CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MAURÍCIO ASSUERO – RECIFE-PE

Prezado Papa Berto,

por favor, avise aos cabarelistas juramentados que as reuniões do Cabaré do Berto voltarão a ocorrer a partir da próxima semana, sendo Vossa Santidade, convidado desde já a abrir os eventos desse ano.

O tema será livre, mas como sugestão há pessoas em Palmares que poderiam ser objetos de apresentação como Cu Trancado e Tira-Teima.

Assim, peço aos parceiros de sempre para fazermos o Cabaré do Berto de 2022, melhor do que fizemos até então.

Na qualidade de administrador, prometo bailarinos e bailarinas jovens e da terceira idade (Terezinha tem um monte de opção), streap tease, bebida de graça, o cardápio ficará sob a responsabilidade de Alexandre Malta, a água para misturar com rum ou fazer gelo para botar no wisky fica a cargo de Sancho Pança, o Dr. Honoris Coco e a energia fica por conta de Adônis que com sua inteligência está gerando energia sustentável usando os peidos que uma mulher tá engarrafando. (já ganhou 800 mil vendendo peido enlatado).

A entrada, como sempre, é grátis para homem do sexo masculino e mulher do sexo feminino e os dez primeiros participantes irão concorrer a diversos prêmios como: uma taça de água benta para mitigar os pecados, um rosário bento por Roque Santeiro, um passeio em Quixadá para conhecer a sogra de Neto Feitosa, ou uma vídeo aula da profa. Dra. Mercedita de Leon, especialista em Cus Prolapsados que regressou recentemente do seu segundo pós doc.

Para concorrer, basta preencher um cupom e jogar no bicho. Se der viado, então Maurino Júnior ou Zé Ramos farão a entrega dos prêmios em solenidade a ser agendada.

Peço desculpas a todos, mas tenho um compromisso do qual não posso faltar.

Então, com minhas desculpas para os cabarelistas, ficamos desde já informados para o nosso primeiro encontro na próxima sexta feira dia 14/01.

Obrigado.

R. Meu caro, você deu a ordem e eu vou cumprir.

Sou um soldado disciplinado.

O fato é que ganhei o dia com essa sua convocação.

Será um grande prazer comandar o nosso movimentado cabaré em sua primeira reunião deste ano de 2022 que está começando.

Conversar miolo-de-fossa é minha especialidade mesmo!!!

Vai chover besteira na nossa reunião do próximo dia 14.

Gratíssimo pela honra concedida a esse editor inxirido, meu nobre gerente e diretor cabarelista.

Abraços e um excelente final de semana!!!.

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

SEIS MESTRES DO IMPROVISO E UM FOLHETO DE PELEJA

UM GALOPE PARA O UMBUZEIRO – Júnior Guedes

Frondoso e bonito, o velho umbuzeiro
Que brotou das fendas abertas da terra.
Cresceu num aceiro do pé de uma serra
Passando agruras o tempo inteiro.
Foi ficando forte a cada janeiro,
Mudando a paisagem que tem no lugar.
Felizes daqueles que vem contemplar,
Seu verde, a sombra e sua doçura
O doce da fruta na forma mais pura
Que o puro da brisa que sobra do mar.

* * *

Biliu de Campina

Versejar é minha sina
No mundo transcendental
Passo do ponto final
Fazendo o que me fascina
Vou pelo mapa da mina
Navegando em barco a vela
Sem ter medo da procela
Numa letal disparada
A morte está enganada
Eu vou viver depois dela.

* * *

Miro Pereira

O meu pai não tem estudo
Mamãe é analfabeta
Eu pouco fui à escola
Somente Deus me completa
Com esse sublime dom
De repentista e poeta.

* * *

Zé Fernandes

A seca seca primeiro
Os depósitos cristalinos
Depois seca as esperanças
De milhões de peregrinos
Mas bota enchente de lágrimas
Nos olhos dos nordestinos.

* * *

Adauto Ferreira Lima

Quando o sujeito envelhece
Quase tudo lhe embaraça
Convida a mulher pra cama
Agarra, beija e abraça
Porém só faz duas coisas:
Solta peido e acha graça.

* * *

Pedro Tenório de Lima
(Poeta analfabeto do sertão do Pajeú)

Me criei abraçando a agricultura
Já tô véi, a cabeça tá cinzenta
Pra onde vou é levando a ferramenta
E uma faca de doze na cintura
Minha boca lambendo rapadura
E meu almoço, um punhado de farinha
A merenda é um ovo de galinha
Namorei abraçando as raparigas
Me deitando por cima das formigas
Que uma cama bonita eu não tinha.

* * *

PELEJA DE MANOEL CAMILO COM MANOEL MONTEIRO – Manoel Monteiro

Peço inspiração aos magos
Luz, força, brilho, fulgor
Para em poesia alegre
Contar ao caro leitor
Uma discussão que tive
Com um grande cantador.

Pernambuco é o torrão
Em que nasci e andei
Após uso da razão
A poesia abracei
E saí vendendo versos
Na Paraíba aportei.

Chegado em Campina Grande
Novato e desconhecido
Na quarta fui para feira
“Cantar versos” carecido
De ganhar dinheiro pois
Estava “desprevenido.”

Notei um senhor de óculos
Quando eu estava cantando
Que pôs-se à parte e ficou
Somente me observando,
Quando terminei o “show”
Ele foi se aproximando.

E perguntou-me; Poeta,
Estás só ou com amigo?
Respondi-lhe, na viagem
Só trago o pinho comigo,
Ele convidou, eu quero
Fazer um “baião” contigo.

Sem conhece-lo falei:
– O convite está aceito
Que pra cantar desafio
Fiz, faço e farei bem feito,
Poesia é minha água,
Meu pão, meu sal e meu leito.

Disse ele, o Dr. Limeira
Convidou-me pra cantar
Estando sem parceria
Pra fazer-me acompanhar
Ouvindo e vendo seus versos
Resolvi lhe convidar.

Ele fechou o contrato
Pra noite do outro dia
Recolhi-me ao dormitório
E de quando em quando ouvia
Na rua o autofalante
Divulgando a cantoria.

Continue lendo →

DEU NO X

DEU NO JORNAL

“SAIDÃO” QUE ENTRA NO FURICO DO CIDADÃO

O sumiço de 522 presos durante o “saidão” de Natal no Rio de Janeiro não é surpresa para os órgãos de segurança.

Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária, 42% dos beneficiados não retornam.

* * *

Ou seja, quase a metade dos que estavam cumprindo pena por seus crimes e que ganham este esdrúxulo benefício do “saidão”, não volta pra cadeia e vai pras ruas cometer novos crimes.

Esse nosso país é mesmo de lascar.

Cada lei mais escrota que a outra.

“Saidão de Natal“…

Os anjinhos com cara de Papai Noel cruzam os portões dos presídios com destino às ruas com a cara mais lavada do mundo.

E Suzane von Richthofen, aquela que mandou assassinar os pais, ganha também uma saidinha pra comemorar o Dia das Mães em casa.

É pra arrombar a tabaca de Xolinha!!!

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

A FILHA DE MEU AMIGO

Aécio chegou cedo ao escritório, alguns clientes o esperavam na sala. Cumprimentou-os, entrou. Sentou-se no birô, iniciou a leitura da correspondência. Ligou no interfone para Marlene. Ela levou a lista dos assuntos da manhã. Aécio perguntou quem era uma jovem, a secretária informou ser a filha do seu amigo falecido Tonho. Ela apareceu no lugar da mãe para pegar o cheque mensal. Ajuda que Aécio se comprometeu pelo resto da vida. Eram amigos de unha e carne desde criança jogando bola na praia. Tonho era o melhor jogador de sua turma.

Naquela época, a juventude convivia com as diferenças sociais. Valia mais quem sabia jogar bom futebol, quem trepava num coqueiro e sabia fugir correndo do vigia. Tonho era um atleta nato, desde o futebol na praia até mergulhar da cumeeira dos trapiches avançados mar adentro. Tornou-se o melhor amigo de Aécio, andavam sempre juntos caçando lagartixa com atiradeira (peteca) , mergulhando e pescando no Riacho Salgadinho, pegavam caranguejo goiamum e outras brincadeira inventada por aqueles jovens adolescentes.

O tempo que tudo desfaz, separou a amizade de infância. Anos depois Tonho procurou o amigo, estava morrendo, pediu para não deixasse a família desamparada. Desde que ele morreu, há três anos, um dos filhos de Tonho vai buscar um pequeno cheque, uma pequena ajuda.

Ele não conhecia essa filha do Tonho, morena vistosa, mandou-a entrar.

– Você parece com Tonho, sente-se. Por favor.

Recebeu-a em pé. A jovem puxou a cadeira confortável sentou-se, elegante, cruzou as pernas, sorriu.

– Muito prazer Nilda. Meu pai falava muito no senhor, muitas histórias ele contou de uma juventude alegre na praia da Avenida da Paz.

– Dá-me uma saudade dor quando vejo o Salgadinho desaguando naquele mar azul esverdeado, poluído, uma pena. Diga Nilda o que você faz na vida? Tonho foi grande amigo de infância. Gostaria de saber como posso ajudar?

– Doutor Aécio, eu estou desempregada, batalhando para sobreviver.

– Faça o seguinte, deixe seu currículo com minha secretária, vou ver o que posso fazer.

Levantou-se, estirou a mão, ficou olhando a filha de Tonho maravilhado. Que bela mulher!

Duas semanas depois ele a convidou para trabalhar no escritório, auxiliar de secretária. A convivência entre os dois se estreitou. Aécio tinha maior carinho pela filha do amigo. Ao olhar as pernas da jovem esquentava o sangue na veia, tentava se policiar. Certo dia no final do expediente ele dirigia quando avistou Nilda no ponto de ônibus, ofereceu carona, ela abriu a porta do carro, sentou-se como uma princesa. No primeiro sinal vermelho parou o carro, olhou nos olhos de Nilda, aconteceu o inevitável abraço e beijo, deixou-a perto de sua casa. No dia seguinte ela estava encabulada mal olhou para o patrão. Ele fez o convite inevitável. Passarem uma tarde inesquecível num motel da Jacarecica. A vida estabilizada, toda semana repetiram as tardes maravilhosas por mais de dois anos.

Aconteceu o inesperado, um italiano bonito e forte conheceu Nilda numa festa. Conversaram, tomaram champanhe, dormiram juntos.

Paolo se apaixonou, prolongou as férias, preparou a família, levou Nilda. A jovem agora mora em Gênova preparando-se para o casamento. Aécio, chocado, está em depressão. Em vez em quando bate saudade da fase maravilhosa que passou com a filha do Tonho, e também saudade da juventude jogando futebol com Tonho.

DEU NO X

DEU NO X

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

UMA VIAGEM DE AMARGAR

Em outubro de 2013, fretei um taxi para ir ao XXXIX CONGRESSO NACIONAL DE PROCURADORES DE ESTADO, em Porto de Galinhas (PE). Dei preferência a um taxista, compadre de Dr. Zanoni Fortes e esposa Kátima (pernambucanos, residentes em Natal), meus amigos, e por eles indicado.

Fiquei admirada com o preço baixo cobrado pelo motorista e atribui isso à amizade dele com Zanoni e Kátima.

No sábado pela manha, às 7 horas, eu e minha filha Diana entramos no táxi de Seu Radir, um senhor beirando à meia idade, educado e sério. Com pequena bagagem, estranhamos o rumo que ele tomou. Ele já estava prestes a passar pela antiga Ponte de Igapó, quanto eu lhe perguntei por que não tinha pegado a BR 101. Ele disse que eu tinha acertado com ele uma viagem à praia de Galinhos, em Macau (RN). E o caminho certo era aquele. Eu disse que ele estava completamente enganado, pois a viagem acertada seria para Porto de Galinhas, em Pernambuco e não para Galinhos (RN).

Irritada, ordenei que ele retornasse ao prédio onde moramos, pois, com ele, não iriamos mais a lugar nenhum. O taxista, só faltou chorar, e se desculpou por ter entendido mal. O preço dado por ele seria para nos deixar na Praia de de Galinhos (RN), bem mais perto. Implorou para que eu não desistisse de viajar com ele, e disse que, já que ele entendeu mal e deu o preço errado, pensando que a viagem fosse para Galinhos, iria cobrar como se a viagem fosse para Recife. De lá, até Porto de Galinhas, ele não cobraria nada. Mostrou-me a tabela de preços e eu até senti dó da situação dele.

Percebi que era uma pessoa decente e resolvi “desculpar a falha”.

Pegamos a BR 101, mas, antes disso, senti que estava muito mal sentada no Corsa Classic de Seu Radir. Simplesmente, o banco de trás tinha um enorme rasgão e se podia ver a ampola de combustível que ele conduzia (gás).

Era nesse banco que eu e Diana estávamos sentadas, salvando a ampola de gás.

Fiquei assustada com o gás, mas depois me acalmei.

O motorista nos pediu desculpas, pelo rasgão que havia no banco.

Eu trazia na bolsa de mão alguns CDs novos, dentre eles o mais novo de Chico Buarque, meu ídolo.

Depois de Goianinha, pedi ao motorista para ligar o som do carro e colocar o CD de Chico. Ele pediu desculpas novamente e disse que ali estava somente a tampa do toca-CD. O som tinha dado problema e o dono do táxi, que não era ele, tinha mandado consertar. Nem rádio tinha no carro.

Decepcionada, mostrei-me indignada, por ter que viajar durante 8 horas para Porto de Galinhas, sem ouvir nem ao menos um rádio.

Seu Radir, mais uma vez, nos pediu desculpas e disse que aquele táxi pertencia à frota de táxi de um conhecido Vereador de Natal, que não gastava um centavo com a manutenção dos carros.

Esse Vereador foi eleito pela 1ª vez em 2012. Sua campanha eleitoral foi hilária. Voltada para os idosos e crianças, pois elas poderiam conseguir para ele os votos dos pais e avós.

Imitando o Carro do Ovo, quando candidato, ele andava pelas ruas de Natal, anunciando a passagem do Carro do “Picolé”, que ele distribuía em troca de promessas de votos.

Na Zona Norte de Natal, ele mantinha uma casa de “Forró”, com entrada livre, mediante promessas de votos. Depois de seis candidaturas, ele conseguiu ser eleito.

Meu amigo Zanoni estava doente, e, pouco tempo depois, faleceu, no Pará, sem saber da Odisseia que essa viagem no táxi dirigido por seu compadre Radir representou para nós.

Não obstante o imprevisto do desconforto do táxi, o Congresso foi excelente, e o encerramento foi ótimo, com show de Alceu Valença.

DEU NO X

DEU NO X