevaldo, porém, era mestre na arte da guamparia. Dizia, estufando o peito que só não saía com sapo porque não conseguia identificar a fêmea. A mulher, bem que sabia das safadagens do marido, descia o braço nele, mas relevava. Uns diziam que era amor, outros que a coisa era ordem unida mesmo que mantinha a santa paz em seu lar. Mas, sempre há um porém, e a canalhice de Etevaldo sempre o colocava em rota de colisão com o cracajá de pente que ele chamava de esposa.

Deu-se que, naquele domingo calorento, Etevaldo na roda dos amigos cachacistas, com uma loirinha jeitosa, dessas que se pergunta se o valor era pela hora, ou pelo turno, sentada em seu colo e bebericando no copo do sujeito, foi flagrado pela mulher. Ah, Irineu, a dona dele nem esperou chegar em casa para o pau cantar. A roda de amantes de canavial se desfez na hora, a loirinha evaporou no ar. Quem passava no de longe, pensava que era briga de cachorro tanto os uivos que se ouvia.

– Velho bola murcha, cachorro, safado, canalha, patife. E o festival de palavrão era seguido por uma saraivada de cachações e bolachas.

– Fica se engraçando com qualquer puta, enchendo a cara e eu tenho que agüentar bodum de cachaça. E tome-se outro safanão.

– Hoje eu lhe arranco a pele e salgo seu couro, fi de rapariga. E, tome-lhe outro safanão.

A turma do deixa-disso, bem que tentou, mas do jeito que a Jupira rosnou para o bando, era melhor deixar quieto. Aquilo ali era o Sete Couros encarnado na mulher. E, com medo do tamanho da borduna que a mulher fazia assobiar nas mãos, mais raiventa que um ninho de caninanas em noite de lua cheia, baixaram o cangote e cada um foi para sua casa.

O portuga, que tudo assistia no detrás do balcão, só balangava a cabeça, já estimando o prejuízo em cachaça não contabilizada e nas trapizongas de sua bodega que a mulher do Etevaldo quebrara na força do porrete.

Terminado o show de bolachas, o portuga, vendo a mulher puxando o marido para casa, com a cara mais avariada que aqueles antigos carros da PM, ainda tentou questionar o Etevaldo os motivos daquela penitência sabendo do pitbull que tinha em casa.

– Ora, seu Manoel…. a vida é assim…. precisa ser aproveitada, além do mais eu sou…. mas quem não é?

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

AH! MERCADO

Nos últimos vinte e oito dias aqui em Pindorama, neste ano de 447 d. S. (depois de Sardinha) tenho assuntado as fofocas mais quentes que os arariboias de plantão e o bando de caciques falam sobre a Taba grande. É cada despautério que às vezes penso que bebi cauim demais, ou fumei casca de jequitibá, em vez de fumo de corda. O mais interessante nessas conversas sem futuro é que, quanto menos se entende de um assunto, mais opinião com profundidade se dá sobre ele. Profundidade que quase chega a molhar a sola do pé, mas com uma ênfase que chega a encher os olhos de lágrimas e de ufanismo o curiboca nacional.

O assunto mais em pauta, que eu acompanhei, pratrasmente de duas semanas foi o tal Mercado. Ah!, que o Mercado é mal, só pensa em arrancar dinheiro dos pobres, que é impatriota, que investe na miséria de quem veve de comer calangro e farinha de puba, que só tem interesse no lucro, sem se importar com os 120 milhões de famintos que existem em Pindorama.

Mas, afinal de contas, o que é esse Mercado draculesco? Para um desavisado pode parecer a reencarnação do senhor Hide, o mesmo o monstro do doutor Frankstein que se levantou das trevas, com seu olhar cúpido sobre os caraminguás que tupinambás ainda guardam em seus picuás e bocós amarrados na cintura. Maurício Assuero, grande Potiguara que é versado em numerários, contas, finanças e dinheiros, acredito eu, fica até com urticária quando um pseudo pajé vem falar sobre esse tal Mercado e não entende “niente” do que está falando.

Adam Smith, com uma paciência de Jó tentou explicar aos habitantes da grande taba chamada planeta Terra o que vem a ser esse tal de Mercado e como as nações se enriquecem, tentando apontar o seu dedo para as causas e as origens da riqueza das nações. Obviamente, depois de mais de duzentos anos, os conceitos evoluíram, mas o cerne continua o mesmo. Mas, ainda não nem cheguei a dizer que diabos é esse tal Mercado.

Primeiro ponto. Mercado é e não é aquele lugar onde a indiaiada vai fazer compras todos os dias, toda a semana e todos os meses. Digo que não é, porque seria reduzir muito o conceito a apenas algo palpável. Mas também é, já que é uma engrenagem de uma máquina com milhões de outras engrenagens que percisam se movimentar em conjunto para que a sociedade funcione.

O conceito da palavra Mercado, infelizmente está deturpada em Pindorama. Quando se ouve agentes do governo falarem em mercado, botam no chifre dessa palavra o adjetivo financeiro. Assim, para o leitor pouco coisa menos bidu, seria mercado apenas um grupo seleto de pessoas engravatadas, nos desvão de bancos, de empresas de investimentos, de corretoras, com garfos e facas nas mãos, e pagando latagões a serviço da bolacha, para afastar os demais caetés e eles ficarem com as melhores partes do Sardinha, e não querendo deixar nem os ossos e cartilagens para os demais.

Essa visão emburrecedora e safadista foi criada e amamentada nos desvãos de universidades e escolas de economia e martelada nas escolas de educação básica a fim de que o Bororo nacional tivesse ojeriza a essa palavra e a tudo o que ela significa, enquanto aqueles que sabem o seu real significado ficam ricos e bamburram operando nesse tal Mercado.

Pare e pense, meu caro curiboca nesse tal mercado, e se questione: você faz parte desse Mercado? Sem necessidade de titubear eu te respondo: Sim. Você faz parte dele. Pense assim comigo. Dona Januária, lá do interior da Paraíba, ou mesmo Nhá Velina, socada no interior do Pantanal, sem energia, sem água encanada, sem televisão, sem telefone celular, mas ambas têm um gosto em comum. Ambas gostam de naquear um pedaço de tabaco todos os dias, o popular mascar fumo. Todo mês elas vão até um armazém e compram um pedaço de meio metro de fumo de corda e vão para as suas casas. Pode parecer um gesto simples, quase desimportante. Mas, o fato é que não é.

Pense que aquele pedaço de fumo precisou ser plantado em algum lugar. Quem o plantou precisou arar a terra, adubar, semear o tabaco, cuidar do seu crescimento, aplicar os defensivos – o que os aiatolinhos do politicamente correto chamam de agrotóxicos -, colher, secar, enviar para a indústria de transformação, que por sua vez também faz movimentar outras engrenagens como a fornecedora de energia, da água, dos insumos aplicados no beneficiamento daquela folha de fumo. Depois a distribuição que movimenta outras engrenagens como transporte, combustíveis, a indústria alimentar, até chegar no buteco onde dona Januária, ou Nhá Velina compraram seu pedaço de fumo para mascar durante o mês.

Isso apenas em um pedaço de fumo de corda. Agora pense em uma criança que gosta de jujuba e os pais lhe dão um saquinho toda a semana. Como será que aquela guloseima chegou até às mãos daquela criança. Pensem onde ela se originou, quais as indústrias que participaram direta e indiretamente na confecção daquele doce. Eu sei, parece coisa de maluco, mas é assim que esse tal Mercado funciona.

Agora volte ao mercadinho do bairro e pense em cada produto que está exposto ali. Quantas outras indústrias, produtores, atravessadores, atacadistas, transporte, armazenamento, controle de qualidade e sanidade foram movimentados para que você, meu caro caeté pudesse chegar e pegar um pacote de biscoito na prateleira e saísse comendo despreocupadamente.

Mas esse exemplo é apenas uma faceta desse tal Mercado. Agora pense. Tudo o que você faz. O coletivo que você pega, o tanque de seu carro que você abastece, a roupa que você compra, o dinheiro vadio no seu bolso e que você resolve depositar em um banco, o seu FGTS, essa estrovenga malandra criada para tomar na mão grande o seu dinheiro, a sua poupança, o dinheiro que você pede emprestado em um banco, o empréstimo que você faz a um parente, ou a um amigo, a reforma de sua casa, o material escolar que todo ano você compra para seus filhos. Tudo isso faz parte do que se chama mercado, pois essas ações movimentam engrenagens que possibilitam que esses bens cheguem às suas mãos.

Mas e o Estado não seria parte desse Mercado? A resposta mais límpida possível é NÃO. Estado não produz, não gera riqueza. Ele apenas toma a riqueza de quem produz. E como Pindorama possui um Estado inchado, cada vez mais ele precisa tomar riqueza de quem produz. Veja que em Pindorama 97% do orçamento público vai para despesas como pagamento de aposentadorias, de bolsas, de salário de funcionários. Obviamente que, lá na ponta esses aposentados e assalariados do Estado também vão movimentar as engrenagens do Mercado, mas o dito momentum de maior força das engrenagens já se dissipou.

E o Estado toma o dinheiro de quem produz e faz a engrenagem do Mercado se movimentar de duas formas: através de impostos, contribuições e tributos, ou através da emissão de título de dívida pública. Como Pindorama é uma taba em que se gasta mais do que se arrecada, o Estado veve lançando títulos da dívida pública com juros cada vez maiores para que alguém tenha interesse em comprá-los. Só que esse dinheiro não vai para a produção. Ele não vira uma força motriz que movimenta essas engrenagens. Mas, como oferece gordos retornos, então o dinheiro é sugado dessa movimentação e vai para outros fins, não descontando o desvio, a safadagem, a roubalheira e outros etcéteras. Afinal ninguém é burro para deixar dinheiro vadio no fundo do gavetão, quando se pode ganhar outros tantos, sem fazer absolutamente nada. Apenas esperando o Estado devolver o que pegou de você mais os juros.

Quando eu ouço falar em mercado, sempre com o adjetivo “financeiro” atarrachado nos cornos dele eu tenho um pensamento pendular: ou essa gente é muito burra e fala daquilo que não sabe, ou e esperta demais e fala muito bem daquilo que sabe e está tentando enganar a patuleia. Como não sou de me deixar enganar por papel pintado, sempre vou na segunda opção. São pessoas que sabem muito bem o que estão falando, mas estão dando um passa moleque na taba toda para lucrar e muito.

Assim, meu caro caeté, quando você ouvir qualquer curiboca falando sobre mercado, faça igual a mim. Fico pubo por dentro, fofo igual a lá de carneiro. Deixo o indivíduo falar, afinal isso é de seu ofício e depois vou cuidar de minha vida, dando uma banana para o falastrão que veio tentar me engrupir.